sábado, 20 de agosto de 2016

1976-08-20 - Luta Popular Nº 371 - MRPP

Bombismo fascista e social-fascista
PRESO UM COLABORADOR DE CORVACHO

•  O ex-chefe da RMN pede licença para se ausentar do País
•  Outro dos bombistas tem certas afinidades com os social-fascistas
PORTO — (Do nosso correspondente). — Pela madrugada foi ontem foi preso o 15º elemento ligado à rede bombista que a Polícia Judiciaria tem vindo a desmontar. O seu nome é DÉCIO SOTTO MAIOR, residente na cidade do Porto e é funcionado na filial da Caixa Geral de Depósitos em Vila Nova de Famalicão
Décio Sotto Motor é um social-fascista conhecido como bom lacaio do brigadeiro Eurico Corvacho, quando como Aferes cumpriu o serviço militar no Quartel-General da Região Militar do Norte.
Curiosamente o canalha bombista e social-fascista Décio Sotto Maior, quando desenvolvia o soldo de Eurico Corvacho a sua actividade pidesca, prendeu Ramiro Moreira, outro dos implicados na rede bombista, quando este, há cerca de um ano, entrou para o Quartel-General da Região Militar do Norte a distinguir panfletos contrários ao conhecido e destacado pecepista Eurico Corvacho.
Décio Sotto Maior veio a ser afastado do Exército mais tarde em virtude de — segundo a sua própria boca — ser rotulado de extrema-esquerda.
Outro pormenor não menos curioso a ressaltar é o facto de o actual major Eurico Corvacho ter solicitado ontem — e à pressa — autorização da Policia Judiciária Militar para sair do país, pois segundo ele «pretende passar alguns dias de férias».

JOAQUIM FERREIRA TORRES E AS SUAS AFINIDADES
Joaquim Ferreira Torres, notório fascista bem conhecido do povo de Amarante, foi preso pela Polícia Judiciária do Porto, como entidade implicada na rede terrorista responsável pelo rebentamento de várias bombas em diversos pontos do país.
Joaquim Ferreira Torres é um gatuno e trapaceiro de profissão, preso já algumas vezes, uma das quais por estar ligado a um roubo de diamantes e foi presidente da Câmara Municipal de Murça, posto que conseguiu por obra e graça de Salazar.
Joaquim Ferreira Torres é o proprietário da fábrica SILMA como já noticiou o nosso jornal, que outrora pertencia ao advogado de Manuel Gonçalves, o senhor Lino Lima, militante e deputado do P«C»P, que presentemente tem a seu cargo a gerência da empresa.
Joaquim Ferreira Torres é também o proprietário de um jornal regional, editado semanalmente em Amarante, de nome «Flor do Tâmega». Este jornal, com cerca de 92 anos de idade, era antigamente propriedade duns tais irmãos Carneiros. Mais tarde tentou apoderar-se dele o comendador Abreu da TABOPAN, que viu frustrados os seus intentos em virtude da manobra de antecipação de Joaquim Ferreira Torres.
Desde 25 de Abril de 1974 que o «Flor do Tâmega» vinha apadrinhando e fazendo-se eco de toda a peçonha revisionista, à qual abriu de par em par as suas portas. Sob a capa do «apartidarismo» e da imprensa «livre e aberta» a todas as correntes políticas, Os social-fascistas conseguiram despejar toda a sua verborreia revisionista da «unidade Povo-MFA», caluniar e injuriar o povo do Norte de reaccionário, apoiar o Governo Provisório, lazer a apologia dos seus COPCON e «S»UV’s, etc.. etc.
Foi também o «Flor do Tâmega», propriedade desse notório fascista Joaquim Ferreira Torres, um dos colaboradores activos na preparação da opinião pública em vésperas do golpe social-fascista de 25 de Novembro.
A prová-lo estão algumas passagens que seleccionamos e que vamos passar a citar;
«Flor do Tâmega», de 19 de Outubro de 1975. Logo  em plena primeira página (para além da secção desportiva a cargo do energú­meno trotsquista António Pedro e do anúncio de quase meia página ao pasquim do KGB «Vida Soviética»), destacam-se dois artigos; do lado esquerdo «Disciplina e ordem», do lado direito «Será possível a guerra civil?».
Vejamos dois significativos extractos tirados respectivamente de cada um destes artigos.
Durante a vigência do V Governo o mesmo foi severamente contestado pelas forças social-democratas e de direita e os seus elementos, e em especial o seu Primeiro-Ministro Vasco Gonçalves foi caluniado infamemente, abusivamente. Isso não é indisciplina? Ninguém a reprimiu. Em nome do povo que Vasco Gonçalves nunca desprezou e para quem com entusiasmo e dedicação sempre trabalhou, foram feitas acusações de falta de isenção e competência por indivíduos que, graças a Vasco Gonçalves e a outros que fizeram o 25 de Abril, podem agora exprimir-se livremente e puderam voltar à sua terra de onde tiveram que fugir.
Nesta situação, o que é provável que venha a acontecer nos próximos tempos acções entre os dois grandes blocos sociais portugueses: proletariado e massas trabalhadoras por um lado, burguesia pelo outro.
«Flor do Tâmega» de 26-10-75, também em primeira página é feita aberta e descaradamente a apologia do social-fascista Corvacho que denuncia e combate as actividades do ELP e dos «S»UV que lutam nos quartéis contra a disciplina militarista (imagine-se!). Por agora basta, vamos ficar por aqui pois não é nossa intenção passar a transcrever todas as patacoadas social-fascistas, o que para além do mais seria fastidioso.
Para exemplo de como um gatuno, trapaceiro e fascista dá cobertura a todas as alarvices e vómitos social-fascistas, chega. E de exemplo para ver como fascistas e social-fascistas se abraçam e se unem quando se trata de atacar a classe operária e o povo, basta.
Basta e é convincente do modo como fascistas e social-fascistas se alternam e disputam no uso da bomba.

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