quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

1977-01-26 - Luta Proletária Nº 61

editorial
Que vai decidir o Congresso Sindical?

Paz entre nós, guerra aos senhores – diz o hino dos trabalhadores.
Não é bem isso que se passa no movimento sindical português. No próximo fim de semana, realiza-se o Congresso dos Sindicatos, o IIº Congresso da Intersindical. Durante 3 meses, assistimos a duras discussões nas Assembleias, à recusa de paridade, à votação do Regulamento em reunião de direcções sindicais, à circulação à circulação dos primeiros textos.
Foi uma preparação democrática? Não. O programa de acção do Sindicato das Bordadeiras foi surripiado ou ficou nas gavetas da Intersindical. As emendas apresentadas pelos marxistas-revolucionários em muito sindicatos a nível nacional só circularam pelos cuidados da Comissão Distrital do Porto. As reuniões sindicais só chamaram sectores muito minoritários da classe. As delegações são de direcções sindicais e não dos trabalhadores reunidos nas suas empresas para discutirem como lutar.
Vai permitir uma mobilização nacional para derrotar o patronato e a direita? Não.
Os textos submetidos ao Congresso não fixam nenhum objectivo de luta. Nada é dito, sobre como levar o patronato a ceder às nossas reivindicações nos ACT. Embola bastante sindicatos vão defender no Congresso a proposta de um dia de paralisação nacional pelos CCT, é certo que a burocracia sindical recusa esta perspectiva e opta por um pacto social - aceitando não mobilizar a classe, não fazer greves, não enfrentar o patronato e aceitar negociar com o governo. A direcção do Sindicato da Função Publica demonstrou como se opunha à luta: recusa-se agora a avançam com a exigência dos 2 000$00, na base da qual foi eleita há poucas semanas, e apela à discussão com o governo para obter um compromisso.
É um Congresso de divisão, porque a Intersindical se opôs a uma discussão democrática, e porque os trabalhadores não se reconhecerão nas suas decisões, porque não vêm neste Congresso a autoridade e a mobilização, para avançar e coordenar os combates parciais. Entretanto, a Carta Aberta confirmou esta situação, recusando-se a participar como tendência no Congresso, calando-se sobre as pressões da direcção do PS – Mário Soares, Zenha e Curto - para a constituição de uma nova central sindical, calando-se sobre o aumento do custo de vida, a ofensiva governamental.
E agora? O que é que há a fazer?
Para já, coordenar a intervenção no Congresso de todos os Sindicatos de todos os militantes organizações que se opõem à conciliação das propostas da Inter. Intervir no Congresso defendendo um Programa de Luta unitário e a mobilização das massas como a única saída para a crise actual.
Conforme ao sucesso desta luta, a apoiar, e ao apoio que recolheu na base Sindical, há que a levar a todos os trabalhadores, com abaixo-assinados para uma jornada Nacional de Luta, com a divulgação de todas as discussões.

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