segunda-feira, 8 de agosto de 2016

1976-08-00 - DEFENDER A REFORMA AGRÁRIA GRANDE CONQUISTA DO POVO PORTUGUÊS E AVANÇAR PARA NOVAS VITÓRIAS - PCP(R)

DEFENDER A REFORMA AGRÁRIA GRANDE CONQUISTA DO POVO PORTUGUÊS E AVANÇAR PARA NOVAS VITÓRIAS

MANIFESTO DO ACTIVO DE ASSALARIADOS RURAIS, DO PCP(R), APROVADO PELA COMISSÃO POLÍTICA DO COMITÉ CENTRAL

AOS ASSALARIADOS RURAIS!
AO POVO POBRE DO ALENTEJO
Realizou-se o ACTIVO DE ASSALARIADOS RURAIS do PCP(R) que, com grande vigor revolucionário discutiu a situação da Reforma Agrária e as tarefas que hoje se colocam para a sua defesa e avanço.
Os militantes comunistas assalariados rurais presentes nesta reunião saúdam todos os assalariados rurais, vanguarda da luta do povo pobre dos campos de Portugal, que grandes provas de abnegação e sacrifício têm dado na heróica luta contra os parasitas latifundiários.
Saúdam igualmente os pequenos e médios agricultores, rendeiros e seareiros, que continuam a viver explorados, sem qualquer apoio e medidas do governo a seu favor.
Saúdam em especial todas as cooperativas agrícolas e unidades colectivas de produção, grande conquista do Povo Trabalhador contra o Poder fascista dos latifundiários.
Partindo da rica experiência de luta dos Proletários dos campos Alentejanos, o Activo de Assalariados Rurais do PCP(R) aponta a todos os trabalhadores rurais as bandeiras de luta que devemos erguer no caminho da defesa e avanço da Reforma Agrária.

1. QUE NEM UM PALMO DE TERRA SEJA ENTREGUE AOS PARASITAS LATIFUNDIÁRIOS
Ao mesmo tempo que os criminosos e assassinos da Pide são libertados, o nazi Spínola se passeia em ‘liberdade e segurança’, os fascistas parasitas latifundiários sentindo-se cada vez mais apoiados, aumentam as provocações sabotagens e ataques às Cooperativas e unidades colectivas de produção. Apoiando-se com unhas e dentes no pacto assinado pelos partidos burgueses de Carneiro, Soares e Cunhal, exigem agora que lhes sejam dadas as reservas dos 50.000 pontos e que haja desocupações.
O ACTIVO DE ASSALARIADOS RURAIS do PCP(R) chama todos os assalariados rurais à luta contra as desocupações. Não devolveremos um só palmo de terra, aos parasitas latifundiários. Sigamos o exemplo de firmeza revolucionária dos assalariados do Ciborro que nem perante as ameaças do fascista Vacas de Carvalho, nem perante a GNR fascista, recuaram, mantendo bem viva a bandeira de luta: o gado, as máquinas, a terra são de quem a trabalha.

2. LUTEMOS CONTRA AS MEDIDAS DO GOVERNO QUE QUER LEVAR AS COOPERATIVAS À RUÍNA
O Governo agora formado dito ‘socialista’ continua a impor que as cooperativas paguem impostos sobre impostos, como o 6,5% de juros sobre o crédito de emergência, o de 4% sobre o crédito para as máquinas, os escandalosos 17% da Previdência, para além de já andar a dizer que as cooperativas terão de pagar uma renda ao Estado. O Governo do dr. Soares procura assim pagar chorudas indemnizações aos latifundiários com o produto do trabalho e suor dos assalariados rurais. O ACTIVO DE ASSALARIADOS RURAIS do PCP(R) sabe que todos os trabalhadores dos campos alentejanos continuarão a luta contra estas medidas, não permitindo quaisquer indemnizações aqueles que sempre os exploraram.

3. QUE OS RICOS APERTEM O CINTO E NÃO OS QUE TRABALHAM OS CAMPOS.
LUTEMOS POR MELHORES SALÁRIOS E MELHORES CONDIÇÕES DE VIDA.
Um dos objectivos da Reforma Agrária é a melhoria das condições de vida dos assalariados rurais e do povo português. Nada mais justo do que aqueles que produzem o pão de cada dia do povo português vejam as suas condições de vida melhoradas.
O aumento de salários, o direito de férias iguais aos trabalhadores das cidades, o fim do desemprego, são aspirações e direitos daqueles que com o seu suor conseguiram a maior produção de sempre nos campos alentejanos.
O dr. Cunhal cumprindo o seu papel exige mais sacrifícios aos trabalhadores opondo-se aos aumentos salariais e melhores condições de vida, o dr. Soares vai entregando os 8.000$00 mensais aos parasitas latifundiários. O dr. Cunhal pede sacrifícios aos trabalhadores, o dr. Soares entrega-os aos fascistas.
O ACTIVO DE ASSALARIADOS RURAIS do PCP(R) levantando a bandeira das aspirações e direitos dos assalariados rurais apoia a justa luta por aumentos salariais e por férias iguais aos que trabalham nas cidades.
Na luta por melhores condições de vida, como em todas as outras, as direcções sindicais têm de servir os interesses dos trabalhadores agrícolas e respeitar a sua vontade revolucionária democraticamente expressa e não utilizar os trabalhadores para servirem os interesses dos partidos burgueses de directores sindicais.
Na luta contra o desemprego nos campos alentejanos, o Activo de Assalariados Rurais, aponta que a única via é avançar para novas ocupações de latifúndios ainda nas mãos dos latifundiários.

4. A UNIDADE DOS TRABALHADORES, CONDIÇÃO PARA A VITÓRIA
Os partidos burgueses têm cavado a divisão no seio dos trabalhadores. Uns opondo-se à maior democracia no seio das cooperativas e unidades colectivas de produção e opondo-se a novas ocupações provocam a divisão entre os trabalhadores empregados e os que estão no desemprego, entre os trabalhadores das cooperativas e os trabalhadores das herdades não ocupadas. Outros aproveitando-se de feitores roubam às cooperativas as terras mais ricas.
No 1º caso temos a política burguesa do dr. Cunhal, no segundo temos a política burguesa do dr. Soares. Têm uma coisa em comum: Dividir os trabalhadores para reinar, abrindo assim as portas aos fascistas.
O ACTIVO DE ASSALARIADOS RURAIS chama todos os trabalhadores do Alentejo à unidade, condição indispensável para a vitória sobre os parasitas dos latifundiários e todas as forcas fascistas.
A unidade dos trabalhadores forja-se lutando sempre pela maior democracia no seio das co­operativas e das unidades colectivas de produção e demitindo das direcções os caciques, sejam de que partido forem.
Os militantes comunistas presentes na reunião apelam ao espírito de luta e gloriosa tradição dos trabalhadores alentejanos para que unidos e organizados avancem para novas e maiores vitórias na Reforma Agrária, que só serão completamente possíveis com um governo que apoie as cooperativas, respeite a vontade dos assalariados rurais, ou seja um Governo do 25 de Abril do Povo.
O FASCISMO NÃO PASSARÁ!
A REFORMA AGRÁRIA AVANÇARÁ!

Agosto de 1976
O Activo de Assalariados Rurais do Partido Comunista Português (Reconstruído)

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