domingo, 24 de julho de 2016

1976-07-24 - Luta Popular Nº 348 - MRPP

3.° Anexo ao Relatório Preliminar do 25 de Novembro
DMFA: A LISTA DE UNIDADES A BOMBARDEAR FOI FORNECIDA PELO P«C»P

O 3.° Anexo ao Relatório Preliminar do 25 de Novembro refere com alguns dados a participação no referido golpe de uma pequena unidade militar de artilharia que está estrategicamente situada frente à cidade de Lisboa nos morros do «Cristo-Rei». Com canhões de grande calibre montados em casamatas escavadas nas encostas e bastante bem dissimulados com os declives de terreno, o Departamento Misto do Forte de Almada passa despercebido mesmos aos olhos de quem atravessa de barco o rio Tejo quer em, direcção a Lisboa, quer em direcção a qualquer da Margem Sul.
A sua situação geográfica e as peças de artilharia pesada com que está equipada dão ao Forte de Almada a possibilidade de bombardear com os seus canhões qualquer unidade militar da cidade de Lisboa e arredores, bem como qualquer dos centros do poder constituído que à sua frente (em Lisboa) se situem.
Para além do que acima referimos, o Destacamento Misto do Forte de Almada situa-se numa região de grande concentração industrial onde a classe operária apesar de todas as traições revisionistas tem grandes tradições de combatividade e de luta.
As importantes características desta unidade militar, que conta apenas com uma guarnição de cerca de 100 homens, fez dela um alvo importante da política de conquista do aparelho militar por parte do P«C»P. Tanto mais que, só forças adversas ao partido social-fascista dominassem tal unidade, ela dificultaria qualquer acção ou movimentação por parte das forças navais da Armada onde esse partido exercia o exerce um grande controlo e influência.
Tal situação motivou que, desde o golpe de estado de 25 de Abril, os social-fascistas desenvolvessem todas as tentativas para dele se apoderar.
DE UMA CAJADADA O P«C»P APODERA-SE DOS COMANDOS DE DUAS UNIDADES MILITARES
  Tal veio a acontecer alguns dias antes do dia 11 de Março. Com o saneamento do comandante do então RAL-1, levado a cabo pelos soldados, os social-fascistas daquele quartel viram que tinha chegado o momento de tomar de assalto o comando da unidade. Não tinham força suficiente para à frente do quartel colocarem um social-fascista de gema pois que a isso se oporiam a maioria dos soldados e das forças democráticas e patrióticas quer dentro da unidade, quer nas forças armadas. Sugerem então, por intermédio do seu lacaio na unidade Dinis de Almeida que se contactasse com o major Leal de Almeida comandante do Forte de Almada. A manobra tinha objectivos claros e precisos: pôr no Ralis um comandante que, não sendo lacaio directo do P«C»P, protegia e encobria a actividade dos social-fascistas ao mesmo tempo que para o Forte de Almada podiam enviar um oficial da sua inteira confiança, um oficial capaz de disparar os canhões contra quem quer que fosse desde que a ordem viesse do P«C»P.
Esse oficial veio do Regimento de Artilharia de Costa, em Oeiras, e tratava-se do capitão Rosado da Luz, que a partir daquela data assumiu o comando do Destacamento Misto do Forte de Almada.
A partir de então, o Destacamento Misto do Forte de Almada torna-se numa coutada do P«C»P e dos grupelhos neo-revisionistas e trotskistas que lá encontravam todo o apoio para as suas actividades na região de Almada. Comissões de Moradores são tomadas de assalto pelos social-fascistas do P«C»P com apoio dos oficiais do DMFA, cria-se uma rede de informações que liga directamente o Forte à sede do P«C»P e da UDPide e onde esses dois grupelhos não conseguem penetrar lá iam à frente os oficiais social-fascistas do DMFA a «abrir caminho» com as suas «sessões de dinamização».
DMFA, AO LADO DO P«C»P, SEMPRE!
Aliás, o P«C»P e a UDPide chegam mesmo a utilizar as viaturas militares do Forte para transporte quer dos seus militantes, quer das suas milícias social-fascistas em missões de «vigilância» ao serviço das manobras do P«C»P, quer mesmo para o transporte de propaganda para distribuição.
Tal facto, foi tão evidente ao longo de toda a actividade dos social-fascistas enquanto controlaram o DMFA que o Relatório Preliminar não consegue passar por cima dele. No ponto 1 referente a esta unidade o 3.º Anexo ao Relatório afirma no nº 1 alínea a):
«Utilização de viaturas militares para transporte com fins partidários.»
O que transportavam as viaturas militares? O relatório não diz. Ao serviço de que partido eram utilizadas? O relatório não diz.
O Relatório escamoteia também o nome do principal dinamizador dos «S»UV que, na unidade, introduzia todos os panfletos daquela organização bem como tentava arregimentar os soldados para participar nas manifestações por aquela organização promovidas para atacar as forças democráticas que dentro das forças armadas se opunham à preparação do golpe social-fascista. Não refere o nome desse responsável que chegou ao ponto de fornecer viaturas para que os que quisessem participar nas referidas manifestações se deslocassem de graça ao mesmo tempo que condenava veementemente a justa luta dos soldados pelos transportes gratuitos. Esse senhor, é o capitão Rosado da Luz, comandante do Forte, cuja actividade é no essencial escamoteada, ao longo de todo o Relatório. Não se menciona uma única vez as reuniões que o referido oficial tinha altas horas da noite na interior da unidade com os responsáveis das organizações locais e regionais do P«C»P e dos seus cães de trela. Numa delas, o capitão Rosado da Luz teria afirmado que o DMFA estava ao lado da «esquerda» sempre! e que a «esquerda», P«C»P e todos os grupelhos social-fascistas, podiam quando chegassem ordens contar com as 1000 G-3 que para esse efeito estavam armazenadas no DMFA.
Acerca destas reuniões o Relatório nada diz passando a sua habitual esponja na incriminação do P«C»P quando afirma que no Forte era exercida: «Forte influência política por pressão externa dos partidos, quer por via directa (quadros e agentes subalternos, em especial femininos), quer indirecta (C. Moradores e C. Trabalhadores)...».
Como se vê, o Relatório omite a realização de tais reuniões e ataca a existência de discussão política nos quartéis ao esconder que era o P«C»P e os seus grupelhos social-fascistas que controlavam a unidade. Acaba ainda por atacar os órgãos da vontade popular responsabilizando-os indiscriminadamente pelas actividades contra-revolucionárias desenvolvidas pela DMFA ao serviço da política social-fascista e do golpe de 25 de Novembro. Aliás, e tal como no Relatório referente ao DGMG que ontem publicámos, o 3.° Anexo não cita sequer uma única vez a sigla P«C»P acerca dos acontecimentos a que nos temos vindo a referir e que dizem respeito ao DMFA.
Assim, a responsabilidade de tais acontecimentos segundo os oficiais que redigiram o Relatório, deve ser atribuída à existência de discussão política nos quartéis, à existência dos órgãos da vontade popular e não à existência de um partido social-fascista que Ioda a espécie de golpes trama e executa para colocar o nosso povo sob a pata do social-imperialismo revisionista, soviético.
A PARTICIPAÇÃO NA PREPARAÇÃO MILITAR DO GOLPE
Como unidade da inteira confiança do P«C»P e dos seus grupelhos, o Destacamento Misto do Forte de Almada faz-se representar e é chamado a participar nas reuniões em que se preparam as condições para o desencadeamento do golpe bem como nas reuniões onde os oficiais social-fascistas discutem as operações militares que viriam a levar a cabo no dia 25 de Novembro.
A confiança do partido social-fascista no DMFA e no seu comandante era tal que este foi destacado pelo P«C»P pata participar na reunião que se realizou no Centro de Sociologia Militar, em 25 de Agosto de 1975, e da qual saiu a constituição da FU«R». Aí, o capitão Rosado da Luz tinha um papel a desempenhar. Impedir que certos oficiais mais «esquerdistas» tentassem qualquer manobra que viesse a provocar o desencadeamento do golpe fora do controlo e direcção do P«C»P.
É ainda com essa missão e com directivas precisas acerca de quando e em que condições se devia desencadear o golpe e executar as operações militares a ele, inerentes que o capitão Rosado da Luz participa em várias importantes reuniões.
O 3.º Anexo ao Relatório Preliminar refere-se a algumas delas escamoteando o papel que o referido capitão nelas toma.
Presente nas importantes reuniões que se realizaram no COPCON nos dias 21 de Novembro e 24-25 de Novembro, o capitão Rosado da Luz telefona na madrugada do dia 25 de Novembro para o DMFA a dizer que estava tudo em marcha; mandou a unidade entrar de prevenção e que fossem chamados todos os que se encontrassem fora dela.
A partir de então, os canhões são municiados e postos em condições de disparar ao mesmo tempo que no Posto de Controlo de Tiro se tiram as coordenadas das unidades que não eram controladas pelo P«C»P esperando os oficiais pelas ordens de disparar.
Aliás, os alvos que teriam que ser bombardeados pelo DMFA tinham sido transmitidos ao capitão Rosado da Luz pelo major Azevedo na reunião que se realizou na EPAM em 23-24 de Novembro de 75. Segundo foi dito, tal lista de unidades e alvos teria sido fornecida, o que não duvidamos, pelo P«C»P ao SDCI que a entregou ao major Azevedo.
APENAS 150 SOCIAL-FASCISTAS PARA ARMAR
Na manhã do dia 25 de Novembro os oficiais social-fascistas do quartel contactam com os responsáveis pelas organizações locais e regionais do P«C»P, U«DP» « ME«S», para que estes mobilizem os seus militantes de acordo com o plano pré-estabelecido pelos dirigentes do P«C»P no sentido de se concentrarem às portas do Forte. Para o Relatório e para os oficiais que o redigiram os contactos que se processaram nessa manhã foram levados a cabo com Comissões de Moradores e de Trabalhadores. Mais uma vez se ataca a classe operária, o povo e os seus órgãos de vontade popular para ilibar e encobrir as actividades golpistas do P«C»P e as suas responsabilidades num golpe que por ele foi planeado e executado.
A provar o que atrás dissemos estão os carros do P«C»P e da U«DP» que durante o dia 25 de Novembro percorreram as ruas das várias povoações da Margem Sul convocando as massas populares para se concentrarem junto ao Forte de Almada.
No entanto, a classe operária e o povo votaram ao mais completo desprezo os apelos que lhes eram dirigidos. O mesmo desprezo e abandono que votaram a todo o golpe social-fascista.
Só ao fim da tarde do dia 25 de Novembro é que cerca de 800 guedelhudos, vadios e lumpens, no meio dos quais se viam alguns elementos das massas iludidos pela demagogia revisionista, se concentraram junto ao Forte de Almada cuja portas se abriram por ordem dos caciques social-fascistas para deixar entrar tal fauna.
Uma vez dentro da unidade constataram que as suas milícias não estavam presentes, não tinham correspondido ao apelo. Perante tal facto os caciques social-fascistas reuniram-se com o capitão Rosado da Luz. Aí foi analisada a anarquia que reinava no Forte com a entrada dos 800 civis bem como a falta de controlo que tinha havido na entrada o que não garantia a entrega de armas a «mãos seguras». Fizeram então um contacto telefónico com um dirigente do P«C»P que lhes deu a opinião de fazerem sair toda a gente da unidade ficando apenas os responsáveis pelos vários grupos social-fascistas. Perante tal ordem, o caciques social-fascistas do P«C»P, da U«DP» e do ME«S» ajudados pelo capitão Rosado da Luz puseram toda a gente na rua à excepção dos responsáveis pelos referidos grupos políticos. O Relatório embora relate os factos que anteriormente descrevemos escamoteia e encobre mais uma vez a responsabilidade do P«C»P e dos seus cães de trela classificando os responsáveis políticos de tais partidos como membros de Comissões de Moradores e de Trabalhadores. Fica assim mais uma vez clara quais as intenções dos sectores das forças armadas que redigiram o referido Relatório.
São esses 30 caciques social-fascistas que se reúnem com o capitão Rosado da Luz e estabelecem um critério para o armamento das milícias. Cada um vai à delegação do seu partido e trás os militantes e simpatizantes para de uma forma organizada serem armados.
É assim, que cerca das 3 horas da manhã do dia 26 de Novembro batem à porta do DMFA apenas 150 social-fascistas. Era tudo quanto tinham conseguido para armarem todos os grupelhos em conjunto.
No entanto, o capitão Rosado da Luz não lhes deu as armas. Já tinha recebido um telefonema do P«C»P a dizer que estava tudo a ir por água a baixo e que era necessário retirar em boa ordem para manter posições. Os UDPides protestam e alguns oficiais também. O capitão Rosado da Luz não cede. O partido social-fascista tinha-lhe dado ordens e ele cumpria-as.
A Presidência da República telefona para o quartel e pergunta pelo capitão Rosado da Luz dando-lhe ordens para se apresentar em Belém. Eram 7 horas da manhã. Os UDPides discordam da traição do P«C»P e com apoio dos revisionistas «descontentes» barricam a saída do quartel para impedir que o capitão Rosado da Luz, saia do DMFA. Cerca das 2 e 30 da tarde, dois aviões FIAT picam sobre o Forte pondo em fuga todo o bando que se encontrava dentro e fora do quartel comandado pelo membro do comité central do P«C»P(R)/UDPide Vladimiro Guinot.
Os canhões do Forte não tinham disparado pois que aviões FIAT sobrevoaram-no durante todo o dia 25 e 26.
Toda a participação e responsabilidade do P«C»P e seus grupelhos nestes acontecimentos é escamoteada e omitida no Relatório. A conciliação com o social-fascismo e com P«C»P que planeou e executou o golpe no dia 25 de Novembro é evidente em todo o Relatório. Mas, ao mesmo tempo que se escamoteia as responsabilidades do P«C»P aproveita se o golpe para atacar a classe operária, o povo, os soldados e marinheiros, os seus órgãos da vontade popular e tudo o que foram as conquistas dos filhos do povo na tropa.
No entanto, o proletariado revolucionário não pactua com o social-fascismo tal como a pequena burguesia democrática e a burguesia nacional o fazem através de todo o Relatório. Por isso continuaremos a analisar o Relatório do 25 de Novembro provando, que o golpe dessa data foi planeado e executado pelo P«C»P pelo que a classe operária e o novo exigem o julgamento dos seus responsáveis.

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