quarta-feira, 10 de agosto de 2016

1976-08-10 - Luta Popular Nº 362 - MRPP

CENSURA FASCISTA NA CHAMADA RPA!

Peça nevrálgica no mecanismo da dominação neo­colonial social-fascista e social-imperialista em Angola, não podiam os novos sobas e vendidos que governam Luanda deixar de dar uma atenção muito cuidada à questão da informação.
Ao divulgar as linhas gerais do governo do MPLA para a «informação», o ministro Filipe Martins, responsável por esta pasta, deu assim mais um brilhante exemplo do que é o social-fascismo, da sua natureza e da sua aplicação em cada campo concreto, onde quer que os revisionistas se apossem do aparelho de estado, e instaurem a sua ditadura terrorista.
O terrorismo para a «informação» eis o programa do governo de Luanda para a «informação». A saber: o mais rigoroso e centralizado controlo social-fascista nos aspectos político e administrativo dos jornais e dos meios de comunicação em geral. Objectivos: calar qualquer possibilidade de expressão legal dos sentimentos e das ideias patrióticas e democráticas do povo angolano e preparar o terreno para uma maior submissão ainda ao neocolonialismo e ao social-imperialismo, numa altura em que as greves operárias nas cidades e as lutas de guerrilhas no canino recrudescem.
TODA A INFORMAÇÃO AO SERVIÇO DO NEOCOLONIALISMO
Discursando na inauguração de um curso de jornalismo, o ministro da «Informação» da dita RPA deu a conhecer as linhas mestras do seu Ministério, cuja natureza requintadamente fascista (social-fascista) faria corar de vergonha e de impotência os velhos colonialistas.
«Aos jornais cabe apoiar e glorificar a linha de governo e do partido único», afirma Filipe Martins que continua: «Os editoriais deverão sempre referir uma visão política e social «correcta dos factos», isto é, «as linhas programáticas de acção e orientação do Ministério da Informação, a propósito deste ou daquele problema, visto ser este Ministério o executor directo, no campo da Informação das instruções dimanadas das instâncias superiores do MPLA e do Governo — critério político que deverá presidir não só à feitura dos editoriais mas ainda a toda a forma de fazer informação» (sic).
Todos os jornais ao serviço das «instâncias superiores» do MPLA, isto é todos os jornais ao serviço da cambada de racistas, neocolonialistas e vende-pátrias que governam Luanda. Todos os jornais ao serviço da penetração política, económica, cultural e militar do social-imperialismo revisionista soviético, não só em Angola mas na região da África Austral.  
A MAIS APERTADA CENSURA FASCISTA E SOCIAL-FASCISTA
«Para vigiar que assim seja», continua o ministro social-fascista da «Informação», «lá estão os directores nomeados pelo governo para a Informação (toda nacionalizada). Na sua falta, claro, funcionará a censura prévia oficial.»
E, de seguida, passa à definição de competências no emaranhado burocrático do controlo e da execução da censura fascista sobre a «Informação». Os editoriais serão da responsabilidade do Director e «na sua ausência... controlados pelo Director-Geral da Informação ou pelo Gabinete do Ministro, ou pelo Director dos Serviços de Informação».
Por fim, a recomendação solene e severa de que «o incumprimento destas medidas será tido como um desvio à linha política do MPLA e como tal sujeito a sanções». As sanções não, são definidas, mas a julgar pelas sanções aplicadas a jornalistas estrangeiros que apenas descreveram nas suas crónicas alguns episódios da vida privilegiada dos mercenários cubanos em Angola, não se torna difícil imaginar que a mais implacável repressão social-fascista se abaterá sobre aquele que cometer «um desvio à linha política do MPLA».
Antes ainda desta linhas gerais para a «informação» terem sido divulgadas, alguns jornalistas estrangeiros que escreveram sobre matérias «proibidas» (os cubanos...) foram presos, espancados e torturados pela nova Pide angolana e, por fim expulsos da chamada RPA. Conta-se ainda o caso de um jornalista francês que é dado como «desaparecido», mas que provavelmente terá sido vitimado pela bárbara repressão social-fascista.
E é isto a «revolucionária» RPA, que se apresenta na Cimeira dos não-alinhados como se de facto não fosse a mais alinhada e submissa das neocolónias africanas do social-imperialismo soviético.
O que é determinante, porém, em Angola é que todos os sectores patrióticos e democráticos que constituem o povo angolano estão a erguer-se com ousadia, coragem e firmeza, para uma nova luta prolongada pelo derrube dos novos fascistas e colonialistas do poder e para a salvação da sua pátria. Que um terror imenso se apodera da clique social-fascista de Luanda perante o desenvolvimento das lutas operárias e das guerrilhas, prova-o as medidas fascistas especiais decretadas para a «Informação».

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