sexta-feira, 5 de agosto de 2016

1976-08-05 - Luta Popular Nº 358 - MRPP

Novo ataque da burguesia contra o «Luta Popular» diário!
O POVO DEVE DEFENDER O SEU JORNAL

Ontem à tarde, foi recebido na nossa redacção um telegrama da administração da Sociedade Nacional de Tipografia (O Século) «informando» o nosso jornal que, em virtude da reestruturação da imprensa estatizada, terá de proceder à «regularização das suas dívidas» até amanhã, sexta-feira, sob pena de não poder continuar a sair naquela tipografia.
O facto de a administração da SNT ter optado pelo telegrama para impor ao nosso jornal tal ultimato; o facto dessa imposição vir precisamente numa altura em que — por forca do período de férias que atravessamos, do encerramento de grande número de fábricas e locais de trabalho, etc. — é mais difícil ao «Luta Popular» não só intensificar como mesmo manter o seu volume de vendas e a sua difusão entre as massas trabalhadoras: tais factos, acrescidos ainda do curto prazo (pouco mais de um dia) que é concedido para efectuar o pagamento, denotam bem o carácter pérfido e traiçoeiro desse ataque cuidadosamente planeado e mostram inequivocamente qual o verdadeiro e último objectivo que ele prossegue: calar o «Luta Popular» diário a todo o custo!
A divida do «Luta Popular» na SNT, sendo grande e difícil de liquidar para o jornal da classe operária, não é nada se a compararmos com as dívidas e os prejuízos de qualquer um dos outros jornais diários, em especial da imprensa estatizada que o governo decide financiar permanentemente não olhando nem as dívidas nem aos prejuízos.
O «Luta Popular», como o jornal dum Partido legalizado, como um jornal que representa os interesses do proletariado revolucionário, deve ter direito a servir-se das tipografias do Estado, deve ter acesso aos «stocks» de papel. Garantir igualdade de condições materiais para todas as correntes políticas, para todos os partidos legalizados no que toca à sua propaganda e à difusão da sua política seria a preocupação dum governo verdadeiramente democrático, empenhado em defender a liberdade de imprensa e de expressão. Mas não. Não é essa a política do governo constitucional. Aliás, no preciso dia em que é feito o ultimato ao «Luta Popular», o Conselho de Ministros decide conceder mais alguns milhares de contos aos jornais estatizados o que significa que todos os outros partidos, aqueles que defendem os interesses das diversas camadas e sectores da burguesia, podem ter o seu jornal diário enquanto a classe operária e o nosso Partido têm que vencer não apenas as grandes dificuldades próprias da feitura dum jornal diário nestas condições como também os ataques pérfidos e traiçoeiros da burguesia, como é o caso vertente.
Ao governo constitucional, à burguesia no seu conjunto, ao partido social-fascista, não interessa que o «Luta Popular» diário exista e por isso fazem todos os esforços e tramam todas as manobras para o calar. Só o proletariado, só os democratas, patriotas, antifascistas e anti-social-fascistas, só as massas trabalhadoras podem defender o «Luta Popular», sustentá-lo, muni-lo de todas as condições necessárias para vencer as dificuldades e esmagar os ataques do inimigo.
Uma nova e suplementar campanha de fundos deve ser lançada. É preciso mobilizar tudo, todas as forças, utilizar todos os meios e todos os recursos! Todos os camaradas devem lançar mãos ao trabalho, unir todos os democratas e patriotas em torno da defesa do «Luta Popular»! Até às doze horas de amanhã, o mais tardar a quantia necessária para efectuar o pagamento deve estar centralizada na Sede Nacional. O «Luta Popular» diário tem de continuar a sair porque ele é uma necessidade do povo e uma exigência da Revolução!
NINGUÉM HÁ-DE CALAR A VOZ DA CLASSE OPERÁRIA!

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