segunda-feira, 8 de agosto de 2016

1976-08-00 - Yenam Nº 18

EDITORIAL
  VIVA O MARXISMO-LENINISMO-MAOÍSMO! VIVA A GRANDE REVOLUÇÃO CULTURAL PROLETÁRIA!

1. Em 12 de Julho, a classe operária e o povo português honrou a memória do seu camarada José Maria Martins Soares, caído na luta dois anos antes. A bandeira rubra do seu sangue, que então erguemos, é a mesma que hoje, 8 de Agosto, milhares de braços agitam bem alto numa comemoração sincera à Grande Revolução Cultural Proletária. O esplendor intenso da Grande Revolução Cultural Proletária verte-se sobre todas as fronteiras e irrompe por todo o mundo, atingindo os povos naquilo que eles têm de mais profundo. Nenhum povo deixa de sentir essa força poderosa que surge; esse farol que mostra aos oprimidos de todo o mundo que havendo Revolução e um verdadeiro Partido Comunista a conduzi-la, toda a pobreza se pode transformar em abundância, todo o deserto pode florir, toda a exploração pode ser abatida e a libertação alcançada. Também no nosso país, a Grande Revolução Cultural Proletária tomou expressão. O seu esplendor e os seus êxitos fizeram despertar, no seio do nosso povo, uma nova força cultural, uma força cultural indomável que assenta na luta sem tréguas ao revisionismo. Martins Soares forjou-se nessa luta. Dotado de uma coluna vertebral tesa sem sombra de servilismo nem obsequiosidade abrindo brecha em todos os obstáculos, arrasando o inimigo onde quer que este se acoitasse, Martins Soares foi o porta-bandeira dessa força cultural que nascia, fazendo-a ampliar por um sector cada vez mais vasto do povo. A sua bandeira, que hoje milhares de homens e mulheres erguem é justamente a bandeira da nova cultura que irrompe e se desenvolve; é a bandeira da cultura democrática e popular, a bandeira da Grande Revolução Cultural Proletária aplicada à situação concreta do nosso País.
2. A vigorosa força cultural que a Grande Revolução Cultural Proletária despertou no seio do nosso povo, surgiu no período 66-69, baseando-se no estudo do marxismo-leninismo e na luta intransigente e sem quartel que este move ao revisionismo. Essa força cultural está na origem da criação do MRPP e da breve fundação do nosso Partido. Com a criação do MRPP essa força cultural passou a desenvolver as inúmeras potencialidades que continha. Era urgente desenvolvê-las. Martins Soares compreendeu essa urgência. Compreendeu que esse movimento cultural que se formava era essencial ao progresso da Revolução e era fundamental que ele rompesse por todos os quadrantes para que a Revolução política, económica e social pudesse avançar. A bandeira de Martins Soares aponta-nos o caminho propício a esse desenvolvimento — transformar o movimento cultural ainda embrionário, num amplo movimento cultural de massas. «Tanto o movimento cultural como o movimento prático devem ser movimentos de massas. Por conseguinte, os trabalhadores progressistas da cultura devem possuir o seu próprio exército de cultura, quer dizer, as massas populares. Um trabalhador revolucionário da cultura que não esteja ligado às massas populares é um comandante sem exército, o seu poder de fogo não pode abater o inimigo» (Mao Tsé-tung, Obras Escolhidas).
Para transformarmos o movimento cultural num amplo movimento de massas temos que nos situar na fase da Revolução que vivemos neste momento. O movimento revolucionário na frente da cultura é a consequência e o reflexo da base económica e política desta Revolução. Não é um movimento cultural socialista, porque a Revolução ainda não é Socialista, porque as condições económicas, políticas e sociais do nosso País não permitem a realização imediata de uma Revolução Proletária, mas uma fase intermédia e preparatória dessa Revolução Proletária, a fase da Revolução Democrática e Popular. O movimento cultural terá pois de ser um movimento cultural democrático e popular.
A cultura democrática e popular que defendemos é Patriótica. Opõe-se à opressão imperialista e social-imperialista, opõe-se às classes que no interior sustentam essa opressão, ou seja, a grande burguesia, aos latifundiários e aos grandes agrários e defende a soberania e a independência da nossa Pátria. Essa cultura pertence ao Povo e deve apresentar as nossas próprias características; pode e deve assimilar o que há de democrático, de progressista na cultura doutras nações, mas tendo sempre em conta que essa assimilação só se torna útil quando a combinamos com as características do nosso Povo, quando a aplicamos à situação real da nossa sociedade, quando a fazemos ganhar uma forma nacional definida, no nosso País.
Em virtude do carácter patriótico do movimento cultural, existe a possibilidade de estabelecer uma frente cultural única de todas as classes e camadas de classe que se opõem ao imperialismo e ao social-imperialismo. Nessa frente cultural, os intelectuais e artistas comunistas devem aliar-se a intelectuais, artistas e cientistas da pequena burguesia e da burguesia nacional que lutam pela nossa independência, e aprender com eles o que têm de útil à Revolução. Mas em caso algum existe a possibilidade de frente única anti-imperialista a anti-social-imperialista com concepções idealistas que estes por vezes encerram. Na esfera da acção política os comunistas podem formar uma Frente Única anti-imperialista e anti-social-imperialista com certos idealistas, mas nunca aprovar-lhes o idealismo. Para percebermos profundamente esta questão, devemos ter sempre presente os importantes ensinamentos que nos dá o camarada Mao Tsé-tung acerca da contradição e aplicá-los à situação concreta da nossa sociedade.
No nosso País, a contradição existente entre a concepção científica do proletariado e o idealismo dos elementos da burguesia nacional que lutam pela independência da nossa Pátria, pertence à categoria de contradição no seio do Povo. Esse antagonismo, pode ser transformado em não antagonismo, se os comunistas souberem actuar na perspectiva de que é preciso uni-los primeiro, para através da crítica, da educação e da transformação, os fazer desligar das concepções idealistas e reaccionárias e os ligar ao campo do movimento cultural revolucionário. «Nós não pactuamos com ninguém quanto às concepções científicas e reaccionárias do mundo e da realidade. Pensamos é que a nossa crítica é uma forma de unir os que estão dispostos a avançar no caminho da Revolução, de abrir-lhes perspectivas correctas e de lhes dar a possibilidade de que sirvam de facto o povo e não as classes exploradoras (Arnaldo Matos).
3. «Um trabalhador revolucionário da cultura que não esteja ligado às massas populares é um comandante sem exército, o seu poder de fogo não pode abater o inimigo». Muitos são os comandantes sem exército que ainda existem na nossa frente cultural. Muitos são aqueles que ainda se fecham em seus gabinetes escrevendo longos folhetins mirabolantes que as paredes lhes ditam, desprezando o povo, o único que possui o material para as nossas criações culturais. É no povo explorado que está a fome, a doença, a miséria, e a força revolucionária que o libertará e só no povo, o intelectual encontrará as bases para uma cultura verdadeiramente revolucionária. Os longos folhetins feitos no vácuo, os aglomerados de estereótipos, opõem-se a essa cultura revolucionária, não são apreciados pelas massas, não as tocam, nada transmitem, são pedregulhos que desligam os trabalhadores da cultura do seu exército, das massas populares.
Toda a criação cultural que não estabelece uma comunicação viva com as massas, é uma criação caduca que não serve para nada. É esta comunicação que fará com que as massas populares façam sua a cultura que criamos e por sua vez a multipliquem e a desenvolvam, utilizando-a como uma arma imprescindível para a sua libertação. Enquanto as massas não utilizarem a cultura como uma arma sua, o movimento cultural não se desenvolverá e nunca surgirá essa ampla movimentação cultural que arranca os obstáculos da via da Revolução e que consolida as vitórias que o proletariado vai alcançando no decurso dessa via.
4. «Não há contradição sem destruição; corrente sem barragem; movimento sem repouso» (Mao Tsé-tung, Obras Escolhidas). Nós não podemos destruir a cultura de que necessitamos, se não derrubarmos e destruirmos a cultura que se lhe opõe, se não arrasarmos a cultura reaccionária imperialista, a cultura reaccionária social-imperialista, a cultura reaccionária dos grandes agrários e latifundiários, a cultura reaccionária dos monopólios. A arma que nos leva a essa destruição é a crítica. Saber manejar com destreza essa arma é uma questão fundamental, sem a qual nenhum movimento cultural pode existir.
A crítica não pode ser uma arma de persuasão; nós não podemos incorrer no erro de pensar que basta encostar a arma da crítica às costas do inimigo para este já estar eliminado. Não basta. A crítica tem de desventrar toda a cultura reaccionária, tem de desmembrá-la, tem de abatê-la e aniquilá-la por completo. No campo da cultura não podemos ter qualquer tipo de contemplação. A utilização de panos-quentes em matéria de crítica literária e artística, é, no entanto, frequente no nosso seio. Aqueles que a utilizam querem salvar tudo e mais alguma coisa. Não distinguem os nossos aliados dos nossos inimigos e acabamos por querer salvar o próprio inimigo, a própria cultura que explora e oprime o povo. Essa cultura nós temos que a fazer ruir por completo, atingindo-lhe os pilares em que se fundamenta, levando a critica até às suas raízes mais profundas. Sem essa crítica levada até às últimas consequências, nós nunca poderemos fazer do movimento cultural, aquele poderoso movimento revolucionário de massas que urge lançar rapidamente.
5. O movimento cultural revolucionário continua a assentar, tal como quando surgiu, no estudo do marxismo-leninismo-maoísmo e na luta intransigente e sem descanso que este move ao revisionismo.
O desenvolvimento cultural depende intrinsecamente deste estudo, do grau de conhecimento da teoria marxista-leninista-maoísta que cada trabalhador revolucionário da cultura possui e da sua capacidade em integrá-los na prática concreta do movimento cultural. O nosso conhecimento do marxismo-leninismo-maoísmo é demasiado pobre e superficial e como tal não é propício ao desenvolvimento do movimento cultural revolucionário de massas, que se impõe lançar imediatamente. Essa é a razão porque o estudo generalizado e aprofundado da teoria marxista-leninista-maoísta constitui para nós uma grande tarefa que importa realizar com a maior urgência.
«Há que dominar completamente a teoria marxista e saber aplicá-la; dominá-la com o único objectivo de aplicá-la. Se chegarem a poder aplicar o ponto de vista marxista-leninista nos esclarecimentos de um ou dois problemas práticos, vocês merecerão elogios e poderá dizer-se que conseguiram certos êxitos.» «Quanto mais problemas forem capazes de esclarecer, quanto mais vastos e profundos forem nessa clarificação, tanto maior será o nosso êxito» (Mao Tsé-tung).
A teoria marxista, a ciência da Revolução, é um guia de acção para os povos de todo o mundo. O seu estudo não pode cair no decorar oco de uns tantos termos e umas tantas frases. O seu estudo tem de trazer a compreensão das leis gerais que Marx, Engels, Lenine, Estaline e Mao Tsé-tung deduziram nas suas análises da vida real prática e da experiência das Revoluções que conduziram. Sobretudo há que descobrir nesse estudo a posição e o método que estes grandes mestres adoptaram no exame e na solução dos problemas.
É através desta compreensão que nós transformaremos os conhecimentos recortados e desordenados que temos, ou nem sequer temos, em conhecimento real e metódico que nos permitirá dominar o marxismo para o aplicar.
A segunda tarefa que urge realizar é o estudo do património cultural do nosso País. Temos muito a aprender com as formas artísticas e culturais que o passado nos deixou; não há que aceitar tudo impavidamente mas há que analisar tudo e usar da crítica, utilizando o método marxista de escolher o que há de bom e rejeitar o que não serve. «Precisamos de aprender no passado e no presente. Precisamos de aprender com as formas artísticas e culturais que o passado nos legou, utilizá-las quando sejam úteis para a Revolução. Precisamos de aprender com o que os povos dos outros países do mundo realizam. Mas nós não somos daqueles que tomam as refeições sem as mastigar. Depois de as mastigar, digerimo-las, rejeitamos os dejectos e aceitamos aquilo que é útil para o nosso organismo» (Arnaldo Matos).
O próprio marxismo-leninismo-maoísmo não pode ser aceite metafisicamente e deve ser alvo deste método «de mastigação, de digestão e de assimilação». Nós devemos adquirir o conhecimento real e sistematizado do marxismo, através desse conhecimento nós conseguimos dominá-la e uma vez dominando-a nós temos de a aplicar às condições concretas da Revolução no nosso País. A força do marxismo-leninismo-maoismo só se faz sentir quando correctamente aplicado às particularidades da nossa sociedade.
Esta aplicação do marxismo-leninismo à Revolução traz em si a luta contra o revisionismo. O revisionismo é a adulteração das leis marxistas e dos métodos do marxismo. Há que substitui-las pelas pérfidas «teorias da natureza humana», «amplas liberdades» e «fraternidades», rezando a conciliação e tentando tudo por tudo para refrear a força imensa e o espírito de luta do povo oprimido, procurando ador­mentá-lo, procurando adormentar a Revolução e impedir que ela dê novos passos em frente.
Se adquirirmos a verdadeira compreensão do marxismo, não apenas nos livros mas sobretudo na luta de classes, no trabalho prático, no estreito contacto com as massas exploradas, nós compreenderemos em toda a profundidade a perfídia revisionista e estaremos aptos a desmascará-lo até ao pormenor e a rechaçá-lo até ao esmagamento.
A aquisição do marxismo-leninismo-maoismo e a sua aplicação à prática da nossa Revolução, fará brotar um novo vigor no movimento cultural revolucionário. O esplendor e os êxitos da Grande Revolução Cultural Proletária guia-lhe o desenvolvimento. A bandeira de Martins Soares abre-lhe o caminho. Os trabalhadores revolucionários da cultura propõem-se a erguer bem alto essa bandeira: o movimento cultural embrionário será um poderoso movimento cultural de massas. A bandeira de Martins Soares não cairá das nossas mãos.

Lisboa, 1 de Agosto de 1976

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