segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

1977-01-00 - Solidariedade Nº 2

Salvemos a vida dos 12 antifascistas

Prosseguindo os seus crimes a ditadura militar do Brasil uma das mais sanguinárias da América Latina, assassinou barbaramente 3 revolucionários e antifascistas, Pedro Pomar de 63 anos, Ângelo Arroyo de 48 anos e João Drumond de 34 anos.
Ao mesmo tempo foram presos, na luta travada contra a polícia outros 12 antifascistas, tendo estas prisões sido negadas pela polícia política brasileira. Devido aos protestos no Brasil e em todo o Mundo, a ditadura reconheceu a prisão de 6 dos 12 antifascistas. São eles;
- Aldo Arantes, de 37 anos, advogado, ex-presidente da União Nacional dos Estudantes do Brasil.
- Joaquim Celso de Lima, de 51 anos, motorista.
- Maria Trindade, de 51 anos, doméstica.
- Elsa do Lima Mormerat, de 57 anos, funcionária pública.
- Wladimir Pomar, de 39 anos, jornalista.
- Haroldo Rodrigues Lima, de 36 anos, engenheiro.
A tentativa de esconder estas 12 prisões, a ditadura mais não pretende, do que preparar o terreno para matar na prisão estes valorosos combatentes da causa popular.
A ditadura fascista tem ultimamente recorrido muito ao "desaparecimento” de presos, assassinados “em fuga", ou estranhos "suicídios". Foi o que aconteceu nos casos de Armando Frutuoso, Carlos Danielli, Manuel Fiel, e, mais recentemente, aos padres Rudolfo e Burnier, assim como ao bispo Adriano Hipólito.
Estes são os últimos exemplos das acções repressivas da ditadura. Com estas acções a ditadura fascista, lacaia do imperialismo americano, visa destruir a resistência e a luta sucessivamente mais firme do Povo pobre do Brasil. Com a repressão e os seus crimes a ditadura militar fascista e o seu ditador Geisel de quem Mário Soares diz ter "uma impressão bastante favorável" só fará aumentar o caudal do movimento popular de resistência contra a ditadura. O fim da ditadura fascista está próximo e estas são as acções criminosas dos que se sentem perdidos perante a força e a determinação do Povo Brasileiro de conquistar a liberdade e a independência nacional.
Todos os antifascistas devem desenvolver uma ampla campanha de solidariedade com a luta do Povo Brasileiro pela liberdade para todos os presos políticos, pela amnistia geral.

apelo dos estudantes brasileiros
Considerando a importância do apelo feito por três ex-presidentes da U.N.E.B. (União Nacional dos Estudantes do Brasil) para que todos os organismos universitários, estudantes e associações apoiem e se solidarizem com a luta dos democratas brasileiros de repulsa perante mais três crimes odientos de Geisel, o C.E.-A.-I. divulga o apelo e manifesta assim o seu inequívoco apoio ao Povo Brasileiro e apela a todos os estudantes para que se manifestem protestando contra a ditadura de Geisel na exigência da imediata libertação dos 12 democratas brasileiros.
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"A 16 de Dezembro passado, uma brigada, do tão tristemente célebre II Exército do Brasil em S. Paulo, fez três mortos. Doze outras pessoas foram presas o encontram-se nas prisões onde centenas de patriotas e democratas foram assassinados sob tortura nos últimos anos. Embora o regime do general Geisel se recuse a dar os seus nomes, a identidade de um dos detidos já é conhecida: Aldo Arantes , advogado e ex-presidente da U.N.E. do Brasil Eleito para presidente da U.N.E. do B. em 1961, Aldo bateu-se firmemente contra a primeira tentativa de golpe do estado dos militares em Agosto do mesmo ano.
A sua participação e de todos os estudantes na denúncia do golpe dos militares valeu-lhe ser um dos líderes mais odiados por aqueles que em 1964 impuseram a ditadura militar que vigora ainda no Brasil. Aldo continuou o combate pela liberdade e independência nacional, mau grado o regime policial.
Os sucessivos governos militares tentaram destruir o movimento estudantil e a U.N.E. do B. que seguiam uma linha de oposição feroz ao regime. A lista de atrocidades cometidas contra os sucessores de Aldo é longa. Nada mais que os quatro presidentes e os 18 vice-presidentes da U.N.E. do B. entre 1966 e 1973, 3 foram assassinados, 9 foram presos - 6 deles barbaramente torturados - e 5 foram obrigados a refugiar-se no estrangeiro. Podíamos continuar estas listas com centenas de camaradas assassinados, milhares de outros tendo sido presos, exilados. Esta história sinistra de atrocidades e crimes demonstra inequivocamente o perigo permanente em que se encontram os opositores do regime. Aliás no próprio momento em que ele era preso, um outro dirigente estudantil - João Batista Drumond, foi assassinado (“atropelado por um automóvel” diz a polícia), bem como o antigo deputado do P.C. do Brasil Pedro Pomar e um dirigente metalúrgico de S. Paulo, Ângelo Avoyo, ambos baleados pela polícia do II exército.
Nós, antigos presidentes da U.N.E. do B., actualmente na Europa, lançamos um apelo a todos os organismos universitários, aos estudantes e suas associações para que desenvolvam uma larga campanha de solidariedade com Aldo e com os outros 11 antifascistas recentemente presos no Brasil.
- FIM AOS ASSASSINATOS E TORTURAS!
- SALVEMOS ALDO E OS 11 ANTIFASCISTAS DE S. PAULO
- A DITADURA DE GEISEL SABERÁ QUE OS SEUS CRIMES SUSCITAM UMA INDIGNAÇÃO GERAL NA OPINIÃO PUBLICA INTERNACIONAL!

José Luís Moreira Guedes
Presidente da U.N.E. do B. 66/67
Luís Travassos
Presidente da U.N.E. do B. 67/68
Jean Marc
Presidente da U.N.E. do B. 68/69

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