quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

1977-01-25 - COMUNICADO - Diversos

O G.A.C. não parará com a marcha que iniciou de denúncia e limpeza das Casas do Povo do Distrito de Braga

COMUNICADO

O jornal «O Comércio do Porto» no seu número de 21 do corrente, transcreve passagens de um comunicado da Comissão Distrital da Previdência Rural com o que procura realçar o apoio dado pelo Senhor Governador Civil de Braga ao movimento iniciado pelo nosso grupo de luta, como se isso constituísse um crime.
O GRUPO ANTI-CORRUPÇÃO, atento aos problemas que corroem todas as estruturas sociais e económicas do País, fixou, para já, as suas atenções e acção no alarmante processo da vida e funcionamento das Casas do Povo do Distrito de Braga.
Os desvios, os abusos, as prepotências e toda uma gama de irregularidades de que tomou conhecimento e de que tem provas — provas estas que a imprensa se tem recusado a divulgar— praticadas por muitos dos funcionários das Casas do Povo do nosso distrito, tornou imperativo actividades conducentes a um rápido e salutar saneamento naquelas instituições, e a uma imediata remodelação de todos os serviços concernentes à Previdência Rural.
As atitudes e posições assumidas pela Comissão Distrital da Previdência Rural e pela Junta Distrital das Casas do Povo do Distrito de Braga, pode revelar, simplesmente, uma conivência e protecção aos corruptos e aos prepotentes que cruelmente, desumanamente, sacrificam as indefesas populações rurais do nosso distrito. É preciso muita falta de vergonha para, descaradamente, enviar para a imprensa comunicados a defender todos aqueles que cometeram abusos de toda a ordem e tentar atacar o nosso movimento na pessoa do Senhor Governador Civil, só porque o representante do Governo aceitou ajudar a limpar o nosso distrito dos vampiros que pairam por esta região, sugando impunemente o sangue do nosso humilde Povo rural.
Por sua vez, a tal Junta Distrital, cúmplice no processo e protegida incompreensivelmente por cúpulas altamente responsáveis, utilizando os conhecidos métodos muito do agrado dos antigos governantes, promoveu uma «manifestação espontânea» no sentido de que fossem enviados para o Ministério dos Assuntos Sociais telegramas reprovando a nossa acção e o apoio que nos estava a ser dado pelo Senhor Governador Civil. Pressurosos, acudiram à «palavra de ordem» as «IMPOLUTAS» Casas do Povo de Esporões, Fervença, Fermil, Fragoso e outras, cujos processos em nosso poder revelam bem das suas preocupações.
O GAC não parará com a marcha que iniciou de denúncia e limpeza das Casas do Povo e agradece publicamente o apoio e a entusiástica participação do Senhor Governador Civil, como cidadão íntegro e zeloso representante do Governo ao serviço e na defesa das populações mais desprotegidas e contra todos os actos que perturbem a construção de uma sociedade mais humana e mais justa.
O nosso movimento é irreversível! Temos que acabar com os que estão dentro da quinta e dos que estão no portal! Aos corruptos e aos seus defensores, quer estes se localizem nas origens, quer nas cúpulas distritais, ou mesmo aos tolerantes da Avenida João Crisóstomo, queremos dizer com toda a firmeza: BASTA!
Que as Casas do Povo sejam entregues ao Povo com a sua autêntica missão cultural e recreativa e que a Previdência Social seja definitiva e exclusivamente entregue à gestão e fiscalização das Caixas de Previdência. JÁ!
O GAC não parará enquanto isso não for feito, independentemente dos processos disciplinares e criminais a instaurar.

Braga, 25  Jan. 1977
O GRUPO ANTI-CORRUPÇÃO
Apartado 167 — BRAGA

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