sexta-feira, 29 de julho de 2016

1976-07-29 - Bandeira Vermelha Nº 028 - PCP(R)

EDITORIAL
Só temos compromissos com o povo

A posição do PCP(R) face ao governo agora constituído, decorre da nossa posição na luta de classes. Estamos com os trabalhadores e o povo, somos o destacamento organizado da classe operária, somos a sua vanguarda revolucionária. Só temos compromissos com o povo.
Nas condições actuais, o governo do dr. Soares representa a unidade frágil dos partidos burgueses e pretende levar a cabo uma política de salvação da burguesia procurando, para isso, refrear as lutas dos trabalhadores, subordinar o povo às exigências dos grandes capitalistas, e fazer aceitar a todos nós que fascistas e reaccionários gozem, impunemente, das liberdades de que nos privaram durante meio século.
As condições em que Ramalho Eanes foi eleito, na base de uma conjugação da forças burguesas com posições políticas diversas, reflectem-se no governo do dr. Soares. A sua política não pode, por este facto, deixar de ser marcada pelo equilibrismo, a vacilação, o compromisso e a cedência face às pressões da direita. Subordinar-se-á às imposições da Nato, não será capaz de levantar a voz contra as insolências, as chantagens e as exigências dos imperialistas norte-americanos e do seu embaixador, o sr. Carlucci. Permitirá, como já permitiu, que as ingerências de uns e outro, nas forças armadas e na política nacional, se façam ao ritmo que muito bem entenderem.
Defenderá a integração no Mercado Comum a pretexto da aproximação de Portugal com a Europa; mas, na realidade, é a cedência frente aos monopólios europeus que determina esta política.
Continuará, na esteira do 6.º governo provisório, a fazer vista grossa às actividades da extrema direita fascista e a recuar ante as suas exigências.
Procurará responder à crise política e económica da burguesia que representa, limitando as liberdades dos trabalhadores e atacando as suas conquistas fundamentais, facilitando a vida os ricos e fazendo apertar o cinto a quem trabalha. No programa do governo do dr. Soares serão os trabalhadores a custear a crise em que o imperialismo e os monopólios colocaram o país.
Decididamente, o povo não pode aceitar tal política e vai lutar contra ela. E o PCP(R) estará à frente do povo!
O governo do dr. Soares estará sujeito à pressão do movimento popular que exige uma vida melhor e uni país livre. Estará, por outro lado, pressionado por fascistas e revisionistas que procurarão, cada um a seu modo, fazer ceder o comprometido ministério PS.
A oposição que fascistas e revisionistas movem ao governo do dr. Soares não apresenta nenhuma alternativa válida para os trabalhadores. Quaisquer uns irão aplaudir ou patear as medidas do governo, de acordo com os interesses dos sectores burgueses que representam e não, em circunstância alguma, em função das necessidades dos trabalhadores e do povo.
Seguiremos o caminho de uma oposição popular e revolucionária, fundamentada na acção das massas, em absoluto contrária à «oposição» palavrosa dos grupos aventureiros que, com atitudes radicais, mascaram a sua incapacidade em ligar-se às massas trabalhadoras e isolam-se delas em vez de as conduzirem na luta.
O nosso Partido seguirá uma política de independência, de defesa das conquistas alcançadas e de obtenção de novas conquistas, de combate às cedências frente aos fascistas e às suas tentativas de golpe, de apoio e condução do protesto popular contra as medidas que façam os trabalhadores pagar a crise económica. Enfim, uma política que quebre as ilusões sobre as promessas da burguesia, que impeça a paralisação das massas e o abafa­mento das suas lutas. Nunca abandonaremos a luta em troca de falsas promessas de liberdade!

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo