sexta-feira, 29 de julho de 2016

1976-07-29 - Luta Popular Nº 352 - MRPP

O CARRASCO ABÍLIO PIRES LIBERTADO

Como foi noticiado o carrasco Abílio Pires torcionário da PIDE foi libertado. Desta forma se continua a concretizar a política social-fascista de protecção aos pides, iniciada logo após o 25 de Abril. A responsabilidade principal pelo facto de nos dias posteriores ao 25 de Abril não se ter aplicado a justa palavra de ordem «os pides morrem na rua», é do P«C»P que os encerrou em autênticos hotéis para os salvar da ira do povo, e progressivamente, e conforme o tempo ia passando, os começou a libertar.
O objectivo principal do P«C»P era e é utilizar a PIDE e os seus agentes para montar uma nova pide social-fascista. Nesse sentido apontam todas as actividades do P«C»P na Comissão dita de extinção da Pide, no SDCI, etc., etc.
O PIDE agora libertado é um carrasco bem conhecido dos que passavam por Caxias. Durante os anos 60 ele foi o responsável pela repressão do movimento democrático estudantil e intelectual, e nomeadamente a partir do aparecimento do nosso Partido ele foi o carrasco dos marxistas-leninistas, torturador de dezenas de camaradas nossas que miseravelmente espancou e torturou ou mandou que o fizessem. Chefe da brigada Central de informação e do trabalho de bufaria em 1971 ordenou dezenas de prisões de quadros e simpatizantes do nosso Partido.
Mais tarde foi encarregado de coordenar a acção criminosa nas colónias, onde se tornou o carrasco-mor dos povos irmãos e — muito especialmente — onde actuou como subordinado — com vários destacados chefes militares cujas ordens cumpria no tocante a repressão e ao assassinato contra os patriotas que de armas em punho lutavam pela sua libertação. Nessa qualidade actuou sob as ordens de Spínola e Costa Gomes e vários outros ilustres e «revolucionários» oficiais do 25 de Abril e do PREC.
Depois de preso, a seguir ao 25 de Abril, foram múltiplas as tentativas da Junta de Spínola e Costa Gomes — então apontados pelo P«C»P como os responsáveis pela «revolução» — para o libertar. Com as costas quentes e dadas as pressões que eram feitas para o libertar vindas de «altas individualidades», Abílio Pires sempre se recusou a «falar» sobre as suas actividades declarando que isso iria comprometer «altas individualidades», que estas sabiam o que ele fazia porque eram os seus superiores e que nada dizia porque se Limitava «a cumprir ordens dos que agora estão no poder». Claro que a Comissão de Extinção controlada pelo P«C»P nada averiguou e limitou-se — quer sob o comando de social-fascistas quer de outras cliques reaccionárias — a ganhar tempo para lhe poder dar o justo prémio da sua actividade: soltar um dos piores carrascos do povo português e dos povos irmãos das colónias.
Tal facto revela antes de mais qual o verdadeiro carácter da Comissão dita de extinção da Pi­de, que na verdade nunca passou de outra coisa que uma arma nas mãos da classe dominante, quer do sector fascista quer dos social-fascistas, e que tinha o seguinte objectivo: soltar os pides, libertá-los e reorganizar a Pide contra o movimento operário contra o movimento popular e contra os marxistas-leninistas.
Mais um carrasco saiu a engrossar as fileiras daqueles que já em liberdade, e são a esmagadora maioria, preparam as suas forças para quer ao serviço de fascistas quer ao serviço de social-fascistas implantarem no nosso país uma nova ditadura, fascista ou social-fascista.
Que era esse o objectivo da Comissão de Extinção da Pide mostra-o o facto de actualmente se encontrarem presos... 22 pides, e que os principais criminosos e responsáveis da ditadura fascista se encontram em liberdade, soltos pela referida Comissão: César Moreira Baptista, Santos Júnior, Silva Cunha, Rapazote, etc...
A libertação de todos estes responsáveis da ditadura fascista é uma gravíssima medida antipopular e antioperária. o que a contra-revolução objectiva é preparar todas as suas forças, os seus chefes experimentados para mergulhar em sangue o nosso povo.
Quem é o responsável por tal facto acontecer?
É o P«C»P que os encobriu, que impediu que o povo fizesse justiça por suas próprias mãos, que espalhou todo o tipo de ilusões contra-revolucionárias. É a ele que se tem de assacar as responsabilidades neste momento até que a indignação e revolta ferve nos peitos dos explorados e oprimidos.
Também o Governo é responsável pela libertação destes assassinos. Desde o VI Governo Provisório de maioria PS até aos Governos controlados pelo P«C»P todos eles aplicaram essa mesma política.
O povo não pode depositar qualquer esperança na «justiça» da burguesia, que é exactamente a justiça dos policias, dos pides, que sempre as encobria, protegeu e cujas ordens sempre tão atenciosamente serviu. O povo só pode confiar na sua justiça organizada, que deve implacavelmente saber aplicar a fascistas e a social-fascistas, a novos e velhos pi­des. Certamente o povo o vai fazer.

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