quarta-feira, 17 de agosto de 2016

1976-08-17 - Luta Popular Nº 368 - MRPP

O SIGNIFICADO DE UMA CAMPANHA

Para quem tenha compulsado os vespertinos de ontem, ter-se-á tornado patente o recrudescimento dos ataques à República Popular da China, aliás, uma constante da imprensa burguesa diária dos últimos dias cuja razão de classe não será difícil identificar.
Vemos assim que se unem contra a República Popular da China a imprensa social-fascista em primeiro lugar, representada pelo «Diário de Lisboa», «O Diário» da manhã e «Jornal do Comércio» (particularmente saliente na semana transacta), o «Diário Popular» (onde revisionistas e neo-revisionistas detém ainda importantes posições) e «Jornal Novo», órgão oficioso da CIP rabiscado pelos escribas anti­comunistas da A«OC»-P«C»P-«ML».
A IMPRENSA SOCIAL-FASCISTA
Em primeiro lugar, salientemos que é a imprensa social-fascista, que directamente representa os interesses do partido revisionista, quem se coloca à cabeça de semelhante campanha provocatória.
Como não podia deixar de sei, é um jornal pago com o dinheiro do povo, «Diário de Lisboa», que assume a vanguarda da orquestra caluniosa.
O papel que este pasquim representa e a natureza dos ataques que ele desencadeia são objecto de um artigo próprio do nosso jornal; cumpre-nos lembrar que em tais ataques é visado o nosso Partido, enquanto a política interna e externa da República Popular da China é taxada pelo escriba do P«C»P Mário Castrim de «mao-fascismo», pelo simples facto de ela reivindicar como bandeira de combate a luta contra o social-imperialismo soviético e o revisionismo.
Pensamos que, se o programa do governo PS aponta Como objectivo da política externa o estabelecimento de relações diplomáticas com a República Popular da China, é inadmissível da parte desse governo que continue a admitir que a imprensa estatizada, como é o caso do «Diário de Lisboa», continue a vomitar quotidianamente provocações contra aquele país e aquele povo. Sob pena de julgarmos da veracidade das intenções que se encontram por trás da fraseologia adoptada pelo actual programa governamental...
Tais provocações vêm na esteira de outras feitas no «Diário» da manhã do sábado último, num artigo cuja natureza puramente especulativa o torna digno de figurar nas colunas do «Time» ou do «Neewsweek». «China: e depois de Mao» é o título de um artiguelho cujo objectivo é, pondo abertamente em causa a justeza da linha política revolucionária do camarada Mao e do Partido Comunista da China insinuar que a morte do camarada Mao iria dividir o Partido Comunista e travar o desenvolvimento da luta de classes nesse país socialista.
Para tanto, «O Diário» da manhã de 14 do corrente recorre, para atacar a República Popular da China e o camarada Mao, ao arsenal ideológico da burguesia, fascista e revisionista, jogando também com os preconceitos de classe da pequena burguesia: na China existiria uma «militarização forçada», uma «disciplina de quartel» e outras atoardas congéneres, além de um «baixo nível de vida», etc.. dedicando-se finalmente ao elogio da «clique» de Teng-Siao-Ping, significativamente intitulada de «os pragmáticos».
O papel da imprensa social-fascista na campanha caluniosa à República Popular da China é de fornecer os argumentos que os demais sectores da burguesia virão a usar contra o Povo chinês e o camarada Mao Tsé Tung.
Os seus ataques não põem de modo nenhum o acento no modo particular como a luta de classes se desenvolve na China nem nas grandes vitórias que o povo chinês vem obtendo neste campo, mas na «quebra da produção», «estagnação do nível de vida», sem que sequer jamais sejam invocados dados estatísticos sérios em apoio de tais pontos de vista, ao contrário do que, rigorosa e correctamente, fazem os camaradas chineses.
A RESTANTE IMPRENSA
O «Jornal Novo» e «Diário Popular» adoptam a máscara da falsa neutralidade da burguesia para melhor poderem atacar a República Popular da China.
A táctica adoptada é a reprodução sem crítica ou comentário de telegramas de agências noticiosas estrangeiras, sobretudo ou da ANOP (certamente recolhidas da Tass), acompanhada do número julgado conveniente para cada caso de especulações contra-revolucionárias.
É assim que o «Diário Popular» de ontem aparece especulando sobre uma «questão sexual transformada em polémico motivo político na República Popular da China», fundando-se somente em vagos dizeres de visitantes estrangeiros, enquanto o «Jornal Novo» reproduz sem comentário algum, uma série de ataques efectuados contra a República Popular da China da parte do revisionista Konstantinov, académico soviético, na revista «Problemas do Extremo Oriente», ataques esses que procuram pôr em causa a participação da República Popular da China na Conferência dos Países Não-Alinhados, insinuando que aquele grande país socialista se comportaria como uma superpotência (sem fazer a esse respeito qualquer espécie de prova) (a calúnia é a sua arma fundamentai).
Tais ataques são feitos através da pena dos lacaios do P«C» de P-«ML» presentes no «Jornal Novo» e que são os mesmos que se dizem como os melhores amigos da China. É através destes exemplos práticos que se comprova o papel assumido por tais lacaios.
CONCLUSÃO
O que tal imprensa pretende, afinal de contas, não é mais do que desfigurar junto dos operários os ideais do socialismo e do comunismo, num momento em que grandes batalhas de classe se avizinham na nossa pátria.
A classe operária portuguesa tem nos olhos o exemplo da República Popular da China. Rebaixar tal exemplo, calcá-lo aos pés, vilipendiando-o de todas as formas e feitios, é para a burguesia um excelente meio de a desarmar ideológica e politicamente, fazendo-lhe crer que, de facto, o socialismo e o comunismo são impossíveis e levá-la a depor as armas, quando mais precisa delas.
Daí decorre a importância que, na actual situação política tem para os comunistas o desmascaramento um a um de todos os insultos e calúnias movidos pelos revisionistas contra a República Popular da China.

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