sexta-feira, 12 de agosto de 2016

1976-08-12 - Bandeira Vermelha Nº 030 - PCP(R)

EDITORIAL
PASSAR DAS PALAVRAS AOS ACTOS

No mais curto prazo, todo o Partido tem de estudar as Resoluções aprovadas na 6.ª Reunião Plenária do Comité Central. Disto depende o Partido ser capaz ou não de dar às situações que se lhe deparam as respostas devidas na altura própria.
Como estudar e como assimilar o conteúdo das duas Resoluções?
As reuniões dos organismos destinadas ao estudo e ao debate das Resoluções não devem ser maratonas de leitura de fraco rendimento político. Pelo contrário, devem gerar viva discussão de ideias e, para isso, têm de ser bem preparadas pelos órgãos de direcção. Cabe aos secretariados organizar a discussão, chamando a atenção para os pontos principais dois documentos, fazendo resumos que tornem mais compreensíveis certas passagens e, sobretudo, virando a discussão para a descoberta dos meios de aplicar concretamente os ensinamentos e as directivas neles contidas.
Um dos principais aspectos em que o nosso Partido se distingue hoje dos grupos é a sua capacidade para fazer frente à realidade diária da luta de classes. É um Partido de acção política e não de simples agitação e de propaganda livresca. Os nossos militantes têm de estar embrenhados na actividade política de vanguarda, levantar e dirigir as massas. Esta realidade exige não só a existência de uma táctica precisa (coisa que os grupos nunca tiveram), virada para a realidade do país e da sua vida política, como exige também uma assimilação perfeita dessa táctica pela totalidade dos organismos do Partido. Mais ainda: exige a constante aplicação, de forma criadora e por todo o Partido, da linha táctica definida.
Passar das palavras aos actos — assim se pode resumir a ideia mestra que deve guiar o estudo das Resoluções. Na táctica como na revolucionarização deve ter-se presente que tal passagem não se alcança de uma vez por todas, após uma leitura ou uma discussão. Precisamente porque a aplicação prática tem a ver com a realidade de todos os dias, todos os dias se deverá proceder à concretização das directivas contidas nas Resoluções agora aprovadas.
A organização e alargamento dos GDUPs, a consolidação da Frente Popular, a realização do Congresso Sindical, a luta contra as avançadas dos fascistas (de que o regresso de Spínola, por exemplo, é um passo significativo) exigem a lucidez suficiente para actuar rapidamente e no sentido certo.
Do mesmo modo, a revolucionarização do Partido, condição para que os avanços políticos se dêem à medida das possibilidades que se nos abrem, é um trabalho de todos os dias no sentido de cumprir vigorosamente as determinações do CC de aplicar a cada organismo as directivas gerais sobre a revolucionarização e proletarização das nossas fileiras.
A situação exige, no fim de contas, que todo o Partido saiba usar as Resoluções sobre táctica e sobre revolucionarização como instrumentos para a acção.

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