quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

1977-01-26 - Bandeira Vermelha Nº 054 - PCP(R)

EDITORIAL
CONGRESSO SINDICAL
TRIBUNA DE LUTA E MOBILIZAÇÃO PARA AS MASSAS

O Congresso Sindical que se realiza nos próximos dias, reveste-se de um grande significado para todos os trabalhadores e revolucionários. Nele irá ficar marcada a via que se coloca aos trabalhadores para fortalecer a sua unidade, ou cavar ainda mais a divisão.
Os congressistas cumprirão o seu papel revolucionário de aprovar um programa de acção e luta para todos os trabalhadores, que os mobilize contra a recuperação capitalista e o avanço do fascismo, ou trairão os interesses desses mesmos trabalhadores, aprovando um programa de conciliação e negociação com os patrões e Governo.
O Congresso que agora se realiza não é no entanto apenas de grande importância para os trabalhadores, mas também para a burguesia. Os partidos burgueses, servidores dos imperialismos, jogam neste Congresso os seus interesses de exploradores e opressores, procuram por todas as formas conseguir que ele sirva a uns, para acorrentar os trabalhadores às suas acções reformistas e de submissão ao Governo, a outros para melhor poderem levar à frente o seu projecto de divisão, para melhor poderem explorar e oprimir.
A unidade dos trabalhadores é a sua principal arma para a luta contra a exploração e opressão. Os trabalhadores só unindo-se nas suas fábricas e locais de trabalho, conseguem vitórias, mas elevando essa unidade a níveis superiores, saindo das paredes estreitas dos locais de trabalho para se unir entre si, são uma força capaz de ultrapassar todos os obstáculos que se lhes deparem e conquistarão maiores vitórias.
É certa disso que a burguesia vai procurando a cada momento encontrar as formas capazes de evitar que os trabalhadores se unam, pois sabe que permitindo isso, está a contribuir para o cavar da sua sepultura mais tarde ou mais cedo.
Este Congresso torna-se, assim, o alvo de todas as atenções das forças políticas, pois ele determinará do caminho a seguir e da táctica que terão que utilizar para conseguir os seus objectivos. No entanto, ele é também uma tribuna dos revolucionários para a apresentação de propostas que sirvam os reais interesses das massas trabalhadoras e de as mobilizarem para a luta. A unidade dos trabalhadores, e a inabalável e firme decisão de a defender, terão grande aderência por parte de todos os trabalhadores que já sentiram ao longo destes quase 3 anos do processo revolucionário ao que levam as divisões e quais os objectivos que se encontram por trás de quem as pretende realizar.
Neste Congresso contra as propostas de divisão, os revolucionários votarão a unidade, a defesa da unicidade, como uma forma consequente da defesa da unidade. A luta que milhares de trabalhadores travaram na rua pela defesa da unicidade não pode ser esquecida, como o pretendem fazer os renegados burgueses cunhalistas, ela é um desejo das massas que não pode ser traído. Contra a tentativa da formação de vários sindicatos e várias centrais, os revolucionários defenderão um só Sindicato, uma só Central, Unidade a partir dos locais de trabalho.
Contra o avanço do fascismo, e a tentativa de instauração de uma nova ditadura terrorista, os revolucionários apontarão o único caminho a seguir, o caminho da luta e mobilização das massas, só as amplas massas de trabalhadores unidas poderão evitar que esse odioso sistema volte ao nosso país, não serão os acordos burgueses nem as jogadas parlamentares. Para isso os trabalhadores devem utilizar a sua arma de luta — a greve. Contra o golpe fascista, os revolucionários defenderão a greve política geral.
Contra a política de conciliação e cedência ao fascismo e ao imperialismo, contra a escandalosa libertação dos pides e bombistas, e a sua integração nas fábricas e locais de trabalho, um só caminho: o da luta. Os trabalhadores não esquecem jamais os assassinatos e torturas desses criminosos que durante 48 anos assassinaram centenas de lutadores antifascistas, espezinharam e destruíram milhares de lares. Os revolucionários devem defender e apontar o caminho a seguir: impedimento da reentrada desses assassinos, manifestação de luta contra os julgamentos fantoches que se estão a realizar e exigência de um tribunal que julgue a Pide. Contra os decretos do governo e o aumento do custo de vida, os revolucionários defenderão formas de luta que impeçam os objectivos reaccionários do governo, e lutarão pela saída dos seus contratos colectivos.
Defender intransigentemente as propostas de defesa e de luta dos trabalhadores é um dever que se coloca a todos os revolucionários, a todos os sindicalistas honestos que se recusam a trair a sua classe. Todas as manobras que visem destruir a unidade dos trabalhadores, ou levando-a para a conciliação e submissão à burguesia, serão derrotadas.
Levantar a bandeira da luta e da mobilização de massas, preparar desde já uma ampla mobilização por estes objectivos, nas fábricas e locais de trabalho, é o caminho a seguir. O Congresso será apenas uma parte desse trabalho, o essencial é junto à classe onde se sente no dia a dia a repressão e exploração e todas as prepotências, aí os trabalhadores verificam e sentem que só unidos e na luta conseguirão vencer e destruirão as manobras que os pretendem dividir.

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