sábado, 20 de agosto de 2016

1976-08-20 - folha CDS Nº 53 - CDS

folha CDS Nº 53
20.VIII.76

1. O CDS E AS PRISÕES DOS BOMBISTAS. O CDS publicou um comunicado sobre o assunto no qual afirma que nenhum dos indivíduos recentemente presos é ou foi filiado do Partido e ainda que promoverá procedimento criminal contra os órgãos de informação que caluniem ou difamem o Partido.
O CDS pergunta às autoridades competentes, e nomeadamente à Polícia Judiciária do Porto, qual foi o destino dado aos processos relativos à captura de diversos indivíduos, em Viana do Castelo, no passado mês de Março, alguns dos quais, segundo relato da imprensa, detinham material bombista.
O CDS alerta o povo português para vários sinais de repetição de manobras operadas, antes do 25 de Novembro, pelo PCP e pelo MDP/CDE, com a cobertura da imprensa que lhes é afecta, e nomeadamente "O Diário".
O nosso Partido chamou a atenção para o comunicado provocatório da Comissão Distrital do Porto do MDP/CDE, organização bem conhecida pelas perseguições e violências arbitrárias, cometidas durante os períodos mais negros do gonçalvismo, prova clara da reactivação súbita deste braço do PCP.
Quais são as ligações do PCP e do MDP/CDE às redes terroristas? O súbito interesse em lançar provocações ao CDS é altamente suspeito. O relatório do 25 de Novembro e das sevícias em presídios gonçalvistas está bem presente na memória dos portugueses.
2. DIOGO FREITAS DO AMARAL. Tem tido melhoras sensíveis, mas continua ainda em tratamento (de uma nevrite lombar) o presidente do CDS.
3. ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA/REPRESENTANTES DO CDS. Amaro da Costa, Basílio Horta, José Carvalho Cardoso e Rui Pena são os representantes do CDS na Comissão Permanente da A.R.
António Martins Canaverde e Vítor Pinto da Cruz, deputados do CDS, são membros da Comissão do Regimento da Assembleia da República.
4. TERROR SOCIAL FASCISTA NA FÁBRICA "COVINA". O terror social fascista que oprime os Trabalhadores da “COVINA" é de tal ordem que muitos deles têm receio de falar e de denunciar as características do regime interno que naquela fábrica pesa sobre as pessoas que lá trabalham. Filipe Cirilo, estudante centrista que lá se encontrava a cumprir o Serviço Cívico, foi expulso da fábrica por aqueles que não toleram testemunhas indiscretas das suas actuações terroristas.
5. ABRIU A SEDE DO CDS EM CASTELO BRANCO. Fica na Avenida 12 de Maio, 49 1ºF
6. LIVRO COM OS DISCURSOS DE FREITAS DO AMARAL. Dentro de alguns meses deve ser publicado um livro com discursos do presidente do CDS e outro, intitulado "Das Legislativas às Presidenciais" que é uma colectânea dos artigos publicados nessa altura pelo eng. Amaro da Costa.
7. O CDS EDITA MAIS DOIS DISCOS. Vão ser postos à venda mais dois discos com canções populares centristas ("Malmequer", "Cantiga Verde", "Requiem por certos senhores" e "Vamos renascer"). Já se encontram à venda, entretanto, dois discos um com os hinos do CDS e da JC e outro com canções populares. Os pedidos, de discos e dos livros referidos atrás, podem ser dirigidos ao Departamento de Opinião Pública do CDS, Largo do Caldas, 5 Lisboa.
8. EXPOSIÇÃO FILATÉLICA EM PORTIMÃO. Até final de Agosto a Comissão Concelhia do CDS mantém na sua sede (R. da Guarda, 55, Portimão) uma exposição filatélica.
9. PEDRO DE VASCONCELOS FALA DA CHINA. "A missão organizada pela Associação Democrática de Amizade Portugal-China teve como objectivo prioritário um primeiro contacto entre elementos representantes do Portugal actual e do Povo Chinês - disse à Folha CDS depois do seu regresso a Lisboa este membro do Secretariado da Comissão Política do nosso Partido que acrescentou ainda: "Após três semanas de um programa intenso com inúmeras visitas a instituições militares, económicas, educativas e outras, em Pequim e outras cidades podemos dizer que a China actual começa a sua história em 1949 a partir de quando se deu uma ruptura com a China Milenária. Verifiquei um esforço de constituir uma nação de povos chineses. A ruptura com o passado permite um esforço de criação do país novo, mobilizando todos os chineses, homens ou mulheres, jovens ou adultos, da cidade ou dos campos, para um esforço de explosão económica realizado simultaneamente em todo o vasto território. Este esforço que teve incidência principal na agricultura permitiu resolver o problema da fome, garantindo hoje alimentação, ainda que frugal, a 800 milhões de chineses. Todo o esforço de desenvolvimento económico permite à China ter esperanças de atingir níveis económicos de primeira potência no inicio do próximo século. Todo este esforço é feito sob o signo de uma outra mobilização, a mobilização de todo o povo para uma guerra que considera certa, nos próximos anos, da defesa contra uma agressão da União Soviética. A China reveste assim o aspecto de um país em plena mobilização militar e económica em que cada escola, cada fábrica, cada hospital, cada teatro, enfim, tudo, é uma unidade de combate ideológico e, quando necessário, militar. Tudo isto só é possível mediante a organização integral de um estado totalitário, com forte poder central, mas temperado com uma não menos forte descentralização para a realização concreta das metas superiormente determinadas para cada província, cada distrito, cada comuna e cada unidade. A combinação sem dúvida subtil destes dois factores explica muito do êxito que o povo chinês em tão curto tempo conseguiu no campo material.
Sombria porém é a perspectiva de desenvolvimento da parte espiritual do ser humano que nesta época de mobilização não encontra espaço para desabrochar livremente. A China é, de facto, um estado totalitário, muito preocupada com o bem estar material de cada um dos chineses, mas onde o Humanismo Personalista não tem presentemente qualquer espaço”.
E, Pedro de Vasconcelos terminando as suas declarações à Folha CDS acrescentou ainda:
“Amigo do Povo chinês? Sem dúvida. Amigo do totalitarismo? De maneira nenhuma.”

FOLHA CDS  Nº53 20.VIII.76 DOP, Largo do Caldas, 5 Lisboa, tel. 861019

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