quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

1977-01-25 - Luta Popular Nº 499 - PCTP/MRPP

Desponta um amplo movimento grevista
PESCADORES:
20 MIL EM GREVE
Operárias da «Tavirense» entraram em greve

Quem não teme o mar não teme o patrão! Esta afirmação tem sido por várias vezes provada pelos trabalhadores do mar no decurso de tenazes lutas centra a exploração de que são objecto, contra as duras condições de vida, mostrando durante essas lutas que os trabalhadores do mar são um dos mais aguerridos batalhões do exército dos proletários.
São novamente os trabalhadores do mar e outros operários ligados às actividades do mar que aparecem a encabeçar um amplo movimento grevista que até aqui tem vindo a surgir inarticulado ainda sem uma única direcção, mas que demonstra já ser a antecâmara de gloriosas lutas da classe operária, avançando para um grau mais elevado com uma experiência acumulada, com uma mais completa compreensão de quem são os seus amigos e quem são os seus inimigos.
Mais de 20 000 trabalhadores do mar entraram em greve por todo o país, desde pescadores de arrasto costeiro aos pescadores de alto mar.
A greve tem como objectivo apoiar as reivindicações que os pescadores têm vindo a fazer nos reuniões e plenários, reivindicações que vão desde a exigência da anulação dos despedimentos aos 10 pescadores do Goraz (agora em Aveiro), à exigência de que as escalas de embarque continuem no Sindicato de modo a impedir todo o tipo de falcatruas que se verificavam quando elas estavam nas capitanias, que para os embarques seja necessário uma credencial do Sindicato das pescas, etc.. etc.
Mas não se trata apenas dos pescadores. Por todo o lado, por diversos motivos alastra o movimento grevista. Fundamentalmente as lutas originam-se na aplicação dos diversos CCTs que estão em fase de apresentação de contra-proposta e outros já na fase de negociação. A negociação dos CCTs tem arrastado para a luta milhares e milhares de operários e outros trabalhadores, sendo que contudo também agora outros assuntos arrastam os trabalhadores para a luta como sejam as leis antioperárias que o governo da pequena-burguesia tem vindo sucessivamente a publicar a maior parte das quais se tratam de reedições de leis preparadas contra os operários pelo partido dito comunista enquanto esteve nos Governos Provisórios. Este novo movimento grevista anuncia futuros combates para os quais será necessária uma grande firmeza de direcção, no sentido de levar esse movimento até ao fim lutando contra os que vão novamente tentar desviar a lodo o custo o curso deste amplo movimento.
OPERÁRIAS CONSERVEIRAS EM LUTA
Também ligado ao sector das pescas as operárias conserveiras desde os fins do ano passado que têm vindo a travar uma série de lutas pelo cumprimento do Contrato Colectivo de Trabalho para o sector que os patrões se têm recusado a cumprir, nomeadamente no que diz respeito ao pagamento do décimo terceiro mês.
Para além de outras lutas que se tem vindo a travar como seja o caso das operárias conserveiras de Peniche que na passada sexta-feira paralisaram o trabalho entre as 10 e as 12 horas perante o boicote que tem vindo a ser feito pelo patronato ao CCT e que já na anterior quinta-feira tinham-se recusado a prestar horas extraordinárias e paralisado durante uma hora.

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