sexta-feira, 22 de julho de 2016

1976-07-22 - AGRESSÕES CONJUGADAS DA U”DP" E DA PSP - MRPP

AGRESSÕES CONJUGADAS DA U”DP" E DA PSP

NOTA DO COMITÉ EXECUTIVO DO COMITÉ CENTRAL DO MRPP ACERCA DOS INCIDENTES DO ALTO DO PINA.

1. Ontem, cerca das 23H00, um bando de algumas cinco dezenas de agentes da U"DP"/P"C"P(R) assaltou e tomou de surpresa a Delegação do MRPP na Rua Barão de Sabrosa, Alto do Pina, em Lisboa, aproveitando-se do facto de àquela hora ali se encontrarem apenas três militantes do nosso Partido.
A secção de assalto da U"DP"/P"C"P(R), actuando à boa maneira nazi-fascista, agrediu selvaticamente os nossos camaradas, com as barras de ferro de que os agressores vinham munidos, destruíram o mobiliário existente, roubaram documentos e dinheiro do Partido, e lançaram fogo a alguns materiais de propaganda referentes às últimas eleições presidenciais, dedicando-se em seguida a toda a espécie de depradações nas portas, paredes de janelas da Delegação.
2. O assalto e a agressão perpetrados pelo bando da U"DP"/P”C”P(R) foram em parte presenciados pelo polícia de serviço na área, da esquadra sediada na Praceta Paiva Couceiro, o qual não tomou qualquer medida nem efectuou qualquer gesto em oposição aos crimes que via impunemente cometer.
De, resto, a actuação criminosa dos bandos social-fascistas da U”DP" /P"C"P(R) - reflexo da natureza contra-revolucionária dessa organização politica e do desespero em que crescentemente se encontra - é encorajada pela impunidade dos crimes que comete e pela cobertura objectiva que as autoridades policiais e judiciárias lhe conferem.
Veja-se, a título de exemplo, a libertação dos assassinos do nosso camarada Alexandrino de Sousa, assassinado por um bando da mesma U"DP"/ /P”C”P(R), bem como a recusa dos poderes constituídos em actuarem contra os militantes da U"DP"/P"C"P (R), que provocaram os incidentes sangrentos de Évora aquando do comício ali efectuado pelo actual Presidente da República .
3. Como a Polícia de Segurança Pública se recusou a agir contra a agressão e assalto à Delegação do nosso, Partido, o Comité Regional de Lisboa do MRPP fez deslocar para o Alto do Pina uma brigada de militantes do Partido os quais, juntamente com alguns elementos do povo que entretanto se juntaram na Rua Barão de Sabrosa, agindo manifestamente em legítima defesa, desocuparam a Delegação do bando de agressores, escorraçando-o firmemente e pondo-o em debandada.
Na previsão duma repetição do assalto, a brigada do Partido e ou­tros elementos das massas montaram o necessário serviço de defesa das instalações da Delegação.
4. É então que, cerca da meia-noite e meia, um forte destacamento policial da esquadra da Paiva Couceiro desembarca em frente da nossa Delegação e, em vez de actuar contra o bando de agressores da U"DP"/P"C”P(R) que procurava concentrar-se nas imediações, carregou à bastonada e a tiro de G3 e de pistola sobre o serviço de segurança da nossa Sede, agredindo diversos elementos do povo e prendendo três camaradas nossos, entre os quais duas mulheres.
A agressão e as provocações da Polícia de Segurança Pública, no caso comandada por um tal 1º subchefe Rebelo, despertou a mais viva indignação dos elementos do povo presente, muitos dos quais, das janelas de suas próprias casas, verberaram e vaiaram a acção da PSP.
5. Vem, a propósito referir que o Comandante da esquadra da Paiva Couceiro é um daqueles policias fascistas que tem no seu palmares um longo rol de agressões, aos nossos militantes e de provocações ao nosso Partido.
É assim que, em Abril passado, quando um militante do nosso Partido integrado numa brigada de colagem de cartazes, foi gravemente ferido a tiro por uma brigada social-fascista do P"C"P, o chefinho da Paiva Couceiro apareceu, só e apenas, para prender os quatro militantes do nosso Partido que transportaram para o Hospital de S. José o camarada ferido, recusando-se, apesar das nossas indicações nesse sentido, a identificar os agressores que se haviam refugiado numa delegação do MJ"T", sita na Rua Gualdim País a Xabregas.
Ceia esta é a sexta vez, no espaço de um ano, que o cipaio da Paiva Couceiro provoca, agride e prende militantes do nosso Movimento e em defesa da linha táctica“ P”C"P/F”UR”/U”DP".
6. Acontece ainda que os três militantes do MRPP presos pelo 1º subchefe Rebelo à entrada da delegação do nosso Partido no Alto do Pina foram transportados para a esquadra da Paiva Couceiro e ai selvaticamente agredido, muito em particular as duas camaradas mulheres, tendo a polícia disparado uma rajada de G3 para dentro da própria cela onde os encarceraram.
Ou nossos três militantes foram presentes hoje no 4º Juízo de Instrução Criminal, na Policia Judiciária, encontrando-se um deles com traumatismo craniano e longa ferida aberta, presumivelmente por um tiro de G3 e todos com visíveis escoriações e ademas pelo corpo, consequentes das barbaras agressões de que foram vitimas na esquadra da Paiva Couceiro.
7. Numa manobra soez e torpe, manifestamente destinada a encobrir os crimes da Polícia de Segurança Publica, o juiz João Vaz Rebordão, do 4º Juízo de Instrução Criminal, recusou-se a libertar hoje os nossos militantes, injusta o ilegalmente detidos, a fim de que eles não possam exibir as provas materiais da selvática agressão policial.
É também nesse objectivo que se tem de entender a recusa do juiz Rebordão em facultar o exame médico directo aos nossos militantes, mantendo-os ilegalmente incomunicáveis.
O mesmo juiz, aliás recusou-se a receber participação contra a esquadra da PSP da Paiva Couceiro e não autoriza o tratamento dos nossos militantes por médicos da sua confiança.
8. É manifesto que os agressores social-fascistas do bando U"DP"/P"C"P(R) actuam objectivamente de conluio com os agressores fascistas da PSP da esquadra da Paiva Couceiro, e tudo isto com a conivência das autoridades judiciárias representadas pelo juiz João Vaz Rebordão.
O Comité Executivo do Comité Central do MRPP exige a libertação imediata e incondicional dos seus militantes presos, bem como a instauração do um inquérito às actividades da esquadra da PSP na Paiva Couceiro e ao procedimento provocatório do juiz João Vaz Rebordão do 4º Juízo Criminal.
Quanto à actuação nazi-fascista da U"DP"/P”C”P(R), acobertada pelas autoridades constituídas, o nosso Partido adoptara as medidas necessárias impostas pela legitima, defesa.
Nenhum crime dos social-fascistas ficará impune e nós vingaremos, tão certo como a U"DP" chamar-se U"DP", o assassinato de Alexandrino de Sousa.

Lisboa, 22 de Julho de 1976
O COMITÉ EXECUTIVO DO COMITÉ CENTRAL DO MRPP

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