sábado, 13 de agosto de 2016

1976-08-13 - Luta Popular Nº 365 - MRPP

SOBRE OS SANGRENTOS ACONTECIMENTOS DE OLHÃO

Do Departamento de Propaganda do Comité Regional do nosso Partido no Algarve recebemos o comunicado sobre os acontecimentos ali ocorridos no passado dia 11, e que passamos a publicar.
Fazendo-se intérprete do grande povo de Olhão o Departamento de propaganda do Comité Regional do Algarve do MRPP através do «Luta Popular», vem denunciar junto do povo a feroz repressão policial, que na quarta-feira, 11 de Agosto se abateu, selvaticamente, sobre as massas populares olhanenses e sobre o MRPP.
Sob as ordens do presidente da câmara de Olhão (um lacaio dos roceiros e colonialistas e comandado por um oficial do RIF um destacamento da PSP, que envolvia cerca de 120 agentes de Olhão Faro e Tavira, de capacetes e viseiras e armados de G-3, Mauser, bastão, granadas de fumo e gases lacrimogéneos, agrediu e feriu miseravelmente as largas centenas de elementos do povo, militantes e simpatizantes do nosso Partido que se encontravam concentrados no local, defendendo uma bela pintura, um painel intitulado «Viva o Povo de Olhão» que pintado no largo da câmara, era admirado pelo povo olhanense e por todos quantos visitavam Olhão.
Tal painel sofria as ameaças de destruição por parte da Comissão Administrativa da câmara e do seu presidente evocando uma lei, sob publicidade, ainda pelo novo governo PS, lei reaccionária que pretende calar a voz do proletariado revolucionário, lei que está contra a própria Constituição burguesa, aprovada pelo próprio PS, lei ainda contrária ao programa democrático e patriótico do General Ramalho Eanes programa que o povo escolheu, votou e que quer ver aplicado.
O Povo mobilizado pelo nosso Partido, sempre se opôs, a esse intento, do presidente da câmara, que compreendeu, que ao atacar a pintura, o que se pretende é medir o grau de combatividade e resistência popular para preparar os novos ataques, às conquistas do Povo, e começar a desocupar casas, terras, etc., ensaiar a repressão sobre os operários e o povo em luta, tentando fazer com que sejam os trabalhadores a pagar a crise da burguesia, e do sistema de exploração.
Idêntico ao ataque que ontem sofreu, povo olhanense, é o ataque que a GNR fez à população de Mancerro que também a ele soube responder com firmeza. A repressão policial desencadeada ao mesmo tempo que o presidente e um seu mordomo,— o carniceiro João Messias, membro destacado do PS local — barravam de alto a baixo a pintura, causou feridas expostas, intoxicações, queimaduras e equimoses, em algumas dezenas de elementos do povo e camaradas nossos. A sanha dos agentes policiais não ficou sem resposta e o povo olhanense correu-os à pedrada até à saída de Olhão, lutando assim, heróica e vitoriosamente, contra as rajadas de G-3 e os gases lançados, pelos assassinos. A indignação do povo olhanense não tem limites. A bárbara e cobarde agressão perpetrada contra as massas tem que ser denunciada.
O Povo exige o imediato desmantelamento da PSP e da GNR e a destituição incondicional da Comissão Administrativa da Câmara, e do seu presidente, responsáveis directos pelo sucedido, assim como o exemplar castigo para toda essa cáfila de reaccionários.

Algarve, 12-8-76
Departamento de Propaganda do Comité Regional do Algarve do M.R.P.P.

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