domingo, 21 de agosto de 2016

1976-08-21 - Revolução Nº 082 - PRP-BR

EDITORIAL

As alterações no Conselho da Revolução e nas regiões militares constituíram um golpe dentro das instituições que faz parte de uma escalada para que seja levado a cabo mais tarde uma última machadada que dê efectivamente no golpe fascista de que a burguesia tem necessidade para exercer o poder em Portugal.
Tirando Charais e Pezarat das Regiões militares do Centro e Sul, foi destruído o último reduto dos «nove», que se vêem reduzidos a ficar à porta do poder. E de tudo o que pensavam que sabiam há um ano, resta-lhes hoje as comemorações domésticas na vivenda de um cronista medíocre e um último rebuçado para Vasco Lourenço se entreter a mostrar até que ponto é capaz de acompanhar a direita. Os «nove» acabaram. Durante um ano a direita serviu-se deles para caminhar por etapas dando a aparência duma proposta social-democrata (que nem de tal se admitia chamar a si própria, mas que se considerava muito mais à esquerda) uma vez que não tinha infraestrutura político-militar que garantisse um poder autoritário de direita instalado subitamente. Os «nove» foram portanto a escada por onde a direita subiu Melo Antunes, Vítor Alves e outros dobraram as costas e suportaram os safanões duma direita que foi subindo isto tudo para fazerem um combate a um Partido Comunista e a um Gonçalvismo, que nunca poderiam deter o poder nas condições existentes neste país. Ou antes, isto tudo por não suportarem «que o poder caísse na rua».
Agora que ninguém dos «nove» detém poder militar, o Estado Maior poderá fazer os arranjos que quiser nas unidades militares garantindo a fidelidade dos respectivos comandos Como símbolo desta ascensão de direita, Spínola regressa a Portugal e usa de liberdade total.
Como compensação prendem-se no norte do país elementos do ELP e do MDLP, que as Judiciárias pomposamente anunciaram ter descoberto depois de «investigação», quando a lista de prisões corresponde a indivíduos há muito assinalados e fazendo parte da lista apresentada por Walraff Muitos deles foram anunciados neste nosso jornal e podemos mesmo dizer que o Presidente da Câmara de Murça e o seu sobrinho, o foram há dois anos já. E foram as ameaças de sanção à base da Lei de Imprensa que nos impediram de ir mais longe nas denúncias da cumplicidade da PSP, o que apesar de tudo é uma das causas que levou o REVOLUÇÃO a tribunal Pois a PSP ficou bem abandalhada depois desta detenção obrigatória do comandante da PSP do Porto, e ainda por cima não tendo evitado o ridículo dos comunicados do Comando Geral, nos quais se apostava na inocência da corporação e se acusava os jornalistas das maiores perversidades.
Mas claro que toda a gente tem consciência de que os «trutas» ainda estão por prender e de que os chefes do MDLP e do ELP se encontram no poder. E que o presidente desta rede bombista, Spínola, se encontra em Portugal com honras de político da casa.
Entretanto o Governo PS e o Parlamento fizeram a sua farsa de democracia, como se este país fosse viver por longos anos em parlamentarismo, como se a política deste país dependesse do parlamento. O programa do PS é bem simbólico desta etapa de recuperação capitalista.
Ninguém mais tem dúvidas que o golpe fascista vem a caminho.
Como impedi-lo, depende da capacidade organização das massas que não querem perder o que ganharam casas, campos, melhorias de salários e que compreendem que só a Revolução Socialista garante que tudo não voltará para o mais feroz fascismo.
Para organizar estas massas há uma alternativa o Movimento de Unidade Popular constituído pelos GDUPs, pelos partidos que a ele aderem, pelos militares progressistas e pela organização popular de base. Há um movimento e há um programa há que escolher entre este caminho ou o fascismo.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo