segunda-feira, 25 de julho de 2016

1976-07-25 - A UDP E A LUTA DOS MORADORES POBRES. - UDP

TEXTO PARA DISCUSSÃO

A UDP E A LUTA DOS MORADORES POBRES.

1 - A luta dos moradores pobres tem tradições no nosso Distrito e em especial no Porto e Concelhos limítrofes. A sua intensidade e organização ultrapassou quase sempre a intensidade e organização da luta nas fábricas e outros locais de trabalho, dando a este distrito uma característica inversa da que seria desejável: o movimento popular muitas vezes tem sido conduzido e liderado pela luta pela habitação e pela organização de bairro. Os trabalhadores, e em especial a classe operária não encontraram o modo mais correcto, mais coeso, mais claro e mais eficiente de organizar e desenvolver a sua condução da luta de classes do Distrito. Deste modo não tem sido de estranhar que o movimento popular se tenha demonstrado incerto, com altos e baixos, sem grande consistência e sobretudo com o grave perigo de economicismo (limitar-se a reivindicações económicas sem dimensão política). A responsabilidade por esta situação não está na luta dos moradores pobres: esta na ausência, e atraso da luta de fábrica, da luta sindical, das formas organizadas de aliança operária camponesa. A luta dos moradores deverá e terá que continuar mas deverá ser tarefa dos revolucionários fazer com que o factor dirigente da luta de classes no distrito passe para a luta operária fabril, sindical e para a sua organização própria. O demissionismo para com o trabalho de fábrica, o desprezo pelo trabalho sindical devem ser varridos para sempre. Sem isto não conseguiremos reforçar a organização do movimento popular, não conseguiremos vencer o fascismo.
É tanto mais grave este erro quanto sabemos a influencia dos traidores cunhalistas no aparelho sindical e a sua prática golpista nas fábricas e comissões de trabalhadores órgãos de vontade popular Ião nos temos virado para as fábricas significa demitirmo-nos do combate e desmascaramento dos falsos amigos do povo. Os moradores em luta necessitam de uma ampla ligação do seu movimento ao das fábricas e sindicatos. Só assim as suas conquistas se poderão cimentar e tornar irreversíveis. A ligação entre as Comissões e Associações de moradores por um lado, e as Comissões de Trabalhadores e Sindicatos por outro, e mais do que nunca urgente para o conjunto do movimento popular e para a luta de classes em curso.
2 - A UDP tem especial responsabilidades no desenvolvimento da luta dos moradores pobres dado que grande parte dos seus militantes saiu do calor dessa luta. Mas a UDP sabe que, também por sua responsabilidade, a actual situação do movimento popular ainda está longe de poder ser alterada. Os revolucionários souberam deferir uma perspectiva correcta de modo a fortalecer e a aumentar a luta fabril e sindical, evitando desse modo que tivesse sido a luta dos moradores a conduzir quase tudo dentro do movimento popular. Mas as responsabilidades da UDP crescem ainda mais quando vemos que muitas vezes a resposta dada a esta situação por muitos militantes foi o abandono puro e simples da luta dos moradores. Como se o modo de resolver de resolver este grave problema fosse acabar ou diminuir a força e intensidade da luta dos moradores. Daqui que não seja de estranhar que o papel activo que a UDP pode desempenhar no seio das comissões e associações de moradores não tenha sido programado, discutido e cumprido. Foi neste sector que nos manifestamos mais espontaneístas e mais seguidistas. Levamos os nossos defeitos de liberalismo de anarquismo organizativo para o seio dos moradores, em vez de nos mostrarmos como seus combatentes organizados dos moradores. Nunca ou quase nunca assumiu as suas responsabilidades de organização revolucionaria ao serviço dos moradores pobres. O que se fez de bem feito só a título individual, recusando-se sempre a trabalho colectivo e a reflexão em comum. A UDP graças à sua falta de organização interna e falta de direcção política distrital e nacional, tornou-se na principal responsável dos defeitos e deficiências do actual movimento popular deste distrito. No entanto é indispensável dizer-se: só a UDP tem possibilidades de arrepiar caminho e de desempenhar o papel revolucionário que todos os moradores esperam de si. A UDP ainda tem a confiança dos moradores em luta.
3 - A UDP tem um programa de luta imediata para os moradores pobres que se mantêm actualizado e que deve ser discutido em todos os núcleos: trata-se do programa consta, não do ponto 1 do manifesto dirigido "Aos morado ires Pobres do Distrito do Porto" distribuído durante a campanha eleitoral para a Assembleia da Republica.
4 - A UDP está consciente do extraordinário papel positivo que a luta dos moradores pobres pode ter e deve ter) no alargamento do campo Popular e na formação de uma prática que conduza a Frente Única do Povo. Por isso a UDP leva à consideração da próxima Conferência Distrital um forte desejo de revolucionarização do seu trabalho politico neste sector acabando de uma vez com a actual situação.
5 - Para além da "proposta de trabalho e lutada UDP aos moradores pobres" já apresentada como ponto 2. no citado manifesto eleitoral dirigido "Aos moradores Pobres do Distrito do Porto" (que no seu essencial se mantém válido) a UDP propõe desde já a todos os seus militantes e simpatizantes o seguinte plano de actuação:
a) Organização:
- A futura Comissão Distrital deverá ter entre os seus membros um especialmente dedicado à luta dos Moradores, escolhido entre os militantes com maior experiência no sector e maior disponibilidade de trabalho;
- Os secretariados dos Núcleos de Bairro deverão incluir sempre um secretário para a luta dos moradores pobres como principal responsável do trabalho político no sector e na área;
- O camarada responsável para a luta dos moradores pobres da Comissão Distrital deverá ser responsável do SIALM. O SIALM deverá ser constituído por militantes eleitos em reunião geral de activistas convocada para o efeito, cabendo-lhe (ao SIALM) coordenar e dinamizar toda a actividade política da UDP no Distrito do Porto no campo da luta dos moradores;                                                  
O SIALM deve dar particular atenção à luta nos conselhos do interior do Distrito, até agora abandonados.
b) Objectivos Políticos:
- Apoio constante a todas as justas lutas dos moradores pobres;
- Apoio constante à organização dos moradores pobres, fortalecendo a já existente e promovendo o seu alargamento;
- Apoio imediato a ligação entre a organização dos moradores e a organização dos trabalhadores (fábrica e Sindicato);
Apoio imediato a soluções estáveis de aliança entre os moradores da cidade e os camponeses pobres, rendeiros e assalariados rurais;
- Apoio cuidadoso e diversificado à ligação da organização dos moradores aos GDUPs;
- Apoio às organizações de moradores durante e na campanha eleitoral para as autarquias locais;
- Apoio contra os quatro grandes inimigos das organizações de moradores:
. Caciquismo anti-democrático
. Controlo partidário e sectarismo
. Economicismo
. Dependência do aparelho de Estado (Autarquias locais).

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