segunda-feira, 15 de agosto de 2016

1971-08-15 - Semana Portuguesa Nº 14

EDITORIAL
O BRASIL EM QUE SEMPRE ACREDITAMOS

Sempre que nos tem sido dada a oportunidade, temos afirmado que dentro de bem pouco tempo o Brasil se tornaria uma grande potência e o que é mais importante, uma grande potência líder de ideais de justiça, igualdade e fraternidade.
Esta certeza veio-nos dos contactos que mantivemos e tomos mantido com o Povo Brasileiro. Quando trabalhamos na construção de uma estrada de ferro, chegavam-nos “amigos” de todos os cantos deste imenso Brasil, cuja única propriedade material, era uma de roupa suja e remendada, mas possuidores de uma inteligência que surpreendia. Eram encarregados de tarefas que só pessoas que na Europa precisavam especialização, as desempenhavam com uma mestria e com um desembaraço que nos deixavam boquiabertos.
Esta certeza veio-nos também dos contratos que temos mantido com as autoridades deste país, de maior responsabilidade nas coisas públicas e na vida da Nação. Nunca precisamos de cortejar o Exmo. Senhor continuo, o Exmo. Senhor porteiro, como precisávamos em nossa terra, e bastava termos motivo para empurrar as portas dos gabinetes para sermos atendidos. Atendidos com toda a grandeza de alma deste maravilhoso e extraordinário Povo.
Dissemos isto a um diplomata venezuelano e dissemos mais; o Brasil será o líder dos ideais ibéricos. A Sua Eminência o Senhor Cardeal Rossi, num encontro que mantivemos, dissemos-lhe isto e mais; que no Brasil teríamos um líder dos ideais ibéricos, que nos levaria aos ideais latinos. Num outro encontro com sua Eminência, para pedir seu apoio ao movimento que promovemos pela libertação do Bispo António, pediu-nos que repetíssemos o que lhe tínhamos dito anteriormente sobre o Brasil. Repetimo-lo nas mesmas palavras e Sua Eminência disse-nos “Suas palavras têm agora nova dimensão”.
Voltamos a encontrar-nos, agora para pedir apoio para a campanha que promovemos pela libertação de Manuel Serra e fomos obrigados a repetir de novo tudo o que já tínhamos dito por duas vezes.
Sua Eminência achava sempre nova dimensão em nossas palavras.
Durante nossa longa, movimentada e acidentada vida, temos lutado por um Portugal maior, mais humano, mais justo e mais fraternal e sobretudo democrático. Por um Portugal que por seus ideais se integrasse na fraternidade ibérica a caminho dos ideais latinos.
Acreditamos que um Portugal assim, será um natural aliado do Brasil, para que o Brasil possa ter o seu modelo de civilização, e que este modelo confirme as nossas esperanças.
Que nos perdoem os Exmos. Senhores Deputados Flávio Marcilio e Tourinho Dantas, mas para atingirmos estes ideais, não precisamos do colonialismo em nenhuma das suas formas. Não precisamos e até devemos repeli-lo veementemente, mesmo que o colonialismo seja humano e brando, como disse S. Exa. ser o colonialismo português.
O colonialismo à portuguesa ou de qualquer outra maneira, é como diz o Exmo Senhor Deputado Freitas Nobre, “o colonialismo é o mesmo”.

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