segunda-feira, 1 de agosto de 2016

1976-08-00 - Acção Directa Nº 06 - I Série - Corrente anarquista

o que pretende a «acção directa»

Já nos acusaram de não apresentarmos os meios para se realizar a Revolução Social. Dizem que nos falta um programa construtivo. Que temos umas análises muito interessantes, e até mesmo estimulantes, mas que não apresentamos “soluções práticas”.
Claro que aceitamos estas críticas. É evidente que admitimos que nas nossas páginas não se encontrem os remédios para curar os males de que a sociedade padece. Naturalmente o que muitos gostariam de encontrar eram programas, slogans, manifestos que oferecessem aos trabalhadores a solução da realização do "paraíso do trabalho”.
Recusamos fornecer tais unguentos, pois pensamos que para além de uma desonestidade da nossa parte — estamos perfeitamente conscientes de que ninguém tem a solução na manga — a fraqueza dos trabalhadores é também devido a que todo o partido, para ganhar popularidade e poder, lança um autêntico bombardeamento de slogans e reduz a luta dos explorados pela sua libertação a meros jogos de palavras, a lutas dentro do campo mitológico da política.
Os slogans políticos tornaram-se os medicamentos que darão saúde, habitação, liberdade, etc., etc. Vota PS e terás ensino gratuito... Poder Popular resolverá isto e aquilo... Só o governo do povo... Bom deixemo-nos da repetição do que todos nós sofremos diariamente. Mas o que todos pretendem é reformar o governo, lá introduzir os representantes dos trabalhadores, torná-lo revolucionário.
As soluções práticas destes partidos não significam mais de que os trabalhadores terem de fazer os maiores sacrifícios e perderem toda e qualquer liberdade para usufruírem o privilégio de verem os "seus" ministros sentados nos gabinetes.
Não, o que nós dizemos é que a destruição do capitalismo não é realizável através duma simples mudança de governo. Nós julgamos é que é fundamental que todos os explorados compreendam o seguinte:
1 - que a libertação dos trabalhadores tem que ser obra deles próprios;
2 - que só existem dominantes enquanto houver dominados;
3 - que a organização dos explorados tem que ser criada por eles próprios, de acordo com as necessidades concretas da luta, e na qual os indivíduos sejam livres, isto é não existindo entre eles a relação dominadores/dominados;
4 - que os governos são sempre instrumento de opressão e que os explorados devem aprender a viver sem eles;
5 - que os partidos querem o poder para seu próprio benefício — em proveito duma pequena minoria;
6 - que a libertação dos homens passa pela destruição de todas as for mas de poder.
De facto não pretendemos, com estas páginas, mais do que expressar as nossas ideias e criarmos uma forma de comunicação que nos permita relacionar, desenvolver e coordenar a nossa própria luta com a luta dos outros. Oprimidos.
Queremos que estas páginas reflictam a nossa luta concreta e não que nos transformem nos guias ou consultores teóricos da revolução. Exprimindo a nossa maneira de pensar e as formas de luta que utilizamos estamos apenas a fornecer armas críticas aos outros oprimidos e a apelar para a nossa união, com vista à destruição desta sociedade em que vivemos.
Queremos que a revista “Acção Directa” possa ser um meio de comunicação directa entre as pessoas, fora de qualquer didactismo ou de qualquer forma de manipulação.
Os meios, as formas concretas de realizar a revolução têm que ser encontradas pelos próprios indivíduos que se querem libertar e de acordo com a situação concreta em que estão inseridos.

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