domingo, 14 de agosto de 2016

1976-08-14 - Luta Popular Nº 366 - MRPP

A BARCA «GDUP» AFUNDA-SE NO TERREIRO DO PAÇO!

Realizaram-se ontem, em Lisboa e no Porto, as anunciadas manifestações dos «GDUPs», que reivindicavam como objectivo o protesto contra a libertação de Spínola verificada na madrugada de quinta-feira.
A convocatória de tais manifestações, tanto aliás como a natureza dos partidos e grupos seus promotores, deixavam perceber, no entanto, as suas reais finalidades. Tal convocatória, além de nem em uma só linha atacar ou sequer aflorar quem são os verdadeiros responsáveis pela libertação do facínora Spínola, os provocadores social-fascistas privilegiava inteiramente o combate ao, fascismo e nem releria sequer a necessidade da luta contra o social-fascismo o inimigo mais perigoso da Revolução portuguesa.
Tratava-se assim de fazer uma manifestação que como muitas outras que a precederam, dissimulava, sob a capa de um ataque sem princípios e, aliás, inconsequente ao fascismo, a preparação do golpe social-fascista, servindo, pois, inteiramente, os interesses de saque e rapina do social-imperialismo revisionista soviético.
Toda a burguesia se encarregou, primeiro de autorizar, depois de propagandear amplamente a manifestação. Para os social-fascistas, era evidente que ela servia os seus interesses. Para os fascistas, a possibilidade real do seu fracasso, tal como viria a acontecer, seria a consolidação do seu correlegionário Spínola.
A reboque de tudo isto, vem a gentalha neo-revisionista e anarco-bombista. Clamando ontem «contra o regresso de Spínola», apareceu hoje a protestar contra a sua libertação. Se mais houvesse.
AS MANIFESTAÇÕES
No Porto, os «GDUPs», alvo do mais completo desprezo e escárnio populares, não lograram reunir mais que 550 pessoas.
Em Lisboa, a manifestação realizada tinha 600 filas, com 5, 6 e 7 pessoas cada uma, não excedendo em todo o caso a sua composição cerca de 4000 pessoas.
Tal número acusa um insucesso considerável da confraria neo-revisionista e anarco-bombista, atentando para mais os números conseguidos em idênticas realizações nas eleições presidenciais e o número de votos então obtido pelo candidato Saraiva de Carvalho. Prova claramente a situação de refluxo dos «GDUPs», refluxo esse que nos meses mais próximos vai conduzir à sua total desagregação, como certos sintomas que temos em devido tempo desmascarado deixam claramente perceber.
Entre os manifestantes, para além de núcleos reduzidos de pessoas honestas, influenciadas pela demagogia social-fascista, figuravam além de membros de todos os grupelhos convocantes, destacados traidores ao marxismo-leninismo e à classe operária como o renegado Sanches, conhecidos submarinos do PS e caciques notórios do P«C»P, convocados internamente pela organização ou seus pasquins oficiosos como «O Diário de Lisboa» e «O Diário» da manhã.
As massas viam com extrema hostilidade a arrancada dos manifestantes e ao longo do percurso exteriorizavam a sua discordância e, mesmo, indignação. «Então agora o Spínola já não presta» — dizia um elemento do povo com boa memória. E outro desmascarava a presença de numerosos estrangeiros que formavam uma boa parte dos manifestantes, perguntando o que faziam eles em Portugal, colaborando em realizações contra-revolucionárias.
De salientar o pormenor caricato de alguns neo-revisionistas vindos das praias se terem visto obrigados a vestir prévia e discretamente as suas calças sob as arcadas do Terreiro do Paço.
AS PALAVRAS DE ORDEM
As palavras de ordem contemplavam o fascismo mas esqueciam o social-fascismo. E não só o esqueciam como uma delas formulava a exigência da completa ilibação dos «militares revolucionários presos», os quais não passam dos implicados no golpe contra-revolucionário do 25 de Novembro. Como se o povo não exigisse, como exige além do julgamento público e punição exemplar dos golpistas fascistas do 11 de Março, o julgamento público e punição exemplar dos golpistas social-fascistas do 25 de Novembro.
Tais palavras de ordem reflectiam inteiramente a política do P«C»P o qual só não apoiou directamente a manifestação por temer ser envolvido num fracasso prematuro que poderia vir a prejudicar as negociatas da «maioria de esquerda».
A RAZÃO DE SER DO FRACASSO SOCIAL-FASCISTA
O fracasso da manifestação de ontem prova claramente a desagregação da unidade precária que lograram manter os «GDUPs» e a crescente compreensão das massas populares do que está por trás da demagogia do «regresso de Spínola».
A propaganda e mobilização do povo contra a libertação do assassino colonialista Spínola não pode ser desacompanhada da denúncia e desmascara­mento implacável dos seus ex-aliados e principais responsáveis pela sua libertação — os provocadores social-fascistas do P«C»P. Os quais aliás pretendem servir-se das movimentações suscitas pela libertação do facínora, canalizando-as no sentido do golpe social-fascista, facto que deve ser intransigentemente combatido pelos comunistas.
As massas compreenderam que a manifestação de ontem não lhes servia e, provando a sua maturidade política viraram-lhe costas. Assim o fizeram os operários da Lisnave (não eram duas dezenas os presentes na manifestação) da TAP (escassas duas dezenas de empregador da TAP), e de muitas outras fábricas.
A partir deste seu fracasso, é indispensável levar até ao fim com ainda maior persistência e denodo a luta e desmascaramento dos «GDUPs», condição prévia do seu esmagamento final.

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