quinta-feira, 28 de julho de 2016

1976-07-28 - folha CDS Nº 50 - CDS

folha CDS Nº 50
28.VII.76

“DESAFIAMOS OS OUTROS, NOMEADAMENTE O GOVERNO, a encontrar melhores ideias, melhores soluções e melhores métodos do que aqueles que apresentamos e viermos a desenvolver. Desafiamo-los sobretudo a descobrir uma doutrina tão rica de potencialidades, de energia criadora e de generosidade social como o personalismo cristão" - disse DIOGO FREITAS DO AMARAL no discurso que proferiu na sessão de encerramento do 2º Congresso do nosso Partido que no passado fim de semana decorreu em Lisboa e a meio de grande entusiasmo popular.
Fazendo notar que, ao longo destes dois anos a autoridade do CDS foi sempre aumentando porque as posições avançadas pelo nosso Partido eram, algum tempo depois, repetidas por outros Freitas do Amaral recordou: que o CDS foi o primeiro partido a chamar a atenção, já em 74 para a crise económica que estava próxima e que "aqueles que então nos chamavam por isso alarmistas se confessam hoje no Governo alarmados”; que "em Março de 75 opusemo-nos sozinhos a que no 1º Pacto MFA/Partidos figurasse uma cláusula impeditiva de remodelações ministeriais posteriores às eleições para a Constituinte, com base nos resultados destas” e que hoje os que então nos chamavam por isso eleitoralistas se mostram favoráveis a que o Governo seja formado pelo partido vencedor, que o CDS tinha sido o primeiro partido a propor a substituição de Vasco Gonçalves; que o CDS respondeu sozinho a Costa Gomes, no Verão de 75, que as dificuldades da revolução portuguesa não eram uma questão de ritmo mas de direcção; que só meses depois de o CDS o ter feito o deputado PS Sottomayor Cardia propôs a revisão do Pacto MFA/Partidos.
O presidente do CDS demonstrou claramente, por meio destes e doutros exemplos que o nosso Partido sempre andou à frente, muitas vezes sozinho, na defesa da liberdade, da democracia e do desenvolvimento económico do Povo Português.
"SOMOS MAIS CAPAZES do que os socialistas de gerir o sector público e nacionalizado foi outra afirmação de Freitas do Amaral, de cujo discurso citamos ainda: "Podemos orgulhar-nos da admiração, do respeito e da legitimidade democrática que adquirimos, principalmente aos olhos dos nossos adversários”.
No discurso de abertura do Congresso disse o presidente do Partido: “Queremos doravante implantar-nos mais fortemente nos meios sindicais (...)O CDS não faz à classe operária a injúria de a considerar hipotecada à visão marxista da Sociedade e do Estado"; “A revisão do Programa do CDS (...) não visa de modo nenhum alterar a natureza do nosso Partido. O CDS continuará a ser como sempre foi, não se transformará num partido de direita, visando a recuperação do capitalismo, nem se converterá num partido de esquerda, visando a defesa do colectivismo ou do capitalismo de Estado. Numa palavra o CDS continuará a ser um partido democrata cristão. Não será, portanto, em nenhum caso, nem um partido liberal, nem um partido socialista"; "Os partidos democratas cristãos europeus estão na primeira linha do empenhamento na construção tão rápida quanto possível duma Europa unida. O CDS compartilha com eles desse ideal."

II CONGRESSO
Lisboa, 23/24 de Julho
l. SECRETARIADO DA COMISSÃO POLÍTICA. É o órgão executivo permanente do Partido, reúne uma vez por semana, e passou a ser composto pelos elementos seguintes eleitos pelo Congresso: Freitas do Amaral, Amaro da Costa, Basílio Horta, Sá Machado, Emídio Pinheiro, Pedro de Vasconcelos, Luís Azevedo Coutinho (Porto), Mário Gaioso Henriques (Aveiro), José Lopes Porto, Anacoreta Correia José Ribeiro e Castro e Rui Oliveira.
2. COMISSÃO POLÍTICA, Passou a contar 54 membros, a reunir uma vez por mês e a ser eleita de dois em dois anos. Além do Secretariado da Comissão Política conta com 13 vogais (Adalberto Neiva de Oliveira, Alexandre Sousa Pinto, Antº João Moita, Armando de Oliveira, Aires Basto, João Picão Caldeira, João Korrodi, Lucas Pires, Luís Beiroco, Correia Leite, Maria José Sampaio (a mais votada de todos) Maria Laura Pinheiro e Walter Cudell. Da Comissão Política fazem ainda parte representantes de cada organização autónoma, das comissões distritais do partido, a direcção do Grupo Parlamentar e o director do "Democracia 76" e o responsável pelo Gabinete de Estudos.
3. GRUPO PARLAMENTAR. Reuniu no dia 22 para eleger a sua direcção que ficou assim constituída: presidente: Amaro da Costa; vice presidentes Rui Pena, Oliveira Dias, e Lucas Pires; vogais: Carlos Robalo, Henrique de Morais, Carvalho Cardoso, Narana Coissoró, Sá Machado será indicado pelo CDS para o cargo de vice presidenta da Assembleia da República.
4. ESTRANGEIROS NO CONGRESSO. Norman Damont, do Partido Conservador inglês foi o mais aplaudido. Esteve também no Congresso Dará - Antonioazi, vice presidente do Partido Popular Europeu e vice secretário geral da Democracia Crista Italiana, além de representantes de partidos personalistas de cinco países europeus. De Espanha veio um representante dos partidos de Gil Robles e de Ruiz Gimenez e da Bélgica um delegado do Partido Social Cristão, do primeiro ministro Tindemans. O presidente da UEDC enviou uma extensa mensagem de solidariedade ao presidente do CDS e a todos os congressistas.
5. REVISÃO DO PROGRAMA. O congresso adoptou a proposta de revisão do Programa do CDS apresentada por Freitas do Amaral com vista a valorizar as características populares do Partido, a reflectir o seu carácter interclassista e a adaptar-se ao princípio da progressiva integração de Portugal na Europa Unida. Do Programa revisto vai ser elaborado um ante projecto pelo Gabinete de Estudos sob orientação da Comissão Política. Os militantes do CDS serão convidados a enviar sugestões para a revisão do Programa do Partido. Este será depois aprovado, provisoriamente pelo Conselho Nacional, e definitivamente pelo Congresso.
6. ENTUSIASMO NO CONGRESSO. Beneficiando de uma organização que no final mereceria um louvor dos congressistas, o 2º Congresso de CDS decorreu sem o mínimo incidente (à porta, nem um polícia foi necessário) dominado por grande entusiasmo vibrante de fé democrata, o plenário do Congresso manifestou-se frequentemente da pé, batendo palmas demoradamente, quando, na sessão de abertura, Freitas do Amaral entrou na sala às 11,30 da noite foi o delírio; portugueses e estrangeiros aclamaram com grandes demonstrações de alegria o presidente do maior partido não socialista português, o mais novo (fez, 35 anos no dia 21) e o mais respeitado dos líderes políticos de Portugal.
7. CONGRESSISTAS. Entre as muitas centenas de militantes do CDS vimos o representante de Macau (onde o CDS, tal como Eanes, ganhou as eleições por maioria absoluta) e um emigrante que tinha percorrido 3 mil quilómetros para poder estar presente. Ausências notadas: à parte a de Pedro de Vasconcelos (ausente na China) e de Urze Pires (na Grécia e em Chipre para o Congresso do EDS). Silvério Martins, antigo secretário geral, e Luís Moreno, enviaram telegramas.
8. ERRATA. Na Folha CDS nº 49 veio "o médico da CED (Viseu) CDS Leal Loureiro", em lugar de "o presidente da CED de Viseu do CDS, Leal Loureiro, médico Por outro lado menciona-se Kaulza de Arriaga como antigo governador de Moçambique, quando na verdade ele foi comandante chefe das FA’s dessa ex-colónia.

FOLHA CDS Nº 50 28.VII.76 DOP Largo do Caldas, 5 Lisboa tel. 861019

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