segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

1977-01-23 - OS NEO-REVISIONISTAS DA UCRPm-l PREPARAM A FORMAÇÃO DE UM NOVO PARTIDO AO SERVIÇO DO SOCIAL-IMPERIALISMO SOVIÉTICO - OCMLP

OS NEO-REVISIONISTAS DA UCRPm-l PREPARAM A FORMAÇÃO DE UM NOVO PARTIDO AO SERVIÇO DO SOCIAL-IMPERIALISMO SOVIÉTICO

Declaração da comissão política do comité central da organização comunista marxista-leninista portuguesa
Janeiro de 1977

O OPORTUNISMO DA U.C.R.P.(m-l) SÃO É DE HOJE!
Após toda esta experiência de luta política em que a UCRPml revelou o seu carácter completamente oportunista e se afunda cada vez mais no pântano" revisionista em que decidiu atolar-se, é importante fazer uma análise das suas posições e "ambiguidades" aparentes, no passado recente, em relação à Reorganização da OCMLP, à unificação dos comunistas e à luta contra o social-fascismo. Isto torna-se ainda mais importante devido, ao facto de a UCRPml estar disposta a enveredar pela via da provocação, fazendo um nojento coro com alguns dos chamados "núcleos de marxista-leninistas ex-OCMLP", que mais não são do que a escumalha carteirista e neo-revisionista que sobrou do PCPr, caluniando e mentindo sobre uma série de factos desde a formação do CUP.
Uma das calunias usadas por todo esse bando é dizer que o CUP dizia umas coisas sobre a reconstituição do Partido e a unidade dos comunistas, e que hoje a OCMLP diz outras.
Vejamos o que foi dito no discurso pronunciado pelo camarada José Campos no comício promovido pela UCRPml em Lisboa, em 5 de Junho de 1976:
"Dois ensinamentos fundamentais há a tirar do processo iniciado com a formação da COMORG oportunista e cisionista e encerrado com a tomada da OCMLP pelos revisionistas. Em primeiro lugar, eue não há unidade comunista que não seja uma unidade baseada no acordo e na defesa firme dos princípios comunistas que constituem a linha ideológica fundamental do Partido. As "unidades sem princípios" apagara a diferença entre o marxismo e o revisionismo, conduzem a mais partidos burgueses como o PCPr”.
"Em segundo lugar, que não basta ainda a unidade sobre, essa linha ideológica fundamental. É necessário que a unificação dos marxistas-leninistas, a reconstituição do Partido, seja também uma unidade política, baseada no acordo unânime sobre os pontos essenciais da linha política, da estratégia e da táctica."
"O Partido - estado maior do proletariado - forma-se e edifica-se na luta constante contra a ideologia burguesa, contra o revisionismo. Tem de ser um partido unido, coeso, disciplinado, debaixo de uma única linha política e ideológica."
"O Partido Comunista só poderá ressurgir na base dos princípios do Marxismo-Leninismo e terá que ser fruto da unidade de pontos de vista nas questões essenciais entre os marxistas-leninistas. Há que rejeitar o processo da COMORG fantoche, das "votações" e das "maiorias".
É verdade que um dirigente da UCRPml após este discurso ser pronunciado, fez uma intervenção falsificando-o e dizendo que o que era preciso era sentarmo-nos à mesa da COMORG e reconstituir o Partido. Nessa mesma altura, o CUP fez um comunicado a reafirmar a sua posição e a denunciar esta manobra. Percebe-se agora porque ficou a UCRP tão zangada com o comunicado e porque passaram horas a tentar-nos convencer que todos nós tínhamos ouvido mal as palavras de Afonso Rocha.
A que ponto vai o seu oportunismo!
Todas as suas confusões aparentes sobre qual a via para o Partido, qual o papel da unidade de princípios, estão hoje claras, escondiam uma linha revisionista e carreirista da unidade podre que lhes permitisse impor a total capitulação perante o social-fascismo. Daí que andassem muito preocupadas se não estaria a decorrer de mais o processo de Reorganização da OCMLP, dai que achassem que o Manifesto do CUP já chegava como auto-crítica, dizendo:
"Em nosso entender o essencial dos erros do passado da OCMLP foi já assinalado e corrigido pelos camaradas do "União Proletária". Já anteriormente a OCMLP se havia corrigido do sectarismo anti-partido e abraçado a luta pela unificação dos comunistas e a reconstituição do Partido a curto prazo". ("OC nº l6")
O que eles não queriam era que a OCMLP levasse, como levou, até às últimas consequências a critica à linha anti-partido do passado e à COMORG oportunista da ORPC/CMLP.
Percebe-se agora também claramente porque é que fizeram uma proposta ao CUP, no sentido de saber se o CUP estava de acordo em proclamar o Partido antes das eleições para as autarquias, sem que fosse necessário todo o processo de unidade política e ideológica que conduzirá ao Congresso de Reconstituição do Partido. O processo passava-se da seguinte forma: realizava-se a I Sessão do Congresso, as organizações unificavam-se sem qualquer unidade de princípios prévia e Proclamava-se o partido, para que passasse a haver uma estrutura central que dirigisse a campanha das autarquias e "contra o Congresso da Inter".
A posição da UCRPml face aos grupelhos neo-revisionistas anto-intitulados "Núcleos de marxistas-leninistas ex-CMLP” é também uma demonstração inequívoca do carreirismo mais degenerado dos seus dirigentes a quem a única coisa que os separa do PCPr é a dor de cotovelo, é não terem sido eles a ter a ideia primeiro de criar a COMORG de Agosto de 1975 e a UDP, Ao início, quando a UCRP apareceu a dizer uma série de coisas correctas sobre a Reconstituição do Partido concretamente defendendo que o Partido podia ser reconstituído a curto prazo e não estava dependente de se ter mais ou menos implantação, esses grupelhos, no seu afã de atacar tudo o que defenda a organização leninista, atacaram a UCRPml. Nessa altura, a UCRPml chamou-lhes tudo e mais alguma coisa (aliás sem nunca o justificar de forma consequente). Hoje, que os ventos mudaram de feição e a OCMLP passou a ser o inimigo principal e comum de toda essa gente, a UCRPml anda toda unitária com esses grupelhos, faz-lhes uma criticazinhas amigáveis e, concorda com todas as provocações e calunias que lançam contra a OCMLP.
Outra coisa que sempre caracterizou a UCRPml quando havia algum contacto, ainda com o CUP, era fugirem quanto pudessem à discussão política. Estes carreiristas sabiam que não conseguiam defender a sua linha que se armava em radical contra o social-fascismo (imagine-se que há cerca de um ano achavam que os comunistas deviam levantar a Frente Única anti-social-fascista, com toda a burguesia anti-cunhalista)!) e que na prática nada mais apontava às massas além da capitulação vergonhosa face ao social-fascismo. Hoje vemos que a sua linha revisionista e carreirista ao serviço do social-fascismo se foi elaborando e consolidando e era ela que se escondia por detrás da aparente confusão e ambiguidade da UCRPml.
A posição do CUP sempre foi a de dar combate a todas as posições da UCRPml que iam contra a unidade dos comunistas em torno dos princípios, como no caso da proposta de imediata proclamação do Partido atrás referida; sempre foi a de combater e recusar-se a alinhar na conciliação com o social-fascismo, como em acções para as quais a UDP fosse igualmente convidada, como no caso da sessão de homenagem ao Presidente MAO em que a UCRPml tinha inicialmente convidado a aderir essa organização social-fascista e inimiga de morte da China. E na única discussão politica que se travou, que teve como tema o Congresso dos Sindicatos, o antagonismo entre as posições ficou claro: de um lado a UCRPml que defendia a Intersindical como central única dos trabalhadores no tempo do fascismo (onde os seus dirigentes se regozijavam de ter participado) e hoje, do outro o CUP que repudiava a Inter como instrumento criado para a traição sistemática da luta classe operária contra o fascismo e para a dominação social-fascista sobre o movimento sindical.
Por tudo isto se vê, que a oposição das nossas posições ao oportunismo da UCRPml não é de hoje, nem é obra da falta de "desejo de unidade".

A LINHA POLÍTICA DA U.C.R.P.(m-l) É UMA LINHA NEO-REVISIONISTA AO SERVIÇO DO SOCIAL-IMPERIALISMO SOVIÉTICO!
Ontem com aparência de radicalismo "anti-social-fascista" que mais não era que capitulacionismo face ao inimigo mais perigoso do povo português, hoje descaradamente trotskista e ponta de lança do social-fascismo, são as duas faces da linha oportunista da UCRPml.
À certa de um ano a esta parte, a UCRPml atacava a OCMLP por ser “centrista” face aos acontecimentos do 25 de Novembro de 1975. Atacavam a OCMLP por, muito correctamente, apontaria necessidade de esmagar o golpe social-fascista mas chamar também à luta contra qualquer tentativa de golpe fascista, enquanto que eles afirmavam que havia que unir tudo contra o social-fascismo, e falar de tentativa de contra-golpe fascista era "centrismo”. Meses depois aprovaram uma Resolução Política na V Sessão Plenária do CC da UCRPml em que apontava como tarefa a levar a cabo pelos comunistas face à situação política no nosso país, "a palavra de ordem de Frente única anti-social-fascista”, que englobava todos aqueles que fossem contra o Partido de Cunhal pois, segundo eles, "havia que combater um inimigo de cada vez”. Pouco depois, aquando das eleições para a Assembleia da República, dizem que estas "encobrem o golpe social-fascista" e apelam ao "voto nulo", ao mesmo tempo que divulgam cartazes capitulacionistas onde se vê o social-fascismo a assassinar o povo sem qualquer resistência.
Estes são alguns exemplos de posições oportunistas da UCRPml tomadas numa fase em que um grande aparato "anti-social-fascista" e anti-social-imperialista" escondia a capitulação.
 O que dizemos no "O Grito do Povo" nº 3 II série sobre a UCRPml, retracta nos seus traços essenciais a linha oportunista actualmente defendida pela UCRPml:
"A linha da UCRPml nega que haja uma fase de luta pela Independência Nacional a cumprir hoje no combate pela vitória da Revolução Socialista no nosso país, e que os maiores esforços dos comunistas devam ser despendidos na luta democrática e patriótica e, consequentemente, é contra o apoio e a mobilização das massas pela exigência de medidas que, embora não pondo em causa o Estado Burguês, servem a independência económica e política da nossa pátria, assim como é contra uma justa política de alianças com os sectores democráticos da burguesia para a luta contra as superpotências e os seus lacaios internos e em particular contra os social-fascistas do Partido de Cunhal e o social-imperialismo soviético. A UCRPml tem vinco a defender uma linha com características trotskistas, de luta contra "toda a burguesia", perante a qual as suas palavras sobre a situação internacional não passam de palavras que nada têm a ver, para eles, com a situação que se vive em Portugal.
"Vejamos no concreto o que têm sido as posições da UCRPml, começando pela sua posição face ao Governo PS. Desde a sua constituição que a UCRPml é contra o governo PS por ser um governo burguês que, segundo eles, tem por objectivo aumentar a exploração das massas trabalhadoras e também, segundo eles, porque procuras anular as conquistas democráticas da classe operária e todo o povo português.
"Antes de mais, os comunistas, na actual situação política internacional de acesa rivalidade entre as superpotências e ameaça de desencadeamento de uma 3ª guerra mundial, defendem que a luta contra as superpotências e o perigo da guerra é a sua tare a prioritária, assim como a aliança com os sectores democráticos e patrióticos da burguesia para esse combate fundamental. Colocar ao mesmo nível o com bate às forças do social-fascismo e do fascismo e aos restantes sectores da burguesia, é fazer o mesmo que os trotskistas nas vésperas da II Guerra Mundial na sua actividade de sabotagem á preparação da resistência anti-fascista e à unidade das forças amantes da paz e da liberdade, que fez deles pontas-de-lança do fascismo. É isto que está expresso no programa da FERP, quer na definição dos seus grandes objectivos, quer quando se diz: "Elas serão também (as eleições para as autarquias locais) uma repetição das anteriores eleições, com mil promessas de Liberdade, Independência racional e Bem Estar Social por parte dos partidos burgueses, a começar por aqueles que depois do 25 de Abril de 1974 têm as rédeas da nação e que, “ao contrário de servirem as conquistas e os direitos dos trabalhadores, as não têm senão contrariado procurando, cada qual à sua maneira, exercer a ditadura da burguesia contra quem trabalha, negociando com o social-imperialismo e o imperialismo a Independência de Portugal e pretendendo atirar com a crise capitalista para as costas dos trabalhadores".
“Foi também esta a posição que a UCRPml tomou em relação às eleições presidenciais apegando ao "voto nulo" porque "os comunistas, regra geral, não apoiam qualquer candidato burguês para a Presidência da Republica burguesa" ("OC" nº 15)
“E vejamos de seguida ao que chama a UCRPml "atirar o peso da crise capitalista para as costas dos trabalhadores" e, mais concretamente, medidas que visam o aumento da exploração das massas trabalhadoras. A UCRPml chama isto a todas as medidas que visam superar a crise económica que o nosso país atravessa e que só interessa às su­perpotências, e fundamentalmente ao social-imperialismo soviético, para manter e aumentar o domínio sobre o nosso país; a todas as medidas que visam levar a cabo uma economia de salvação nacional, de luta pela independência económica do nosso país, e a que normalmente se chamara "medidas de austeridade"; chama isto às medidas que visam acabar com a sabotagem social-fascista da produção para entregar a nossa economia às "ajudas" soviéticas, como aquelas que se dirigem contra a grande percentagem de absentismo existente no nosso país."
“Isto são exemplo do que a UCRPml entende por medidas de exploração das massas, posição antagónica com a posição comunista de defender a superação da crise económica e o levantamento de uma economia que garanta a nossa independência nacional face às superpotências, e de se opor ao slogan tão caro aos trotskistas: "os ricos que paguem a crise", e que agora também os dirigentes da UCRPml defendem, ao mesmo tempo que a sua prática é de apoiar movimentações promovidas pelo social-fascismo para arruinar a economia nacional, como no caso da movimentação ainda recente dos conserveiros. Aos comunistas não é indiferente o rumo que leva a greve crise da economia no nos­so país.”
“E, para superar a crise económica assim como para acabar com a sabotagem social-fascista neste e noutros domínios, o governo tem tomado algumas medidas firmes que os comunistas devem apoiar e às quais a UCRPml chama de roubar às massas as suas conquistas democráticas. Por exemplo, a UCRPml tem estado contra, através do silêncio que tem mantido, as medidas anti-social-fascistas tomadas pelo MEIC; a UCRPml faz publicar em jornal saído recentemente um artigo contra a suspensão da comissão de trabalhadores da OGMA, dominada pelos social-fascistas, que levaram a cabo uma intensa e criminosa actividade de sabotagem da produção por, segundo dizem, ser um ataque do Governo à organização dos trabalhadores. Ao lermos estes documentos da UCRPml, muitas vezes parece que estamos a ler textos da UDP disfarçados com palavreado "anti-social-fascista"! Raciocinar como a UCRP leva à identificação das conquistas democráticas com aquilo a que os social-fascistas chamam a "ambiente revolucionário do Verão de 75, o ou seja, à identificação da democracia com a manipulação social-fascista, com o fomento do ambiente golpista e da sabotagem da produção e da actividade noutros domínios, de forma a que ficassem dependentes das forças negras do social-imperialismo. Por este caminho, ter-se-ia que considerar os preparativos do 25 de Novembro como um grande ascenso do movimento popular, identificando-se assim a manipulação social-fascista com o movimento popular.”
"É preciso que se compreenda que o direito que cada escola tinha de elaborar os seus programas de ensino não era democracia, mas sim um meio de os social-fascistas imporem a sua ideologia no ensino; é preciso compreender que o fomento do absentismo e o controle das empresas pelas Comissões de Trabalhadores assaltadas pelos social-fascistas não era democracia, mas também um meio de estes se apoderarem das rédeas da economia nacional para a colocarem sob o domínio do social-imperialismo soviético.”
Os comunistas lutam pela Liberdade e pela Independência Nacional da nossa pátria e trabalham no sentido da mobilização das massas para exigir às forças democráticas da burguesia no Governo que salvaguardem a nossa independência, e para o apoio a todas as medidas que tomarem nesse sentido, pois seguimos uma correcta política de alianças e não defendemos que "esse governo (que salvaguarda a nossa independência) sé é possível com a tomada do poder pelo proletariado" ("OC" nº l5). Se o defendêssemos teríamos que rever toda a nossa justa posição sobre a actual situação política internacional e a política de Frente Unida contra as superpotências.”
"Mas vejamos também qual é a linha da UCRPml em relação ao Congresso dos Sindicatos promovido pelos social-fascistas da Inter. Antes de mais é importante referir a defesa que a UCRPml faz da Intersindical no tempo do fascismo como Central Única dos trabalhadores portugueses assim como da participação de dirigentes nessa estrutura reaccionária. Daqui advém o facto de a UCRPml nunca pôr em causa a Intersindical como Central Sindical Única, mas apenas o seu "Secretariado social-fascista".
"Os comunistas, pelo contrário, não reconhecem a Intersindical como Central Sindical dos trabalhadores portugueses no tempo do fascismo, nem agora. E apontam claramente os social-fascistas como os responsáveis pela cisão no movimento sindical, de que o actual Congresso da Inter é um exemplo e não, como diz a UCRPml referindo-se ao Congresso "Os sindicatos dividem-se entre esta ou aquela facção da burguesia, entre esta ou aquela direcção corrompida e vendida ao capital monopolista". E, por isso, sempre apoiámos o movimento da "Carta Aberta", combatendo toda a capitulação e conciliação face ao social-fascismo que se manifesta no seu seio e apoiamos a unidade com todas as forças democráticas que, no movimento sindical, se opõem ao Congresso cisionista da Inter."
"A UCRPml leva a cabo uma política que, em nome da luta contra a burguesia, ataca a justa política de alianças dos comunistas com todas as forças democráticas e patrióticas para a luta contra as super potências e os seus agentes internos, ao mesmo tempo que defende e insiste nas propostas de acções comuns e alianças com os pontas de lança do social-fascismo tipo UDP-MRPP. Vejamos dois exemplos claros disto: O primeiro é a proposta feita a estes grupos anti-chineses e pontas de lança do social-fascismo para, participarem numa sessão de homenagem ao Presidente Mao, o que é o título do oportunismo; o segundo é a recente, proposta feita à UDP na Madeira, de acção em comum no movimento dos operários da Construção Civil, queixando-se de a UDP não ter aceitado."
"E, para vermos ao que chega esquerdismo e o aventureirismo da linha política da UCRPml, vejamos que belo serviço prestado ao social-fascismo seria as autarquias locais, por exemplo no Alentejo, levarem a cabo uma das reivindicações do programa municipal da FFRP, que diz: "Preparação militar da população trabalhadora, construção de abrigos subterrâneos...".
Para além do que está expresso neste texto de "O GRITO DO POVO" nº 3 II Série, é importante referir outros aspectos que têm surgido na recente propaganda e prática da UCRPml bem como nas conversações que tivemos.
A primeira é o terem-nos declarado expressamente que a UDP/PCPr não é social-fascista e que estão interessados em discutir com eles as divergências e incrementar as propostas de unidade na acção.
Vemos agora também que no "O Comunista" nº 27 a UCRPml fala do 25 de Novembro de 1975, e ainda bem, pois as ideias expressas no artigo sé vêm demonstrar a justeza da análise que fizemos da linha política desta Organização.
Diz a UCRPml, referindo-se ao 25 de Novembro, que: "As alianças tácticas com as oposições democráticas - contra as forças do fascismo, que não devem ser desprezadas quando necessários, não devem também ignorar a luta de classes - seria reforçar a contra-revolução", pois senão, segundo eles, pratica-se "o culto da colaboração de classes". Mas, será "culto da conciliação de classes" apoiar activamente a oposição ao social-fascismo e ao social-imperialismo das forças burguesas democráticas e patrióticas, que é o que mais preocupa a UCRP neste artigo sobre o 25 de Novembro?
Tais preocupações conhecêmo-las de as ouvir dos neo-revisionistas para atacar a luta pela independência nacional, querendo apresentá-la como oposta à luta de classes. Mas, para responder a estes argumentos, os mesmos que os liquidadores neo-revisionistas que assaltaram a OCMLP invocaram para dizer que a nossa Organização defendia uma "linha de direita", basta citar uma frase do Presidente Mao:
"Na luta contra um inimigo nacional, a luta de classes assume forma de luta nacional, nisso se manifestando a identidade desses duas lutas".
E quanto à questão sindical, as suas posições ao serviço do social-fascismo aclararam-se bastante. Depois de terem participado no movimento da "Carta Aberta" para ai cumprirem o papel de submarinos do PC (o que ainda hoje se preocupam em levar à prática quando, por exemplo, no ultimo encontro de Coimbra da "CA" o Sindicato dos Ourives e Relojoeiros do Sul esteve presente única e exclusivamente com o objectivo de distribuir as suas propostas de teses para o Congresso social-fascista e assim tentar influenciar os sindicatos democráticos no sentido da capitulação face às manobras da Inter social-fascista) são hoje contra ele a quem chamam de divisionista e a quem atacam como o principal inimigo a abater no movimento sindical. São igualmente contra a auscultação livre, democrática e universal da vontade dos trabalhadores através de referendos, a que chamam: "recurso para encobrir o medo das massas". Ou seja, para eles é nas Assembleias Gerais sob a pressão do terror social-fascista que se devem tomar estas decisões pois, odiar a Intersindical social-fascista e recusar aderir aos seus interesses social-imperialistas, para eles, é "enfraquecer a oposição anti-social-fascista no Congresso da Intersindical". E assim têm-se preocupado em dar coesão a essa "oposição" que é formada por eles, pelo MRPP e pela UDP/PCPr/GDUPs, ou seja, pelos pontas-de-lança do social-fascismo que foram sucessivamente passando pela "CA" tentando destruir o movimento sindical democrático e que hoje, tristes com a sua sorte de nada terem conseguido, lançam unidos mais um trunfo a ver se pega, que é o da luta dentro do Congresso, chamando-lhe "anti-democrático", não vá a Inter e o Cunhal não lhes pagarem os seus préstimos.
Recentemente a UCRPml, para além de ter aderido à convocatória de um Comício sobre o assassinato e prisão de anti-fascistas brasileiros juntamente com o PCPr e com uma "Comissão unitária e apartidária" que contava com os distintos social-fascistas José Morgado, Rui Luís Gomes, Óscar Lopes, Pereira de Moura, etc., o que representa um aval dado à política social-fascista da URSS e uma prova de consideração pelo "anti-fascismo" dos seus no nosso país, tem atacado o PC social-fascista por conciliar com os "ataques do Governo" à "Reforma Agrária" no Alentejo, dizendo ainda também: no "OC" nº 28:
"...é claro que uma mobilização destes (dos trabalhadores rurais) implicava guerra aberta ao governe social-democrata coisa que, para já, os social-fascistas não farão, interessados como estão em que o Governo não caia para o lado PSD/CDS, mas sim para o lado da sua "maioria de esquerda/governo de independentes". Da mesma forma, ataca o Governo por ter suspendido o crédito agrícola de emergência às UCPs que, dominadas pelos caciques social-fascistas, desviaram para fins anti-democráticos e anti-nacionais o dinheiro desse crédito, recusando-se a apresentar contas, o que a UCRPml considera "chantagem" e "ameaça sistemática" do Governo ("OC" nº 28).
Assim têm o mérito de não passar a enganar ninguém sobre os bons serviços que prestam a Cunhal e Brejnev!
É esta a linha neo-revisionista da UCRPml, que tem muito de comum com a UDP/PCPr e com O MRPP (cuja unidade na acção bastante se tem intensificado), diferentes grupos de diversão e pontas de lança do social-fascismo, cuja forma apenas varia devido à necessidade cada vez maior de se arranjarem outras maneiras de servir O social-fascismo, quando as anteriores já estão suficientemente desmascaradas.

A U.C.R.P. (m-l) É CONTRA A REORGANIZAÇÃO DA OCMLP PORQUE É CONTRA A NOSSA JUSTA LINHA POLÍTICA MARXISTA-LENINISTA!
O ataque que hoje a UCRPml lança contra a nossa Organização tem a sua razão de ser no ódio que têm à nossa linha política marxista-leninista e à linha de unidade dos comunistas em terno des princípios.
Anteriormente a UCRPml dizia apoiar a Reorganização da OCMLP e dava a isso destaque na sua propaganda porque pensavam, como hoje declaram, que: "Após o período necessário para a reorganização interna dos comunistas da OCMLP, nós estamos certos que...estes nossos camaradas se unirão connosco na preparação e realização do Congresso". Ao mesmo tempo queriam evitar que a OCMLP levasse até ao fim a sua auto-crítica da linha anti-partido do passado e lançavam mão de manobras de pressão tendentes a obrigar-nos a aderir à sua COMORG, como é exemplo a deturpação feita por Afonso Rocha num Comício em Lisboa das afirmações já atrás transcritas de um camarada do CUP, como são exemplo as insistências em que nunca mais acabávamos o processo de reorganização e íamos discutir a Plataforma, como é exemplo a proposta de Proclamação do Partido antes do necessário processo de conquista, da unidade política e ideológica, pois a Plataforma de Princípios "via-se depois". Ou seja, preparavam-se pare cumprir o papel de peneira de malha fina em relação à ORPC/CMLP.
Tudo isto tinha por objectivo pressionar-nos a aderir ao seu Congresso abdicando da unidade de princípios.
Mas, como a justa linha de levar até ao fim o balanço da OCMLP e realizar a III Conferência Nacional da OCMLP (de Reorganização) triunfou, a sua posição não pode ser a mesma hoje. Por um lado, a linha política marxista-leninista da OCMLP foi clarificada e foram criticados os desvios do passado, per outro lado foi definida a justa linha para a reconstituição do Partido de luta pela unidade dos comunistas e demarcação com o oportunismo, a justa linha de intransigência na defesa dos princípios, na defesa da unidade dos comunistas em torno dos princípios marxistas-leninistas estas questões essenciais de linha política. Por isso a UCRPml diz acerca do Balanço da OCMLP: "renegam o fundamental das posições correctas que assumiram, cortando ideologicamente com o desejo de unidade próprio dos comunistas”. Ou seja, para a UCRPml foi mau nós termos cortado com a conciliação com o neo-revisionismo pois, para este bando de oportunistas, o que tinha sido positivo no passado da OCMLP tinha sido a "auto-crítica" de Agosto e o "desejo de unidade" aí manifestado. E as conclusões da Conferência e a firmeza como o CC da OCMLP as tem levado à prática, são uma barreira que a UCRPml sabe que não consegue derrubar.
Por isso dizem já hoje claramente que são contra a reorganização da OCMLP como foi afirmado nas conversações com o nosso Comité Central pela boca do membro do Secretariado do CC da UCRPml Afonso Rocha:
"... nós dissemos que vos apoiávamos (na altura da luta contra a liquidação) e qual o espírito nas relações com vocês... Vocês tinham dois objectivos essenciais, era a auto-crítica e era contactar, discutir a “Plataforma do Partido Comunista" (documento apresentado pela UCRPml), não era de maneira nenhuma contactar as várias organizações existentes ou grupos, não era elaborar uma linha política, não era uma edificação da linha política..."
Desde o início que as forças da OCMLP que resistiram ao assalto" neo-revisionista definiram claramente o seu objectivo de Reorganizar a OCMLP, e a realização da III Conferência Nacional da OCMLP (de Reorganização) foi uma vitória alcançada na luta contra teorias, oportunistas e anti-partido de grupos que foram expulsos do processo de luta pela reorganização da OCMLP, como o de Benfica e o da Covilhã. Estes grupos oportunistas pretendiam sabotar a tarefa de Reorganização da OCMLP e, entre outras coisas, opunham-se frontalmente à definição de uma justa linha política que orientasse o nosso trabalho, dizendo que isso de "definição da linha via-se depois", dizendo ainda que "levantar de novo a Organização era fruto de intuitos carreiristas".
Vemos agora claramente a quem serviam estas teorias oportunistas daqueles que, no processo de Reorganização da OCMLP, quiseram completar a obra dos liquidadores neo-revisionistas que não conseguiram destruir a nossa Organização. Elas serviam ao neo-revisionismo e ao oportunismo anti-partido, e a prova está no facto de hoje a UCRPml vir arvorar essas posições para atacar a Reorganização da nossa Organização, e defender a sua linha neo-revisionista e o seu oportunismo anti-partido.

U.C.R.P.(m-l) É UMA ORGANIZAÇÃO ANTI-PARTIDO E AVANÇA PARA A FORMAÇÃO DE UM NOVO PARTIDO REVISIONISTA!
No início da última reunião havida com a UCRPml, um camarada da delegação do Comité Central da OCMLP começou por fazer uma exposição dos aspectos fundamentais que a nossa Organização criticava da linha anti-partido que vinha sendo seguida pela UCRPml, linha essa que já analisámos no "O Grito do Povo" nº 4 II série. Citamos os extractos principais dessa intervenção:
 Quando nos colocámos como ponto 1 da Ordem de Trabalhos das discussões convosco a questão da linha para a Unificação dos Comunistas, tem a ver com a necessidade de discutir por um lado uma série de posições por vós levadas a cabo e defendidas sobre a unificação dos comunistas, com as quais não estamos de forma alguma de acordo, por outro lado de discutirmos também as concepções que por aí começam a aparecer bastante, concepções sobre a unificação dos comunistas, de vários sectores, que se assemelham bastante com as concepções anti-partido que a ORPC defendeu para lançar a Comorg e que deram origem ao PCPr. Para nós assemelham-se bastante uma série de concepções que há para aí, umas mais veladas, outras mais descaradas, parece-nos importante ver sobre isso a posição das duas Organizações."
"Concretamente em relação a vocês há uma série de questões sobre as vossas posições sobre a unificação dos comunistas que é preciso discutir e que nós queremos saber até que ponto é que elas, de facto, não enfileiram naquelas que eu referi à bocado. Algumas questões já têm sido levantadas em reuniões anteriores entre delegações dos CCs relativamente à questão da unificação dos comunistas. Concretamente, vocês numa reunião havida em 20 de Dezembro insistiram bastante na questão de que era preciso o desejo de unidade", era o factor essencial e determinante para a unificação dos comunistas e que para as discussões era preciso partir com o "desejo de unidade". Vocês já conhecem a nossa posição sobre isso, expressa no "O Grito do Povo" nº l, de qualquer forma é bom que discutamos isto até ao fim... Para nós a questão do "desejo de unidade" no abstracto, isso não existe na medida em que (e colocando as questões concretamente em relação às discussões com a UCRPml depois de sabemos se nos vamos unir ou não com a UCRPml depois de sabermos se chegamos à unidade ou não nos pontos de princípio necessários à unidade dos comunistas. A nossa posição face à discussão com a UCRPml ou com qualquer outro grupo ou organização que se reclame do marxismo-leninismo é uma posição clara de dizer se nos perguntarem: "Vocês querem unir-se connosco?", nós queremos unirmo-nos se chegarmos a acordo, se não nos quer mas unir na medida em que a nossa linha é uma linha de unidade dos comunistas e de demarcação com o oportunismo, de unidade em torno dos princípios. Por isso não temos nenhuma declaração a fazer à partida, de que nos vamos unir com estes ou com aqueles, não temos qualquer declaração à partida a fazer de que a nossa intenção é querermos unirmo-nos, quando à partida há divergências profundas. Nós estamos a discutir e discutimos com diferentes grupos e Organizações que se reclamam do marxismo-leninismo, e concretamente convosco, as questões de princípio necessárias à unidade dos comunistas e se chegarmos a acordo, pois então haverá a unidade entre as nossas duas Organizações. Se não chegarmos a acordo, ela efectivamente não poderá existir."
"E porque defendemos uma linha, que é uma linha de preservar na defesa dos princípios e na unidade sólida em torno dos princípios, porque achamos que é esta a via, a via da Plataforma de Princípios a que se deve defender no sentido da Reconstituição do Partido... nós opomos como já vos declarámos, à criação por vós da FERP. A nossa posição sobre isso é que achamos que a formação da FERP, segundo os vossos planos, levaria a um escamotear das divergências que tem que ser discutidas no quadro da discussão para o acordo numa Plataforma de Princípios entre os vários grupos e Organizações que se reclamam do marxismo-leninismo, na medida em que no Programa da FERP e na actuação da FERP, essas contradições de principio sobre algumas questões surgem claras, quando se avança, por exemplo, para a elaboração de um Programa e..., toma-se uma posição de passar por cima de contradições e de divergências de princípio que opõem tácticas e estratégias diferentes face à situação política, opostas e mesmo antagónicas em muitos pontos? Quando isto acontece, não pode de facto haver uma Organização que tenha isto tudo lá dentro, não pode haver uma Organização que não tenha por objectivo ludibriar as divergências e escamotear a discussão dos princípios e a unidade em torno de uma plataforma, que seja assim formada."
"Vocês quando lançam a FERP apontam que há uma luta fundamental que é a luta contra o sectarismo e aí estão os grandes alicerces da FFRP, e hoje também se fala muito da questão da "luta contra o grupismo”. A posição que temos é que achamos que entre as organizações que se reclamam do marxismo-leninismo, o que as divide não é o sectarismo, mas são efectivamente posições políticas e ideológicas diferentes, claramente delimitadas e, nesse sentido, nós achamos que a sua existência não é um sintoma de "grupismo", mas sim um sintoma das divergências políticas e ideológicas que existem e que é preciso serem discutidas... Não nos referimos a certos grupelhos, que não tem razão nenhuma de existir, na medida em que existem só para tentar encobrir a sua posição ideológica, mas referimo-nos às Organizações que se reclamam do marxismo-leninismo. E não aceitamos qualquer ataque, que hoje há por ai ataques desses que começam a saltar bastante de determinados sectores, de que, por exemplo, seja uma concepção anti-partido de qualquer um grupo ou Organização que se reclame do marxismo-leninismo, o facto de desenvolverem trabalho para o fortalecimento da sua Organização para a divulgação da sua linha politica, implantação nas massas. Este tipo de argumentação vêm la chegar de quem quer de facto justificar a sua posição ideológica, que já não é de agora, de não querer sujar as nãos no trabalho de massas…"
outras questões ... que também importa discutir. A questão é a seguinte, é que nós achamos que aquilo que se está a passar entre as nossas duas Organizações, as discussões sobre o "desejo de unidade", sobre a FERP, etc, são questões que rebatem também a análises diferentes... no que se refere ao processo que deu origem ao PCPr. Nós fizemos uma análise de todo esse tempo como vocês devem conhecer do Balanço da OCMLP. No Balanço, e noutros textos que saíram antes e depois em relação à Comorg oportunista da ORPC nós dizemos claramente que ali o que houve foi uma manobra da ORPC no sentido de formar o seu Partido neo-revisionista e não consideramos que haja ali nada de positivo, achamos que não ali nenhum "desejo de unidade como actor positivo", nem nenhuma luta nela "unidade" que tenha sido "positiva". Achamos que isso que se chama de "luta pela unidade positiva", são as manobras dos neo-revisionistas para tentar de facto levar a água ao seu moinho e firmar o seu Partido, escamoteando as divergências de princípio e chamando sectário a quem não se quer "unir" e apresentando a unidade como o principio fundamental, porque lhes convinha de facto. Em relação concretamente à posição da OCMLP, nós consideramos que a posição que a OCMLP tomou no que se refere à "auto-crítica de 14 de Agosto", essa auto-critica foi a capitulação face à manobra da COMORG. A "auto-crítica" e a assinatura (O Estatuto da COMORG. E não estamos de forma alguma de acordo que essa posição da OCMLP seja qualquer "abolir do sectarismo anterior", ou seja, qualquer posição positiva contra posições "sectárias" anteriores, na medira em que consideramos as posições anteriores como positivas no fundamental."
"Da mesma forma, queríamos tratar de mais uma questão que se discutiu no encontro realizado a 17 de Novembro, em que vocês declararam que para Reconstituir o Partido, consideravam uma questão necessária que era a unidade da OCMLP com a UCRPml. Ou seja, para vocês a unidade da OCMLP com a UCRPml era uma condição que tornava de imediato possível reconstituir o Partido. Pois nós sobre isto também temos uma posição oposta, na medida em que, como vocês devem conhecer, o comunicado saído da I Sessão Plenária do CC da OCMLP que concretiza as conclusões da III Conferência Nacional (de Reorganização) refere que nós aprovámos que irmos estabelecer discussões bilaterais com o objectivo da realização de discussões multilaterais, que iremos discutir o documento-proposta da UCRPML intitulado "Plataforma do Partido Comunista" e outros documentos doutros grupos, doutras Organizações sobre a mesma questão. Isto implica que nós iremos levar a cabo discussões com a UCRPml e não só com a UCRPml. Nós não temos qualquer razão para dar primazia às discussões com a UCRPml em relação às discussões para qualquer outro grupo ou Organização, consideramos todos em pé de igualdade, até na medida em que não há neste momento, com a UCRPml, qualquer maior identidade das nossas posições políticas e ideológicas do que com qualquer outro grupo ou Organização. Por outro lado, nós achamos que para reconstituir o Partido é necessário haver uma clara delimitação com os outros grupos e organizações oportunistas e achamos que neste campo ainda há muito trabalho a fazer." (1)
Após esta exposição, a delegação da UCRPml não a quis discutir, porque não lhe interessava ver desmascarado o seu oportunismo e insistiu na sua demagogia sobre o "desejo de unidade" que contrapunha à justa linha por nós defendida de unidade torno dos princípios. E, para o evitar, procurou desde colocar esta questão como ponto prévio, até à manobra oportunista de falsificar a O.T. aprovada.
E quais as suas justificações para isto?
Uma foi a invocação duma citação do Presidente Mao que, provocatóriamente, quiseram usar para tentar defender as suas posições oportunistas. Diz o camarada Mao na citação que os oportunistas da UCRPml quiseram tentar aproveitar:
"Este processo democrático destinado a resolver as contradições no seio do povo, nós resumimo-lo em 1942 na fórmula: "Unidade-crítica-unidade". Mais explicitamente, é partir do desejo de unidade e resolvendo as contradições pela crítica ou a luta, a uma nova unidade repousado numa nova base. Nós podemos constatar com base na nossa experiência que é um método correcto para resolver as contradições no seio do povo. Em 1942 nós utilizámos este método para resolver as contradições que existiam no seio do Partido Comunista entre os dogmáticos e a massa dos membros do Partido, entre o dogmatismo e o marxismo."
A nossa delegação afirmou claramente que uma coisa é a discussão e a resolução das contradições no ceio do Partido já reconstituído e outra é a discussão com vista a unir o marxismo-leninismo e demarcar o oportunismo para reconstituir o Partido e ainda, que perguntar como eles perguntaram, se estávamos de acordo ou contra a citação do Presidente Mao, era provocação pois a nossa posição tinha sido clara no decorrer das discussões. As contradições entre nós e a UCRPml não as podemos considerar contradições no seio do povo, mas contradições com o inimigo, pois são contradições entre o marxismo-leninismo e oportunismo lacaio do social-imperialismo e o desejo de unidade só existe quando as contradições são contradições no seio do povo e nunca é o contrário à defesa intransigente da unidade de princípios.
Argumentou a delegação da UCRPml ainda com o facto de um Partido po­der ter durante um curto período de tempo uma linha oportunista a guiá-lo e não deixar por isso de ser um Partido marxista-leninista. Diziam eles:
"Se nós não partirmos deste desejo ("desejo de unidade") nunca nos unimos, a unidade do Partido está desregrada. Sempre que há divergências de princípio, sempre que há uma luta entre duas linhas e por vezes, inclusivamente, a linha oportunista, e em torno de questões de fundo, em torno e questões de linha fundamental, quando isso são tendências maioritárias no Partido, se cada vez que chegássemos a esse ponto declarássemos contra o desejo de unidade, a unidade do Partido estava desgraçada…”
“Se nós estarmos de acordo com isto no geral, aplicando-o à actual situação de luta pela Reconstituição do partido, o que a UCRPml quer é formar um Partido sem unidade nos princípios. Quer convencer-nos que não importa, que o Partido ao nascer surja com uma linha oportunista e que isso de unidade firme em torno dos princípios e uma coisa relativa. Se não, vejamos as suas declarações na reunião de 4/2//77:
"...dentro de um Partido Comunista podem haver e haverão divergências de princípio. Não devemos andar à pesca das divergências de princípio a ver se encontramos uma para nos dividirmos. Haverão sempre divergências de princípio e então sobre questões complexas, sobre problemas novos, sei lá... púnhamos o problema de falar da questão económica da edificação do socialismo, nós encontraríamos milhares de divergências de princípio e não era isso que nos ia dividir".
E ainda:
"O que a UCRPml declara é que há questões de princípio extremamente complexas, que não estão sempre bem delineadas, não correspondem a duas linhas elaboradas..."
Ao mesmo tempo procuraram escamotear as divergências existentes a nível das questões essenciais da linha política, usando o mesmo paleio da ORPC de que as linhas políticas das Organizações não estão delimitadas, invocando mesmo a teoria ultra-oportunista dos "esboços de linha". Disseram eles:
"Vocês dizem portanto que a linha da OCMLP está claramente delimitada, etc, nós entendemos que não, para delimitar uma linha é preciso ir muito mais ao fundo..."
E ainda:
" … aqui há um mês podia-se dizer que o que havia era um esboço de linha da OCMLP...”
E chegam ao cumulo de afirmar que:
"...nós entendemos que as divergências que há no campo sindical não são divergências de principio. A questão de defender ir para a Central Sindical (Inter), lutar lá ou lutar fora não deve dividir os comunistas".
Ficámos a compreender cada vez mais claramente a linha da UCRPml: querer impor-nos o comprometimento de nos unir-mos com eles antes de qualquer acordo nos princípios, querer convencer-nos que não há mal em que o Partido nasça com uma linha oportunista, querer impingir-nos a ideia de que hoje é difícil saber o que é isso da unidade nos princípios, que princípios se podem definir claramente ou não... e ainda que a linha do Partido surgirá da discussão na Comorp, e no Congresso.
Isto tudo junto é uma linha anti-partido que deixa inveja à ORPC. E se lhe juntarmos a sua afirmação de que "para nos unirmos só precisamos é de nos querermos unir" e de que o mal com os social-fascistas da ORPC/CMLP foi "eles não se quererem unir", ficamos totalmente esclarecidos de como a UCRPml renega os princípios e a unidade comunista.
E quando a delegação da UCRPml via que a OCMLP não ía nos golpes social-fascistas já típicos da ORPC, mas que se mantinha intransigente em levar atá ao fim a discussão das divergências, com vista a unir os comunistas e desmascarar os oportunistas, resolveu não querer discutir mais, dizendo que se o fizessem a partir de então seria apenas para procurar desmembrar a nossa Organização. Diziam eles:
“Para nós as discussões continuam, mas do ponto de vista de relações com o inimigo... temos um método de combater o inimigo no sentido de o desmembrar".
Mas o que é verdade é que a UCRPml não quis entrar na discussão das questões políticas, pois sabia que aí era desmascarada a sua linha neo-revisionista e que, com a nossa justa linha para a Reconstituição do Partido não tinha qualquer hipótese de nos empurrar, através das suas manobras social-fascistas, para o Partido neo-revisionista, cuja proclamação preparam.
Pois, o determinante nestas posições da UCRPml, como nas massas, é a linha política. A OCMLP é intransigente na defesa da sua linha marxista-leninista contra o oportunismo e a UCRPml utiliza os mesmos argumentos e artimanhas oportunistas da ORPC/CMLP, de considerar a linha política uma "questão secundária" que se tem de elaborar no processo de preparação do Congresso, chamando-nos sectários por sermos intransigentes neste ponto e dizendo que, para justificar não nos unir-mos a eles, recorremos a "estafaras concepções de cariz social-democrata". Mas a verdade do que eles querem é outra (como aliás se prova pela pequena expressão que atrás reproduzimos e que é um ataque à nossa linha política), para eles também a linha política é o fundamental (como para a ORPC/CMLP). Ao colocar outras questões como determinantes têm por objectivo fazer com que os marxistas-leninistas abdiquem da sua linha e o combate ao neo-revisionismo, para assim poderem destruir a OCMLP e integrá-la no novo Partido neo-revisionista que preparam activamente.
Mas não o conseguirão, nem o conseguirão!
Em carta que foi enviada ao CC da UCRPml em 18 de Janeiro de 1977, o Secretariado da Comissão Política do Comité Central da OCMLP, exprime e faz-lhes conhecer a justa posição da Organização face a esse bando de lacaios do social-imperialismo soviético:
“O vosso objectivo hoje é claro: quereis formar um novo partido neo-revisionista, utilizando a mesma linha anti-partido e as mesmas manobras da ORPC/CMLP, com uma linha política ao serviço do social-imperialismo soviético".
Nesta mesma carta, que publicámos na íntegra no "O Grito do Povo" nº 5, II série, informámo-los de que:
"… a OCMLP não está mais interessada em ter contactos com a UCRPml que considera ser uma organização anti-partido e neo-revisionista. Vós afirmastes querer continuar a discutir connosco com vista a desmembrar a nossa Organização, mas nós não estamos interessados em dar cobertura a manobras trotskistas, nem a discutir com oportunistas".

Porto, 23 de Janeiro de 1977
A Comissão Política do Comité Central da Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa (O.C.M.L.P.)

(l) Na reprodução de extractos desta intervenção de um camarada da delegação do CC da OCMLP, cortámos repetições e melhorámos a construção de certas frases que, porque ditas oralmente, eram de difícil acompanhamento pelos camaradas que as lessem. Fizemo-lo no intuito de dar a conhecer o mais claramente possível a todos os camaradas, este aspecto importante das discussões. Nenhuma alteração de sentido foi introduzida, nem novas frases!

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