segunda-feira, 15 de agosto de 2016

1976-08-00 -RESOLUÇÕES DO COMITÉ REGIONAL "MARIA DA FONTE" DO PCP(R)

RESOLUÇÕES DO COMITÉ REGIONAL "MARIA DA FONTE" DO PARTIDO  COMUNISTA PORTUGUÊS (RECONSTRUÍDO) – AGOSTO 76

REFORÇAR O MOVIMENTO POPULAR E ALCANÇAR NOVAS VITÓRIAS
I — Novas Perspectivas para o Movimento Popular
A análise das eleições presidenciais reflecte uma correlação de forças inteiramente nova no Distrito de Braga e aponta-nos novas perspectivas políticas para o movimento popular e para a unidade de todo o nosso povo.
A primeira conclusão que se pode tirar é que o movimento de unidade popular gerado em torno da candidatura do general Otelo alcançou uma significativa vitória ao passar de 2,2% dos votos para 8% no Distrito de Braga.
Esta vitória é tanto mais importante pois foi alcançada nos concelhos industriais como Braga, Guimarães, Fafe e Famalicão, isto é, onde a classe operária é mais numerosa. Além disso esta vitória foi alcançada nos concelhos e freguesias onde os comunistas e os revolucionários desenvolveram trabalho.

A segunda conclusão é a grande votação em Pinheiro de Azevedo, que atingiu os 19%, mostrando o desejo de grandes massas em não ver na Presidência um candidato do fascismo, da direita, da CIP e da CAP, um candidato do 25 de Novembro.
Foi por se ter apresentado como um homem do 25 de Abril, contra Spínola e contra Eanes, foi por se ter apresentado como um antifascista que Pinheiro de Azevedo conseguiu esse apoio.
A terceira conclusão a tirar é a grande derrota do PS no Distrito de Braga. O PS que aqui na região recebe o seu apoio eleitoral principalmente da classe operária e dos trabalhadores, perdeu cerca de 70% do seu eleitorado, sobretudo nos concelhos industriais como Famalicão onde essa perda atingiu os 75%.
Isto mostra que os trabalhadores socialistas da nossa Região não se deixaram manobrar pelo aldrabão Soares e começaram a perceber que o socialismo e o antifascismo deste não são nada consequentes e que Eanes não tinha nada a ver com o 25 do Abril e com o socialismo e estava comprometido cora o 25 de Novembro até ao pescoço e portanto apoiaram a candidatura de Pinheiro de Azevedo e de Otelo.
A quarta conclusão é que o grupelho do Dr. Cunhal entrou na desagregação total no Distrito de Braga. Dos 22.335 votos (6,6%) para a Assembleia Constituinte em 1975 (incluindo os votos do seu apêndice MDP), passaram para 13,744 (4,1%) na Assembleia da República, caindo em 8.550 (2,7%) nas eleições presidenciais com o seu triste candidato Pato. Estes resultados são esclarecedores sobre o desprezo que cada vez mais as massas votam ao grupo burguês cunhalista.
A manobra divisionista de Pato foi compreendida pela grande maioria dos eleitores, simpatizantes e mesmo de muitos militantes do grupo cunha­lista, que na totalidade dos concelhos do Distrito viram na candidatura de Otelo, a candidatura de unidade popular e lhe deram o seu apoio.
Em Fafe, por exemplo, foi uma autêntica debandada, não só devido à manobra divisionista mas também devido à traição do controleiro revisionista aquando do ataque à sede em 1975. Na freguesia de Fafe o grupo de Cunhal passou de 478 votos (9,1%) para a Assembleia da República, para a ridicularia de 25 votos (0,5%), enquanto o candidato de unidade popular alcançava os 14%, isto é, 800 votos.
A derrota do grupelho do Dr. Cunhal, como aponta o nosso Comité Central, é sinal do apodrecimento contra-revolucionário a que chegaram esses políticos burgueses, após tão longa sucessão de traições à classe operária e ao povo.
A quinta conclusão é que os partidos fascistas recuam na nossa Região e que o seu candidato Eanes não conseguiu obter o apoio maciço dos eleitores apesar de todas as chantagens dos homens da CAP e dos caciques locais para obrigar muitos camponeses a votarem nele.
Os partidos fascistas que entre as eleições para a Assembleia Constituinte e para a Assembleia da República viram fugir-lhes parte dos seus eleitores, verificam agora que mais de 43% dos eleitores recusaram Eanes e que cerca de 80.000 foram para posições declaradamente anti-fascistas ao votarem em Pinheiro de Azevedo e em Otelo.
Este recuo dos fascistas mostra que, apesar do veneno que durante anos e anos eles lançaram no seio do povo, as massas trabalhadoras da nossa região não têm compromissos com eles. Este recuo mostra ainda que é possível arrancar cada vez maiores sectores das massas às garras dos fascistas e trazê-las para o campo popular.
A sexta conclusão é o desaparecimento do MDP/CDE como estrutura eleitoral no Distrito de Braga. O MDP/CDE que tinha tradições antifas­cistas foi utilizado pelo grupo do Dr. Cunhal segundo as suas conveniências após o 25 de Abril. Como lhe convinha arranjar mais alguns votos nas eleições para a Assembleia da República o grupo cunhalista, que domina a direcção do MDP/CDE, resolveu que este partido não se devia candidatar e devia apelar para o voto no grupelho do Dr. Cunhal. Mas a manobra saiu-lhe furada pois os eleitores do MDP/CDE votaram no PS. Nas eleições presidenciais apelaram para o voto na esfarrapada «maioria de esquerda», mas os eleitores votaram Otelo.
Assim podemos verificar que a estrutura eleitoral do MDP/CDE se desintegrou completamente, o que constitui um sério aviso para os cunhalistas.
A sétima conclusão a tirar das eleições é que existe uma nova correlação de forças na nossa região, mais favorável ao campo popular revolucionário.
O recuo dos fascistas, a derrota espectacular do PS, a desagregação total em que entrou o grupo do Dr. Cunhal e o desaparecimento completo do MDP/CDE, mostram claramente que o campo popular revolucionário reforçou-se bastante e que, apesar dos desejos dos chefes burgueses reaccionários, de Amaral a Cunhal, a revolução não chegou ao fim.
As dezenas de milhares de trabalhadores que votaram em Pinheiro de Azevedo e em Otelo, mostraram claramente que não querem voltar à noite negra do fascismo e que não querem ser eles a pagarem a crise que os capitalistas provocaram.
A oitava conclusão que podemos tirar da batalha eleitoral é que grandes perspectivas se abrem ao movimento popular.
Como mostram as lutas da Sampaio Ferreira, de Riba d’Ave ou da Ramoa, de Braga, a hora não é de ficar de braços cruzados mas sim de lutar e os operários e outros trabalhadores não estão dispostos a serem despedidos a belo prazer dos patrões ou a que estes lhes roubem os seus direitos.
Cada vez maiores sectores do povo começam a ver que não é o regresso ao fascismo e à miséria que serve os seus interesses, nem tão pouco o esfarrapado «governo da maioria de esquerda», mas sim um governo em quem tenham confiança com um programa revolucionário do 25 de Abril, do povo.
A última conclusão é que o PCP(R) começou a afirmar-se como autêntica vanguarda marxista-leninista do proletariado no Distrito de Braga.
Muitos são os sinceros revolucionários que andavam enganados pelo grupelho cunhalista que começam a ver no nosso Partido o verdadeiro Partido da classe operária.
Muitos são os socialistas que começam a ver o encano em que andavam metidos e a olhar para o PCP(R) e para a UDP como autênticas forças antifascistas e revolucionárias.
Os militantes comunistas, actuando em conjunto com os activistas da UDP e colaborando com outras forças políticas, mostraram que o PCP(R) é uma força indispensável ao avanço consequente do movi­mento revolucionário.
XXX
Após o balanço das eleições, o Comité Regional «Maria da Fonte» saúda o nosso Comité Central, pela clarividência política que mostrou ao traçar uma alternativa revolucionária para as eleições presidenciais e pelas resoluções da 6.ª Reunião Plenária (Ampliada) que nos dão uma justa orientação de luta.

II — A Táctica do PCP(R) na Região para levar à Vitória a alternativa Popular, Antifascista e Revolucionária.
1. O GOVERNO PS É UM GOVERNO DE SALVAÇÃO DO CAPITALISMO
Os trabalhadores da nossa região começam a compreender a quem serve este governo PS. Mesmo muitos socialistas que ainda tinham ilusões sobre a cúpula do PS, vêem hoje que afinal o Dr. Soares não serve os interesses dos trabalhadores.
Foi a vergonhosa libertação dos Pides, foi o regresso, em liberdade plena, do criminoso Spínola, enquanto os militares patriotas do 25 de Abril con­tinuam sob liberdade condicional. Há quem possa julgar que a prisão de alguns terroristas é uma medida altamente antifascista. Mas não nos deve­mos enganar; foram presos alguns apenas, enquan­to muitos dos responsáveis continuam à solta. Basta ver que prenderam o «Corrécio» mas o seu patrão o Fernando «Cigano» continua à solta.
As primeiras medidas do governo PS mostram que ele é um governo de salvação do capitalismo. Pela boca do triste Manuel Alegre ouvimos há dias na televisão que o governo decidiu que os patrões podem despedir à vontade qualquer trabalhador. No dia seguinte, em Braga, o patrão da Ramoa decidiu levar à prática o programa do governo e mandou fechar a fábrica, para impedir um trabalhador de ir trabalhar, pois há muito que o queria despedir. O Governo PS decidiu que um patrão pode fechar a fábrica e pôr na rua os trabalhadores e logo a seguir o patrão da Tapex de Guimarães pôs em prática o programa do governo pondo na miséria e no desemprego 40 trabalhadores.
Mas a procissão ainda vai no adro. Sá Carneiro do PPD já disse que não bastava, que eram preciso muito mais medidas de austeridade. E o governo vai cumprir. Mintas outras medidas de austeridade para os pobres vão ser promulgadas e também muitas facilidades para os ricos, para a burguesia.
No entanto, os trabalhadores têm-se mostrado dispostos a lutar contra todas as medidas anti-populares do governo e pela defesa dos seus interesses.
O Comité Regional «Maria da Fonte» apela a todos os militantes e a todos os organismos da nossa região para apresentarem às massas todos os dias e a cada medida concreta deste Governo, a alternativa dos comunistas, não hostilizando os verdadeiros socialistas enganados pela cúpula burguesa do PS, antes pelo contrário, procurando sempre a unidade, na luta, com todos eles.
2. ALARGAR A FRENTE POPULAR
Se olharmos para os resultados eleitorais, verificamos que é possível alargar bastante a Frente Popular. É preciso pois chamar às suas fileiras todos aqueles que votaram em Otelo, todos aqueles que escolheram um programa do 25 de Abril do Povo.
Na nossa região é também muito importante chamar às fileiras da Frente Popular as dezenas de milhares de trabalhadores que votaram em Pinheiro de Azevedo devido às suas declarações antifascistas, pois esses trabalhadores não tendo ainda uma orientação revolucionária não querem de maneira nenhuma voltar ao 24 de Abril — à noite negra do fascismo. Ao contrário do que disse o Dr. Mário Soares esses trabalhadores não são reaccionários de direita, mas sim, pelo contrário, socialistas que viram a traição da cúpula do PS.
Devemos ainda mostrar aos trabalhadores que votaram em Eanes, que afinal a tão apregoada «liberdade em segurança» é apenas a liberdade e a segurança para Spínola, para os pides, fascistas, terroristas e incendiários, e que esses trabalhadores devem também vir engrossar as fileiras da grande Frente Popular.
3. LEVAR O GRUPELHO DO DR. CUNHAL À DESAGREGAÇÃO TOTAL NA REGIÃO
No Distrito de Braga o cunhalismo não passa de um grupelho e a bem dizer nunca foi um grande partido.
Hoje, ao grupo de Cunhal e Pato, só resta uma estrutura sindical bastante debilitada, sem apoio de massas, que ao primeiro choque sério com os operários de vanguarda rebentará. O grupo de Cunhal e Pato tem poucas células activas de fábrica, mantendo apenas um controle de algumas direcções sindicais. Perdendo o controle que mantém nos têxteis e nos metalúrgicos, a desagregação desse grupo revisionista será completa.
As bases do grupo cunhalista fogem cada vez mais ao seu controle e buscam muitas vezes o verdadeiro Partido Comunista — o PCP(R)
Mas, ao desagregar-se, o grupelho cunhalista é capaz de recorrer a tudo: à calúnia, à mentira e até à provocação. Tal já começa a verificar-se no Distrito de Braga. Assim, ainda no mês de Agosto, constatando a crescente agitação e propaganda do nosso Partido e a sua aceitação pelas massas operárias em Riba d’Ave, o cacique local do grupo cunha­lista faz sair um comunicado onde as mais sujas calúnias são dirigidas ao PCP(R)e à UDP, fazendo-o publicar no «Diário» e no «Diário de Lisboa» mas que, coisa curiosa, não distribuíram, às massas em Riba d’Ave.
O Comité Regional «Maria da Fonte» apela a todos os comunistas e simpatizantes do comunismo que ainda se deixam arrastar pelo grupo cunhalista, para que venham juntar-se à Frente Popular, aos GDUPs, como já têm feito muitos outros, trabalhando assim para a Unidade Popular que o povo necessita e exige, e para que cortem de vez com o revisionismo cunhalista e venham juntar-se ao PCP(R), o verdadeiro Partido Comunista, continuador fiel do velho Partido de Alex, Militão, Gregório e Bento Gonçalves.
4. LEVAR MAIS ADIANTE AS ACÇÕES DE MASSAS
É fácil verificar que as massas populares não estão dispostas a pagarem a crise actual que é da culpa unicamente dos patrões e têm desencadeado lutas para defender os seus interesses. Mas não se ficam só por aí e começam a tomar claramente posição por uma alternativa revolucionária como o mostram as recentes eleições presidenciais.
Nestas circunstâncias põem-se claramente três alternativas perante todos nós comunistas: 1) ou olhamos para o movimento popular e dizemos como alguns que isso não bem assim, seguindo na cauda do movimento; 2) ou acompanhamos o movimento como espectadores; 3) ou nos pomos decididamente e com audácia à cabeça desse movimento, tomando as nossas responsabilidades de comunistas, dando-lhes perspectivas e levando mais adiante as acções de massas, passando à ofensiva.
Um autêntico comunista só pode considerar como válida a 3.a alternativa.
Para quem tenha dúvida que as massas procuram orientação para levar mais adiante as suas acções, pode-se mostrar o exemplo da recente luta na Sampaio Ferreira, de Riba d’Ave. Tendo o patronato recusado pagar o subsídio de férias, alegando não ter dinheiro, as centenas de operários decidem fazer greve imediatamente. O patronato acaba por ceder em parte, pagando metade do subsídio e deixando a outra metade para depois das férias. Poucas horas depois de terminada a greve o nosso Partido saiu com um comunicado onde desmascara a entidade patronal por ela, mesmo antes da greve, já ter pago o subsídio completo aos afinadores e encarregados, quer dizer, aos seus lacaios, o que provava que tinha dinheiro. Esse comunicado provocou uma onda de revolta entre os operários que viram que tinham sido enganados pelo patronato e os seus lacaios e pelos conciliadores revisionistas. Se o comunicado tivesse saído durante a greve teria dado armas aos operários para levarem mais adiante a sua acção, não cedendo nem um passo, o que prova que os comunistas só podem escolher a 3.a alternativa.
Mas este é apenas um exemplo. Outros se poderiam dar. Não vão, porém, faltar as ocasiões para os comunistas se porem à frente das acções de massas, dando-lhe um carácter ofensivo.
5. O FASCISMO PERDE TERRENO.
PASSEMOS À OFENSIVA
Como vimos os partidos fascistas perdem terreno e cada vez enganam menos as massas trabalhadoras, pois estas começam a compreender o que são os caciques fascistas.
«As aparências iludem», diz o povo e com razão. Nós comunistas, não devemos de modo algum fiar-nos nas aparências. Aparentemente os fascistas estão muito fortes na nossa região porque cada vez estão mais arrogantes. Mas a arrogância não quer dizer força. A análise objectiva da evolução dos resultados eleitorais desde as primeiras eleições em 1975 mostram-nos que os fascistas perdem apoio das massas.
Nas cidades e nas vilas, mas sobretudo nos campos, os comunistas não devem dar tréguas aos fascistas, levando o povo a responder taco a taco às investidas fascistas e a passar à ofensiva sempre que haja condições para isso.~

XXX                   

O Comité Regional «Maria da Fonte» determina, perante a situação presente, que todos os membros e células da região devem ser um exemplo de abnegação na luta pela causa do povo, em todas as acções de massas contra o capitalismo e contra o fascismo e levando as massas a passarem à ofensiva. Estamos numa altura de esfarrapar a camisa e não de ficar perante a situação presente, que todos os membros pacientemente de pantufas em casa esperando que a revolução chegue.

III — Os Ricos que paguem a Crise.
Tarefas imedatas do PCP(R) na Região
1. FORTALECER OS GDUPs
— FRENTE POPULAR DE MASSAS
Os GDUPs são uma criação das massas trabalhadoras. É uma Frente Popular que uniu à sua volta centenas de milhares de trabalhadores de todas as tendências. Não compreender esta realidade é não compreender a análise da situação concreta.
Há quem diga, poucos, que os GDUPs não se conseguem ligar às massas. Os que dizem isso, decerto nunca se conseguirão ligar às massas. Onde há massas trabalhadoras existem sempre problemas para resolver. Nas fábricas são os ritmos de trabalho, as condições de trabalho, as condições de higiene, a cantina, são ainda os Contratos Colectivos, o 13.° mês, etc. Nos campos são as condições de habitação, a luz, a água, as estradas, a renda que os caseiros têm, de pagar, as jornas dos jornaleiros e os seus horários de trabalho, são os preços que os agricultores pagam pelos produtos que precisam tais como adubos, máquinas, sementes, etc. e ainda os preços míseros por que lhes compram a sua produção. Se há problemas das massas para resolver então abre-se um campo de actuação vastíssimo aos GDUPs. Se certos GDUPs não estão ligados às massas é porque muitas vezes os comunistas que aí trabalham em unidade com outros trabalhadores não souberam agitar os problemas mais sentidos pelas massas, muitas vezes até por os desconhecerem.
É nossa opinião que não só é possível consolidar os GDUPs já existentes virando-os para as acções de massas na resolução dos seus problemas, como também é possível criar centenas de novos GDUPs na nossa região.
Existem dezenas de freguesias em todos os concelhos do Distrito de Braga onde o candidato de Unidade Popular conseguiu resultados de mais de 10% e mesmo muitas de mais de 20%, de longe superiores à média do Distrito. Na maioria dessas freguesias não existem GDUPs. Ora à partida existe de facto uma corrente popular de simpatia pelos GDUPs nessas freguesias e portanto uma possibilidade real e concreta de formar novos GDUPs, ligados às massas, tratando dos seus problemas. Em Barcelos basta olhar para Arcozelo, Barcelinhos, Rio Covo, S. Martinho e S. Pedro onde se obteve mais de 20%. Em Braga, além de Adaúfe, vemos Crespos (26%), Santa Lucrécia, etc. Em Guimarães, além de S. Tiago de Candoso (33%), pode-se citar Gondar, Mascotelos e muitas outras. Em Famalicão, além de Santa Eulália (38%), pode-se citar Bairro, Carreira, Delães, Lousado, etc., todas com mais de 20%. E assim por diante.
Existem ainda dezenas de freguesias no Distrito onde o candidato reaccionário Eanes foi derrotado, tal como Moreira de Cónegos, Pencelo, Novas, Ruivães, etc.
E nas fábricas pode-se contar às dezenas onde se conseguiram centenas de assinaturas de apoio à candidatura de Otelo.
Hoje as nossas tarefas são-nos impostas pelas necessidades do movimento de massas que aspiram à unidade, e não pelo que gostariam alguns que fossem as nossas tarefas. Não podemos virar a cara, a elas.
O Comité Regional «Maria da Fonte» determina que todos os militantes e organismos devem encarar a tarefa de levantamento e reforço da Frente Popular, isto é, dos GDUPs, como a tarefa principal, neste momento. Ninguém deve olhar para os GDUPs como mais uma tarefa entre tantas outras, mas sim como aquela de cuja resolução depende o futuro do movimento de massas.
O Comité Regional «Maria da Fonte» determina ainda a todos os militantes e organismos que devem ser os mais incensáveis servidores do povo no trabalho dos GDUPs, sem sectarismo, realizando na base uma política de ampla unidade com todos os trabalhadores que estão nos GDUPs, sejam de que tendência for, tendo sempre em conta que se trata de unidade dos trabalhadores para a luta de massas.
O Comité Regional «Maria da Fonte» apela a todos os trabalhadores da nossa região, que deixem para trás as querelas que os dividem e se unam fortemente para a defesa dos seus interesses e conquistas na única estrutura de unidade popular que existe no nosso país — os GDUPs.
2. UNIDADE DA CLASSE OPERÁRIA
No Distrito de Braga, vão-se realizar eleições sindicais em vários sectores, nomeadamente nos têxteis. Nesse sentido, nós comunistas devemos promover listas de unidade com outros trabalhadores para a conquista desses sindicatos para o campo popular e revolucionário.
Não tenhamos ilusões! Os sindicatos nas mãos dos revisionistas do Dr. Cunhal ou nas mãos do Dr. Soares e da direita, só servem a burguesia exploradora e nunca a unidade e os interesses dos trabalhadores. A prova foi-nos dada ainda há bem poucos dias aquando da greve da Sampaio Ferreira. A Direcção do Sindicato Têxtil de Delães não deu um passo para dirigir ou sequer apoiar os trabalhadores. Nem um simples comunicado fez sair. Só depois dos operários já terem entrado de férias é que a actual Direcção mandou uma notícia para o «Diário» revisionista, onde se dava ao luxo de dar lições aos operários da Sampaio Ferreira. E muitos outros exemplos haveria para dar.
Como já foi dito, na nossa região os revisio­nistas do Dr. Cunhal só têm, em geral, algumas Direcções Sindicais. Mas falta-lhes base de apoio. São direcções suspensas no ar.
Lutar para que o Congresso Sindical consagre a unicidade sindical, grande conquista dos trabalha­dores, conquistar as direcções sindicais que estão nas mãos da burguesia e dos seus agentes revisio­nistas, impulsionar as lutas reivindicativas, lutar pelo direito ao trabalho e contra o desemprego, não recuar nem um passo na defesa do direito à greve, lançar uma campanha de sindicalização de todos os trabalhadores, tais são as nossas tarefas na frente sindical na nossa Região.
3. ORGANIZAR PARA A LUTA OS CASEIROS, JORNALEIROS E AGRICULTORES
Há muito que se fala em aliança operário-camponesa. É tempo de ultrapassarmos a época de só falarmos nas coisas.
Muitos camaradas só vêem dificuldades, só vêem espinhos. Não querem ver a realidade. A realidade é que é fácil ligarmo-nos aos camponeses, se quisermos. Basta saber quais são as suas dificuldades e ajudarmos a resolvê-las; basta conhecer quais são os seus interesses e ajudar a que eles se organizem na luta por eles. Ainda há pouco tempo, camponeses duma freguesia de Fafe diziam que se queriam organizar numa comissão própria. No concelho de Guimarães diziam outros camponeses que precisavam de um Sindicato que defendesse os seus interesses. Em vez de se andar a dizer que há muitas dificuldades de ligação aos camponeses teria sido melhor ir ajudar os camponeses de Fafe, de Guimarães e dos outros concelhos a organizarem-se para a luta pelos seus interesses.
A primeira tarefa dos militantes e organismos ligados ao campo deve ser a de conhecer a situação concreta, realizando inquéritos para saberem das dificuldades e reivindicações camponeses. A segunda tarefa é de ajudar os camponeses a organizarem-se seja em Sindicatos de Jornaleiros, seja em associações de agricultores e rendeiros, cooperativas, missões de melhoramentos, é ainda ir desenvolvendo trabalho nas associações já existentes. A terceira tarefa é agitar os problemas mais sentidos pelos camponeses e chamá-los, à luta. A quarta tarefa é levar mais adiante a luta dos camponeses pela aplicação da lei do arrendamento rural, pela baixa dos adubos, sementes, máquinas, etc., na luta pela elevação dos preços de venda da sua produção, contra os intermediários parasitas, na luta contra as taxas, impostos, multas, por água, luz, estradas, postos médicos, escolas e melhor habitação. A quinta tarefa é formar grupos de trabalho para ir ajudar os camponeses nas vindimas e nas colheitas.
4. PROMOVER ACÇÕES DE MASSAS DAS MULHERES CONTRA A CARESTIA E OS AUMENTOS E ORGANIZAR OS JOVENS
Mais de 50% do proletariado e do campesinato da nossa região é constituído por mulheres. No sector têxtil elas representam cerca de 70% do total. As mulheres são uma forca de poder incalculável na nossa região. Habituadas à vida dura dos campos e das fábricas, e à opressão diária, não têm nada a perder a não ser as correntes que as amarram.
Muitas vezes são as mais destacadas nas lutas e as mais firmes defensoras dos interesses do povo pobre. Mas no entanto, na nossa região não havia praticamente mulheres trabalhadoras no Partido até há cerca de um mês, devido à concepções erradas de muitos camaradas.
Algumas medidas já foram tomadas para dar às mulheres o lugar que elas merecem no nosso Partido. No entanto não é suficiente ainda. É pois tarefa dos militantes e dos organismos da nossa região trazer rapidamente ao PCP(R) as melhores filhas do nosso povo, as mais dedicadas, as mais combativas. Nada de preconceitos em relação ao baixo nível político das mulheres. Uma vez no Partido elas aprenderão mais e mais depressa que muitos de nós.
Além disso elas serão as impulsionadoras da UMAR, nas acções de massas das mulheres contra a carestia e os aumentos.
Temos ainda pela frente um vasto campo de actuação que é a juventude.
Nesse sentido, cada célula do nosso Partido deve promover células de jovens comunistas que sejam centros da juventude comunista revolucionária que irão levantar a União da Juventude Comunista Revolucionária — UJCR.
5. A UNIDADE POPULAR PODE-SE FORTA­LECER NA CONQUISTA DAS AUTARQUIAS
É possível uma unidade ainda maior que a conseguida nas eleições presidenciais, na próxima campanha, para as autarquias locais. Aí, em cada freguesia, o povo verifica na prática que a divisão que os partidos burgueses querem promover não interessa ao povo. Aí o povo vê claramente que o seu interesse é a unidade popular, acima dos partidos burgueses. Aí o povo vê que são os GDUPs a organização de unidade popular, a única que pode servir os seus interesses de unidade e não de divisão. Para resolver os problemas de melhoramento de caminhos e estradas, de electrificação, de água. De esgotos, de cantinas, etc., não é a divisão entre partidos burgueses que interessa mas sim a unidade de todo o povo, isto qualquer trabalhador compreende.
Nas freguesias onde Eanes foi derrotado é possível, logo à partida, uma unidade que derrotará a direita. Mas mesmo naquelas onde se venceu é possível, se trabalharmos pára isso, unir o povo em tomo de programas de acções locais. Ainda nas freguesias onde Otelo obteve mais de 10% e 20% e naquelas onde Eanes teve menor, de 60%, podemos estar certos que existe uma onda de simpatia que se pode transformar em unidade popular.
Na nossa região os militantes e organismos do PCP(R) devem promover plenários do povo nas aldeias, lugares e freguesias para os programas de acções locais a realizar pelas juntas.
Na nossa região, é também importante combater o caciquismo local que quer amarrar os trabalhadores aos interesses dos senhores da terra, procurando sempre mostrar que os caciques só defendem os seus interesses e querem o povo dividido para continuarem a reinar.
6. A UDP DEVE ESTAR AO SERVIÇO DA FRENTE POPULAR DE MASSAS
Em muitas localidades da nossa região a UDP goza de uma simpatia merecida. Assim, como diz o nosso Comité Central, «o surgimento dos GDUPs e o  crescimento impetuoso da Frente Popular, não só não retiram razão de ser à UDP, como tornam mais necessária a sua acção de primeira linha como núcleo avançado da frente».
Os comunistas devem continuar como até aqui a dar à UDP o nosso apoio, trabalhando para fortalecer os núcleos já existentes e formar novos núcleos onde as condições o permitam.

IV — Forjar o PCP(R) como vanguarda de milhões
As vitórias que o nosso Partido alcançou devem-se fundamentalmente a 3 factores como aponta o nosso CC.
O primeiro foi a elaboração duma táctica justa e a apresentação duma alternativa popular de massas. O segundo foi o movimento de revolucionarização e proletarização que varreu do nosso Partido as ideias e práticas dos grupos e chamou aos postos de direcção do Partido os quadros operários mais firmes e dedicados. O terceiro foi a nova estrutura organizativa adoptada pela 4.a Reunião Plenária do CC que ao desdobrar os antigos comités regionais permitiu uma maior aproximação dos organismos dirigentes, das bases e das massas.
Também na nossa região foram esses factores que nos permitiram alcançar os êxitos que já alcançamos. Cabe-nos levar por diante esses êxitos:
1 — Aprofundando e concretizando a táctica do nosso Partido na região. O Comité Regional, os Comités de Zona e as células têm de saber como aplicar diariamente a táctica do Partido, partindo do conhecimento dos problemas do povo e da classe operária nas fábricas e nos campos. É necessário que rapidamente sejam elaborados programas locais de acção de massas.
2 — Prosseguindo a campanha de revolucionarização e de proletarizarão do Partido na região, arrancando as ervas daninhas que aparecem ainda nas nossas fileiras, chamando aos postos de direcção do Partido os quadros operários e camponeses que mais se destacarem e alargando as fileiras do Partido com novos quadros operários e camponeses surgidos nas lutas.
3 — Ligando cada vez mais as células aos problemas locais e estreitando cada vez mais a ligação dos organismos dirigentes com a base e as massas.
Só assim o nosso Partido desempenhará o seu papel de vanguarda.
A História não espera por nós! Para cumprir o papel histórico que nos cabe e levar a cabo as tarefas necessárias para que o PCP(R) se torne conhecido e reconhecido pela nossa classe operária e pelas amplas massas, se torne o seu guia e dirigente, se torne num partido de combatentes proletários incansáveis na preparação, desenvolvimento e direcção de acções de massas populares pelos seus direitos, temos pela frente 7 tarefas a cumprir neste momento:
1.a Alargar o PCP(R) na região, trazendo para já às nossas fileiras várias centenas de militantes de vanguarda, reconhecidos nos seus locais de trabalho e de habitação;
2.ª Formar células nas grandes fábricas da região onde ainda não existam, nomeadamente em certas fábricas metalúrgicas e nalgumas fábricas têxteis;
3.ª Colocar o PCP(R) à cabeça da luta do povo, agitando os problemas dos operários nas fábricas, dos camponeses nas aldeias, dos moradores nos bairros, defendendo os seus interesses. Para isso, uma das formas que cada célula deve adoptar, é elaborar comunicados simples, que tratem dos problemas do povo, sempre em cima dos acontecimentos e proponde as alternativas do PCP(R);
4.a Dar a conhecer ainda mais o nosso Partido, aumentando a venda militante do «Bandeira Vermelha», levando às massas com audácia as palavras de ordem e as posições do PCP(R);
5.a Promover reuniões pró-Partido com operários de vanguarda das grandes fábricas, onde seja dado a conhecer o que é o PCP(R) e quais são as suas posições;
6.a Transformar as células de grandes fábricas existentes em Comités de Empresa;
7.a Levar as posições do PCP(R) às amplas massas de caseiros, jornaleiros, pequenos e médios agricultores das Terras de Basto e de Bouro, de Barcelos a Vieira do Minho.
FORJEMOS O PCP(R) COMO VANGUARDA DE MILHÕES!

REVOLUCIONARIZAR PARA TRANSFORMAR
A reunião ampliada do Comité Regional «Maria da Fonte» depois de debate sobre a revolucionarização do Partido na nossa região, aprovou a seguinte resolução:
I — Quais as ervas daninhas que mais se manifestam na nossa região?
O debate que teve lugar e no qual intervieram quase duas dezenas de camaradas, na sua esmagadora maioria permitiu detectar duas grandes ervas daninhas: O LIBERALISMO E O PRATICISMO.
O LIBERALISMO
O  liberalismo manifesta-se nos seguintes aspectos:
1 — Não cumprimento de tarefas e dos prazos estabelecidos.
Com a maior das naturalidades, muitos camaradas desprezam as tarefas de que são responsabilizados, apresentando argumentos como «esqueceu-me» ou «não pude». O que estes camaradas esquecem de facto é que ao não cumprirem as tarefas do Partido e os seus prazos estão a favorecer a burguesia que o que quer é que os revolucionários façam o menos possível.
2 — Não cumprimento dos horários de reuniões, encontros, etc.
Muitos camaradas ainda se dão ao luxo de chegar tarde às reuniões quer do Partido, quer de massas mostrando uma total falta de respeito pelos seus camaradas e pelas massas. Esses camaradas não se dão conta que às vezes um atraso pode descobrir perante o inimigo uma célula inteira. Além disso, os comunistas devem ser os primeiros a dar o exemplo frente às massas dos hábitos proletários.
3 — Ausência de espírito de sacrifício e de amor ao Partido e às massas
Alguns camaradas não põem ainda os interesses do Partido à frente dos seus interesses pessoais. Por vezes parecem muito activos e dedicados mas quando se trata de alguma coisa que exige sacrifício, esqui­vam-se. Chegam até a invocar direitos, por exemplo «o direito de ir de férias depois de um ano de trabalho», segundo as palavras de alguns camaradas. Esses camaradas vêm o Partido como um patrão e não como a vanguarda combativa da classe operária.
4 — Desprego pelos fundos do Partido
De uma forma geral os camaradas apresentam um grande liberalismo nesta questão, não pagando as cotas em dia, desprezando oportunidades de arranjar dinheiro para o Partido, não pagando a imprensa a horas, etc. Camaradas, só os meninos burgueses desprezam a questão dos fundos, pois não lhes custa a ganhá-lo. Mas a classe operária, o povo trabalhador que luta diariamente para comer e dar de comer aos filhos sabe dar valor a esta questão. Os camaradas que não se preocupam com os fundos estão a infiltrar dentro do Partido a ideologia da burguesia e a prejudicar o Partido.
5 — Desprezo pelos planos de trabalho
Ainda muitos camaradas apresentam resistência e incompreensão à necessidade de planificar rigorosamente a nossa actividade. E quando se diz que trabalhar sem plano é uma forma de liberalismo, muitos camaradas gritam indignados: «O quê, liberal eu, que passo a vida a correr dum lado para o outro?» Esses camaradas não compreendem que o facto de não planificarem a sua actividade é não se preocupar com o que é principal para se cumprir determinado objectivo, quem e quando vai cumprir essa tarefa, em suma é não se preocupar com a própria concretização dos objectivos do Partido. E isto, o que é, senão puro liberalismo?
6 — Desprezo pela agitação e propaganda da linha do Partido no seio das massas
Ainda há muitos camaradas que à pala da clandestinidade e de que não devem revelar a sua condição de membro do Partido, não difundem o Bandeira Vermelha, nem as Resoluções e outros materiais de propaganda do Partido, não defendem a linha do Partido junto às massas, não recrutam e chegam ao ponto de em público não defenderem o Partido de calúnias ou de pactuar com o «apartidarismo» dos anti-partido. Esses camaradas empurram tudo para os legais e esquecem-se de que não é por estarem a trabalhar na UDP ou nos GDUPs que deixam de ser comunistas e os mais activos defensores da linha do Partido.
Isto é liberalismo e não apenas incompreensão das normas de clandestinidade, pois os mesmos camaradas que nestes casos tanto se preocupam com a clandestinidade são ao mesmo tempo os que mais facilmente entram em confidências de amigos sobre os assuntos do Partido, revelando segredos de organização e cometendo outros actos de grande liberalismo em relação à segurança do Partido.
Tudo isto são manifestações de liberalismo. Como diz o camarada Mao Tsé Tung:
«O liberalismo é extremamente prejudicial nas colectividades revolucionárias. É um corrosivo que mina a unidade, afrouxa a coesão, engendra a passividade e provoca dissenções. Priva as fileiras revolucionárias duma organização sólida e duma disciplina rigorosa, impede a aplicação íntegra da linha política e separa as organizações do Partido das massas populares colocadas sob a direcção dele.
É uma tendência extremamente perniciosa.
A origem do liberalismo está no egoísmo da pequena burguesia, que põe em primeiro lugar os seus interesses pessoais, relegando para segundo plano os interesses da Revolução. É dela que nasce o liberalismo ideológico, político e de organização».
O PRATICISMO
O praticismo manifesta-se na nossa região da seguinte maneira:
1 — Desprezo pelo estudo do Marxismo-Leninismo
Na nossa região existem numerosos quadros proletários com experiência de luta mas que ainda não perceberam bem a necessidade do estudo das obras do Marxismo-Leninismo e dos materiais do Partido como condição para se tornarem verdadeiros quadros dirigentes. Desprezam o estudo e dizem: a «teoria é para os teóricos» e não compreendem que a prática revolucionária tem de ser guiada pela teoria marxista-leninista.
É como um caminhante que não tendo nada que lhe indique o caminho, mete à direita, mete à esquerda e por vezes nunca chega ao fim do caminho, pois perde-se num atalho qualquer.
Foi o que aconteceu no velho PCP onde a maioria dos quadros proletários mergulhados num grande praticismo não foi capaz de compreender e de lutar contra a s teorias revisionistas que os srs. Álvaro Cunhal e outros foram infiltrando dentro do Partido e que acabou por o transformar num instrumento ao serviço da burguesia.
Ao contrário, um dos factores fundamentais que impediu o Partido Comunista da China e o Partido do Trabalho da Albânia de se afundar na lama do revisionismo foi terem-se colocado do ponto de vista dos princípios do Marxismo-Leninismo, foi terem permanecido fiéis até ao Marxismo-Leninismo.
2 — Desprezo pela «análise concreta da situação concreta»
Ligado à falta de estudo do Marxismo-Leninismo existe ainda em muitos camaradas a tendência para se lançar ao trabalho e a fazer coisas, sem estudar primeiro a situação, sem perspectivas, sem saber porquê, nem como se faz esta ou aquela tarefa.
O resultado na maioria dos casos é os trabalhos falharem e os camaradas desanimarem.
Temos que compreender que todas as tarefas por mais pequenas que sejam têm sempre um sentido e um objectivo determinado e que o êxito das tarefas dependa da sua adequação à realidade e também da clara assimilação por parte dos militantes das razões e objectivos do trabalho.
3 — O demissionismo
Os casos de demissionismo que se têm verificado na nossa região é exactamente o caso de camaradas que trabalhando sem se apoiarem numa análise objectiva da situação, sem perspectivas precisas e sem o apoio necessário dos organismos superiores acabam por desanimar por verem que as coisas não avançam e vêm tudo negro: o movimento de massas, o Partido, etc., chegando ao ponto de nalguns casos abandonar o trabalho.
4 — O Localismo
O localismo quer dizer dar mais importância ao seu sector de trabalho do que ao conjunto do Partido, por exemplo preocupar-se mais com a sua célula e com o seu trabalho de massas do que com o trabalho central do Partido. Há camaradas que são capazes de arranjar mais assinaturas e escrever mais artigos para o jornal do que para os órgãos centrais, que quando são chamados para o Comité de Zona ou Regional invocam mil e uma tarefas locais, inclusivamente o receio de se desligar das massas e esquecem que sem reforçar o centro, não há linha política, não há direcção, não há Partido.
O  praticismo localista que ainda se manifesta na nossa região é aquilo que nos fecha no nosso pequeno sector e nos faz perder a visão de conjunto do Partido e a saber pôr os interesses do Partido acima dos interesses de cada sector.
Como diz o camarada Mao Tsé Tung: «Um partido político que dirige um grande movimento revolucionário não pode conquistar a vitória sem dominar a teoria revolucionária, sem conhecer a História e sem compreender profundamente o movimento prático».
II — Como combater estas ervas daninhas?
O  Comité Regional decide tornar obrigatórias as seguintes medidas:
1 — Todas as células deverão fazer uma reunião para estudar a parte da Resolução da VI Reunião do CC relativa à Bolchevização do Partido, assim como esta Resolução e detectarem por meio da crítica e autocrítica franca e aberta às ervas daninhas e os erros que afectam a célula no seu conjunto e cada camarada em particular. Cada célula deverá fazer seguidamente uma pequena resolução com os resultados da reunião.
2 — Todas as células que ainda não o fizeram, deverão elaborar um plano de trabalho na base da Resolução sobre a táctica do Comité Regional. Este plano deve abarcar todos os sectores de trabalho, desde o GDUPs até ao trabalho sindical e recrutamentos e deve trazer além disso um plano de acções de massas (manifestações, greves...). O plano tem que incluir obrigatoriamente prazos definidos e responsabilidades individuais.
3 — No fim do prazo do plano estabelecido será feito um balanço por cada célula ao trabalho realizado com o fim de detectar os erros cometidos, corrigi-los e avançar enriquecidos com a experiência anterior.
4 — A leitura e discussão colectiva do editorial do Bandeira Vermelha é obrigatória em cada reunião semanal de célula.
5 — Será fornecido a cada célula um plano de estudo que neste momento está a ser elaborado pelo Comité Regional.
Camaradas,
Como disse um camarada operário da célula de fábrica Catarina Eufémia, na reunião ampliada do Comité Regional:
«É preciso que todos os camaradas cumpram as tarefas que lhes são atribuídas e cumpram os horários das reuniões.
É preciso que discutam em colectivo o plano de trabalho para apresentar às massas, como vão aplicá-lo e para quando.
É obrigação de todos os camaradas vender o Bandeira Vermelha e não só dos legais.
Os organismos superiores devem descer às bases fazendo com que os camaradas não caiam no desânimo e assim dar-lhes mais confiança.
Todos os camaradas devem pôr o Partido acima da sua vida pessoal nunca trocar uma reunião por uma saída pessoal.
É preciso que as células se virem para as massas e não como tem sucedido de só se fazer agitação nos cafés, que é geralmente onde está a burguesia. É preciso que o Partido se abra às massas, nunca ter receio de recrutar aqueles camaradas que se destacam nas lutas. Só assim é que há possibilidades de o Partido se alargar e ser reconhecido pelas massas.
Só depois destas tarefas cumpridas conseguiremos de uma vez para sempre acabar com as ervas daninhas que afectam o nosso Partido».

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