sexta-feira, 22 de julho de 2016

1976-07-22 - COMUNICADO AO POVO TRABALHADOR PORTUGUÊS - CNPUP

COMISSÃO NACIONAL PROVISÓRIA DE UNIDADE POPULAR

COMUNICADO AO POVO TRABALHADOR PORTUGUÊS

Portugal tem uma Constituição, um Presidente da República, um Governo. Até agora os partidos da burguesia que pediam o voto aos trabalhadores têm feito promessas e mais promessas. é a hora de os trabalhadores verem se as promessas estão a ser cumpridas, se vão ser cumpridas. O VI Governo Provisório antes de acabar tomou medidas para diminuir o nível de vida do Povo. O VI Governo extingue-se a fazer decretos que violam a Constituição.
Os trabalhadores têm o direito de exigir que o novo governo de Mário Soares governe a favor do Povo e não contra o Povo. Os traba­lhadores têm o direito de exigir que o novo governo tome medidas contra os despedimentos, a alta do custo de vida, a favor da Reforme Agrãria e do Controlo Operário.
O Povo trabalhador está atento, o Povo não desarma, o Povo trabalhador não recua.
O Povo trabalhador que apoiou a candidatura de OTELO à Presidência, unindo-se e organizando-se em Grupos Dinamizadores de Unidade Popular, está disposto a bater-se contra a ameaça do fascismo, a bater-se pelo socialismo, a bater-se para que sejam os capitalistas a pagar a crise que eles próprios provocaram.
No momento presente, os GDUP’s devem orientar a sua luta no sentido de levar à prática estas palavras de ordem:
NÃO RECUAMOS!
CONQUISTEMOS A LIBERDADE COMPLETA PAPA OTELO E TODOS OS MILITA­RES PROGRESSISTAS!
EM FRENTE COM O CONGRESSO DOS GDUP's!
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Os capitalistas estão a preparar uma vaga de despedimentos. Os patrões querem mais desempregados para fazerem crescerem os lucros aumentando os preços e baixando os salários nos escritórios, nas fábricas e nos campos. Fazem cortes de energia que tiram trabalho nas fábricas e gastam energia em festivais aéreos. Aprovam leis que permitem cortar para metade os dias de trabalho baixar os salários, aumentar os despedimentos em massas, mas os trabalhadores não aceitam leis que só vêm agravar a crise.
NÃO RECUAMOS! NÃO AO DESEMPREGO E AOS DESPEDIMENTOS!
Os capitalistas aprovaram um decreto para acabarem com o Controlo Operário que os trabalhadores praticam em centenas de empresas, que pretende ainda impedir a organização dos trabalhadores nas empresas estrangeiras e na maioria das empresas portuguesas. Esse decreto do "Controlo da gestão" quer fazer das Comissões de Trabalhadores orgãos de simples fiscalização. Quer impedir as CTs de defenderem o emprego e os salários dos trabalhadores. O decreto do "Controlo de gestão" é mais um ataque às organizações populares de base. Mas as Comissões de Trabalhadores são órgãos de luta.
NÃO RECUAMOS! EM FRENTE COM O CONTROLO OPERÁRIO!
O governo aprovou o pagamento de indemnizações aos Meios, aos Champallmauds e aos latifundiários. E ao mesmo tempo lança uma campanha para a desocupação das casas ocupadas pelos trabalhadores que viviam em barracas. As forças da repressão estão a impor despejos. Mas as Comissões de Moradores e as Comissões de Ocupantes prosseguem a luta por uma habitação digna para todos.
Não recuamos! Não aos despejos!
O governo prepara novos aumentos dos preços do adubo e consente que os fascistas da CAP boicotem a lei do arrendamento rural. O governo acelera as desocupações das herdades do Alentejo para tentar des­truir a Reforma Agrária. Mas os trabalhadores do campo e da cidade, do Norte e do Sul, não consentirão no regresso dos latifundiários.
NÃO RECUAMOS! EM FRENTE COM A REFORMA AGRÁRIA! SIM A LEI DO ARRENDAMENTO RURAL! NÃO ÀS DESOCUPAÇÕES DE TERRAS!
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Os latifundiários tentam reconquistar o terreno perdido e os fascistas regressam. A direita avança para por as Forças Armadas, GNR e a PSP ao serviço dos patrões, como ainda à pouco aconteceu na luta das conservas do Norte. Consente no regresso de fascistas e golpistas como Spínola, mas não deixa OTELO falar ao Povo, nem permite aos militares progressistas ocuparem os postos a que tem direito. Absolve os golpistas do 11 de Março e publica relatórios falsos e caluniosos sobre o 25 de Novembro, relatórios em que esconde o Golpe de Direita e inventa um Golpe do COPCON. Mas os trabalhadores e os militares progressistas não consentirão que a reorganização das Forças Armadas se faça nas costas do Povo, para colocar as Forças Armadas, a GNR e a PSP ao serviço da repressão sobre os trabalhadores.
CONQUISTEMOS A LIBERDADE COMPLETA PARA OTELO E TODOS OS MILITARES PROGRESSISTAS!
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A direita avança em todas estas frentes, impondo-se uma resposta firme de todos os trabalhadores unidos e organizados. A consolidação e o alargamento da unidade popular e a organização do Povo trabalhador exige que preparemos a Congresso dos Grupos Dinamizadores de Unidade Popular. O Congresso vai realizar-se com base nas lutas dos trabalhadores nas aldeias, nos bairros, nas fábricas, nas herdades, nos escritórios, nas autarquias locais, nos sindicatos. É um Congresso de mobilização para a luta de todo o Povo trabalhador.
EM FRENTE COM O CONGRESSO DOS GDUP's!
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POVO TRABALHADOR PORTUGUÊS
A unidade é a nossa força. Em todos os locais de trabalho e de habitação temos que nos unir e organizar para resistir e para avançar.
A LUTA CONTINUA!
POVO TRABALHADOR UNIDO CONTRA O FASCISMO, POVO TRABALHADOR UNIDO PARA O SOCIALISMO!

Lisboa, 22 de Julho de 1976
Pel'A Comissão Nacional Provisória de Unidade Popular

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