segunda-feira, 22 de agosto de 2016

1976-08-22 - PROCLAMAÇÃO DA UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA REVOLUCIONARIA - UJCR


PROCLAMAÇÃO DA UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA REVOLUCIONARIA

JOVENS OPERÁRIOS!
JOVENS CAMPONESES!
JOVENS PESCADORES!
JOVENS TRABALHADORES!
JOVENS ESTUDANTES!
Nasceu a organização comunista da Juventude!
Neste dia histórico, várias dezenas de jovens comunistas reunidos em Encontro Nacional convocado pelo Partido da classe operária portuguesa o Partido Comunista Português (Reconstruído) — proclamam: a juventude portuguesa tem a partir de hoje a sua organização de luta e de vanguarda, o seu baluarte firme para a revolução, a UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA REVOLUCIONÁRIA!
Inspirados nos exaltantes exemplos de dedicação à classe operária e ao povo dados pela juventude de todo o mundo, em que se destacaram no passado o KOMSOMOL de Lenine e Staline, e hoje se destaca a combativa juventude da China de Mao Tsétung, e os intrépidos jovens da Albânia de Enver Hoxha, constituímos hoje também em Portugal a Juventude Comunista.
Animados pela abnegada e activa participação da juventude portuguesa nos combates revolucionários, — participação destacada desde os primeiros tempos do fascismo e prosseguida hoje depois do 25 de Abril na primeira linha de combate aos monopólios, aos latifundiários e ao imperialismo — surge hoje a organização comunista da juventude.
Activa foi e será a participação da juventude na luta de classes. Sequioso de justiça, revoltada com a exploração e a miséria do povo, de profundos sentimentos anti-imperialistas, particularmente oprimida e explorada nas fábricas, nos campos e nos quartéis, a juventude portuguesa anseia pelo progresso, pela liberdade, pela independência e pelo socialismo. A juventude portuguesa vai lutar com o povo pobre a que pertence e deseja servir, para modificar radicalmente esta sociedade corrupta, conquistar o governo do 25 de Abril do povo, a democracia popular em marcha para o socialismo.
RAPAZES E RAPARIGAS DAS FÁBRICAS, HERDADES, CAMPOS E ESCOLAS!
À nossa frente encontra-se doravante a UJCR, destacamento de vanguarda e de luta, guiada pelo marxismo-leninismo.
A UJCR aplicará na juventude a linha revolucionária do PCP(R), será um seu destacamento de luta, seu combativo auxiliar.
Englobando no seu seio comunistas e simpatizantes activos do comunismo, a UJCR, pela mobilização revolucionária, pela educação política e ideológica dos seus aderentes, será uma escola de formação de autênticos comunistas, temperados nas grandes batalhas da luta de classes, dispostos a dar a vida pela revolução.
Nós que não tememos as dificuldades e as durezas da luta, que não recuamos perante nada para servir o nosso povo e a revolução; nós que nos revoltámos e estamos dispostos a lutar contra o regresso do fascista Spínola, a libertação dos odiosos carrascos da pide, a recuperação capitalista, temos na UJCR o nosso destacamento vermelho.
Tendo sempre presentes os grandes ideais da revolução, a UJCR mobilizará ainda a juventude nas suas reivindicações concretas e em torno dos seus problemas específicos, contra o desemprego, contra as discriminações no trabalho e no salário, pelo acesso ao ensino e à cultura. A UJCR promoverá o desporto, as actividades culturais e a nobre solidariedade entre a juventude.
Jovem ainda enganado pelas serviçais direcções traidoras da UJC-UEC que não passam de meros lacaios do grupelho revisionista de Cunhal!
Junta-te às fileiras da UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA REVOLUCIONÁRIA!
Vem reforçar com a tua presença e combatividade as fileiras da organização de vanguarda de toda a juventude progressista portuguesa.
A UJCR que agora nasce tem à sua frente um futuro brilhante. O presente é de luta e a vitória há-de ser nossa!
Viva a UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA REVOLUCIONÁRIA!

22 de Agosto de 1976
O I ENCONTRO NACIONAL (CONSTITUTIVO) DA UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA REVOLUCIONÁRIA.

I. Porque surgiu a UJCR
1.A IMPORTÂNCIA E NECESSIDADE DE ORGANIZAR A JUVENTUDE
O papel que a Juventude portuguesa tem vindo a desempenhar na aguda luta de classes que se trava no nosso país colocou na ordem do dia a tarefa, árdua e difícil mas promissora, de organizar duma forma consequente e revolucionária a sua participação nos duros combates de classes que se sucedem dia a dia e que nos irão, por certo, exigir maiores sacrifícios, maior abnegação e maior firmeza de princípios, mas nos vão abrindo o radioso caminho da Libertação, da Democracia Popular e do Socialismo.
As características revolucionárias da juventude não são de hoje nem de ontem.
Ela tem-se colocado ao longo da história ao lado do progresso, do bem-estar, a favor das ideias novas que se erguem em luta contra as idmas.velhas e retrógadas.
Devemos no entanto destacar a participação da Juventude portuguesa na luta revolucionária dos últimos tempos. Apesar da traição revisionista; apesar do quase nulo papel dos chamados grupos Marxistas-Leninistas; a Juventude portuguesa ergueu-se contra a guerra colonial. Foram dezenas de milhar os jovens que desertaram do exército e se recusaram a ser instrumentos da exploração e repressão dos Povos colonizados. A agitação revolucionária nos quartéis não deixou de se sentir.
Também nas escolas a resistência estudantil ao fascismo foi uma constante com pontos gloriosos de luta em 1962, 1969 e 1973. Em corajosas manifestações, em ousadas lutas de rua, em vigorosos protestos a juventude sempre se destacou na resistência ao fascismo e na luta contra ele.
Após o 25 de Abril, na luta pela independência imediata e incondicional das colónias foi a juventude fardada que deu o golpe de misericórdia nos intentos neocolonialistas de Spínola, foi ela que depôs as armas e confraternizou com os guerrilheiros, foi ela que ameaçou voltar a Portugal e entregar de imediato o poder aos movimentos de libertação caso não fosse dada a independência. No 28 de Setembro e no 11 de Março, os soldados, colocando as armas ao lado do Povo fizeram tremer Spínola e a sua pandilha e derrotaram os seus planos neocolonialistas e de restauração de uma ditadura feroz de tipo fascista. A sigla “Soldados sempre ao lado do Povo!", uma quase constante das manifestações populares nada mais significava que: "juventude operária e camponesa fardada ao lado do povo sempre!".
Nas fábricas, nos campos, e nas escolas, como nos saneamentos, nas greves, nos comícios e manifestações a juventude veio sempre a desempenhar papel de relevo.
Foi também sobretudo na juventude que em Portugal se esboçou e traçou o primeiro corte com o revisionismo. Isso explica a juventude da grande maioria dos militantes dos grupos que vieram a dar origem ao Partido. Ainda hoje é grande o peso dos militantes de jovem idade, no nosso Partido.
As características revolucionárias da juventude, — assim como as de outras camadas e classes revolucionárias — manifestam-se de uma forma plena e vigorosa nos momentos de luta aguda, nos momentos de crise revolucionária, como aqueles que atravessa o nosso país.
Na Rússia de Lenine, nos anos revolucionários de 1905 e 1917, o papel da Juventude foi imenso. Lenine dizia em 1905: “A Juventude vai decidir do futuro da Revolução, em especial a Juventude operária." Em 1917 a Juventude Russa contava já com formas de organização próprias, as Uniões de Juventude operária, criadas pelo Partido Bolchevique, e percurssoras do KOMSOMOL (Juventude Comunista), criada em 1918.
A Juventude soviética pela sua participação nas tarefas da Revolução, da defesa da Pátria, da construção do Socialismo e, mais tarde, durante os grandes movimentos Stakanovistas, na grande guerra pátria contra o nazismo, em todas as frentes da luta de classes, veio a merecer o honroso título de brigada de choque da classe operária.
Também na China, logo no prelúdio da Revolução Chinesa, durante o movimento de 4 de Maio de 1919 a juventude deu o toque de rebate da luta anti-colonial e anti-feudal. Durante as 3 guerras civis revolucionárias e durante a guerra de resistência contra o Japão, activa foi a participação da Juventude no exército popular e em toda a luta revolucionária. Identicamente no período de construção do socialismo, e, mais recentemente, a juventude trabalhadora matriculada nas Universidades esteve desde o início na vanguarda da Grande Revolução Cultural Proletária. Todos estes factos levaram Mao Tsé-Tung a concluir: "Vocês, os jovens, plenos de vigor e vitalidade, estais na Primavera da vida tal como o Sol às 8 ou 9 horas da manhã. Em vocês depositamos as nossas esperanças!...) O mundo pertence-vos. A vós pertence o futuro (...)."
Mais particularmente ainda na Albânia se veio a provar o imenso papel que cabe à juventude. Criada 15 dias após a formação do Partido, a Juventude Comunista tornou-se o seu mais precioso auxiliar na luta armada e na Revolução. No exército de Libertação cerca de 80% eram jovens. Os nossos camaradas que visitaram a Albânia, todos eles vieram impressionados pelas idades gravadas nas campas dos heróis e mártires da Guerra Popular: 20,18 anos são as idades mais frequentes! É um exemplo heróico! Exemplo que tomamos como guia. E ainda hoje, o movimento de revolucionarização ininterrupto e consequente, nas brigadas voluntárias de trabalho, nas tarefas mais árduas, a juventude albanesa se encontra na primeira linha de luta.
Muitos outros exemplos nos são fornecidos pela história: "Jovem Guarda" da Resistência Francesa, o jovem Van Troi e tantos milhares de mártires Vietnamitas, podendo-se dizer que onde há luta revolucionária se encontram os jovens na primeira linha.
O que tudo isto nos mostra, o que todos estes exemplos evidenciam é o inesgotável papel revolucionário confiado à juventude. Vários factores contribuem para atribuir aos jovens este destaque na Revolução.
Em primeiro lugar os jovens estão na flor da vida, despertam para o mundo e são plenos de vigor. Isto confere-lhes uma particular sensibilidade à injustiça, à opressão e à exploração, dá-lhes uma grande sede de mudança, uma grande avidez do saber, uma formidável agudeza crítica e capacidade de mobilização por um «ideal justo.
Em segundo lugar os jovens trabalhadores são particularmente explorados, são dos mais sacrificados nas fábricas e nos campos, os mais utilizados como criados dos patrões e os mais mal pagos. Por isso sentem fundo a exploração e a injustiça, despertam rapidamente para a luta revolucionária e facilmente se mobilizam por ela.
Em terceiro lugar, os jovens são os mais desprendidos, aqueles com menos responsabilidades e encargos familiares. E isto lhes confere uma grande disponibilidade e espírito de sacrifício, uma grande audácia e coragem, um maior desprendimento e abnegação na luta.
Em quarto lugar os jovens estão no período da vida em que maior solidariedade e laços de amizade existem, em que muitos são os problemas comuns e forte o desejo de conhecimento mútuo.
Como se tudo isto não bastasse ainda aos jovens está destinado tomar o futuro nas mãos. "São os homens de amanhã" como diz o nosso Povo. São as gerações que hoje despertam que daqui a alguns anos irão certamente conduzir o país na vida radiosa do socialismo e do comunismo. Lenin dizia em 1906: "Nós somos o Partido do futuro e o futuro pertence à Juventude."
Do exposto a conclusão só pode ser uma: O PCP(R) tem de dar uma atenção muito especial à educação e formação da Juventude.
Mas se assim é, também a juventude tem problemas muito especiais e muito sujeita está às mais variadas influências contra-revolucionárias. São os problemas sentimentais e a pressão da sociedade burguesa decadente para a corrupção sexual. São os problemas do estilo de vida e a facilidade de influência pela música burguesa, pela moda, pelos prazeres fáceis como a droga, a vida boémia e a prostituição, e a criminalidade. Os jovens são particularmente permeáveis às ideologias e práticas decadentes da burguesia. Mesmo no meio operário já hoje muitos jovens são permeáveis ao uso da droga.
Também na luta política os jovens têm problemas particulares. São menos constantes, menos maduros, menos reflectidos, menos experientes.
Estas características conduzem frequentemente os jovens ao esquerdismo, ao sectarismo e à indisciplina. O seu desejo de mudança, de acabar com a exploração, leva-os a radicalismos, a fecharem-se sobre si próprios isolando-se do Povo. Manifestam, na prática, a incompreensão de que a Revolução é obra das grandes massas e que é necessário um trabalho persistente de mobilização e organização que permita que elas, percorrendo a sua própria experiência, tomem consciência da necessidade do derrube violento do poder dos exploradores. Estes desvios frequentes entre a juventude exigem que o Partido exerça uma firme direcção sobre ela.
É necessário saber organizar sob as bandeiras do PCP(R) e sob a direcção da ideologia e da política da classe operária a juventude que desperta para a Revolução. Só assim se poderá aproveitar plenamente a sua potencialidade revolucionária.
Sintetizando podemos dizer que a grande disponibilidade e a grande energia revolucionária que a juventude encerra, a importância que tem para o futuro a sua educação revolucionária, a especificidade da sua luta e dos seus problemas e as insuficiências próprias da juventude obrigam o nosso Partido a encarar a necessidade de organizar o trabalho revolucionário entre os jovens de uma forma que atenda às suas características particulares. Esta é, podemos dizer uma tarefa decisiva para o desenvolvimento da Revolução.
Tarefa hoje urgente e inadiável, tarefa urgente quando embates decisivos se aproximam, quando dois campos se vão demarcando claramente, o campo popular unido em torno dos GDUP, da alternativa revolucionária do governo do 25 de Abril do Povo e o campo da contra-revolução, da exploração e do fascismo; inadiável quando todos os atrasos irão facilitar a tarefa a fascistas, revisionistas e outros reaccionários que disputam o controle da juventude portuguesa.
2. A UJCR - FORÇA DE VANGUARDA DA JUVENTUDE PORTUGUESA
Não é a burguesia, não são os fascistas que resolvem os problemas da juventude nem são eles que defendem o seu futuro. Pelo contrário, é com a exploração capitalista, é com o desemprego e a miséria que eles ensombram o horizonte e o futuro dos jovens. Com as motas e os prazeres fáceis, com a droga e a corrupção, a burguesia procura desviar a Juventude do caminho da luta, impedir que ela coloque as suas energias ao serviço do Povo arrastando-a assim para o seu lado. São seus instrumentos criminosos a JSD e a JC, os bandos do ELP e do MDLP. Mas a juventude, sobretudo a trabalhadora, recusa a degradação e não se vende nem vende o seu futuro.
Dizendo-se "comunistas" e pretendendo apresentar-se como "a alternativa de esquerda" a UJC e a UEC, sucursais do partido revisionista de Cunhal, Pato e comparsas, também não são o que serve a luta da juventude. Promovem bailes e festanças, concursos e sardinhadas, onde divulgam a decadente música do mundo capitalista ocidental e intoxicam os jovens com o modo de vida e as aspirações da burguesia. Também não é a UJ"C" e a UE"C" que oferecem à juventude um futuro livre e um presente de luta ao lado do Povo. Eles não fazem mais do que aplicar à juventude a política traidora de Cunhal, a política da "via pacifica para o socialismo", da cedência ao fascismo e da conciliação com o capital. Eles não têm como aspirações senão o modo de vida decadente que hoje existe na União Soviética, na Polónia, na Jugoslávia e noutros países do capitalismo restaurado onde a corrupção e a decadência se espalham, onde a droga, a prostituição e o streap-tease igualmente abundam, onde a especulação, o roubo e a criminalidade proliferam.
Os chamados grupos Marxistas-Leninistas, encontraram na Juventude uma ampla base de recrutamento. Porém nada fizeram pela sua educação e formação proletária. Os grupos estavam, na verdade, impedidos de serem uma escola de formação; onde devia haver Marxismo-Leninismo havia pedantismo e arrogância pequeno-burguesa, onde devia haver princípios e firmeza proletária havia degenerescência e corrupção.
Com o surgimento do PCP(R), e particularmente com o vento fresco e são da proletarização e revolucionarização que sopra já em todo o Partido, acendeu-se uma firme e luminosa esperança no futuro da Juventude e de todo o Povo pobre de Portugal. A decisão da 6a Reunião Plenária (ampliada) do C.C. do PCP(R), de constituir a UJCR constitui um marco histórico para o movimento revolucionário da Juventude.
A União da Juventude Comunista Revolucionária, vai colocar-se na vanguarda da juventude trabalhadora e estudantil. Guiada pela doutrina de Marx, Engels, Lenine e Staline, e pelos ensinamentos dos camaradas Mao Tsé-Tung e Enver Hoxha, com os olhos postos no exemplo da China e da Albânia socialistas, a UJCR não deixará nunca de se guiar pelos ideais do marxismo-leninismo e da Revolução. Conduzida e dirigida pelo Partido Comunista Português (Reconstruído), autêntica vanguarda revolucionária da classe operária e guia do Povo pobre de Portugal, Partido proletário da Revolução, a UJCR não se afastará da luta da classe operária e do Povo e seguirá pela estrada da luta de classes marchando à frente da Juventude para a vitória sobre os inimigos do Povo.

II. Programa
O programa de acção da UJCR assentará no seguinte princípio básico: "lutar pela satisfação das reivindicações específicas da Juventude, lutar pela elevação do seu espírito revolucionário, de abnegação e dedicação a causa do Povo; lutar pela sua educação ideológica e política, nos ideais do marxismo-leninismo e do internacionalismo Proletário, a fim de que ela sirva o Partido e a Revolução.
Deverá, no entanto, ficar bem claro em toda a actividade da UJCR que os problemas específicos da Juventude se resolvem unicamente no quadro geral da luta de classes e de uma forma completa e duradoira, apenas com a conquista do poder pelo Proletariado.
1.  LUTAR PELA SATISFAÇÃO DAS REIVINDICAÇÕES E ASPIRAÇÕES ESPECIFICAS DA JUVENTUDE
A juventude operária, camponesa, e a juventude trabalhadora em geral são hoje uma importante força de trabalho. Em 1970, segundo os números oficiais, a juventude contribuía com cerca de 776 300 jovens, com menos de 24 anos, para a população activa, o que dá uma percentagem de quase 30% do total.
A juventude trabalhadora é em geral vítima de discriminações salariais, em função da idade e sexo. Por outro lado é não raras vezes obrigada a executar trabalhos pesados ou em condições de higiene e segurança que comprometem o seu normal desenvolvimento físico.
Esta situação é ainda mais grave no caso da juventude piscatória, mineira e das raparigas. Os primeiros sendo obrigados a desenvolver trabalhos pesados recebem salários de miséria em troca. As segundas além de serem vítimas de discriminações em função do sexo, estão sujeitas às infâmias morais dos patrões e lacaios sem escrúpulos.
O trabalho infantil, abaixo dos 14 anos, está longe de ser abolido apesar de as leis o proibirem expressamente. Em 1970, segundo os números oficiais, eram cerca de 100 000 os jovens com menos de 14 anos que se viam obrigados a trabalhar.
Os jovens trabalhadores que desejam estudar, aperfeiçoar-se técnica e profissionalmente não encontram condições para isso. Além da falta de estabelecimentos de ensino e dos programas inadequados, onde o estudo é desligado da prática, os jovens não têm tempo suficiente, nem dinheiro, para pagar os livros, as propinas, etc...
Em particular, a Juventude camponesa é a que se encontra em piores condições. Sendo filha na sua esmagadora maioria de camponeses pobres ou de assalariados agrícolas, cedo começa a trabalhar para auxiliar o magro rendimento familiar.
Nas aldeias, os estabelecimentos de ensino preparatório e secundário não existem e mesmo que existissem os jovens camponeses estariam impedidos de estudar devido às suas condições de trabalho, sem horário e do grande esforço físico e até à inexistência de luz eléctrica e de outros meios necessários ao estudo. Muitos jovens são obrigados a percorrer longas distâncias, diariamente, para terem acesso ao ensino.
Os jovens podem desempenhar um importante papel no chamamento dos camponeses à Revolução se souberem ser dedicados defensores dos seus interesses e aspirações. Contribuirão assim para a realização da aliança entre os operários e os camponeses, principal e insubstituível pilar da Frente Popular e da Revolução.
A Juventude é ainda uma das principais vítimas do trabalho eventual, forma a que os capitalistas recorrem para melhor explorar o Povo e que deixa na insegurança e no desemprego contingentes enormes de trabalhadores.
Porém o problema mais agudo que a juventude sente neste momento é o do desemprego. Os despedimentos de que tem sido vítima; as dificuldades em encontrar o primeiro emprego, mesmo aqueles que terminaram cursos das escolas técnicas, serralheiros, carpinteiros, etc.; os jovens que ainda não cumpriram o serviço militar e os patrões não os empregam por causa disso e aqueles que acabaram de sair da tropa e não encontram emprego, todos estes factores contribuem para a existência de uma enorme massa de jovens desempregados, que caem por vezes no desespero e tornam-se permeáveis às manobras da burguesia, através da droga, etc.
Os desempregados constituem o chamado exército industrial de reserva. A burguesia pretende utilizá-los contra os trabalhadores em luta admitindo-os para os lugares dos trabalhadores em greve; e, como forma de baixar os salários através dos despedimentos e posterior admissão de desempregados com salários mais baixos do que os despedidos, para ocupar o mesmo lugar e cumprir as mesmas tarefas. Impedir que a burguesia utilize os desempregados contra os empregados e obter a unidade da luta que ambos travam contra o mesmo inimigo e pelos mesmos objectivos torna-se, assim, uma tarefa fundamental.
A ocupação dos tempos livres é outro dos grandes problemas da Juventude. A burguesia não está interessada no correcto desenvolvimento cultural e físico da juventude. Em vez de incentivar e apoiar a prática do desporto e a elevação cultural da juventude, procura, pelo contrário, arranjar todas as formas de a corromper, de incutir nela o espírito decadente e putrefacto-da sociedade burguesa.
Em vez de uma cultura e arte que cultivasse na juventude o espírito de servir o povo, da luta contra a exploração e pela sua libertação, a burguesia tenta corrompê-la, diariamente, com livros, filmes, etc., que fazem a apologia da exploração e da dominação do capital.
A juventude porém resiste activamente incentivando a prática do desporto e a divulgação de uma cultura e arte que sejam armas de luta e não formas de alienação. São inúmeros os clubes, colectividades, associações e grupos culturais que promovem uma sadia divulgação da cultura popular e da prática do desporto que desempenham um papel importante no desenvolvimento dos laços de fraternidade entre os jovens que lhes fazem tomar consciência do seu papel na transformação revolucionária da sociedade.
A UJCR deverá dedicar-se com todas as suas forças à mobilização e à organização da Juventude a fim de que ela lute sem desfalecimentos pela satisfação das suas reivindicações e direitos específicos, nomeadamente:
—  por melhores condições de vida e de trabalho;
—  contra o desemprego, pela manutenção dos postos de trabalho;
—  por melhores salários;
—  pela realização do princípio de "a trabalho igual, salário igual”;
—  pelo cumprimento do ordenado mínimo nacional, dec. lei 292/75;
—  contra a realização de trabalho eventual:
— contra as condições de trabalho desumanas, sem condições de higiene e segurança e impróprias para os jovens;
— pela reintegração dos jovens saídos das Forças Armadas, nos seus locais de trabalho;
— pela obtenção de condições de trabalho que permitam aos jovens trabalhadores a continuação dos estudos, a sua formação profissional, através da diminuição do horário de trabalho, da isenção de propinas, da concessão de subsídios para livros, materiais, etc, a criação de salas de estudo e bibliotecas adequadas;
— pela criação de condições que permitam à Juventude camponesa frequentar o ensino;
— pela criação de serviços sociais estudantis que permitam aos jovens estudantes, vindos de fora dos grandes centros, terem todas as condições para viver e estudar;
— incentivando e organizando, através das Associações. Sociedades Recreativas, Sindicatos, etc, a prática desportiva com o espírito de fraternidade e não de competição, pelo desporto de massas e não elitista;
— promovendo a educação cultural da juventude, através da prática do teatro, da música, etc, cultivando a cultura popular e proletária e combatendo a cultura burguesa e decadente;
A UJCR dedicará todos os seus seus esforços na criação e desenvolvimento de formas de organização da juventude para a luta pelos seus interesses específicos, tais como: Comissões de Aprendizes, Comissões de jovens trabalhadores eventuais, Comissões de jovens desempregados, etc.
A UJCR deverá chamar a Juventude à sua participação activa, nas Comissões de Trabalhadores, Moradores, nos GDUP, e de uma forma particular na vida sindical.
A participação na luta política e sindical é condição indispensável não para a resolução dos seus problemas como para a sua correcta formação política e ideológica.
2. LUTAR PELA ELEVAÇÃO DO SEU ESPÍRITO REVOLUCIONÁRIO, DE ABNEGAÇÃO E DEDICAÇÃO À CAUSA DO POVO
A Juventude é particularmente sensível à miséria, à exploração e opressão do nosso Povo. O seu espírito e disposição para a luta é enorme. A UJCR deverá cultivar essas qualidades da juventude é elevá-las a graus cada vez mais altos.
A luta pelos objectivos específicos da Juventude não poderá nunca levar a Juventude a opor-se ao Povo a que pertence e deseja servir. Devemos buscar sempre em cada momento e em cada acção a forma concreta de ligar a Juventude ao Povo pobre. A UJCR não poderá nunca aparecer como a organização da "libertação juvenil" mas antes a organização que mobiliza e organiza a Juventude, para que esta participe de forma activa e resoluta na luta de classes que libertará todo o Povo da miséria, da exploração e do fascismo. Em toda a sua actividade, a UJCR deverá procurar resolver de uma forma correcta as contradições que tendem sempre a surgir entre os jovens e os adultos.
Estas contradições que surgem inevitavelmente são contradições no seio do Povo, que são resolvidas através da persuasão e do exemplo. A burguesia faz tudo para as desenvolver e agudizar, para assim dividir uma parte do Povo contra outra, para assim o impedir de lutar pela manutenção e alargamento das conquistas revolucionárias alcançadas após o 25 de Abril. Os jovens comunistas têm que lutar pela justa superação destas contradições, dando assim passos valiosos para a realização da unidade do Povo pobre, o que nos permitirá, ombro a ombro, resolver duma forma definitiva, os problemas da Juventude e do Povo em geral.
Grande parte da Juventude de hoje não conhece a vida de miséria e sacrifícios que levaram os nossos pais e avós. A Juventude dos grandes centros urbanos conhece mal ou mesmo não conhece a dura vida do povo dos campos. A Juventude deve ser educada no espírito de aprender com o Povo pobre, com a sua vida dura e simples. Se assim fizemos, manteremos sempre viva a chama revolucionária da Juventude, manteremos sempre a UJCR como a organização de combate da Juventude revolucionária de Portugal.
O sentimento de revolta que a Juventude possui é muitas vezes aproveitado pela burguesia, para nos afastar do Povo. É o caso das tradições populares revolucionárias do nosso povo pobre. Os fascistas e todos os reaccionários fazem tudo para destruir essas, ricas tradições por elas serem revolucionárias e irem contra os seus interesses de classe reaccionária. A Juventude deve ser educada no espírito de cultivar, desenvolver e divulgar essas tradições do Povo pobre de Portugal. A Juventude deverá ver no Povo, antes de mais, um mestre, e não proceder de forma arrogante como fazem todos os reaccionários, desde os fascistas aos revisionistas.
A UJCR deverá ter sempre presente que só o exemplo prático quotidiano da juventude lhe permitirá conquistar a confiança do Povo. Colocar verdadeiramente, na prática, a Juventude ao serviço da luta do Povo é o objectivo fundamental da UJCR.
3. LUTAR PELA SUA EDUCAÇÃO IDEOLÓGICA E POLÍTICA NOS IDEAIS DO MARXISMO-LENINISMO E DO INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO, A FIM DE QUE ELA SIRVA O PARTIDO E A REVOLUÇÃO
A Juventude compreende facilmente que só a mudança radical da sociedade permitirá resolver os problemas do Povo. A Juventude aspira, assim, a uma sociedade livre da exploração do homem pelo homem, aspira ao socialismo e ao comunismo. A Juventude é pois, como que um exército disposto a servir o Partido e a Revolução.
A UJCR deverá cultivar, desenvolver e ampliar essas características da Juventude, promovendo o estudo e a divulgação do marxismo-leninismo — doutrina sempre jovem e científica — a fim de que a Juventude, ligando o estudo com a prática se tempere política e ideologicamente.
A UJCR deverá lutar para que a Juventude adquira uma concepção do mundo científica e proletária, e para melhor participar na sua transformação.
A UJCR deverá educar os seus militantes e a Juventude em geral no espírito do internacionalismo proletário, de solidariedade militante com a luta que os Povos oprimidos de todo o mundo travam contra a exploração e opressão imperialistas, pela libertação e independência nacional, contra o hegemonismo das duas super-potências USA e URSS.
A UJCR deverá ser uma escola viva onde milhares e milhares de jovens se eduquem, diariamente nos ideais do comunismo, do amor ao Partido, a fim de conquistarem o título honroso de membros do Partido e de servidores do Povo.
A UJCR deverá, pela sua prática e exemplo, conquistar o carinho e admiração de toda a juventude revolucionária de Portugal. Deverá manter sempre bem alto os nobres valores da moral proletária de forma a que a juventude revolucionária portuguesa deverá ver na UJCR a sua organização de vanguarda e através dela reconheça o Partido como Estado Maior da Classe Operária e dirigente da Revolução.
Os militantes da UJCR devem considerar-se soldados do Partido sempre prontos a marchar sem temerem as agruras nem os sacrifícios, dispostos se preciso for a dar a vida pelos nobres ideais da Revolução.
A UJCR deverá duma forma particular, dar um combate sem tréguas à ideologia revisionista propagada na Juventude pela UJC-UEC. Deverá combater as ilusões pacifistas que propagam as tentativas de desviar a juventude da luta, desmascarar a sua demagogia e demonstrar a sua corrupção moral e ideológica.

III.Situação política e Tarefas imediatas
1. CRESCE A AMEAÇA FASCISTA-IMPERIALISTA - O POVO PREPARA-SE PARA LHE FAZER FRENTE
A União da Juventude Comunista Revolucionária surge num momento particularmente tenso e grave, mas também esperançoso para o futuro do país e do Povo.
Ao longo destes 2 anos, enquanto o povo lutava sem transigências contra o fascismo, o imperialismo e o capital, reformistas e revisionistas, atemorizados pela onda revolucionária que varreu Portugal de norte a sul, procuraram sempre evitar que o golpe de morte fosse dado no grande capital e nos fascistas seus representantes no aparelho de estado.
A ameaça fascista avoluma-se aproveitando o caminho aberto pela política de conciliação dos revisionistas e dos soaristas nos sucessivos governos provisórios, dos militares no Conselho da Revolução, e ganha novo ânimo coma entrada para o governo de reaccionários do PS e de spínolistas ferrenhos que começaram já a mostrar a total abertura e as imensas facilidades que pretendem conceder à direita.
Spínola, Kaúlza, Sachetti e tantos outros criminosos fascistas foram libertados; não restam hoje em dia em Caxias mais do que meia dúzia de bandidos da Pide; o militarismo feroz volta a reinar nos quartéis e os soldados são treinados para reprimir manifestações e o Povo; os imperialistas norte-americanos aprofundam a sua ingerência no estado e o seu controle sobre o exército português, já põem e dispõem dos lugares de mando e saneiam oficiais que não lhes agradam; a informação, na sua grande maioria controlada por partidos da direita, semeia mentiras e calúnias e tenta incutir no povo a propaganda fascista e reaccionária; sucedem-se ataques à Reforma Agrária e o governo deixa aumentar as dificuldades criadas às cooperativas e herdades ocupadas; face à passividade do governo o terrorismo fascista continua a alastrar, até na própria PSP são saneados aqueles que estorvam a avançada dos fascistas e instauram-se autênticos poderes locais fascistas como é o caso da Madeira, Açores e certas zonas do norte e centro do país.
Estes dois anos contêm lições preciosas para os antifascistas, patriotas e revolucionários, para o Povo português e para os comunistas. O Povo vê cada vez com maior clareza onde leva a política de conciliação prosseguida por soaristas e revisionistas. O Povo vê cada vez mais claro: só a luta revolucionária das massas, a acção tenaz e incansável contra os inimigos do Povo, do progresso, do socialismo e da revolução pode esmagar a besta fascista, o capital e o imperialismo, conquistar o governo do 25 de Abril do Povo e abrir assim caminho à Democracia Popular e ao Socialismo.
Após a campanha presidencial em que o Povo se uniu em torno do programa da candidatura de Otelo dois campos se demarcam cada vez mais: o campo do fascismo e o da democracia, o da exploração capitalista e o do socialismo, o da contra-revolução e o da revolução. Duas grandes forças preparam embates decisivos. O Povo português, todas as forças democráticas, anti-imperialistas e revolucionárias, verdadeiros comunistas, socialistas honestos e trabalhadores sem partido, unem-se na ampla frente que nasceu com os GDUP e conjugam os seus esforços para fazer face à ameaça fascista e imperialista. A Juventude portuguesa, de profundos sentimentos democráticos e revolucionários, não está, nem estará fora deste grande movimento de massas.
2. A JUVENTUDE LADO A LADO COM O MOVIMENTO POPULAR
A UJCR tudo fará para unir, mobilizar e organizar a Juventude na luta contra o fascismo, exploração capitalista e a miséria, colocando-a ao lado do Povo no grande movimento de unidade popular que abre radiosas e novas perspectivas e que é a esperança do Povo pobre de Portugal. Neste momento, sob a direcção do PCP(R), a Juventude Comunista participará nas grandes campanhas políticas assinaladas pelo Partido.
A UJCR apoia com todas as suas forças os GDUP e neles participa lutando pelo seu alargamento e consolidação, pela sua organização em moldes democráticos, pela sua implantação no Povo como a grande Frente de Massas que o organiza e mobiliza.
A UJCR chama todos os jovens progressistas e revolucionários a incorporarem-se e a darem o melhor dos seus esforços nos GDUP.
A UJCR apoia ainda a UDP, organização avançada da Frente e nela participa:
Nos sindicatos a UJCR defende uma política ao serviço da classe, na luta contra a exploração, defende a unicidade sindical e uma central sindical única controlada pelos trabalhadores, denuncia o controlismo burocrático dos revisionistas e a sua política de colaboração e conciliação de classe e envidará todos os seus esforços, nomeadamente na actual preparação do Congresso dos Sindicatos, para os transformar em órgãos de luta, democráticos, controlados pela classe e ao seu serviço, no combate pela emancipação dos trabalhadores.
Na batalha que se aproxima das eleições para as autarquias locais igualmente a Juventude Comunista participará incentivando e apoiando listas de unidade popular, compostas pelos melhores elementos do Povo, contribuindo para que estas eleições sejam uma grande batalha contra o fascismo, que isole os cunhalistas e reforce o Movimento Popular.
Todas as grandes e pequenas coisas, todos os grandes e pequenos acontecimentos constituem motivos para levar a UJCR à Juventude para que ela a tome como sua. Devemos estar onde está a Juventude, sentir o seu pulsar diário, acompanhá-la durante o trabalho, o estudo, os tempos livres, nos divertimentos e assim aproveitar todas as oportunidades para divulgar as ideias revolucionárias da UJCR. Devemos banir do nosso seio todo o sectarismo. A UJCR é uma organização virada para as grandes massas dos jovens, sinceros lutadores, desejosos da Revolução e não uma seita de eleitos. Devemos lançar sólidos alicerces no seio da Juventude operária e camponesa.
É para as fábricas, e antes de mais as grandes fábricas, que os nossos olhos se devem virar. Elas devem constituir fortalezas da UJCR. Nelas devem ser desde já organizados núcleos da UJCR.
A outra direcção do trabalho é o campo. O Partido apontou já como uma das principais tarefas no momento actual o desenvolvimento do movimento camponês. Já vimos também como o trabalho no seio da Juventude camponesa pode contribuir para o avanço rápido da concretização da aliança operária-camponesa.
Os jovens camponeses estão abertos às ideias novas, desejosos de mudança e dispostos para a luta. Devemos ir ter com eles e não ficar à espera que sejam eles a procurar-nos. A UJCR deverá saber colocar-se à frente das suas reivindicações e dar resposta à ocupação dos seus tempos livres. O desporto ocupa aqui um papel importante. Podemos e devemos aproveitar o desporto e desenvolver outras actividades adequadas que nos permitam conquistar a simpatia da Juventude camponesa.
Devemos continuar a desenvolver a ligação da Juventude estudantil ao Povo, organizando e estimulando o trabalho voluntário junto aos camponeses, a fim de que ela conheça a vida dura e simples do Povo pobre e a tome como exemplo.
A UJCR deverá saber aprofundar as contradições das organizações juvenis dos partidos burgueses e revisionistas traçando uma táctica flexível, sem sectarismos que traga para o campo popular a massa dos jovens enganados pelos burgueses e revisionistas.
A UJCR chama todos os jovens que despertam para os ideais da Revolução a virem reforçar com a sua presença e combatividade a organização comunista da Juventude, lutando e aprendendo sob a direcção do PCP(R). A UJCR chama igualmente todos os jovens comunistas sinceros ainda hoje enganados, nomeadamente pelo grupo dirigente do partido cunhalista, da "UJC" e da "UEC" a abandonarem essas organizações e virem engrossar a verdadeira organização comunista da Juventude portuguesa: a UJCR.
A UJCR apela igualmente à unidade na acção e em torno de objectivos concretos de todos os jovens antifascistas e patriotas, com ou sem partido, quebrando a divisão provocada pelos partidos burgueses.

IV. Sobre o Movimento Estudantil
A UJCR organização de vanguarda da Juventude portuguesa, terá como objectivo, mobilizar os jovens e organizá-los para a luta revolucionária contra a burguesia ensinando-lhes a servir incansavelmente o PCP(R) pois assim, estarão a servir o Povo e a Revolução.
A UJCR englobará a Juventude operária e camponesa, o que lhe confere uma composição proletária, que depois da direcção do nosso partido, é o garante maior da firmeza dos seus propósitos e da sua enorme combatividade. Mas ela agrupará também nas suas fileiras jovens estudantes, que estejam dispostos a servirem com abnegados esforços a causa do Povo e da Revolução.
As grandes lutas dos estudantes portugueses contra o fascismo e a guerra colonial, o importante papel que eles desempenharam na luta ao lado do Povo contra o regime dos grandes capitalistas e latifundiários, fizeram do movimento estudantil um combativo destacamento da luta popular.
Desde sempre que os estudantes participaram na luta revolucionária dos povos e a história demonstra-nos que o sector intelectual e estudantil toma parte activa nos movimentos que se erguem contra a opressão. A sua característica de juventude, fá-los ser sensíveis à injustiça e assim, como dizia Estaline "(...) dão o braço à classe mais revolucionária da sociedade: o proletariado".
Estes factos e a experiência do nosso Partido mostra-nos a justeza de na UJCR estarem organizados os estudantes de vanguarda, aqueles que optaram em servir o Povo e a sua causa. Com efeito, o PCP(R) tem desenvolvido certa actividade nas escolas e desse trabalho alguns jovens foram organizados, indo desde já para as fileiras da organização das juventudes.
Mas com a criação da UJCR saltos decisivos se dão em frente não só no que respeita à organização e mobilização da juventude portuguesa camada imprescindível para a revolução, como também haverá uma direcção mais firme sobre o movimento estudantil e a educação ideológica dos estudantes. O sector intelectual e estudantil, embora com tradições de luta e combatividade, é também um meio muito permeável à ideologia burguesa, sofrendo assim, se não houver uma direcção firme e proletária sobre ele, inúmeros desvios.
A sua origem de classe faz com que a compreensão que tem do mundo, a forma como entende a necessidade da revolução, seja por via intelectual o que nos leva a reafirmar que os sectores intelectual e estudantil só podem ser consequentemente revolucionários se se colocarem sob a direcção do Partido de vanguarda da classe operária e forem capazes de levarem para a frente as suas directrizes de educação na ligação às massas, de um emprego de um espírito militante de servir o Povo.
Por isso pensamos que numa organização com jovens operários e camponeses, a juventude estudantil vai recolher preciosos ensinamentos através do contacto quotidiano que irá haver nos organismos e em realizações conjuntas.
O movimento revolucionário dos estudantes tomou um novo impulso através do trabalho que os estudantes revolucionários e antifascistas têm desenvolvido nas escolas através da UEDP.
Ela tem desempenhado um papel de vanguarda na luta antifascista nas escolas, contra o ensino repressivo e selectivo que é ministrado e empenhando-se na unidade dos estudantes trabalhando nas suas associações e transformando-as em órgãos combativos de luta antifascista e anti-imperialista.
A UJCR saúda todos os revolucionários que militam na UEDP e faz um apelo para que redobrem as suas energias e os seus esforços para que um número cada vez maior de estudantes venha engrossar o caudal do movimento de unidade popular que hoje se ergue.
A UJCR apoiará através dos seus militantes que se encontram nas escolas, a actividade dos estudantes da UEDP.
Muitas perspectivas há para que a curto prazo o movimento estudantil tome nova envergadura, adquira maior força. Os estudantes portugueses debatem-se com um cada vez maior número de problemas que se materializam em reivindicações concretas susceptíveis de mobilizarem a grande massa de jovens das escolas.
São exemplo recente as movimentações estudantis pela libertação de Fausto Cruz, nas quais participaram milhares de estudantes em todo o país, luta esta que teve o apoio activo dos trabalhadores portugueses.
O grande movimento de unidade popular que se levantou em torno da candidatura do general Otelo fez-se sentir nas escolas e foi grande o número que deu o seu apoio à candidatura do 25 de Abril.
Os militantes comunistas da UJCR deverão envidar os seus esforços na consolidação e alargamento dos GDUP para que também nas escolas se concretize a construção da ampla Frente Antifascista que o nosso Partido se empenha em levantar.
A UNEP, cuja constituição está para breve, deverá igualmente constituir um ponto alto da mobilização estudantil, já que se trata de construir o órgão de unidade de todos os estudantes a nível nacional. Os jovens comunistas da UJCR deverão lutar para que a formação da UNEP seja amplamente democrática, forje a unidade de todos os estudantes e seja um forte órgão da voz estudantil na luta contra o fascismo e o imperialismo, por uma sociedade mais justa. Os militantes da UJCR deverão, pelo seu exemplo e íntima ligação às massas, isolar os fascistas e provocadores, assim como os revisionistas, impedindo que eles controlem o movimento dos estudantes que tão longas e nobres tradições antifascistas tem.
A luta contra a escalada fascista nas escolas, contra a reintegração dos saneados, e a sua transferência de umas escolas para outras, a defesa da gestão democrática e a participação na definição das matérias de ensino para que elas se virem para as necessidades do Povo e a ligação do ensino teórico à prática, são outros aspectos da reivindicação estudantil que os comunistas tomarão em mãos para que a sua resolução sirva os interesses da classe operária e do Povo de Portugal.
A organização da União da Juventude Comunista Revolucionária apela a que todos os jovens das escolas, desejosos de servir o Povo e a Revolução, venham engrossar as fileiras da organização que hoje representa a vanguarda da Juventude Portuguesa: a UJCR.

V. Sobre a Organizaçao
1. A DIRECÇÃO DO PARTIDO SOBRE A JUVENTUDE
Se a Juventude tem problemas e características que determinam a necessidade da sua organização na UJCR com o seu programa próprio, estes problemas só poderão ser resolvidos no âmbito mais geral da luta do Povo pelo derrube da sociedade capitalista. Por isso, o programa da UJCR tem de ser a materialização da linha do Partido para este sector. Ou seja, para a Juventude poder transformar as potencialidades e as energias que tem em força revolucionária, tem de estar organizada, tem de desenvolver toda a sua acção debaixo da direcção constante e firme do Partido!
Mas não devem, no entanto, os militantes da UJCR ficar na expectativa de, sendo o Partido que lhes dá a direcção, se fecharem em si próprios, esperando a definição das tarefas, quais as formas de luta a adoptar para esta ou aquela situação, como nos devemos organizar e tomar posição perante um obstáculo que se nos depara. Teremos que pôr em prática o nosso espírito criador, de ousar lutar para ousar vencer, porque se assim não o fizermos podemo-nos tornar numa massa de militantes inactivos sem ousadia para o trabalho, sem perspectivas algumas e a enfermar de males que há muito os grupos nos deixaram como herança e com o que nos temos de bater no dia a dia, e que são principalmente o espírito de seita, de grupo fechado, sem se mostrar aos olhos das massas e do Povo.
Mas também não nos podemos esquecer de que pode por vezes surgir a tendência para ser a Juventude a querer desempenhar o papel que cabe, aí sim ao Partido, de dirigir o Povo para a Revolução, para a tomada do poder. Se não compreendermos isto bem, a Juventude poderá tornar-se, na prática, uma concorrente ao Partido. A UJCR tem de servir como veículo para ligar o Partido à massa da juventude de forma a que esta siga o caminho que este lhe aponta, mobilizando a massa juvenil para a luta revolucionária dirigida pelo Partido. A direcção do PCP(R) sobre a UJCR é uma questão vital, só ela lhe assegura o seu carácter revolucionário, pois o Partido é a vanguarda da classe operária, luta pela libertação do Povo e só se a organização da Juventude o seguir, a sua luta constituirá uma parte desta luta, contribuirá para o derrube do jugo capitalista. Por isso, a UJCR deverá também ser uma escola do Partido. De facto, pela prática revolucionária desenvolvida, pelo estudo do marxismo-leninismo, deverá o jovem comunista aproximar-se cada vez mais daquilo que é exigido a um membro do Partido.
Por isso, a participação e o exemplo dos membros do PCP(R) na UJCR é uma forma importante da direcção deste sobre a UJCR, orientando-a, educando-a, ajudando-a nos seus problemas de forma a que esta desenvolva uma prática que como dizia Lenine, "constitua o grupo de choque que leve a sua ajuda e manifeste a sua iniciativa em todos os terrenos. A organização da Juventude deve ser tal, que qualquer operário veja nos seus membros pessoas em cujas ideias não acredite talvez imediatamente, mas cujo trabalho e actuação lhe mostre que eles são precisamente os que lhe indicam o caminho certo". Deve portanto actuar debaixo da direcção do Partido, actuar no seu trabalho segundo a ideologia proletária e caracterizar-se pelo seu espírito de iniciativa e ardor revolucionário.
Deve, portanto, a UJCR assimilar a linha do nosso Partido, estudar o marxismo-leninismo, ao mesmo tempo que o informa da sua actividade e dele recebe directivas que concretiza para a Juventude. Por seu lado, o Partido, além de acompanhar a actividade da UJCR, deve incentivar as críticas e sugestões desta à actividade do Partido. Isto implica portanto, que além da estruturação própria, segundo as perspectivas leninistas, da UJCR, haja a ligação, a todos os níveis, entre o Partido e a UJCR, através da participação dos membros do Partido em todos os escalões da UJCR, de forma a levar ao Partido as ideias e problemas da Juventude e trazer a esta as directrizes do Partido. Deverão talvez os primeiros secretários da UJCR, aos diferentes escalões, ser membros dos correspondentes organismos do PCP(R).
2. BASES ORGANIZATIVAS
A UJCR rege-se pelos seguintes princípios:
1- A UJCR é uma organização específica da Juventude que se orienta pelos princípios do marxismo-leninismo e tem por missão, trabalhando em estreita ligação com o PCP(R), aplicar a sua linha política no seio da Juventude.
A UJCR deverá praticar no seu seio a crítica fraternal e a autocrítica, a persuasão e a discussão política, como forma de obter a justa resolução das contradições no seu seio, contribuindo assim para a educação dos seus membros.
A UJCR é uma força activa e de reserva do PCP(R). Ajuda o Partido na educação da Juventude de fiel servidora do Povo, na luta pelas suas reivindicações mais sentidas, no espírito do internacionalismo proletário, pela causa da Revolução, do Socialismo e do Comunismo.
A UJCR realiza a sua actividade debaixo da direcção do PCP(R). A força da UJCR reside: na direcção do PCP(R); na sua convicção ideológica; na fidelidade à causa do Partido e do marxismo-leninismo; na sua composição proletária e na sua íntima ligação à massa juvenil, em particular aos jovens operários e camponeses.
2 - É membro da UJCR todo o jovem que seja antifascista consequente, aspire ao socialismo e deseje o comunismo e aceite o seu programa e os seus princípios organizativos, contribua para a sua aplicação, milite numa das suas organizações e nela trabalhe activamente, aplique as suas resoluções, pague as suas quotas e reconheça o PCP(R) como dirigente da classe operária e do Povo pobre de Portugal.
3 -Os membros da UJCR têm como principais direitos:
- Eleger e ser eleito para todos os órgãos da UJCR;
- Participar nas reuniões, discutindo e expressando de forma livre e responsável as suas opiniões sobre todos os problemas ideológicos, teóricos e políticos da UJCR, acatando e aplicando incondicionalmente as decisões da maioria.
4 - A UJCR rege-se internamente pelo centralismo democrático, o qual é o princípio fundamental em que se baseia a sua estrutura orgânica. Este princípio significa:
- Eleição de baixo para cima de todos os órgãos dirigentes;
- Prestação de contas periódicas de todos os organismos dirigentes perante os organismos que os elegeram;
- Obrigatoriedade de todos os organismos inferiores prestarem contas periódicas da sua actividade aos organismos superiores;
- Submissão dos organismos inferiores aos organismos superiores, da minoria à maioria e do conjunto da organização ao Conselho Nacional;
5 - A UJCR é constituída pelos seguintes organismos:
- Conselho Nacional
      - Conselho Regional
      - Conselho de Zona e Empresa
      - Núcleo comunista

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