terça-feira, 16 de agosto de 2016

1976-08-16 - Jornal da Greve Nº 87 - EFACEC

O Trabalho da comissão:
Após a eleição da presente CDDT, podemos dizer que em cumprimento do seu programa aprovado em plenário, levou-se à discussão a necessidade de delegados sindicais nos respectivos estaleiros e oficinas, delegados de estaleiros, reuniões alargadas, contactos com outras empresas, CPI, em suma toda uma programação de trabalho no sentido de anular os balões de soro a que andava o trabalho sindical na nossa empresa.
 No entanto algumas destas perspectivas não passaram do apuramento teórico que tiveram, não se aplicando na prática convenientemente devido principalmente desde já à inércia verificada em todos os trabalhadores e CDDT que não se dispunham a cada momento dar resposta a todas as situações concretas que se verificavam.
A nossa experiência apontamos a necessidade de alertar todos os trabalhadores para as deficiências, em todos os campos, que se verificam no nosso trabalho.
As reuniões alargadas que deviam ter uma ampla participação de todos os camaradas dos mais diversos estaleiros e oficinas, tornaram-se sem objectivos quando da participação de alguns camaradas e neste momento são nulas.
Os delegados sindicais que foram eleitos e em cujas reuniões que se realizaram houve uma razoável participação, também agora se verifica o reflexo da desmobilização não participando no trabalho da Comissão,
Há que incentivar e alertar os delegados sindicais como representantes dos trabalhadores, a urgência de se ter que preparar e realizar uma reunião onde todo este tipo de problemas sejam discutidos.
Foram também eleitos delegados de estaleiros que seriam os elos de ligação entre a CDDT e os estaleiros. Também são muito poucos os delegados de estaleiro que neste momento funcionam. As reuniões alargadas onde ninguém aparece são um exemplo claro que ilustra perfeitamente esta situação.
Desde a eleição desta Comissão três plenários foram convocados sem que se conseguisse o mínimo de presenças para se poderem realizar. Em alguns estaleiros, tenta-se fugir ao cumprimento de decisões de plenário furando-as.
Tudo isto é o quadro evidentemente claro do desinteresse e apatia perante a resolução dos problemas dos trabalhadores e em especial da classe operária da nossa empresa.
A classe operária nunca poderá conduzir a revolução sem passar pela organização e consequente disciplina proletária.
É de apontar também a actividade interna da Comissão de Trabalhadores. Assim as faltas consequentes e o desinteresse pelo trabalho de alguns elementos, o comportamento nas reuniões da CDDT que há longo tempo se tem caracterizado pela discussão normalmente em termos pessoais, desrespeitando os interesses dos trabalhadores, traduzindo as reuniões em plenos campos de batalha onde se não chega a conclusões concretas, é factor bastante importante que se deve fundamentalmente pelo facto de os camaradas operários não vigiarem o trabalho da Comissão e suas reuniões.
A existência da Comissão de trabalhadores deveria, ser entendida como órgão democraticamente eleito, unitário e representativo dos trabalhadores.
No entanto os trabalhadores tenderam para a criação, aqui na empresa, de outros órgãos não democraticamente eleitos, em que o desenvolver do seu trabalho, nunca foi apontado no sentido de apoiar e incentivar a Comissão de Trabalhadores, mas que pelo contrário só tem desviado as atenções dos trabalhadores para o isolamento em que vive.
Note-se que grande parte dos camaradas que na nossa empresa foram dos mais activos e responsáveis pelo trabalho, hoje ou se integraram neste ou naquele órgão abandonando a CDDT, ou mantém-se afastados, desinteressados pelo desenvolvimento do trabalho da Comissão.
Uma conclusão final se pode tirar;
A Comissão de Trabalhadores nunca poderá funcionar e o seu trabalho nunca se desenvolverá se os operários não participarem, não cumprirem as decisões democraticamente tomadas em plenário. Enfim a Comissão de Trabalhadores não será Comissão de Trabalhadores se os trabalhadores e em especial os operários não a sentirem como sendo o seu órgão representativo.

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