sexta-feira, 19 de agosto de 2016

1976-08-19 - ...DIVÓRCIOS NA RUA CASAMENTOS NOS GABINETES... - MRPP



Ministros e seus lacaios
...DIVÓRCIOS NA RUA CASAMENTOS NOS GABINETES...

CAMARADAS:
1.  O projecto de decreto-lei de Correia Jesuíno, repudiado desde a primeira hora pelos trabalhadores da Imprensa, é agora publicado traiçoeiramente pelo Governo, enquanto a maioria dos trabalhadores se encontra de férias e, portanto, desmobilizados. A vileza desta manobra é o culminar de todas aquelas utilizadas pelo então ministro da Comunicação Social, Almeida Santos, durante as negociatas que foi engendrando com Comissões de Trabalhadores controladas pelos social-fascistas, que em plenários de empresa diziam estar contra o projecto, nas costas dos trabalhadores, no gabinete do sr. ministro, lhe davam os "améns".
2.  Desde sempre o nosso Partido defendeu que a "crise" da Imprensa não foi não é jamais económica, mas essencialmente política. O que está em jogo é a propaganda que a burguesia precisa ter sob o seu controlo para melhor dominar. Assim, assistimos a luta encarniçada entre os vários sectores da burguesia para ao mais forte caber a melhor parte.
A demonstrar o que acabamos de afirmar damos um exemplo: por que motivo o Governo subsidia o pasquim nojento social-fascista "Diário de Lisboa", na ordem dos milhares de contos, sendo este um jornal privado?
3. Quase simultaneamente, é assinado pelo então presidente da Republica Costa Gomes, um novo decreto sobre impostos é tornado público. Para onde vão esses milhares de contos extorquidos aos magros salários dos trabalhadores senão subsidiar "Diários de Lisboa" que o povo rejeita e não quer ler, assim como sustentar forças repressivas como a P.S.P. e G.N.R., organizações essas que os Governos da burguesia nunca se lembraram de declarar "sector em crise"!
4.  Facilmente se compreende o que o que está por detrás de tudo isto é a política suja da "maioria de esquerda", em que o Partido "Socialista" está a embarcar, dada a sua ansiedade de "reestruturar" também ele a Imprensa, lançando não de um velho projecto que se encontrava no caixote do lixo do MC"S", que por descuido não fora despejado.
Essa política de "maioria de esquerda" é a mesma praticada a nível do movimento sindical, nomeadamente na preparação do Congresso, sendo do conhecimento público os abraços e beijinhos que alguns dirigentes sindicais afectos ao P"S" e os ligados à Intersindical da traição trocam entre si.
Concluímos que o inimigo principal e mais perigoso do Povo português e dos trabalhadores da Imprensa em especial é a ditadura social-fascista que de novo espreita e prepara uma nova oportunidade, precisando para isso de recuperar os lugares perdidos na "Informação” com a contenção do seu maquiavélico golpe contra-revolucionário de 25 de Novembro.
5. Os trabalhadores irão levantar-se ousadamente contra tudo isto, mas essa luta irá ser duríssima. E porquê? Porque no nosso seio existiu e existe uma forte contra-corrente que intenta desviar-nos dos nossos justos objectivos – durante os últimos dois anos foi bem patente aos olhos de todos nós o conluio revisionista/neo-revisionista (P"C"P/U"DP”), com especial incidência no "Diário Popular", conluio esse que se mantém e se prepara para encabeçar o novo movimento popular que irromperá. Esses são os mesmos que deram loas e bateram palmas a Spínola, chamando de reaccionários aos militantes do nosso Partido, que já então o denunciavam como colonialista e fascista.
6.  Esses são os mesmos que a golpe ocuparam lugares nas Comissões de Trabalhadores dos jornais, "forneceram os dados" a Correia Jesuíno e depois a Almeida Santos para a "reestruturação". Esses oportunistas e traidores continuam a acoitar-se entre nós.
Os trabalhadores da Imprensa devem ousar lutar para ousar vencer.
"Se há lobos entre nós não podemos ser irmãos" - assim a luta irá ser tanto mais dura, pois ela tem de ser travada para fora (contra a burguesia no Poder) e contra aqueles que, dizendo-se nossos amigos, são os nossos piores inimigos.
Para nós, trabalhadores da Imprensa, termos a certeza de que os nossos passos serão firmes e de que não vamos ser, uma vez mais, atraiçoados pelas costas, devemos unir-nos como uma lapa à rocha em torno dos Sindicatos Democráticos e correr de uma vez com a cambada social-fascista que pretende fazer das CTs lugares cativos. Devemos mobilizar-nos numa ampla Frente Única Democrática e Popular e eleger os nossos verdadeiros representantes, que pelos métodos mais terroristas foram afastados dos lugares que há muito deviam ocupar.
SOCIAL-FASCISTAS FORA DA “INFORMAÇÃO"!
VIVA A FRENTE ÚNICA DEMOCRÁTICA E POPULAR!
VIVAM OS ÓRGÃOS DE VONTADE POPULAR!
VIVA AO T.C.I.
VIVA O PARTIDO!

Organização dos Trabalhadores Comunistas Lisboa, 19/8/76 da Informação
Lisboa 19/8/76

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