quinta-feira, 4 de agosto de 2016

1976-08-04 - Luta Popular Nº 357 - MRPP

NOVOS ABUSOS DA POLÍCIA

Quando procediam a uma pintura artística de apoio ao «LUTA POPULAR» diário, no largo das camionetas em Odivelas, três artistas gráficos do nosso Partido foram arbitrariamente presos por 6 agentes da PSP local.
Actuando de concerto com uma série de social-fascistas que se juntaram no local (perto daquilo a que chamam sua sede) fácil foi à PSP efectuar as prisões; prisões apoiadas, e naturalmente instigadas, pelo linguajar revisionista que secundava perfeitamente as disposições do governo PS com o qual dizem não estar de acordo. «Não é tempo para pinturas», e «o que é preciso é reconstruir o país», e outros ditos do género ilustram bem como os social-fascistas apoiam o programa do governo constitucional, dizendo todavia não estar de acordo com ele.
Da discussão travada junto à pintura iniciada, ressaltou que a polícia pretendeu aplicar a lei que regulamenta a (não) afixação de qualquer tipo de publicidade. Razão tínhamos nós ao denunciar que o objectivo de semelhante diploma, apesar de nunca falar em política «abrangia» afinal o cartaz e as pinturas políticas e fundamentalmente, toda e qualquer iniciativa tomada neste campo pelo nosso Partido.
Uma vez na esquadra, confirmou-se ser esta a lei que a zelosa PSP salazarista e marcelista se dispunha já a pôr em prática. Tal como no passado a corporação continua operante cumpre ordens, cumpre leis. Pilar do fascismo mantido intacto pelos «revolucionários» do 25 de Abril e pelos social-fascistas de todos os matizes começa de novo a mostrar a bestialidade e o ódio que no tempo do dita¬dor votava ao povo trabalhador. Bestialidade e ódio, amordaçados durante algum tempo para salvação da corporação e do «Processo Revolucionário em Curso».
Bestialidade, ódio e selvajaria, que as sevícias bárbaras infligidas a 3 dos nossos camaradas, aquando dos acontecimentos do Alto do Pina, com¬provam cabalmente e demonstram que da polícia fascista nada mais há a esperar do que o destilar constante duma repressão sempre aumentada sobre o povo trabalhador e seus filhos.
Tentando apagar a má impressão dos seus comparsas da esquadra de S. João lá iam dizendo os polícias de Odivelas para os nossos camaradas, que ali ninguém lhes batia, que eles eram diferentes daqueles de S. João, que eles eram polícias bons; só não explicaram foi como por artes de magia deram cobertura aos assaltos que os social-fascistas efectuaram, há tempos atrás à nossa delegação de Odivelas.
Embrulhados nas contradições que uma lei escondida com rabo de fora levanta, atrapalhados e confusos com a rápida chegada do advogado, não atinando com a justificação da prisão, a PSP de Odivelas acabou por soltar os presos por volta das 15 horas, devolvendo todo o material inerente à feitura da projectada pintura. De referir que estes artistas eram parte da equipa que pintou o gigantesco mural do Instituto Superior Técnico de apoio à candidatura democrática e patriótica do General Ramalho Eanes, considerado politicamente correcto o mais belo do País.
Também na estação do Cais do Sodré novamente a PSP que ali se bandeia com os uns social-fascistas nos dias de venda do pasquim Avante enquanto escorraça todos os vendedores ambulantes que ali procuram ganhar o eu sustento, tentou impedir a venda militante do «LUTA POPULAR». Mas desta vez, as massas populares presentes em grande número fartas das arbitrariedades da polícia, reduziram as pretensões policiais a zero acabando por expulsar os agentes do interior da estação.
Todas estas acções policiais, bem como as sevícias de toda a ordem que começam a praticar nos elementos do povo que caiem nas suas garras, estão eivadas da nostalgia dum passado fascista ainda de fresca data. Querer democratizar tal instituição como o pretenderam os social-fascistas, é o mesmo que transformar o carnívoro tigre num animal herbívoro; colocar tal corporação que tão zelosamente serviu o fascismo ao «serviço da revolução» não passa de demagogia social-fascista com a qual procuraram pôr ao seu serviço a tropa de choque de Salazar e Caetano.
Se os serventuários prendem arbitrária e indiscriminadamente actuam a mando dos social-fascistas. interpretam à sua maneira e usam e abusam das leis, que já de si tem um carácter de classe defenido; espancam barbaramente os presos praticam atentados contra a moral e o pudor; se os serventuários são isto, que dizer do seu amo e senhor? Estará ele de acordo com a conduta dos seus servidores? Cá ficamos a aguardar resposta ao inquérito e a libertação dos camaradas presos libertação e inquérito que o povo exige.

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