segunda-feira, 15 de agosto de 2016

1976-07-00 - Juventude Nº 17 - U.J.C.

Namoro perigoso

Continuamos a dar passos importantes na institucionalização da vida democrática.
As forças de direita nem sempre se têm mostrado satisfeitas, mas os trabalhadores e a juventude continuam vigilantes e a desenvolver esforços para que a democracia triunfe e rasgue nos termos da Constituição, o caminho para o Socialismo
Depois da entrada em vigor da Constituição, da eleição de deputados à Assembleia da República, seguiu-se a eleição do Presidente da Republica, a nomeação do Primeiro-Ministro, a formação do Governo e a discussão do seu programa. Até ao fim do ano, irão ter lugar as eleições para as autarquias locais.
No desenvolvimento de todo este processo, a juventude. animada pela acção revolucionária das suas organizações avançadas, a UJC e a UEC, tem intervido de forma activa no amplo movimento popular de massas e, no caminho do futuro, muito mais há a esperar das suas energias combativas.
A recente formação do Governo, pela sua composição, apoios e programa arrasta dúvidas, e preocupações. Ao contrario do que seria de esperar, os companheiros socialistas, não tiveram em conta o sentimento de esquerda várias vezes expresso pelo nosso povo. Apesar de algumas afirmações de Mário Soares, que registamos e apoiamos, a tónica anticomunista e os compromissos declarados com a direita são dominantes e poderão, num futuro próximo, comprometer as conquistas que dizem irreversíveis, a estabilidade da democracia e o seu prosseguimento rumo ao socialismo.
O discurso do sr Primeiro-Ministro no final da discussão do Programa, carregado de demagogia e de afirmações de que não cedera à esquerda, a par da acentuação no acordo com os discursos dos responsáveis do PPD e CDS e do próprio elogio a Galvão de Melo, sem que tenha demarcado as suas posições como Secretario-Geral de um Partido, reflecte o avanço do namoro e os perigos do casamento.
A prisão de responsáveis das redes clandestinas terroristas, há largos meses denunciadas pelas forças democráticas, é uma medida corajosa que todos os antifascistas saúdam.
As investigações revelam já comprometimento do CDS e PPD com o mundo do terror. Continuá-las é uma necessidade que as autoridades terão de enfrentar, ainda que alguns responsáveis de partidos de direita tenham de vir para Caxias e ser julgados como terroristas.
A libertação de Spínola é ao contrário um exemplo da falta de coragem, de fuga às responsabilidades, tal como acontece com a recente libertação de responsáveis da PIDE.
A juventude portuguesa reclama justiça. A libertação de Spínola como a dos torcionários dessa odiosa polícia política é um incentivo à reacção, um insulto à nossa vida democrática que defenderemos custe o que custar.

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