quinta-feira, 11 de agosto de 2016

1976-08-11 - Luta Popular Nº 363 - MRPP

CONTRA A DEMAGOGIA SOCIAL-FASCISTA JULGAMENTO PÚBLICO DE SPÍNOLA

António Sebastião Ribeiro de Spínola, ex-general e ex-Presidente da Republica, regressou a Portugal após 16 meses de exílio. Implicado no golpe fascista das 11 da manhã do dia 11 de Março de 1975, Spí­nola teve de abandonar o país em circunstâncias de todos conhecidas.
Apesar de se aventar há muito a hipótese do seu regresso, a notícia da sua chegada caiu como uma bomba que despoletou demagogia habitualmente armazenada em sectores políticos bem determinados.
Armados em campeões do antifascismo, os social-fascistas de todas as bandas iniciaram já um concerto contra o regresso de Spínola e com uma fúria tal que parece terem medo de contágio, ou de que alguém lhes estampe na cara as belas obras de oratória que dedicavam outrora ao «democrata» e «patriota» Spínola, considerado então por essa escumalha como o salvador da pátria.
O mesmo se passa quanto à libertação dos pides. Enquanto estiveram na dita Comissão de Extinção da Pide nada fizeram para julgar esses torcionários, preocuparam-se em vasculhar os arquivos e surripiar o que puderam, «esquecendo-se» de desmantelar a organização e aniquilar os seus agentes, berrando agora contra a sua libertação. Berros que se destinam unicamente a esconder a sua traição.
A verborreia dessa gente posta ao serviço da sua demagogia visa unicamente confundir o povo a fim de lhes permitir cavalgar as lutas antifascistas das massas populares.
Quanto a Spínola, temos de convir que as massas populares não foram tidas nem achadas na sua saída do país, como não o foi qualquer membro do governo, se bem que subsistam dúvidas quanto ao êxito da fuga de Spínola se as forças que fizeram o    golpe das 11 horas da noite do 11 de Março se tivessem aplicado a fundo na sua anulação. Como não o pusemos fora não temos que nos pronunciar sobre o seu regresso, achamos inclusive que o regresso de Spínola é uma coisa boa. E isto porque permite julgar e punir um criminoso fascista que doutra forma jamais se reuniram as condições mate riais para o fazer.
E se o Poder não o julgar nem punir desmascara-se em toda linha, as massas populares aprendem na prática a natureza da democracia que fascistas e social-fascistas apregoam, fortalecendo-se a sua consciência política. Por outro lado, se o Poder se eximir de o julgar e punir, criadas estão as condições para o julgamento ser obra do povo, e isso ninguém o pode impedir.
Os social-fascistas vociferam contra o regresso porque não querem ver julgado o criminoso e fascista Spínola que eles incensaram noutras épocas, porque temem ver desmascarada e reduzida a pó a democracia que incensam, tal como a Spínola, sem princípios. Enquanto que o povo exige o julgamento de Spínola., julgamento que tomará a seu cargo caso o Poder não assuma as suas responsabilidades, desmascarando-o então. Spínola, Democracia e Poder são na realidade defendidos pelos social-fascistas quando parecem combatê-los, e quanto mais berrarem contra o regresso de Spínola mais defendem aquela trilogia, mais que não seis por nostalgia ou peso na consciência.
O fundo do problema não está no regresso, mas no julgamento e punição do fascista.
O povo deve organizar-se, ganhar força para exigir e impor o julgamento público do fascista e criminoso Spínola, única forma de se fazer um julgamento correcto e aplicar as sanções adequadas por virtude da fiscalização e participação directa das massas populares, as únicas verdadeiramente interessadas no julgamento.
Spínola é um verdadeiro e velho fascista e criminoso sempre o dissemos. Dissemo-lo logo no próprio dia 25 de Abril, e daí para cá afirmámo-lo sempre. É que a nossa política é traçada na base dos princípios que regem os partidos marxistas-leninistas e não na base das conveniências e interesses do momento como o fazem todos os oportunistas. Estavam, e estão ainda, bem vivos na nossa mente os crimes, os massacres e os assassinatos que sob as ordens directas de Spínola foram cometidos na Guiné-Bissau. Estava, e está ainda, bem presente na nossa memória o assassínio do patriota Amílcar Cabral planeado por Spí­nola. O proletariado e o povo têm boa memória e não esquecem. Os oportunistas, os social-fascistas e demais lacaios esquecem depressa estes crimes, quanto maior é a sua ganância e o seu carreirismo, tanto mais depressa «esquecem» estas coisas, lançando-se em frenéticas louvaminhas, elogios de vária ordem e lambidelas de botas por atacado. Confundem e iludem o povo a fim de cavalgando às suas costas poderem tomar parte na divisão do produto da sua exploração.
Contrariamente aos social-fascistas nós sempre dissemos que Spínola era um fascista e um criminoso, mantemos agora aquilo que dizíamos no passado, achamos uma coisa boa o seu regresso e exigimos o julgamento público do ex-presidente a ex-general António Sebastião de Ribeiro Spínola. Aliás, é o povo que o exige.
Enquanto que os social-fascistas apelidaram de democrata e patriota noutros tempos, chamam-lhe fascista hoje, estão contra o seu regresso e contra o seu julgamento.
Duas políticas, duas linhas e duas vias. O povo saberá escolher, e escolherá certamente aquela política que acabamos de apresentar. O povo deve exigir o julgamento público do fascista e criminoso Spínola.

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