segunda-feira, 25 de julho de 2016

1976-07-25 - PROPOSTA PARA DISCUSSÃO SOBRE "A SITUAÇÃO POLÍTICA ACTUAL" - UDP

PROPOSTA PARA DISCUSSÃO SOBRE "A SITUAÇÃO POLÍTICA ACTUAL"

Vamos realizar a nossa conferência logo após a movimentação popular em torno da candidatura de Otelo, que se saldou por uma extraordinária vitória do campo popular. E logo após a subida ao trono de sua Ex. General Ramalho Eanes, presidente da burguesia do fascismo e do imperialismo.
Temos de analisar estes importantes acontecimentos e o seu desenvolvimento que representam um momento particularmente agudo da luta de classes no nosso país. Para podermos levar à prática rapidamente a táctica definida para a actual fase de luta por um governo antifascista e patriótico, a caminho da revolução Democrática e Popular.
As eleições tornaram claro que a burguesia liberal é incapaz de dominar o movimento popular. O seu programa está de tal modo mergulhado em contradições, que já não engana as amplas massas. Verificou-se uma importante viragem nos resultados eleitorais no sentido do reforço campo popular. E este tem  avançado sem parar na, via de revolução.
As contradições que dividem a sociedade agudizaram-se extremamente de tal modo que se demarcaram dois campos. Eleitoralmente estes campos traduziram-se nas candidaturas de Otelo e Eanes.
A candidatura de Eanes mostra a perda de apoio ao programa da burguesia liberal por parte do povo trabalhador, que já não confia que ela possa resolver algum problema. Mas se perdeu o apoio popular é verdade por outro lado que se tornou num sólido apoio para a burguesia reaccionária e fascista, que a envolveu e a dirige cada vez mais na luta anti-operária e anti-popular. Procuram dividir o campo popular e este aparece a reagir pela união e organização contra todas as formas de patrão e dominação como o mostrou no apoio à candidatura de Otelo.
O P”S”, e o que o seu programa, é o grande derrotado dos últimos tempos: Está agora, com os últimos cartuchos do sexto governo, a tomar todas as medidas anti-populares. E vai tentar aparecer como o salvador nacional no 1º governo definitivo.
O partido de Cunhal, por sua vez, procura aparecer como o campeão da coesão interna. Mas cada vez perde mais militantes que vão reforçar as fileiras da revolução. Apareceu nas eleições bem definido como partido da burguesia: dividir e sabotar O movimento operário e popular eis o seu papel em favor de Eanes. (Mostra-se ao mesmo tempo como a ponta de lança do social imperialismo russo no nosso pais.) Apresenta um candidato seu, ataca Otelo sem parar, e apoia discretamente Eanes.
Ambos, o P”S" e o P”C", sofreram uma derrota no campo, da luta mais fácil para a burguesia, ambos procuram recuperar as forças para novos combates com os quais possam, através de práticas demagógicas e divisionistas, recuperar a influência nas parcelas do movimento popular que acabam de perder. Após um curto período de recuo preparam uma nova táctica que sirva melhor os seus patrões imperialistas. Segurar-se, apoiar-se nas contradições ainda latentes no campo popular, procurar o apoio da burguesia mais reaccionária que ainda não ousa avançar no golpe, e, preparar novos factores que assegurem na corda bamba da luta de classes.
A burguesia mais reaccionária, está a lançar-se claramente numa ofensiva, aproveitando as contradições e o medo que a burguesia liberal tem às conquistas e à consolidação do movimento operário e popular. Faz lançar toda a casta de métodos repressivos, provoca o caos económico prepara o regresso dos seus dirigentes mais eficazes. A confusão e o caos são os seus objectivos imediatos: isto para fazer com que a burguesia em bloco se volte repressivamente contra o movimento operário e popular em ascensão.
Todos os burgueses estão preocupados em apagar a grande vitória conseguida pelo campo popular, no terreno mais querido da burguesia no seu regime de democracia: as eleições. Os oitocentos mil votantes em Otelo votarem na unidade popular contra o fascismo, e o imperialismo. Votaram na alternativa que exige o lançamento da ampla frente popular, que conquiste um governo antifascista e patriótico, nosso objectivo táctico na fase actual da revolução.
Unir o povo esmagar o fascismo, combater a miséria e combater o imperialismo ê estar caminho certo da Democracia Popular e do Socialismo.
As nossas fraquezas traduzem-se em fraquezas do movimento popular.
Conseguimos uma grande vitória. E esta vitória só não foi mais profunda, Otelo não ganhou por nossa causa.   
Primeiro; não soubemos opor com firmeza, muitas vezes, à direcção da pequena-burguesia radical, a direcção da classe operaria. Não imprimimos ao movimento a direcção da vanguarda que se levanta nas fábricas que de mão dada com os irmãos camponeses puxam decididamente todo o povo trabalhador para o caminho da Revolução.
Não resolvemos os graves problemas do actual trabalho fabril e sindical, não se avançou na aliança operário-camponesa.
Segundo: com a pequena burguesia à cabeça não conseguimos vencer a anarquia organizativa, o liberalismo, o unitarismo e o sectarismo: limitamos em muito a discussão política, não conseguimos a unidade política e organizativa, não travamos luta ideológica, em especial não vimos a actuação face às acções do Dr. Cunhal: e, tivemos medo enfim de mostrar a vanguarda única do movimento.
Grandes batalhas se avizinham. Não podemos ir para novos combates com os mesmos erros.
Nas batalhas imediatas (Congresso Sindical e Autarquias locais), devemos ter superado as limitações e corrigido os erros, devemos usar uma táctica justa que isole da classe operária os cunhalistas, e una numa frente ampla milhões de explorados do Norte a Sul do nosso Pais.
A SITUAÇÃO DA UDP
A situação para a UDP é neste momento excelente. Todas as condições para o seu reforço e crescimento estão conseguidas.
Nunca o movimento operário e o campo popular estiveram tão fortes. Nunca a burguesia teve tanto medo e nunca estiveram as massas tão prontas para passos na via da revolução. As Palavras de Ordem centrais da UDP, Contra a miséria o fascismo e o imperialismo foram resolutamente abraçadas pelas massas.
O nosso maior problema será o de resolvermos a nossa situação interna que é a pior de sempre. A pequena burguesia pegou no processo, os estudantes e os intelectuais fazem pender a balança para sentidos diversos dos das necessidades da luta. Não é por acaso que as frentes de luta que mais se ressentem são: organização fabril e sindical, organização dos camponeses e o movimento dos moradores pobres.
A pequena burguesia na UDP mostrou-se incapaz de unir a massa dos militantes e simpatizantes em torno dos objectivos concretos que levaram à unidade das largas massas pelos seus mais profundos anseios e se mobilizaram em torno da nossa linha.
Até aqui a UDP pouco se mostrou ao lado das lutas do povo enquanto a sua linha se impunha ligada aos objectivos e aos sentimentos das largas massas.
A questão de saber quem é a vanguarda nunca esteve clara na UDP, o que permitiu que todos os desvios caciquis, teoricistas(?)e toda a espécie de oportunismos? proliferassem na UDP.
Mas nós, revolucionários em geral, temos confiança na força que representa a classe operária, e as organizações revolucionárias da classe e do povo explorado. Temos confiança nos revolucionários que em torno dela se unam procurando as formas mais justas de avançar na revolução. Temos confiança que na nossa UDP pode haver uma direcção com o peso da classe operária na cabeça.
A classe operária na UDP tem força para impor a sua direcção. A classe operária toma os secretariados dos núcleos, as C. Distritais e o C. Nacional, a classe operária tem de acabar com a direcção de personalidades políticas e o peso da pequena burguesia intelectual. Toda a UDP tem de por os seus esforços nesta transformação revolucionária da UDP, se queremos juntar à nossa justa linha, a participação politica e organizativa efectiva na luta do povo, na direcção das amplas massas.
1. Para reforçarmos e consolidarmos os GDUPs temos de resolver os nossos problemas, temos de reforçar a nossa organização, limpá-la dos ateus erros de modo a intervirmos organizadamente em defesa da Democracia Popular. Chamar rapidamente a classe operária à direcção da UDP de modo a dirigir o amplo movimento popular, o lançamento da frente única do povo. Temos de nos pôr à frente do movimento e aprofundá-lo em especial neste momento em que os ventos que sopram são os da revolução, e a burguesia está a caminho da derrocada. Se não fizermos isso, o fascismo impor-se-á a burguesia no geral e dominará o nosso povo pela repressão terrorista.
Aproveitemos este momento, para reforçar os GDUPs, levantando o movimento popular para a batalha, evitando a reorganização dos fascistas para o golpe.
2. Avancemos na penetração e reforço da organização nas fábricas e nos sindicatos, fortalecemos o papel dirigente da classe operária.
3. Penetremos nos campos. Trazer os camponeses para a revolução, tomar a aliança operário-camponesa como força motriz da revolução.
Avançar, dar cada vez mais esforços eis o que nos exige o movimento popular e o movimento grevista reivindicativo que não tem parado. Pormo-nos à cabeça e não andarmos a reboque, temos boas condições:
1. a burguesia aumentou impostos em cerca de 10%, provocou a crise da energia que se reflecte em toda a economia, no custo de vida e aumenta o desemprego.
A nossa actividade tem de se virar para aproveitar estas condições, para lançar um amplo movimento contra estas medidas;
2. o nosso dever é levantar o movimento operário contra a lei do controle de gestão, levantar o movimento dos moradores contra a "política de solos", levantar o movimento dos rendeiros pobres pela aplicação da lei do arrendamento rural.
3. Na luta contra o fascismo entra numa fase decisiva: o ditador potencial já é Presidente da República, os PIDEs estão todos soltos, Spínola-e o Rapazote preparam-se para regressar,
O nosso dever é preparar um amplo movimento contra o fascismo, organizando o ódio popular, puxando as massas à rua contra a fera fascista.
Ombros às tarefas revolucionárias sem vacilação!
Não abandonemos a luta enquanto esperamos pela Conferencia.
Em frente por uma Conferencia com os operários e os camponeses à frente!
Avancemos pela frente única do povo!
Viva a Democracia Popular aspiração do nosso povo!

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