domingo, 22 de janeiro de 2017

1972-01-00 - MANIFESTO DOS SOLDADOS PORTUGUESES - O Grito do Povo


MANIFESTO DOS SOLDADOS PORTUGUESES

CAMARADAS SOLDADOS:
I. OS TRABALHADORES PORTUGUESES DEVEM SEGUIR O EXEMPLO DOS SEUS IRMÃOS NEGROS DAS COLÓNIAS: LUTAR REVOLUCIONARIAMENTE CONTRA A EXPLORAÇÃO CAPITALISTA:
Antes de virmos para a tropa eramos trabalhadores operários, camponeses ou empregados, Vivíamos explorados pelos patrões, pelos donos das terras, pe­lo Estado; trabalhávamos como cães todo o dia, os patrões engordavam as famílias e a eles com os lucros que roubavam do nosso trabalho, e em troca recebíamos um salário que não nos permitia viver como homens, sustentar a família e poder pôr os filhos a estudar.
Os trabalhadores são uma classe explorada pelos burgueses que vivem e enriquecem à nossa custa.
Quando lutávamos contra a exploração, quando organizávamos greves para aumento de salário, quando vínhamos para a rua no 1º de Maio, que é o dia internacional dos trabalhadores, os burgueses lançavam a polícia, a Pide-DGS, à GNR ou o Exército para cima de nós, prendiam e torturavam os nossos melhores camaradas,devam-nos pancada ou até nos matavam.
Tudo isto para manterem a exploração dos trabalhadores e viverem à nossa custa.
Durante anos, durante séculos, os povos das colónias tem sido miseravelmente explorados e oprimidos pelos portugueses: a princípio pelos réis, pelos nobres e pelos traficantes que à força expulsavam os negros da sua terra,reduzindo-os a escravos e vendendo-os para os trabalhos forçados nas minas e plantações do Brasil; mais tarde, no nosso tempo, a exploração dos povos das colónias continua, agora conduzida pelos capitalistas, os industriais, os banqueiros, os homens de negócios, os donos das plantações, o Estado português, ou seja, pela mesma burguesia que nos explora aqui em Portugal e vive à custa do nosso trabalho.
Quando começou a luta revolucionária nas colónias, os burgueses sentiram o chão tremer debaixo das patas e pediram auxílio aos países imperialistas. Para isso vendem constantemente as rique­zas das colónias e as da nossa terra aos imperia­listas estrangeiros, fazem com que estes aumentem a exploração directa dos trabalhadores portugueses e africanos, e em troca o Governo recebe auxílio em dinheiro e até em armas para manter a Guerra Colonial contra os trabalhadores africanos em luta pela libertação. A Guerra Colonial é pois uma Guerra Colonial-Imperialista: tanto lucram com ela os capitalistas portugueses como os estrangeiros.
Para fazerem esta guerra, OBRIGAM-NOS PELA FORÇA a entrar no Exército colonial imperialista, para assassinarmos os nossos irmãos africanos em luta.
Conseguem assim que os trabalhadores revolucionários das colónias e os trabalhadores portugueses se matem uns aos outros, enquanto os burgueses continuam a engordar à nossa custa, a explorar e are partir os lucros com os imperialistas.
Nos últimos meses, o Marcelo e os burgueses foram mesmo ao ponto de trazerem para Portugal alguns milhares de cabo-verdeanos, como no tempo da Escravatura: metem-nos nos barcos, põem-nos a trabalhar nas obras do metropolitano, e ainda por cima os metem na tropa, e mentem-lhes dizendo que vão para Cabo-Verde. No fim da instrução mandam-nos para Angola e Moçambique assassinar os seus irmãos negros em luta pela libertação.
CAMARADAS SOLDADOS:
NÃO DEVEMOS PARTICIPAR NESTA GUERRA ASSASSINA.
NÃO QUEREMOS MATAR OS NOSSOS CAMARADAS AFRICANOS, QUE NOS DÃO UM GRANDE EXEMPLO DE LUTA REVOLUCIONÁRIA.
NÃO QUEREMOS MORRER COM AS BALAS DOS NOSSOS IRMÃOS AFRICANOS.
TAMBÉM NÃO QUEREMOS EMIGRAR DA TERRA ONDE NASCEMOS, QUEREMOS VIVER NA NOSSA TERRA, MAS LIVRES, SEM TERMOS QUE IR À GUERRA, SEM VIVERMOS EXPLORADOS E COM FOME.
PARA ISSO, CAMARADAS, TEMOS QUE LUTAR CONTRA QUEM NOS OPRIME, NOS EXPLORA, NOS METE Á FORÇA NA TROPA E NOS MANDA À GUERRA ASSASSINA.
PARA ISSO, CAMARADAS, TEMOS DE UNIR AS NOSSAS BALAS ÀS BALAS DOS NOSSOS CAMARADAS AFRICANOS, E VOLTA-LAS CONTRA QUEM AS MERECE, CONTRA QUEM OS EXPLORA E NOS EXPLORA, CONTRA QUEM OS OPRIME E NOS OPRIME: OS IMPERIALISTAS, OS CAPITALISTAS, O ESTADO, O EXÉRCITO BURGUESES QUE OS SERVEM.
São estes os nossos inimigos. São estes os inimigos dos povos africanos em luta.

II. OS SOLDADOS DEVEM PARTICIPAR ACTIVAMENTE NA REVOLUÇÃO EM PORTUGAL
O melhor apoio, a única forma de sermos solidários com os povos africanos em luta, é SEGUIRMOS O SEU EXEMPLO, é fazermos a Revolução Popular em Portugal.
Os operários industriais e agrícolas, arrastando sob a sua direcção os camponeses, os soldados e todos os explorados, isto é, o povo revolucionário, devem destruir a burguesia tomando o poder, instaurando a ditadura democrática do povo dirigida pelo proletariado, contribuindo assim para a tomada do poder dos povos das colónias e acabando com a dominação e exploração dos capitalistas, do seu Estado e do seu exército fascista-colonial.
ENTÃO SEREMOS LIVRES E SERÃO LIVRES OS NOSSOS CAMARADAS AFRICANOS.

III. OS BURGUESES NÃO OLHAM A MEIOS PARA FORÇAREM SOLDADOS FILHOS DO POVO, AOS SEUS FINS ASSASSINOS.
A burguesia conhece bem o ódio que os trabalhadores portugueses têm ao Exército Colonial e à Guerra Assassina contra os povos de África.
Já viste, camarada, o que seria do Exército Colonial SE NÃO NOS OBRIGASSE PELA FORÇA, aos jovens trabalhadores, a virmos à tropa?
De certeza que os capitalistas deixavam de ter exército para defender os seus lucros nas colónias.
E como nos tratam cá dentro?
1. TRATAM-NOS COM FORÇA, COM VIOLÊNCIA OPRIMEM-NOS MISERAVELMENTE
1) Os oficiais e sargentos castigam-nos constantemente.
2) Tratam-nos por tu, para nos inferiorizarem e humilharem. Nós, pelo contrário, somos obrigados a tratá-los com vénias, por meu aspirante, meu tenente.
3) Rapam-nos a cabeça, dão-nos carecadas, para nos inferiorizarem e humilharem. Era o que se fazia aos escravos na Antiguidade; em muitas sociedades, a cabeça rapada significava vergonha e traição à comunidade. Os traidores eram rapados para se distinguirem e serem apontados e humilhados.
4) Obrigam-nos a pagar 10, 20, 50 até 100 flexões para nos cansarem e nos humilharem.
5) Na instrução, há oficiais e cabos milicianos xicos que nos obrigam a RASTEJAR até eles, como se fôssemos uns vermes, para mostrar que nos conseguem dominar completamente.
6) Obrigam-nos a pagar reforços e piquetes à benfica por tudo e por nada.
7) Obrigam-nos a marchar à volta da parada e a bater os pés com força, como se fôssemos cavalos.
8) No refeitório, obrigam-nos a estar de pé com a comida a arrefecer.
9) Dão-nos ordens autoritárias, berram-nos, tratam-nos com desprezo, falam-nos de alto; às vezes parece que nos tratam bem e são porreiros, mas logo a seguir estão a foder-nos pelas costas ou a participar de nós.
10) Muitos oficiais fazem CHANTAGEM connosco; eles dizem-nos: "Cometeste uma falta, tens de ser castigado. Podes apanhar detenção ou prisão à ordem. Mas, se preferes, eu sou teu amigo e apanhas uma carecada particularmente. Agora escolhe!"
Fazem assim chantagem com a gente e com a nossa dignidade: servem-se da exploração e da opressão de que somos vítimas, sabem que não queremos ser detidos ou presos porque queremos ir a casa no fim de semana ver a família e a noiva, e forçam com esta CHANTAGEM alguns soldados a "escolher" a carecada.
Estes oficiais ainda são mais sacanas do que os outros, porque aos castigam e humilham com a carecada, e ao mesmo tempo tentam mostrar-se nossos amigos, dizendo que agem no nosso interesse.
11) Alguns oficiais e sargentos chegam mesmo s BATER NOS SOLDADOS.
Estes fascistas merecem a morte.
12) Prendem os nossos melhores camaradas.
13) Afastam-nos propositadamente das famílias e das nossas terras, colocam-nos em quartéis longe de casa.
2. EXPLORAM-NOS MISERAVELMENTE
1) Servem-se    das nossas profissões anteriores (mecânicos, pintores, pedreiros, cozinheiros, serralheiros, etc.) para nos porem a trabalhar no duro durante todo o dia para eles, e para o exército deles, explorando-nos ainda mais que na vida civil COMPLETAMENTE A BORLA, COMO UNS ESCRAVOS!
2) Poem-nos a construir móveis para as putas burguesas com quem vivem, e a compor os seus carros de turismo e outros serviços particulares.
No fim dão-nos umas palmadinhas nas costas e pagam-nos uma cerveja.
3) Nas Secretarias e Repartições fazem de nós impedidos, chupam-nos o suor e não vemos nem um tostão.
4) Se alguma coisa se estraga em serviço, temos que entrar do nosso bolso, NÓS QUE NÃO GANHAMOS PU­TO E TRABALHAMOS A BORLA PARA ELES!
Prendem-nos, se não tivermos dinheiro para pagar.
5) Põem-nos todo o ano a regar as couves e a engordar os porcos, para no fim os xicos comerem a carne, encherem a pança e também a bolsa, e nós continuamos a comer a mesma merda: couves e carne podre da Manutenção.
6) Dão-nos 30 paus por mês para fazer pouco da gente. Como pode um homem viver com 30 escudos? Nem com mil, nem com dois mil. E os soldados que têm mulher, filhos e pais inválidos do trabalho para sustentar? Deixam-se morrer?
7) Muitos soldados, para não deixar a família morrer à fome, abandonam o quartel, e regressam a casa para trabalhar na terra, na fábrica, na construção civil ou na sua arte.
Pois os cães fascistas enviam a PM à procura dos desertores, deixam a nossa gente sem dinheiro e sem braços para trabalhar, passando fome, e trazem-nos de volta ao quartel, metendo-nos nas prisões.
8) O que é importante para os burgueses é que a gente MATE BEM E NÃO REFILE. O Marcelo pensa assim a nosso respeito:
"Damos-lhes 30 paus por mês e uma comida miserável. Os gajos talvez a comam,e nós só ganhamos à custa deles: gastamos menos dinheiro com as despesas da Guerra Colonial, os parvos fazem o trabalho por nós, matam os próprios camaradas das colónias, fazemos uns discursos sobre a Pátria para pôr um pouco de água na fervura,e só saímos a ganhar com tudo isto".
É ISTO QUE OS BURGUESES E OS XICOS PENSAM A NOSSO RESPEITO.
É ESTA A IDEIA QUE FAZEM DE NÓS.

3. ATIRAM-NOS PARA CIMA DOS TRABALHADORES EM LUTA.
USAM-TOS COMO INSTRUMENTOS DA REPRESSÃO CAPITALISTA CONTRA AS GREVES, MANIFESTAÇÕES E REVOLTAS DO POVO.
METEM-NOS À FORÇA NOS NAVIOS PARA MATARMOS OS NOSSOS IRMOS DAS COLÓNIAS EM LUTA PELA LIBERTAÇÃO.
IV. CAMARADAS: ESTA NAS NOSSAS MÃOS ARRANCARMOS AOS FILHOS DA PUTA DOS BURGUESES A NOSSA LIBERDADE.
Pôr que razão os oficiais nos tratam com violência, nos humilham, nos castigam e nos prendem?
É para nos meterem medo e impedirem que a gente se revolte, lute e conquiste a nossa liberdade.
Tentam a todo o custo convencer-nos que não podemos fazer nada, que temos de aceitar o Exercito e a Disciplina tal como são, que só nos resta passar depressa e sem sarilhos os 3 anos ou mais de tropa.
Prendem e castigam constantemente os soldados para nos ATEMORIZAR. Tentam a todo o custo que a gente fique quieta e cumpra as ordens deles sem refilar, para continuarem a explorar-nos, a mandar-nos à guerra assassina, a matar-nos e a aterrorizar-nos.
Servem-se do Terror e da Violência porque têm medo de nós do nosso número e da nossa força. Sa­bem que quando a luta começar a sério vão todos pró caralho!
CAMARADAS: ESTA NAS NOSSAS MÃOS ARRANCARMOS AOS FILHOS DA PUTA DOS BURGUESES E DOS XICOS A NOSSA LIBERDADE.
NÃO ESPEREMOS QUE ELES SEJAM GENEROSOS PARA CONNOSCO.
ENQUANTO PUDEREM DAR-NOS COMIDA DE PORCOS E PÔR-NOS A TRABALHAR À BORLA PARA ELES;
ENQUANTO PUDEREM TRATAR-NOS COMO CÃES, DANDO-NOS CASTIGOS, HUMILHAÇÕES E PRENDENDO OS NOSSOS MELHORES CAMARADAS, PARA NOS METER MEDO E A GENTE NÃO LUTAR.
ENQUANTO PUDEREM SERVIR-SE DE NÓS PARA ATACAREM OS OPERÁRIOS E CAMPONESES QUANDO SE REVOLTAM E LUTAM PELA LIBERDADE DO POVO, fazendo intervir exército burguês e usando-nos como instrumentos; ENQUANTO PUDEREM METER-NOS FACILMENTE BARCOS FAZER-NOS ASSASSINAR OS NOSSOS IRMÃOS DAS COLÓNIAS EM LUTA PELA LIBERTAÇÃO;
ENQUANTO PUDEREM TUDO ISTO SEM QUE LUTEMOS REVOLUCIONARIAMENTE — SEREMOS UNS ESCRAVOS, UNS CÃES NAS MÃOS DESSES CABRÕES:
MAS OS BURGUESES, O EXERCITO E OS XICOS NÃO CONSEGUIRÃO OS SEUS FINS EXPLORADORES, A SUA GUERRA ASSASSINA, não conseguirão forçar-nos a vir à tropa, a matarmos os nossos irmãos e a morremos em combate, SE NÓS, SOLDADOS, OUSARMOS LUTAR; SE NÓS SOLDADOS, SOUBERMOS UNIR A NOSSA LUTA À LUTA REVOLUCIONARIA DOS OPERÁRIOS E CAMPONESES EXPLORADOS;
SE NÓS, SOUBERMOS UNIR A NOSSA LUTA À LUTA REVOLUCIONARIA DOS POVOS DE ÁFRICA.
UNIDOS, SOMOS MILHÕES, UMA FORÇA IMENSA. TEMOS A VITORIA CONNOSCO.
OS BURGUESES, OS CAPITALISTAS, O EXERCITO, OS OFICIAIS XICOS, A PIDE, A POLICIA, O GOVERNO, NÃO NOS PODERÃO CONTER E SERÃO DERROTADOS PELA REVOLUÇÃO DOS TRABALHADORES. A NOSSA REVOLUÇÃO, A REVOLUÇÃO POPULAR.

V. COM QUEM CONTAMOS DENTRO DA TROPA?
CONTRA QUEM LUTAMOS DENTRO DA TROPA?
QUAIS OS NOSSOS AMIGOS E OS NOSSOS INIMIGOS?
Dentro da tropa, soldados, somos a imensa maioria. Somos milhares. Os que nos exploram, nos castigam, nos humilham e nos mandam à Guerra Assassina, são uma minoria: a classe dos oficiais.
Mas então todos os oficiais são nossos inimigos e devemos fodê-los?
Camaradas, devemos foder quem nos fode a nós; devemos lutar Contra quem nos oprime e nos explora.
A nossa luta é contra o Exército Colonial, contra a Exploração Capitalista e a Guerra Assassina.
A nossa luta é contra os burgueses, que no Exército são os oficiais e sargentos xicos.
TODOS OS OFICIAIS SUPERIORES, E TODOS OS OFICIAIS DO QUADRO SÃO NOSSOS INIMIGOS, SÃO ELES QUE COMANDAM DE LIVRE VONTADE O EXERCITO DOS BURGUESES E A GUERRA COLONIAL NÃO MERECEM A NOSSA PIEDADE.
E os oficiais milicianos, aspirantes, alferes, tenentes e capitães milicianos? E os cabos e furriéis milicianos? Também são nossos inimigos?
Depende da maneira como nos tratam. Há milicianos xicos e há milicianos porreiros que odeiam a tropa e a guerra colonial.
OS OFICIAIS E SARGENTOS MILICIANOS XICOS SÃO NOSSOS INIMIGOS, DEVEMOS TRATA-LOS COMO AOS OFICIAIS DO QUADRO. TAMBÉM NÃO MERECEM A NOSSA PIEDADE. GOSTAM DA TROPA E DA GUERRA COLONIAL. TRATAM COM DESPREZO E CASTIGAM OS SOLDADOS, SÃO XICOS.
OS XICOS NÃO MERECEM A NOSSA PIEDADE;
Como sabemos se um oficial miliciano, um cabo ou furriel miliciano são nossos amigos?
São nossos amigos quando:
— nos facilitam a vida, nos dão dispensas, passaportes e licenças sem rodeios;
— não nos obrigam NUNCA a pagar nem a rapar a cabeça, que são castigos para humilhar os soldados;
— não reparam se chegamos atrasados à formatura;
— no refeitório não estão à espera que toda a gente se cale como fazem os xicos; a comida arrefece e nós de pé, humilhados e feitos parvos;
— na instrução não puxam brutalmente por nós, não ameaçam os que ficam para trás, e deixam passar o tempo sem que a gente se canse;
— não nos vigiam constantemente, tratam-nos como homens e não como inferiores, cagam nas continências e nas formaturas rigorosas;
— recusam que os soldados os tratem por meu alferes, meu tenente, fora das formaturas e insistem com os soldados par os tratarem pelo nome, como se fossem colegas; camaradas: o tratamento de meu alferes, meu tenente, é um sinal de obediência servil de inferior para superior. Fora das formaturas, os oficiais se de facto são amigos dos soldados, devem pôr este tratamento totalmente de parte;
— e, acima de tudo, são amigos dos soldados, os oficiais milicianos que não interferem nas lutas dos soldados, NÃO INCITAM NUNCA À CALMA, NÃO TENTAM NUNCA POR UM TRAVÃO ÀS LUTAS REVOLUCIONARIAS DOS SOLDADOS por nenhum meio. Se de facto são amigos dos soldados ficam contentes e até apoiam como podem as nossas lutas nos pelotões e companhias que comandam.
Se tentam, por qualquer meio, mesmo com palavras mansas, impedir a luta dos soldados, PASSAM A SER NOSSOS INIMIGOS, DESMASCARAM-SE COMO XICOS, E NÃO MERECEM A NOSSA PIEDADE.

VI. ALERTA CAMARADAS!
DENTRO DA TROPA NÓS SOLDADOS, DEVEMOS CONTAR APENAS COM AS NOSSA PRÓPRIAS FORCAS.
Uma das manobras dos burgueses é dizerem aos oficiais milicianos: "Você faça os possíveis para que os soldados gostem de si. Finja parecer porreiro; se for preciso diga mal de nós. Você verá, mais depressa eles caem. Assim conseguirá que eles façam tudo o que você quer e ainda por cima o terão par um tipo porreiro".
Devemos estar vigilantes em relação aos oficiais milicianos que se dizem amigos dos soldados e nos dão palmadinhas nas costas. Pouco nos interes­sa que eles digam que são nossos aliados. Só na prática, se apoiarem activamente as nossas lutas e correrem os riscos que nós próprios corremos, se se puserem ao nosso lado contra o Exército Colonial, a Guerra Assassina, e os Xicos, é que acreditamos neles.
De bocas estamos nós cheios. Não queremos ser mais enganados.
DEVEMOS ESTAR SEMPRE DE PÉ ATRÁS EM RELAÇÃO AOS OFICIAIS PORREIROS E, NUNCA DEVEMOS CONSENTIR QUE COMANDEM AS NOSSAS LUTAS OU NOS DÊEM CONSELHOS, MESMO QUANDO PARECEM MUITO PORREIROS.
A nossa luta, camaradas, é uma luta radical, é a luta dos explorados que NADA TEM A PERDER; entre nós e o Exército Colonial não pode haver contemplações, meios termos.
Não nos podemos esquecer que os oficiais milicianos, por mais porreiros que sejam, são sempre oficiais dentro da tropa, ganham dinheiro, têm um vencimento mensal de 2.700, 4.000 escudos e daí para cima, comem bem, são uns senhores.
Os oficiais milicianos têm coisas a perder: o posto de oficial, o ordenado, o rancho da messe. Por isso, de uma maneira geral não lutam radicalmente contra o Exército. Lutam apenas por reformas, contra os excessos da Disciplina Militarista.
Nós, pelo contrário, NADA TEMOS A PERDER: não nos pagam, dão-nos uma comida miserável, exploram-nos humilham-nos, castigam-nos, prendem-nos, e mandam-nos para a Guerra Colonial Assassina.
A nossa luta não é por reformas. A nossa luta é radical: é a luta revolucionária para acabar com a exploração, o Exército Colonial, a Guerra Assassina.
Podem-nos dar melhor comida, mais uns escudos, menos castigos, QUE ESTAMOS SEMPRE MAL, enquanto nos forçarem a virmos para a tropa e nos utilizarem como instrumentos da Guerra Assassina contra os nossos irmãos das Colónias.
Por isso lutaremos ATÉ AO FIM, ao lado dos Operários e Camponeses explorados, até à VITÓRIA DA REVOLUÇÃO POPULAR.
Só assim seremos livres.
Por isso, dentro da tropa, contaremos só connosco, que nada temos a perder e tudo a ganhar.
Os oficiais milicianos podem ser nossos amigos se aderirem à nossa luta revolucionária, saberemos recebê-los mas nós soldados não nos entregaremos nas suas mãos, porque eles são oficiais é têm coisas a perder. A nossa luta é a luta revolucionária dos soldados.
Alerta, camaradas soldados: amigos, amigos, negócios a parte.
VII. SEIS IDEIAS ERRADAS QUE ALGUNS SOLDADOS PÕEM EM PRÁTICA E SÓ AJUDAM OS BURGUESES, O EXERCITO, A GUERRA COLONIAL E OS XICOS A DOMINAR-NOS E A SERVIREM-SE MAIS FACILMENTE DE NÓS.
l.ª ideia errada: SOBRE AS BALDAS.
Há soldados que dizem: "no meu quartel é uma balda. Não se faz puto, desenfiamo-nos com facilidade, não se bate a pala aos oficiais, não trazemos elásticos nas calças, o cabelo anda comprido e os oficiais fecham os olhos. É uma balda!"
Cuidado, camarada: deves aproveitar todas as baldas, pois a tropa é tão fodida que qualquer desenfianço é para nós um grito de Liberdade. Poucos minutos que sejam por dia fora do quartel, sem a puta da farda, enchem-nos de alegria e fazem-nos sentir homens livres.
Mas, camarada, não te deixes iludir com as bal­das. Os burgueses e os oficiais não andam a dormir, eles conhecem o ódio que os soldados têm ao Exército e à Guerra Colonial, as lutas colectivas que durante estes dez anos temos travado dentro dos quartéis.
Por isso os oficiais vão descobrindo novas maneiras de nos controlarem e disporem de nós da ”matéria prima", como diz o Marcelo.
Com medo que a gente se una e lute revolucionariamente, vão dando algumas baldas, para que a gente fique quieta, não lutemos, e eles consigam assim explorar-nos, fazer-nos trabalhar à borla para eles e mandarem-nos à Guerra Colonial sem que a gente refile.
Eles pensam assim a nosso respeito:
"O melhor é darmos algumas baldas aos rapazes. Vamos reparar menos nos cabelos, nas formaturas, nas calças, abandonamos um pouca a disciplina e os gajos talvez a comam. Se com isso conseguirmos que os tipos trabalhem para nós, tragam o Exército de pé, continuem a ir a Guerra Colonial matar os irmãos, e não lutem revolucionariamente, pouco importa que andem com o cabelo mais comprido ou se de­senfiem um bocado."
É assim que os burgueses pensam de nós, é por isso que em alguns quartéis há baldas.
Está atento, camarada, com as baldas; serve-te delas, mas não te deixes iludir: elas são um meio de os Xicos entravarem a nossa luta, e tornar-nos dóceis como cordeiros.
2a IDEIA ERRADA: SOBRE A VELHICE
Há soldados que dizem: "já tenho 18, 20, 30 meses de tropa, sou da velhice. Já não sou mobilizado, já pouco tempo me falta para sair desta merda. O me­lhor é não arranjar sarilhos, passar o tempo sem me meter em nada, que a peluda está próxima."
Camarada; isso é o que os burgueses e os xicos querem que tu penses. Eles tentam sempre dividir a malta, porque sabem que a união dos soldados é a nossa grande força. Tu, ao pensares assim, estás a se­parar-te dos teus camaradas e a servir os interesses dos xicos. Ouve, camarada: claro que estamos to­dos fartos desta merda.
Somos homens, e temos o direito de ser livres, de não sermos metidos à força num Exército burguês que nos explora e nos castiga, e se serve de nós para atacar os nossos irmãos trabalhadores e os povos das Colónias em luta pela libertação.
Já reparaste que, quando saíres da tropa, voltas ao teu emprego, voltas a ser um trabalhador explorado por um cabrão qualquer?
Tanto os oficiais como os burgueses se servem de ti, como soldado ou como trabalhador para lhes dares lucro. Tu és um explorado. Deves lutar. Deves unir-te aos teus camaradas. Deves começar já a tua luta contra a classe dos burgueses e dos oficiais. Se ficas quieto e não lutas, se estás à espera da peluda, estás a contribuir para que esta merda se mantenha, que outros jovens trabalhadores venham para a tropa para serem explorados e utilizados como carne para canhão dos capitalistas contra os trabalhadores e os povos das colónias.
Une-te aos teus camaradas em luta. Abres assim caminho à tua própria liberdade, aqui e depois da tropa, quando fores trabalhador. Luta, levanta-te ca­marada. Estamos contigo.
3a IDEIA ERRADA: ARRANJAR UM IMPEDIMENTO
Há soldados que dizem assim: "estou num impedimento, não é nada mau. Podia estar muito pior, a fazer guardas ou ser mobilizado. Portanto deixa-me estar quieto, que já me safei mais ou menos."
Camarada: desta maneira não estás a pensar no teu próprio interesse, mas no interesse dos burgueses e do Exército deles.
Estás a aceitar passivamente que te tragam à força para a tropa, sujeitas-te a trabalhar de borla como impedido, exploram-te como um cão, ajudas a trazer de pé toda a máquina militar. Além disso estás a ser egoísta para com os teus camaradas mobiliza­dos, estás a ser egoísta para com a maioria dos teus camaradas que lutam dentro da tropa contra a Exploração, o Exército e a Guerra Colonial, pela emancipação dos trabalhadores. Poes-te de parte, e ajudas assim os burgueses e os xicos a manter O Exército, a dominar os soldados e a servirem-se de nós.
Deves lutar! Apesar de estares numa repartição, és uma peça da máquina, ajudas a manter a máquina. Explorado e oprimido como os teus camaradas mobilizados.
TODOS UNIDOS SOMOS UMA FORÇA IMENSA. NÃO DEVES ACOMODAR-TE, PORQUE ASSIM ESTAS A TRAIR OS TEUS CAMARADAS EM LUTA, E A AJUDAR OS XICOS, O EXERCITO, A GUERRA ASSASSINA E OS BURGUESES.
 Os burgueses pensam assim a teu respeito: "aquele parvo está a fazer-nos um grande jeito".
Luta pela liberdade, tua e nossa, de todos os explorados!
4.ª IDEIA ERRADA: SOBRE OS OFICIAIS PORREIROS
DURANTE A INSPECÇÃO (recruta especia­lidade ou I.A.O.)
Há soldados que dizem: "o nosso alferes (ou aspirante) é porreiro. É nosso amigo, trata-nos bem, dá-nos baldas, não puxa muito na instrução. Portanto não devemos organizar lutas no pelotão, que lhe causamos problemas".
Camarada: este pensamento não faz sentido.
Se o aspirante (ou alferes) é porreiro, nós não vamos lutar contra ele. A nossa luta é contra os exercícios que estouram com connosco e os exercí­cios perigosos, contra as marchas e desfiles que nos transformam em cavalos, contra os castigos e os exercícios de rastejar que humilham e oprimem, con­tra a instrução, contra o trazerem-nos à força para a tropa, contra o nos transformarem em assassinos especializados e disporem livremente de nós para atacarem os nossos irmãos em luta, contra o Exército Colonial e não o alferes ou aspirante amigo.
Se o oficial for nosso amigo, fica contente com a nossa luta, e não lhe causamos problemas. Perante o superior, ele diz: "não pude fazer nada, meu major”.
Quando o oficial é porreiro, mais uma razão para lutarmos, mais uma razão para fazermos greve a instrução. O alferes porreiro, se é de facto nosso amigo, fica contente e apoia-nos como pode. Depois, perante o superior, diz que não pôde impedir a nossa luta.
Se o nosso oficial for filho da puta, então fodemo-lo como pudermos. Neste caso lutaremos CONTRA A INSTRUÇÃO E CONTRA O INSTRUTOR.
Em todos os casos, devemos sempre lutar e fazer greve à instrução: não correr, não bater com os pés, não marchar, ficar para trás... É o que merece este Exército dos capitalistas que nos trazem à força para cá.
5.a IDEIA ERRADA: A LUTA PELOS PRIMEIROS LUGARES
Os burgueses pensam sempre na melhor maneira de nos controlar, de nos dominar, de fazer com que a gente sirva os interesses deles e não lutemos contra o Exército, a Exploração e a Guerra Colonial.
Eles pensam assim: "Convém que estes gajos, durante a recruta e a especialidade, trabalhem no duro, dêem bom rendimento. Porque isso é sinal de que em Africa estarão bem preparados para assassinar os camaradas em luta, ou se for preciso atacar os trabalhadores daqui em revolta."
E então os burgueses pensaram assim: "temos que concordar que andamos a enganar os soldados e nos servimos deles para matarem os próprios irmãos em luta. Uma coisa é certa: os soldados odeiam a tropa e a Guerra Colonial. São capazes de tudo para se libertarem do nosso jugo. Vamos lançar este ódio dos soldados contra os próprios soldados. Como? Vamos dividi-los, pô-los em guerra uns contra os outros, e nós ficamos de fora a rirmo-nos e saímos a ganhar com esta história."
É assim foi. Os burgueses resolveram criar o prémio, o primeiro lugar. Eles dizem assim: "Os primeiros classificados na instrução são os últimos a ser mobilizados, e podem escolher unidade."
Pretendem assim que todos os soldados do pelotão (30, 40 ou mais) se lancem à conquista do primeiro lugar, fazendo guerra uns aos outros. No fim da recruta os burgueses riem-se e dizem para os seus botões "Os gajos foram no engano. Esfolam-se todos como cães, conseguimos assim ter 40 boas máquinas para a Guerra Colonial ou para a repressão sobre os trabalhadores de cá em luta, e não saímos a perder: apenas um não é mobilizado e até precisamos dele cá. Os tipos fazem guerra uns aos outros e, enquanto se fodem mutuamente, não fazem a guerra a quem deviam: a nós."
É isto o que os burgueses pensam dos soldados que lutam pelo 1º. lugar e fazem guerra aos camaradas.
6.ª IDEIA ERRADA : SOBRE OS MATARRUAMOS
Há soldados que dizem: "Por causa dos matarruanos temos que gramar mais ginástica, mais instrução pagar mais. Se não fossem os matarrunos, levávamos uma vida porreira.”
Mas estejamos atentos!
Os oficiais mais uma vez pretendem passar por tipos porreiros junto de nós. Não é por causa dos matarruanos, que foram arrancados das suas terras e trazidos à força, como nós, para o Exército, que fazemos ginástica, que pagamos, que somos explorados e oprimidos.
Os xicos sabem que a UNIÃO FAZ A FORÇA e por isso tentam dividir-nos por todos os meios.
Eles pensam assim: "Como há matarruanos na tro­pa, vamos virar os outros soldados contra eles. Assim nós passamos por tipos porreiros, os gajos cumprem a instrução, fazem a guerra entre eles, e conseguimos assim melhores máquinas para matar."
Camaradas soldados: Sejamos todos "matarruanos";
SABOTEMOS A INSTRUÇÃO, CHEGUEMOS ATRASADOS E ABANDALHADOS AS FORMATURAS, MARQUEMOS MAL O PASSO, RECUSEMO-NOS A CUMPRIR A DISCIPLINA MILITARISTA.
Os oficiais e burgueses não nos conseguirão dominar e enganar. UNIDOS SOMOS INVENCÍVEIS.
Camarada:

Ao pores em prática qualquer, destas 6 ideias erradas, estás a servir o interesse dos capitalistas e do Exército, e não os teus interesses. Porque ao tentares conseguir uma melhor posição na tropa e defender-te o melhor que podes, só pensas em ti, separas-te dos teus camaradas, fazes concorrência com eles, chegas mesmo a fazer guerra aos teus companheiros.
Quem sai a ganhar com isto? Os Burgueses e os Xicos, o Exército e a Guerra Colonial. Porquê?
Porque em vez de te unires aos teus camaradas para lutarmos, para atacarmos o Exército dos Burgueses que nos explora, nos oprime, e se serve de nós à força, defendes-te e ages sozinho. Em vez de atacares, defendes-te, fechas-te na concha, aceitas passivamente o Exército; em vez de te unires aos teus camaradas, isolas-te e fazes concorrência com eles; crias a divisão entre nós, e tudo o que divide os soldados enfraquece a nossa luta e dá força aos Burgueses e aos Xicos.
NÃO TENS QUE TE DEFENDER DA TROPA. SE QUERES SER LIVRE, UNE-TE A NOS, LUTA CONNOSCO CONTRA O EXÉRCITO SÓ ASSIM PODEMOS ACABAR COM A TROPA FASCISTA E COLONIAL, INIMIGA DOS TRABALHADORES, QUE NOS UTILIZA COMO INSTRUMENTOS, SÓ ASSIM PODEMOS SER LIVRES.

VII. HÁ 10 ANOS QUE OS SOLDADOS PORTUGUESES LUTAM E RESISTEM CONTRA O EXERCITO COLONIAL E A GUERRA ASSASSINA.
Nestes dez anos, milhares de soldados desertaram, ou não apareceram nas incorporações;
Em dezenas e dezenas de quartéis os soldados organizaram levantamentos de rancho vitoriosos;
Desobedeceram colectivamente aos oficiais;
Cagam nas instruções, correm o menos possível, estão-se nas tintas para as marchas militaristas;
Revoltaram-se colectivamente em alguns quartéis, pondo os oficiais à rasca;
Desviaram material de guerra;
Foderam as camaratas e os armários no fim da recruta, como manifestação de ódio e desprezo à tropa;
Deram porrada nos oficiais xicos;
Protestaram contra a prisão de camaradas;
Sabotaram material de guerra e instalações militares;
Ultimamente houve grandes lutas colectivas, com formas mais avançadas:
Em Luanda, em Março 1970, os soldados internados no hospital psiquiátrico revoltaram-se, pegaram em armas, e resistiram durante 36 horas às forças que os cercaram.
Trata-se de uma nova forma do Exército Colonial-Fascista reprimir os soldados que se revoltam nos quartéis e nos campos de batalha. Os oficiais dizem-lhes: "se não te calas, vais para o hospital". Os hospitais servem assim de prisões onde são metidos muitos camaradas, com o pretexto de serem "doentes mentais": Mas os colonialistas não contavam com a resposta revolucionária dos "internados", sendo forçados a mandá-los para Lisboa. Durante a viagem, es­tes revoltaram-se novamente, destruindo completamente o interior do navio.
A firme resistência e decisão de continuarem a lutar, obrigou o Ministério do Exército a libertá-los.
LUTAR SEMPRE, UMA, DUAS, MUITAS VEZES, ATÉ A CONQUISTA DA LIBERDADE — FOI A LIÇÃO DESTES CAMARADAS SOLDADOS.
- Em Junho de 71, em Mafra, durante a instrução terrorista, 4 cadetes morreram numa lagoa. Em sinal de protesto, 800 cadetes da EPT fizeram um levantamento de rancho, arrombaram as portas de uma sala e organizaram uma assembleia em que denunciaram a instrução terrorista e criminosa, a Guerra Colonial e a maneira como o Exército dispõe de nós à força.
Quando os oficiais e o comandante de batalhão a pareceram para acabar com a assembleia, os 800 cadetes, UNIDOS, MANDARAM CALAR OS OFICIAIS e não obedeceram às suas ordens.
Foi uma grande luta de massas, cuja força esteve na união de todos os cadetes.
- Em Vila Real, na recruta do 2.º turno de 71, os camaradas cabo-verdeanos destruíram completamente todo o material (cadeiras, mesas, candeeiros, copos, garrafas) da Sala do Soldado, quando o oficial de dia os queria obrigar a sair dela apedrejaram o coman­dante que estava dentro do carro; davam frequente­mente porrada nos xicos, exigiam mais comida; saiam do quartel à civil, respondendo a murro a qualquer xico que se quisesse opor; faziam greve à instrução dizendo que queriam ir para as suas tenras.
- Em Abrantes, os camaradas cabo-verdianos, quando souberam que estavam mobilizados para Angola, recusaram-se a formar na parada, correndo a ponta-pés o major Trindade.
OS CAMARADAS CABO-VERDIANOS DERAM-NOS UM GRANDE EXEMPLO DE VIOLÊNCIA REVOLUCIONARIA: É ASSIM QUE DEVEMOS AGIR COM OS OFICIAIS XICOS. NÃO MERECEM A NOSSA PIEDADE.
- Também em Abrantes, os nossos irmãos cabo-verdianos reagiram com violência à violência do Oficial de Dia: apedrejaram-no. O oficial de dia puxou da arma mas os camaradas cabo-verdianos não estiveram com meias medidas: DESARMARAM O OFICIAL DE DIA.
É ASSIM MESMO, CAMARADAS: A VIOLÊNCIA FASCISTA DOS XICOS, NÓS SOLDADOS, DEVEMOS RESPONDER COM A NOSSA VIOLÊNCIA, A VIOLÊNCIA REVOLUCIONARIA.
O que vale um, dois ou dez oficiais armados e ameaçadores contra uma multidão de soldados unidos? NÃO VALE NADA, NÃO PASSA DE FOGO DE VISTA. ELES MOS­TRAM-SE FORTES E TERRÍVEIS NA APARÊNCIA, MAS NA VERDADE NÃO VALEM NADA, DESARMAM-SE NAS CALMAS. OS CABO-VERDIANOS PROVARAM-NOS ESTA VERDADE.
- Ainda em Abrantes, no dia 14 de Out., os soldados descontentes com a comida, recusaram-se a comer. Um camarada cabo-verdiano perguntou ao oficial se aquilo era comida de gente; este respondeu atirando-lhe com a comida à cara e abandonando o refeitório.
Os 1.500 soldados dirigiram-se ao edifício do comando; a PU tentou fazer-lhes frente mas os soldados romperam a barreira. Apareceu então a uma ja­nela o comandante que acagaçado e com falinhas mansas, lhes prometeu rancho melhorado que foi servido duas horas depois.
Esta luta foi uma prova da verdadeira força dos soldados.
- Noutros quartéis, os camaradas cabo-verdianos, trazidos como escravos para Portugal e para a tropa, têm lutado e têm resistido; os filhos da puta dos burgueses vão ao ponto de trazer à força os cabo-verdianos para assassinar os seus irmãos negros de Angola e Moçambique em luta pela libertação.
Camaradas cabo-verdianos estamos convosco! A vossa luta é a nossa luta.
- Em todos os quartéis os soldados manifestam o seu ódio ao Exército, á Exploração, á Guerra Colonial e à Xicalhada.
Continuam a desertar muitos soldados mobilizados que se recusam a matar os povos africanos em luta, e a morrer ao serviço de uma guerra assassina.
Nas próprias frentes de combate, em Angola, na Guiné e em Moçambique, há soldados que descobrem com os seus olhos a justiça da luta revolucionária dos nossos irmãos das colónias, desertam do Exército Colonial e passam com as armas para os Movimentos de Libertação, onde são recebidos fraternalmente.
Mas camarada, o Exército continua a existir, a assassinar os povos das colónias, a reprimir os trabalhadores portugueses quando se revoltam, a servir-se de nós à força, e explorar-nos, a castigar-nos e a matar-nos.

IX. A SIMPLES DESERÇÃO NÃO CHEGA. OS SOLDADOS DEVEM ORGANIZAR E DESENCADEAR A LUTA REVOLUCIONÁRIA DENTRO DOS QUARTÉIS.
NÃO CHEGA QUE A GENTE RESISTA E FUJA A TROPA, PORQUE ASSIM A TROPA CONTINUA A EXISTIR.
É PRECISO QUE A GENTE LUTE REVOLUCIONARIAMENTE CONTRA A TROPA, PARA ACABARMOS COM ELA E SERMOS LIVRES NA NOSSA TERRA.
A SIMPLES DESERÇÃO MO CHEGA. REPARA CAMARADA: desertando os soldados mais conscientes, o Exército vê-se livre dos soldados mais capazes de conduzir as lutas de massas, os oficiais ficam à vontade para dominarem os soldados mais atrasados.
Embora seja um golpe na máquina, os oficiais vão buscar mais jovens trabalhadores, e o Exército Colonial continua a existir, a assassinar os trabalhadores africanos e portugueses em luta, a servir-se do nosso trabalho, a explorar-nos e oprimir-nos PRECISAMOS DE IMPEDIR QUE O EXERCITO ACTUE CONTRA OS PORTUGUESES TRABALHADORES E OS POVOS DAS COLÓNIAS: ESTA É A PRIMEIRA TAREFA DOS SOLDADOS NA REVOLUÇÃO POPULAR. PRECISAMOS DE MINAR O EXERCITO DOS BURGUESES POR DENTRO, DESTRUÍ-LO, IMPEDIR QUE MATE OS NOSSOS IRMÃOS E SE SIRVA DE NÓS À FORÇA.
PARA ISSO DEVEMOS ARRANCAR GRANDES LUTAS COLECTIVAS DE SOLDADOS, LUTAS DE MASSAS VITORIOSAS, CONQUISTANDO POR ESTA VIA A NOSSA LIBERDADE.
PARA ISSO DEVEMOS ORGANIZAR E DESENCADEAR DESDE JÁ A LUTA REVOLUCIONARIA DOS SOLDADOS DENTRO DOS QUARTÉIS. PARA ISSO DEVEMOS ESTAR UNIDOS E RESPONDER COM A VIOLÊNCIA REVOLUCIONÁRIA DOS SOLDADOS A VIOLÊNCIA FASCISTA DOS BURGUESES, DO EXERCITO E DOS XICOS.
EM FRENTE CAMARADAS;

X. SAIBAMOS ORGANIZAR AS LUTAS;
1. ORGANIZEMO-NOS;
1 - Só com uma forte organização revolucionária de soldados, bem implantada dentro dos quartéis, de norte a sul do país, podemos vencer os xicos e unirmo-nos vitoriosamente à luta do povo.
2 - Do mesmo modo, só com um Partido Comunista do Proletariado, a classe operária, os camponeses, os soldados, todo o povo explorado, poderão vencer a burguesia e o seu Exército, e construir o comunismo.
Só os comunistas poderão unir todas as lutas do povo e todas as classes revolucionárias, os operários, os camponeses e os soldados, conduzindo-os à vitória.
3 - Mas o Partido Comunista do Proletariado (marxista-leninista), assim como a forte organização revolucionária de soldados, não surgem da noite para o dia, surgem no desenvolvimento da luta revolucionária dos trabalhadores e dos soldados, com o reforço e alargamento da organização em todas as pequenas e grandes lutas contra a burguesia, o Governo e o Exército colonial-imperialista.
4 - No nosso país, ainda não existe um Partido um Partido Comunista m-l do Proletariado, nem uma forte organização revolucionária de soldados, mas a luta do povo avança em todas as frentes, os operários, camponeses e soldados travam cada vez mais lutas vitoriosas contra a burguesia e os seu exército. Nos grandes centros industriais do sul e do norte, existe já um embrião revolucionário organizado, com agitação, propaganda e direcção de lutas revolucionárias dos trabalhadores.
5 - O facto de não existir ainda uma forte organização revolucionária de soldados que dirija as nossas lutas dentro do Exército, não impede que nos organizemos. Antes pelo contrário. No quartel onde es­tivermos, devemos unir-nos com mais dois, 3, 4, camaradas e formar pequenos grupos ou comités de luta clandestina, ao lado dos que já existem, estudar as condições do quartel, e dar palavras de ordem que sejam seguidas pela imensa maioria dos soldados.
Estamos assim a lançar as bases indispensáveis para uma forte organização revolucionária de soldados, única capaz de dirigir a luta vitoriosa em todos os quartéis, unindo a luta dos soldados à luta dos operários, camponeses e povos das colónias.
2. PREPAREMOS CUIDADOSAMENTE AS LUTAS
Cada luta revolucionária de soldados deve ser preparada cuidadosamente e as suas formas devem ser adaptadas às condições concretas e resultado do espírito criador dos camaradas. A título de exemplo, os soldados organizados em grupo ou comité de luta podem, entre outras coisas:
1 - fazer pichagens nas paredes, com inscrições contra a Guerra Colonial Assassina, o Exército Fascista, os xicos, a burguesia e o imperialismo, e palavras de ordem para lutas colectivas; enquanto um escreve, um ou dois camaradas vigiam e dão sinal à aproximação de alguém;
2 – fazer um panfleto com palavras de ordem para a luta, que se coloca durante a noite nas cagadeiras, nos lavabos ou até no chão da caserna. Na última página damos indicação de como se constrói um copiógrafo manual e se trabalha em serigrafia. Um dos soldados do grupo tem-no escondido num sítio de confiança e nos momentos livres faz o panfleto ou cartaz depois de ter combinado tudo com os camaradas;
3 - pode-se mesmo escrever em casa, com letra grossa e disfarçada, as palavras de ordem em várias folhas de papel, e deixá-las no chão da caserna, durante a noite. De manhã os soldados vêem-nas e fa­zem-nas circular entre os camaradas;
4 – quando os soldados, logo que acordam e vêem os papéis, panfletos e pichagens, começam a discutir as palavras de ordem e a preparar colectivamente os vários aspectos da luta, nós estamos no meio e parti­cipamos na discussão como qualquer outro;
5 – todas estas regras de segurança evitam que as palavras de ordem sejam dadas de viva voz por um camarada, que podia ser denunciado por algum soldado vendido e renegado (há quase sempre um ou dois na caserna), e preso pelos xicos.
3. LUTEMOS SEMPRE UNIDOS
Devemos estar fortemente unidos quando lutamos e usamos a violência revolucionária contra os xicos
Nenhum soldado deve reagir ou lutar sozinho, ou expor-se demasiado. Isso é o que os xicos querem. Agarram o soldado e metem-no na prisão ainda que para isso tenham de esperar pelo fim da luta colectiva dos soldados; nessa altura, nós não estaremos presentes e em força para o defendermos de ser preso.
Os camaradas que tiverem que falar durante uma luta, devem ser o mais rápidos possível, e estar tapados e bem protegidos pelos companheiros.

XI. BASTA DE SERMOS TRATADOS COMO PORCOS. ASSAL­TEMOS AS MESSES DOS OFICIAIS;
Porque comemos miseravelmente, enquanto os oficiais e sargentos têm rancho especial? Temos boca e estômago diferentes? Somos homens ou porcos?
Camaradas: é longa a tradição de luta dos soldados contra o rancho de miséria. Nos últimos 10 anos os soldados fizeram dezenas e dezenas de levantamentos de rancho. Mas o que acontece depois de cada levantamento? Os xicos ficam acagaçados, dão-nos boa comida durante uns dias, mas depois, aos poucos, volta tudo à mesma merda de antes.
Basta, camaradas: Está nas nossas mãos arrancarmos aos filhos da puta dos xicos um comer de homem, o mesmo comer deles.
Só nos resta um caminho: a violência revolucionária.
VAMOS DAR UM SALTO EM FRENTE ESTA LUTA: TODOS UNIDOS, LUTEMOS POR TODOS OS MEIOS CONTRA A DIFERENÇA DE RANCHOS.
Somos homens com boca e estômago como os oficiais. Ainda por cima não recebemos ordenado para comer num restaurante como fazem os oficiais quando não gostam do jantar.
DEVEMOS ORGANIZAR LEVANTAMENTOS DE RANCHO EM MASSA, DESTRUINDO MESAS, BANCOS E PRATOS, PARTINDO TUDO, E FAZER O ASSALTO À MESSE DOS OFICIAIS E SARGENTOS — lá há boa comida para todos nós.
OS XICOS FICARÃO TÃO ACAGAÇADOS, QUE CONQUISTAREMOS A IGUALDADE DE RANCHO. NÃO TEMOS OUTRO CAMINHO: USEMOS A VIOLÊNCIA REVOLUCIONARIA.

XII. BASTA DE SERMOS EXPLORADOS, DE TRABALHARMOS À BORLA PARA O EXERCITO, AINDA POR CIMA COM A BARRIGA VAZIA.
GREVE AO TRABALHO, CAMARADAS;
Dão-nos uma comida miserável, e ainda nos obrigam a trabalhar nos impedimentos, nas guardas e nos trabalhos forçados: cavar, varrer, à pica.
Camaradas: Quem passa fome não trabalha.
Quem não recebe não trabalha.
Quem não dispõe do seu trabalho, e anda a sustentar pançudos, revolta-se e luta pela liberdade.
DÃO-NOS FOME, POIS ENTÃO NÃO TEMOS FORÇAS PARA TRABALHAR OU FAZER EXERCÍCIOS NA INSTRUÇÃO.
GREVE AO TRABALHO, CAMARADAS;
Devemos acompanhar os levantamentos de rancho com Greve ao Trabalho e Greve á Instrução.
SENTAMO-NOS NA PARADA, E O QUARTEL FICA PARALISADO.
Somos nós soldados que trazemos esta máquina de pé. Todos unidos, rebentemos com isto e conquistemos a nossa liberdade.
Devemos seguir o exemplo revolucionário da Companhia de Serviços da EPI (Mafra), em Abril passado. Esta companhia tem 400 homens: mecânicos, condutares, electricistas, carpinteiros, enfermeiros, cozinheiros, que põem a funcionar todos os serviços indispensáveis ao funcionamento do quartel. Estes camaradas fizeram um levantamento de rancho contra a co­mida de porcos. Sentaram-se na parada, tocou a for­mar, e todos UNIDOS, recusaram-se a ir trabalhar. Às 4 da tarde, os Xicos acagaçados deram-lhes rancho melhorado.
Devemos seguir o exemplo revolucionário destes camaradas. Recusemo-nos a trabalhar com a barriga vazia. Devemos acompanhar o Levantamento de Rancho com Greve ao Trabalho e Greve à Instrução.
EM FRENTE CAMARADAS. TODOS UNIDOS SAIREMOS VITORIOSOS.

XIII. BASTA DE NOS TRAZEREM A FORCA PARA A TROPA, DE DISPOREM DE NÓS COMO DE UM REBANHO, DE NOS FERIREM E MATAREM DURANTE A INSTRUÇÃO.
NÃO AO TERRORISMO DOS OFICIAIS FASCISTAS! GREVE A INSTRUÇÃO. CAMARADAS!
Companheiros que estão a tirar a recruta, especialidade ou I.A.O.:
O Exército trata-nos como carneiros arrebanham-nos com mais trinta ou quarenta camaradas; decidem como querem do nosso destino; berram-nos ordens e castigam-nos por tudo e por nada; tentam criar a divisão e a guerra entre os soldados, pondo-nos a lutar pelos primeiros lugares. No fim fazem de nós atiradores ou qualquer outra coisa, mandam-nos a força para a Guerra Colonial, obrigam-nos a fazer guardas e a trabalhar a borla nos impedimentos ou na pica.
Na instrução forçam-nos a correr e a marchar horas seguidas, mesmo aos soldados mais fracos. Forçam-nos a dar voltas à parada, a bater com os pés no chão e a suar como cavalos. Forçam-nos a atravessar lagoas, a dar saltos perigosos e a fazer exercícios que põem em perigo as nossas vidas.
É frequente morrerem soldados durante a instrução terrorista, ou ficarem gravemente feridos, em Lamego, em Santa Margarida, em Tavira, em Mafra (quatro cadetes mortos). Há oficiais que apontam as armas carregadas aos soldados, ou usam bala real em vez de bala simulada durante a instrução, pondo em riscos as nossas vidas.
CAMARADAS: NÃO SOMOS CARNEIROS.
NÃO CONSENTIMOS QUE OS BURGUESES DISPONHAM DE NÓS E DO NOSSO DESTINO.
NÃO ESTAMOS DISPOSTO? A BATER COM OS PÉS NO CHÃO E A SUAR NOS EXERCÍCIOS COMO CAVALOS.
NÃO ESTAMOS DISPOSTOS A CORRER RISCOS, A FICARMOS FERIDOS OU A MORRER DURANTE A INSTRUÇÃO TERRORISTA.
BASTA! Greve à instrução, camaradas: Recusemo-nos colectivamente a fazer exercícios perigosos, a marchar como cavalos, a correr e a saltar até nos esgotarem.
Já que nos dão fome, também não temos forças para os exercícios físicos, as corridas e os percursos.
 SENTEMO-NOS NO CHÃO DA PARADA, E RECUSEMO-NOS, TODOS UNIDOS, AOS EXERCÍCIOS FORÇADOS.
Mas, camarada, aprende a disparar e a conhecer as armas. Devemos retirar dos burgueses e do Exército o máximo proveito. Devemos aprender a fazer tiro, para atirarmos sobre os nossos inimigos: os Burgueses, os Pides e os Xicos.
NÃO À INSTRUÇÃO TERRORISTA; Quando algum camarada ficar ferido ou morto na instrução terrorista, DEVEMOS ORGANIZAR LUTAS COLECTIVAS DE PROTESTO E GREVE A INSTRUÇÃO.
DEVEMOS DEIXAR ESTENDIDOS NO CHÃO OS XICOS RESPONSÁVEIS.
NÃO QUEREMOS FICAR FERIDOS OU MORRER NA INSTRUÇÃO.
NÃO AO TERRORISMO DOS OFICIAIS FASCISTAS.

XIV - BASTA DE DESFILES E MARCHAS MILITARISTAS!
TRANSFORMEMOS ESTAS CERIMONIAS REACCIONÁRIAS EM MANIFESTAÇÕES REVOLUCIONARIAS CONTRA A BURGUESIA. O EXERCITO COLONIAL E A GUERRA ASSASSINA.
— Que pretendem os burgueses e os oficiais com os desfiles e as marchas militaristas? Pretendem ser­vir-se de nós para mostrar ao povo que têm a força (o Exército) nas suas mãos, e que este continua a portar-se bem disciplinado e ordeiro.
Nós não ganhamos absolutamente NADA com desfiles e paradas, e chegamos ao fim cansados e arrasados. Devemos foder esses cabrões que mais uma vez se querem servir de nós.
Eles querem que desfilemos? NÓS, NÃO.
RECUSAMO-NOS A SER PALHAÇOS.
RECUSAMO-NOS A SERVI-LOS.
RECUSAMO-NOS A METER MEDO AO POVO, QUE AFINAL SOMOS TAMBÉM NÓS.
Devemos aproveitar os desfiles para manifestarmos O NOSSO ÓDIO À TROPA, AOS XICOS, AOS CAPITALISTAS, E À GUERRA COLONIAL ASSASSINA.
— E que pretendem os burgueses e os oficiais com o 10 de Junho e os juramentos de bandeira?
Pretendem com essas balelas convencer-nos de que estamos em dívida para com a "pátria", obrigam-nos a "jurar fidelidade à pátria" e querem fazer nascer em nós o "patriotismo".
Mas de que "pátria" falam eles?
A "pátria" é o direito de eles explorarem os trabalhadores e servirem-se de nós para explorarem outros povos.
Como disse Marx, grande guia do movimento operário mundial, OS TRABALHADORES NÃO TEM PÁTRIA.
Pomos e voltaremos a ser operários ou camponeses, mal ganhamos para comer, Que nos dá a "pátria"?
A "pátria" só é boa para os burgueses, para os que nos obrigam a trabalhar como escravos em troca de salários de miséria, para aqueles que nos exploram e nos humilham. É por isso que eles estão tão interessados em defende-la À CUSTA DO NOSSO SANGUE. CAMARADAS SOLDADOS: BOICOTEMOS OS JURAMENTOS DE BANDEIRA. TODOS UNIDOS RECUSEMO-NOS A JURAR FIDELIDADE A UMA CAUSA QUE NÃO É A NOSSA.
A NOSSA CAUSA, O NOSSO INTERESSE É APENAS UM, AQUELE DE QUE OS BURGUESES TEM MEDO:
JUNTARMO-NOS AOS NOSSOS CAMARADAS TRABALHADORES E FAZERMOS A REVOLUÇÃO POPULAR;

XV. BASTA DE SERMOS OPRIMIDOS. CASTIGADOS E PRE­SOS!
BASTA DE HUMILHAÇÕES E DE CHANTAGEM!
RESPONDAMOS TACO A TACO AOS OFICIAIS E SAR­GENTOS QUE NOS OPRIMEM!
CONQUISTEMOS A LIBERDADE PELA VIOLÊNCIA REVOLUCIONÁRIA!
-1-
NÃO CONSENTIMOS QUE NOS TRATEM POR TU
Quando um sargento ou oficial nos tratarem por tu, que é uma maneira de nos inferiorizar e de nos dominar, respondemos "não me trate por tu".
Se ele repetir, camarada, não hesites: TRATA-O TAMBÉM POR TU!
-2-
NÃO AOS CASTIGOS CORPORAIS - RECUSEMO-NOS COLECTIVAMENTE A PAGAR E A RASTEJAR.
Até o RDM não permite que os oficieis dêem castigos corporais aos soldados. E mesmo que permitisse nós não estávamos dispostos a ser escravizados, e lutávamos colectivamente contra isso pela nossa liberdade.
Nos últimos meses, em muitos quartéis, Vila Real, Tavira, Vendas Novas, Mafra, os soldados, durante a instrução. RECATARAM-SE A CUMPRIR CASTIGOS CORPORAIS: A PAGAR.
Pelotões inteiros de soldados, UNIDOS E NÃO MAIS DISPOSTOS A SEREM TRATADOS COMO ESCRAVOS, recusaram lançar-se ao chão, a pagar, a rastejar, a serem humilhados.
Devemos seguir o exemplo destes camaradas, estender esta luta a todos os quartéis: RECUSEMO-NOS EM MASSA, COLECTIVAMENTE, A PAGAR E A RASTEJAR.
NÃO SOMOS VERMES. NÃO SOMOS ESCRAVOS. SOMOS HOMENS, LUTEMOS UNIDOS PELA LIBERDADE, CONTRA A OPRESSÃO.
Camaradas que estão a tirar a recruta e a especialidade: RECUSEM-SE, COLECTIVAMENTE, TODOS UNIDOS, A PAGAR E A RASTEJAR. Devemos seguir o exemplo vitorioso dos nossos camaradas de Mafra: o filho da puta do comandante foi obrigado, pela luta de massas, a terminar com os castigos corporais na instrução.
Foi uma vitória dos soldados.
-3-
DEVEMOS DEIXAR ESTENDIDOS NA PARADA OS OFICIAIS E SARGENTOS QUE NOS DÃO CARECADAS E FAZEM CHANTAGEM CONNOSCO.
Não podemos consentir de modo nenhum que nos castiguem corporalmente, que nos dêem carecadas, que nos humilhem.
TODOS UNIDOS LUTEMOS CONTRA A OPRESSÃO E AS HUMILHAÇÕES. TODOS UNIDOS LUTEMOS PELA LIBERDADE. OS OFICIAIS E SARGENTOS FASCISTAS NÃO MERECEM A NOSSA PIEDADE.
Quando um oficial der uma carecada a um camarada nosso, NÓS SOLDADOS, TODOS UNIDOS, DEVEMOS AVANÇAR PARA O OFICIAL, RODEÁ-LO, DAR-LHE UM ARRAIAL DE PORRADA, RAPAR-LHE A CAREÇA E DEIXA-LO ESTENDIDO.
E o que merecem estes fascistas que oprimem e humilham os soldados. DEVEMOS RESPONDER TACO A TACO A VIOLÊNCIA FASCISTA DOS XICOS; "Rapais os solda­dos, pois então sereis rapados". E mais: "Vamos dar-vos porrada e deixar-vos estendidos no chão por­que não mereceis a nossa piedade. Porque é a única maneira de conquistarmos a nossa liberdade: USANDO A VIOLÊNCIA REVOLUCIONARIA DOS SOLDADOS."
-4-
OS OFICIAIS E SARGENTOS FASCISTAS QUE BATEM NOS SOLDADOS MERECEM A MORTE, VIVA A JUSTIÇA REVOLUCIONÁRIA.
Camaradas, não podemos consentir por nenhum meio que nos batam, que nos dêem uma bofetada um cacha­ço que seja. Quando um filho da puta de um oficial ou sargento bater num camarada nosso, nós soldados, TODOS UNIDOS, DEVEMOS AVANÇAR PARA O OFICIAL OU SARGENTO, RODEÁ-LO,DEIXA-LO ESTENDIDO;
Basta de nos tratarem como cães!
Morte aos oficiais e sargentos fascistas que batem nos soldados.
VIVA A JUSTIÇA REVOLUCIONARIA:
-5-
ASSALTEMOS E ARRANQUEMOS DAS PRISÕES OS SOLDADOS REVOLUCIONÁRIOS!
Sempre que há lutas colectivas dos soldados contra a Exploração, o Exército Colonial ou a Guerra Assassina, quando fazemos Levantamentos de Rancho, Greve ao Trabalho e Greve à Instrução, Assembleias de Protesto, acções de massa revolucionárias para a conquista da nossa liberdade, o Exército por meio dos oficiais e sargentos xicos, costuma prender os nossos melhores camaradas que se colocaram à frente das lutas e deram o exemplo revolucionário.
NÃO PODEMOS PICAR DE BRAÇOS CRUZADOS E CONSENTIR PASSIVAMENTE QUE OS MILITARISTAS LEVEM PARA AS CELAS OS FOSSOS COMPANHEIROS MAIS QUERIDOS E MAIS CORAJOSOS.
BASTA; A partir de agora NÃO CONSENTIREMOS QUE OS NOSSOS CAMARADAS REVOLUCIONÁRIOS SEJAM PRESOS.
A partir de agora, UM CAMARADA PRESO NÃO REPRESENTA O FIM DE UMA LUTA MAS A CONTINUAÇÃO DELA COM FORMAS MAIS RADICAIS.
NÃO DEIXAREMOS DE LUTAR ENQUANTO O NOSSO CAMARADA NÃO FOR POSTO EM LIBERDADE.
ORGANIZAREMOS GREVES AO TRABALHO, GREVES À INSTRUÇÃO, LEVANTAMENTOS DE RANCHO MACIÇOS E VIOLENTOS até à libertação do nosso camarada.
VAMOS EM MASSA À PRISÃO, REBENTAMOS COM AS PORTAS E ARRANCAMOS COM AS NOSSAS MÃOS O CAMARADA PRESO.
LUTEMOS, UNIDOS E, SEM HESITAÇÕES, SEM MEDO DA VIOLÊNCIA DOS XICOS, ATÉ À LIBERTAÇÃO DOS NOSSOS CAMARADAS REVOLUCIONÁRIOS.
A VIOLÊNCIA FASCISTA DOS XICOS, RESPONDEREMOS COM A NOSSA VIOLÊNCIA, A VIOLÊNCIA REVOLUCIONÁRIA.
QUALQUER OFICIAL OU SARGENTO QUE DISPARE SOBRE UM SOLDADO DEVE SER PRONTAMENTE MORTO PELAS NOSSAS MÃOS. DEVEMOS APLICAR A VIOLÊNCIA REVOLUCIONÁRIA SOBRE OS MILITARISTAS.
Os xicos servem-se dos próprios soldados para exercerem a violência fascista sobre os soldados em luta. Tenta dividi-los e pôr-nos a fazer guerra uns aos outros. Quando há uma luta revolucionária dos soldados dentro do quartel, os oficiais mandam o piquete para cima de nós. Mas quem constitui o piquete? O piquete é constituído por 20 ou 30 soldados que são obrigados, por escala, a fazer esse servido. Os soldados do piquete são irmãos dos soldados em luta. Os soldados do piquete também lutam contra a opressão e a exploração.
OS SOLDADOS DO PIQUETE QUANDO O COMANDANTE MANDAR DISPARAR SOBRE OS SOLDADOS EM LUTA, DEVEM PÔR-SE AO NOSSO LADO E VOLTARMOS, TODOS UNIDOS, AS ARMAS CONTRA OS VERDADEIROS INIMIGOS OS OFICIAIS E SARGENTOS XICOS, O COMANDANTE, O EXÉRCITO DOS BURGUESES
A VITORIA SERÁ NOSSA.

XVI. OS SOLDADOS SÃO ALIADOS DOS OPERÁRIOS E DOS CAMPONESES NA REVOLUÇÃO POPULAR.
DEVEMOS UNIR A NOSSA LUTA A LUTA REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES:
-1-
PASSEMOS COM AS ARMAS PARA O LADO DOS TRABALHADORES.
Uma das funções do Exército Burguês é reprimir e atacar as lutas revolucionárias dos trabalhadores: manifestações, greves, revoltas.
Ainda em Dezembro de 71 os operários da Covilhã travaram grandes lutas contra a exploração desenfreada a que são submetidos pelos patrões, organizando greves e concentrações no centro da cidade.
Os capitalistas, como sempre, fizeram intervir a GNR e a PIDE. Como a luta dos operários não cedesse recorreram à repressão superior – o Exercito Fascista, que cercou a cidade.
 Servem-se assim dos soldados para atemorizarem e reprimir os trabalhadores em luta.
CAMARADAS SOLDADOS: DEVEMOS, TODOS UNIDOS, RECUSAR-NOS A DISPARAR SOBRE OS TRABALHADORES EM LUTA.
DEVEMOS DESOBEDECER, SEM HESITAÇÕES, ÀS ORDENS DOS OFICIAIS QUE NOS MANDAM ATIRAR SOBRE OS TRABALHADORES.
DEVEMOS, OUSADAMENTE, PASSAR COM AS ARMAS PARA O LADO DOS TRABALHADORES, DEFENDENDO-OS DA POLICIA, DA PIDE, DA GNR, DO EXERCITO.
DEVEMOS, OUSADAMENTE, UNIR-NOS AOS TRABALHADORES, AJUDANDO-OS A ATACAR E A VENCER A BURGUESIA, A POLICIA, A PIDE, A GNR, O EXERCITO.
EM FRENTE CAMARADAS;-
-2-
CAMINHEMOS PARA A OCUPAÇÃO ARMADA DOS QUARTÉIS. UNINDO-NOS A LUTA REVOLUCIONARIA DO POVO.
Todas as lutas colectivas, toda a luta revolucionária dos soldados, dentro dos quartéis, deve estar encaminhada, no seu desenvolvimento, para a OCUPAÇÃO ARMADA DOS QUARTÉIS. Com esta forma superior de luta, nós soldados, devemos:
1º - Impedir que o Exército, aparelho repressivo fundamental da burguesia, actue sobre os trabalhadores e o povo em luta; devemos prender e justiçar os oficiais e sargentos xicos; tornar impotente a máquina militar repressiva.
2º - Colocar o quartel ao serviço da luta revolucionária do povo, abrindo os paióis e as arrecadações, entregando as armas e munições aos trabalhadores em luta.
3º - Ajudar os trabalhadores a organizar a resistência e o ataque contra as forças de repressão burguesa, a Polícia, a PIDE, a GNR, o Exército.
4º - Unir-nos inteiramente aos trabalhadores na luta contra a burguesia, pela vitória da Revolução Popular.
Mas atenção, camaradas: a ocupação revolucionária de um quartel pelos soldados, para ser conduzida com êxito, exige um certo número de condições sem as quais seremos alvo de uma repressão feroz por parte da burguesia e completamente derrotados.
1ª Condição: QUE SEJA UMA LUTA REVOLUCIONARIA DE MASSAS, da imensa maioria dos soldados, e não de um grupo ou sector apenas.
Só assim o comando e os xicos serão completamente derrotados e tomaremos conta do quartel vitoriosamente.
Para isso, é preciso que os soldados estejam experimentados em lutas revolucionárias anteriores e tenham arrancado várias vitórias aos xicos e ao Exército.
2ª Condição: Que a ocupação do Quartel esteja estreitamente ligada à luta revolucionária dos trabalhadores, e dos soldados nas outras unidades.
Só numa região ou zona em que os operários, os camponeses, o povo esteja em guerra aberta com a burguesia, por meio de greves, ocupação de fábricas, manifestações de rua, e formas de luta violentas e insurreccionais, a ocupação de um quartel pelos soldados se justifica e sairá vitoriosa. Ela representa um passo em frente na luta geral do povo revolucionário, ela fará avançar essa luta, unindo os soldados aos trabalhadores, contra a burguesia e a repressão fascista.
3ª Condição: Que exista uma forte organização revolucionária de soldados bem implantada dentro dos quartéis, capaz de conduzir a luta vitoriosamente, unindo-a à luta dos trabalhadores, e sob a direcção revolucionária destes.
Se estas condições não estiverem presentes, a ocupação do quartel será um fracasso, será um acto aventureiro e isolado que só dá a ganhar aos burgueses e não faz avançar a luta revolucionária do povo.
De uma maneira geral, estas condições não estão ainda todas reunidas.
Mas a luta revolucionária dos soldados e dos trabalhadores avançam a passos largos, e esta forma de luta superior dos soldados — A OCUPAÇÃO ARMADA DOS QUARTÉIS — pode pôr-se a qualquer momento.
DEVEMOS ESTAR PREPARADOS E TER OS OLHOS POSTOS NAS GRANDES LUTAS QUE NOS AGUARDAM.
FIRMEMENTE UNIDOS A LUTA REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES, SAIREMOS VITORIOSOS;
EM FRENTE CAMARADAS, PELA VITORIA DA REVOLUÇÃO DOS OPERÁRIOS, CAMPONESES E SOLDADOS;

XVII. OS SOLDADOS, OS OPERÁRIOS, OS CAMPONESES, O POVO DE PORTUGAL É ALIADO DOS POVOS DAS COLÓNIAS NA LUTA CONTRA O INIMIGO COMUM: A BURGUESIA PORTUGUESA E O IMPERIALISMO ESTRANGEIRO.
DEVEMOS UNIR A NOSSA LUTA, A LUTA REVOLUCIONÁRIA DOS POVOS DE ÁFRICA:
-1-
AOS CAMARADAS MOBILIZADOS, AOS CAMARADAS QUE ESTÃO NO I.A.O. A FORMAR COMPANHIA OU BATALHÃO:
Já nada temos a perder.
Em breve seremos afastados à força da nossa terra, das famílias, das noivas.
Em breve nos irão pôr a assassinar os nossos irmãos africanos em luta pela libertação.
E tudo isto para defendermos os lucros dos burgueses e imperialistas, enquanto os trabalhadores africanos e portugueses continuam a ser explorados e a viver na miséria.
Sá nos resta um caminho: lutar revolucionariamente até ao fim.
Todos unidos, nestas semanas do IAO, vamos fazer a guerra contra o nosso verdadeiro inimigo: o Exército Colonial.
TREMEI BURGUESES E XICOS QUE IDES PAGAR CARO OS VOSSOS CRIMES, A EXPLORAÇÃO E OPRESSÃO QUE FAZEIS SOBRE NÓS, A MANEIRA SUJA COMO SE SERVEM DA GENTE, FORÇANDO-NOS A MATAR E A MORRER EM VOSSO PROVEITO;
Todos unidos, vamos organizar levantamentos de rancho maciços e violentos, Greve à Instrução, vamos desobedecer a todas as ordens superiores, fazer Assembleias de Protesto e Manifestações Violentas contra o Exército e a Guerra Colonial. Não consentiremos que qualquer camarada seja castigado ou preso. Arrancaremos das prisões, pelas nossas mãos, os nossos camaradas presos, faremos justiça revolucionária pelas nossas mãos sobre os oficiais e sargentos xicos.
Devemos levar a luta de massas revolucionária até aos últimos limites:
TODOS UNIDOS RECUSEMO-NOS A EMBARCAR PARA AS COLÓNIAS.
TODOS UNIDOS, VAMOS ESTAR PRESENTES NO CAIS DE EMBARQUE E UNIR A NOSSA FORÇA A FORÇA DAS NOSSA FAMÍLIAS, A FORÇA DOS CAMPONESES, DOS OPERÁRIOS, DOS SOLDADOS E MARINHEIROS, DOS EMPREGADOS E ESTUDANTES REVOLUCIONÁRIOS PRESENTES.
TODOS UNIDOS, VAMOS IMPEDIR QUE MAIS UM BARCO PARTA PARA A GUERRA COLONIAL ASSASSINA.
2
AOS SOLDADOS QUE TENHAM EMBARCADO
Camaradas: Devemos lançar a luta revolucionária dentro do próprio barco. Todos unidos, ocupamos o navio pelas armas, prendemos o Comandante e oficiais fascistas, e preparamos o regresso revolucionário a Portugal, ainda que para isso tenhamos que estar algum tempo num país estrangeiro.
Mas, em qualquer circunstância nós soldados nunca devemos participar na GUERRA COLONIAL ASSASSINA, EM FRENTE CAMARADAS.
COM OUSADIA CONQUISTEMOS A LIBERDADE DO POVO. VIVA A GLORIOSA GUERRA DE LIBERTAÇÃO DOS POVOS DA GUINÉ, ANGOLA E MOÇAMBIQUE;

XVIII. A DESERÇÃO REVOLUCIONARIA: QUANDO E COMO?
Camarada soldado:
Quando vires que já não podes lutar mais dentro do Exército;
Quando vires que corres o risco de ser metido no forte ou no presídio, porque os militaristas descobriram a tua actividade revolucionária;
Quando vires que estás prestes a embarcar para as Colónias, e o batalhão a que pertences não está em condições de fazer no cais A RECUSA COLECTIVA AO EMBARQUE, porque não travou lutas revolucionárias durante o I.A.O..
Então, CAMARADA SÓ TENS UM CAMINHO: DESERTA!
MAS DESERTA REVOLUCIONARIAMENTE, COM ARMAS E MUNIÇÕES.
Se não tiveres um camarada organizado a quem possas entregar as armas que ficarão em Portugal ao serviço da luta dos trabalhadores, desenrasca-te da seguinte maneira:
1 - Procura um amigo, que não tendo também contactos, seja todavia de inteira confiança, insuspeito perante a polícia e que guarde o material, estabelecendo-se uma forma posterior de contacto (por senha ou código).
2 – Se isto não for possível, resta sempre a hipótese de se procurar um esconderijo, unicamente do teu conhecimento onde colocas o material devidamente protegido contra qualquer estrago.
Tanto numa hipótese como noutra, o material não fica perdido: mais tarde entrarás em contacto connosco, informando que o tens escondido. Quando achar necessário, a organização pedirá todos os detalhes para o recuperar.
TRANSFORMEMOS AS ARMAS DA BURGUESIA EM ARMAS DO POVO;
CRIEMOS COMITÉS CLANDESTINOS DE SOLDADOS;
LANCEMOS A ORGANIZAÇÃO REVOLUCIONARIA DOS SOLDADOS DENTRO DOS QUARTÉIS!
UNAMO-NOS ÀS LUTAS DO POVO;
VIVA A VITORIOSA GUERRA DE LIBERTAÇÃO DOS POVOS DAS COLÓNIAS;
EM FRENTE PELA REVOLUÇÃO POPULAR;
§§§§§§§§
Nota final
l. Para que a luta popular avance, se desenvolva, e triunfe sobre o capitalismo, é necessário que ela seja enquadrada e dirigida pela classe mais revolucionária dos trabalhadores, o proletariado. A organização que representa a ideologia do operariado, e a unidade dos trabalhadores contra o domínio da bur­guesia, é o Partido Comunista Marxista-Leninista, hoje em formação. 
2. A acção deste Partido Comunista assenta na aliança das classes mais exploradas, os operários e os camponeses. Em Portugal, devido à Guerra Colonial, surgiu uma nova forma de exploração sobre o trabalhador - a burguesia aproveita o jovem trabalhador, operário ou camponês, como carne para canhão na Guerra Assassina que conduz contra os povos negros que nas Colónias, lutam pela sua libertação.
A nossa táctica exige que o soldado esteja unido às massas trabalhadoras, que ele aponte a sua arma em defesa do seu irmão de classe, contra a burguesia parasitária.
A nossa estratégia exige que o soldado integre o futuro Exército Popular que esmagará o capitalismo e libertará para sempre o povo trabalhador.
Para isso é necessário organizar solidamente os soldados; mesmo depois de a Guerra Colonial terminar pela vitória dos nossos irmãos negros, o exército continuará a oprimir e a dominar os trabalhadores, se estes ainda não tiverem alcançado a vitória sobre a burguesia. E a nossa organização con­tinuará nesse Exército.
É para isso, para o lançamento organizativo de um movimento revolucionário dos soldados estreitamente ligado desde já e para sempre às lutas do povo, que este "Manifesto" é publicado.

JANEIRO DE 1972
"ARMAS DO POVO"- "GRITO DO POVO"

CAMARADA:
Indicamos a seguir dois processos muito simples para fazer panfletos, cartazes, vinhetas, etc.: o copiógrafo e a serigrafia.
Utilizando a serigrafia fazem-se cartazes e vinhetas destinados a espalhar por todo o lado as palavras de ordem necessárias ao desenvolvimento da luta revolucionária.
Com os copiógrafos far-se-ão os panfletos e tarjetas necessários para transmitir os sucessos da luta dos soldados, para dar a conhecer as injustiças praticadas no teu ou nos outros quartéis. E também para informar sobre as lutas que os operá­rios, camponeses e estudantes revolucionários travam fora dos quartéis, e que nós devemos apoiar.
Camarada:
A PROPAGANDA É UMA ARMA DA REVOLUÇÃO

A. Copiógrafo manual
Construção
1. Uma tábua ligada por dobradiça, a uma armação. Escolher uma medida de 25 por 35 centímetros.
2. Colocar na tábua (que será a base do copió­grafo), um vidro.
3. Dentro da armação (que será a parte de cima do copiógrafo), põe-se nylon de peneira.
B. Como se trabalha com o copiógrafo:
1. Compra-se um "stencil” - todas as papelarias os vendem.
2. Esse "stencil" tem de ser escrito à máquina, com o branco das letras (quer dizer, sem nenhuma cor).
3. Quando se tem o "stencil" jà batido com aquilo que queremos imprimir, põe-se o "stencil" dentro do copiógrafo (que se pode fechar, por causa da dobradiça).
4. Nessa altura, com o copiógrafo fechado põe-se tinta de imprimir na rede de nylon. Passa-se por cima, com o rolo de gelatina, para espalhar bem a tinta.
5. Abre-se o copiógrafo. O texto ficou impresso no vidro. Podemos ver se há alguma imperfeição, ou se é preciso pôr mais tinta.
6. Limpa-se o vidro. Nessa altura, o "stencil" por causa da tinta, está colado à rede de nylon da armação.
7. Põe-se a tinta sobre uma placa de vidro, e espalha-se com o rolo. Esta operação deve-se repetir sempre que a rede de nylon comece a perder tinta.


8. Mete-se um papel. Fecha-se o copiógrafo. Passa-se com o rolo com força.
9. O papel está impresso. Pode-se retirar. Quando o papel está impresso, deve ser posto dentro de jornais, para secar mais depressa.

B. IMPRESSÃO DE CARTAZES E VINHETAS:
1. Armação de madeira + seda para serigrafia (nylon de peneira),
2. Escrever o texto do tamanho desejado numa folha de papel; por transparência, fazer o mesmo desenho sobre a seda com um lápis que não seja duro 3 b).
3. Preencher as letras com "drawing", líquido que forma uma película plástica ao secar; deixar secar bem.
4. Estender com a ajuda duma espátula uma película fina de "verniz de enchimento" sobre toda a superfície da armação; deixar secar bem.
5. Com a ajuda de uma rolha de cortiça, esfre­gar os sítios onde se tinha posto o "drawing gum"; o plástico enrola-se e sai.
Ficam então duas partes sobre a armação:
— o fundo, que está obstruído pele verniz;
— o texto, cujo desenho está livre desde que se tirou o plástico.
Não falta senão pôr, à volta da armação, de lado, uma fita de papel gomado de 5 cm. de largura para evitar que a tinta corra pelas frinchas.
6. Pode-se imprimir. É preciso diluir a tinta de serigrafia com petróleo especial, mas nunca com a cetona que dissolve o verniz da seda. É preciso ob­ter uma matéria fluida para uma secagem rápida. Depois da secagem ter terminado, pode-se voltar a utilizar a armação para outro desenho, depois de ter sido cuidadosamente lavada com acetona. Se a impressão se interromper, mesmo que seja por meia hora, é preciso limpar a armação com petróleo especial para que a tinta não entupa a rede de nylon.

CAMARADA:
Depois de desertares dirige-te, nos países a seguir indicados, aos COMITÉS DE DESERTORES que farão todos os possíveis para te ajudar:

MORADAS DOS COMITÉS DE DESERTORES:

Em Franca:
PARIS:           
Pierre Sorlin   
13, rue Pierre Nicole  
75005 – Paris
Permanência:
Todas as quartas e sextas-feiras das 18h às 20h:
114,rue de Vaugirard
Paris 15
METRO: Falguière

GRENOBLE:
Francois Bel
40, Galerie de l'Arlequin
Apt. l602-Ville Neuve
38000-Grenoble

Na Holanda:
Jacob v. Lennepkade,13
Amsterdam Oud-West
Tel.020-143850

Na Dinamarca:
Erik Petersen
Set. Poulsgade, 37
8000 - Arhus C

Na Suécia:
Fack 5029
Lund 5
Sede:
Montijougatan, 16A
21153 - Malmo

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo