terça-feira, 16 de agosto de 2016

1976-08-16 - Luta Popular Nº 367 - MRPP

QUEM NÃO DEVE NÃO TEME!

Do Comité do MRPP em Olhão recebemos um comunicado relativo ao ataque desesperado à delegação do nosso Partido, executado por um grupo de marginais, objectivamente contratados para o efeito, numa nova provocação contra o nosso Partido e o povo de Olhão, que vem no seguimento dos acontecimentos sangrentos do passado dia 11.
Eis o texto do comunicado dos camaradas Olhão.
I - A partir das 0 horas, do dia 15 do Agosto graves acontecimentos tiveram lugar frente a delegação do nosso Partido em Olhão. Cerca das 0 horas e cinco minutos, três sujeitos, de um bando de desclassificados que dá pelo nome de Stones rasgaram um cartaz que, colocado frente à delegação denunciava os actos cometidos pela polícia de choque contra o povo no dia 11 passado. Quando um camarada se lhes dirigiu, pedindo explicações do acto, um deles respondeu: «Os assassinos são vocês, não é a polícia!» E começou a tentar exibir as suas práticas de Kung Fu com o intuito de amedrontar o nosso camarada, o que não surtiu efeito, pois dentro em breve o enxotou, tendo as coisas ficado por ali.
Passados alguns minutos, já depois da delegação fechada e quando seis camaradas estavam sentados na esplanada do café mini-bar (situado por baixo da delegação) o mesmo indivíduo que havia sido corrido, aparece de surpresa com uma tranca na mão e agride um camarada que se encontrava sentado de costas, ao mesmo tempo que parte toda a loiça que se encontrava sobre a mesa.
Mal os restantes camaradas esboçam o gesto de se levantar para reagir, logo o resto do bando do Stones (cerca de 12 e todos sob nítido efeito da droga) surgem gritando selvaticamente da rua frente a delegação, exibindo ferros aguçados, latas e vara­paus com pregos na ponta e dedicam-se a voltar toda a esplanada, quebrando copos e garrafas, agredindo selvaticamente os camaradas que não tiveram tempo de se defender ou desviar e que ficaram cercados por esses vadios. Quando os poucos elementos do povo que se encontravam no local, indignados, se começam a dirigir para os tais Stones, estes agarraram em si e puseram-se a cavar, não sem terem esboçado uma tentativa de entrar na sede do nosso Partido, nomeadamente tentando arrombar a pontapé a porta de baixo. Deste primeiro ataque resultaram dois camaradas feridos com certa gravidade, um deles com várias feridas na cabeça e o nariz fracturado.
Cerca de 20 minutos depois quando os outros camaradas explicavam aos elementos do povo presentes o sucedido, um bando de arruaceiros que chegou (reforçado com novos energúmenos) entregou-se de novo a agressões, respondendo-lhes os nossos camaradas — que lutavam cada um com três deles — com firmeza e decisão. Apesar de lerem causado ao nosso Partido mais um ferido, os Stones desta vez também receberam na carne a resposta à sua bárbara actuação, tendo retirado alguns deles marcados por socos e pontapés, levando um quase estrangulado em braços.
2 — Estas acções não sucedem por acaso. Elas incluem-se numa vasta provocação policial que pretendia (e pretende) lançar os tais Stones para a «boca do lobo», transformá-los de agressores em agredidos, a fim de arranjar pretexto para lançar sobre o nosso Partido em Olhão um feroz ataque repressivo. Nunca entre o nosso Partido e o tal bando dos Stones existiu qualquer animosidade tendo até o MRPP movido esforços para ajudar um deles de nome Cativo que se encontrava preso e que no seu julgamento em 24/7/76 sofria um ataque furibundo da parte do advogado Balsemão; e outro de nome Real, procurando evitar que ele fosse condenado por motivo de uma ocupação. Referimos até que alguns deles são conhecidos de camaradas nossos, tendo relações que de modo algum poderão ser de inimizade.
Tais actos surgem, portanto, à evidência, como um complot dirigido contra o nosso Partido e o povo. O facto de surgirem no seguimento do sucedido no dia 11 no largo da Câmara, a sua coincidência com o comunicado provocatório do presidente e alguns membros da Comissão Administrativa da Câmara, ao qual daremos resposta oportunamente, o facto de surgirem ao mesmo tempo que os social-fascistas do P«C»P colam os seus cartazes sobre a nossa propaganda, o ter acontecida como consequência do desmascaramento feito pelo nosso Partido de algumas famigeradas figuras da política local, com destaque para o chefe Magno. Tudo isto indica claramente que os tais Stones foram pagos para actuar, prepararam minuciosamente o seu plano e foram o braço executor de um cérebro que não é difícil de adivinhar quem é.
Acresce a tudo isto o facto de a polícia, chamada, por um comerciante que a tudo assistiu respondendo que «Vamos imediatamente!» ter surgido meia hora depois ficando a presenciar as agressões sem sequer sair do carro e indo-se embora em seguida, sem tugir nem mugir. Se nos lembrarmos que no dia 11, num curto espaço de tempo se juntaram 120 polícias de todo o Algarve que se prontificaram a disparar sobre o povo, mais clara se torna a manobra do comando policial e do presidente Carlos Fonseca Viegas da Comissão Administrativa contra o MRPP. Actos destes não ficarão impunes, desmascará-los-emos, saberemos unir o povo a nós e o ataque traiçoeiro que os tais Stones nos moveram terá, nas circunstâncias adequadas, uma resposta devida. Aqueles que, por sua vez pagaram a peso de droga o preço de tal agressão. A esses dizemos-lhes que a manobra é velha e que será repudiada por todos os democratas, independentemente do partido que tenham.
Os trabalhadores filiados no PS, um partido democrático, devem denunciar aqueles que em seu nome servem tais actos e aqueles membros da Comissão Administrativa da Câmara que sabemos estar contra o sucedido devem também exigir a imediata destituição do presidente e dos membros da comissão administrativa responsável por esses actos. Também os agentes da polícia que já nos acontecimentos do dia 11 mostraram repudiar atitudes destas, devem tomar posição e fazer ouvir sua voz.
Independentemente das diligências em curso junto do poder judicial da burguesia com vista a reparar tais actos e a proceder contra os seus fomentadores e executores, o MRPP saberá unir o povo e unir-se a ele para castigar exemplarmente os responsáveis.
3 — Os ataques ao nosso Partido vão intensificar-se. O que se vive em Olhão é uma situação de intensa luta de classes. Como sempre temos denunciado, a burguesia prepara o ataque à cabeça para melhor destruir o corpo. Sabendo ser o MRPP o único partido que mobilizará o povo para resistir à repressão, à desocupação de casas e fábricas, ao ataque às conquistas populares, está em campo uma larga campanha burguesa tentando isolar-nos do povo, cercar-nos e aniquilar-nos de modo a tornar mais fácil o ataque sobre o povo.
NÃO TEMEMOS POREM TAL GENTE NEM OS DESTACAMENTOS DE MARGINAIS QUE PÕEM AO SEU SERVIÇO. CALAR A VOZ DA CLASSE OPERÁRIA É UMA EMPRESA IMPOSSÍVEL E UM AUTÊNTICO SONHO DE LOUCOS, SÓ PRÓPRIO DE UM MAGNO OU DE UM CARLOS FONSECA VIEGAS...
NINGUÉM HÁ-DE CALAR A VOZ DA CLASSE OPERARIA!
VIVA O HERÓICO POVO DE OLHÃO!
MORTE AO FASCISMO E AO SOCIAL-FASCISMO!
VIVA A FRENTE ÚNICA DEMOCRÁTICA E POPULAR!
VIVA O MRPP! VIVA O PARTIDO!

Olhão, 16 de Agosto de 1976
O COMITÉ DE OLHÃO DO MRPP

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