domingo, 7 de agosto de 2016

1976-08-07 - Luta Popular Nº 360 - MRPP

O POVO TEM UMA PALAVRA A DIZER

O torcionário e criminoso José Barreto Ferraz Sachetti, subdirector da sinistra Pide, foi silenciosamente libertado no passado dia 22 de Julho.
José Barreto Ferraz Sachetti distinguiu-se pela sua ferocidade e pelos seus crimes à frente da Pide em Coimbra, onde pela brutalidade, selvajaria e violência procurou desmantelar o movimento reivindicativo dos estudantes. Centenas e centenas de estudantes e elementos do povo passaram pelas mãos deste torcionário sentindo directamente na carne a brutalidade das suas torturas.
Mercê dos seus dotes e aptidões de mata-mouros, este carniceiro ascendeu em 1963 a subdirector da Pide, ficando incumbido da ligação e organização da rede policial em todo o país. Sob a direcção do reaccionário e criminoso José Barreto Ferraz Sachetti, devidamente apoiado pelo não menos torcionário e criminoso Silva Pais aquela sinistra organização viu refinados os seus métodos terroristas de actuação, viu alargado o seu contingente de criminosos e aprofundadas a brutalidade, a selvajaria e a violência postos nas torturas a que eram submetidos os presos políticos.
À medida que o governo fascista do nazi Salazar se encaminhava para a derrota, empurrado pelas justas lutas de libertação nacional dos povos das colónias e pelo movimento popular em ascensão no nosso próprio país, refinavam as torturas, aumentavam tenebrosamente os crimes e assassinatos dessa corporação sinistra à frente da qual se distinguia de sobremaneira o seu subdirector o torcionário José Barreto Ferraz Sachetti.
Eram de tal ordem os crimes, e tão repugnantes as sevícias praticadas nos democratas, patriotas, antifascistas e comunistas que caíam nas garras deste torcionário, que o fascista Marcelo Caetano, para manter as aparências duma hipotética «abertura», se viu obrigado a afastá-lo ao mesmo tempo que mudava o nome da organização que o facínora José Barreto Ferraz Sachetti servia com tanta dedicação.
Pois é a um criminoso desta estirpe que é dada a liberdade, neste «Portugal democrático» em 22 de Julho de 1976 em pleno «processo revolucionário em curso»!!!
Hoje a «garantia», que dão ao povo para tentar acalmar a revolta que cresce, é a de que o pide, o torcionário-mor o criminoso e assassino Silva Pais não será libertado! Só para rir…
Urge encontrar os responsáveis por tal situação, urge encontrar aqueles que comodamente instalados antes do 25 de Abril, gozando as delícias que lhes eram facultadas por um governo fascista mantido à custa do terror e opressão que essa criminosa corporação espalhou sobre o povo português e se arrobam agora o direito de nas costas do povo, nas costas dos milhares de torturados e assassinados, nas costas dos milhares de perseguidos, se arrogam agora o direito dizíamos de indultar, de libertar, de mandar em paz tão grande plêiade de assassinos.
Há, que encontrar e justiçar ainda aqueles que rotulados de comunistas embora, sofreram prisões e torturas desses torcionários e que agora tal como no passado se bandeiam inteiramente com os pides assassino, tendo para eles palavras de indulgência e comiseração. Falamos dos social-fascistas que à frente das primeiras «comissões de extinção da Pide» se preocuparam unicamente em pilhar os ficheiros para esconder a sua traição e servir-se de traições de terceiros para, pela chantagem, os colocar ao seu serviço.
Há que denunciar todos os democratas, todos os revolucionarecos de cordel que se «indignam» contra a libertação dos pides, quando afinal são eles responsáveis por esta situação. Há que justiçar juntamente com os pides os social-fascistas que à frente da «comissão de extinção», em vez de extinguir activaram a nova pide com a preservação primeiro, e a libertação depois dos velhos pides.
Logo no próprio dia 25 de Abril de 1974, uma grande manifestação de massas dirigida pelo nosso Partido, exigiu junto da tristemente celebre rua António Maria Cardoso a extinção e o julgamento popular desses criminosos, que numa demonstração da sua bestialidade protegida pela passividade das tropas envolvidas no «PREC», a reprimiu a tiro, matando um jovem elemento do povo e ferindo mais 10.
O povo não pode calar esta afronta, não pode nem deve permitir que tais criminosos gozem impunemente a liberdade que fascistas e social-fascistas lhe concederam. Criminosos desta estirpe não têm direito à vida, quanto mais à liberdade!

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