sábado, 17 de junho de 2017

1977-06-17 - TODOS A RUA, TODOS EM GREVE NO DIA 22! - LCI

CONTRA A VIDA CARA E O CONGELAMENTO DOS CONTRATOS!
CONTRA O REGRESSO DOS SABOTADORES E A LEGISLAÇÃO ANTI-OPERÁRIA
CONTRA O PACTO SOCIAL!

TODOS A RUA, TODOS EM GREVE NO DIA 22!

Camaradas:
A CGTP-Intersindical promove no dia 22 uma jornada de manifestações de rua contra a alta do custo de vida, o congelamento dos contratos e a legislação anti-operária.
Apesar de ter andado na boca de alguns dirigentes da Intersindical a hipótese de não se realizar essa jornada de luta, dado o "diálogo" havido entre o governo e a Intersindical, o Conselho Geral da Inter acaba de confirmar essa mobilização, depois de muitos trabalhadores e sindicatos terem já apelado para que esse dia seja uma grande demonstração da nossa força e unidade de classe.

Por essa razão e porque as nossas reivindicações são comuns a toda a classe, nenhum sindicato, nenhuma organização de trabalhadores pode deixar de apoiar essa iniciativa e de mobilizar activamente todos os seus membros para que o dia 22 seja uma grande jornada de luta PARA IMPOR AS NOSSAS REIVINDICAÇÕES, PARA OBRIGAR O GOVERNO E O PATRONATO A RECUAREM NA SUA POLÍTICA DE ATAQUES SISTEMÁTICOS AOS NOSSOS DIREITOS MAIS ELEMENTARES.
Camaradas:
Há quem diga que o governo tem vindo a modificar a sua atitude em relação aos trabalhadores porque se mostra disposto ao "diálogo" com as nossas organizações sindicais.
Mas uma coisa são os discursos deste ou daquele membro do governo ou do Primeiro Ministro, e outra coisa são os actos e a política do actual governo. E o que vemos nós?
Vemos que o quadro cor-de-rosa que Mário Soares soube pintar habilmente no seu último discurso na TV, não corresponde em nada aquilo que é o dia a dia de todos nós, trabalhadores. O aumento do custo de vida que, no Plano para 1977, o governo previa não ultrapassar os 18%, já ronda nestes primeiros meses os 40%. O desemprego tem sofrido o mesmo aumento, coincidindo com o regresso dos patrões sabotadores das empresas e com a cumplicidade activa do governo face às exigências do patronato nacional e internacional nesse campo. A nova lei-Barreto da Reforma Agrária alarga para 70 000 pontos os limites das herdades a serem expropriadas aos antigos agrários sabotadores. Apesar de se dizer que "não há dinheiro", o governo prepara-se para gastar milhões de escudos em indemnizações aos grandes accionistas.
Que é isto senão uma política de recuperação capitalista? Que é isso senão levar água ao moinho da chamada "Convergência Democrática" a qual, porque não tem ainda força para derrubar o governo, tudo faz para o pressionar a por em prática as suas exigências reaccionárias?
Combater esta política e impor as reivindicações dos trabalhadores não pode ser fruto do "diálogo" com o governo, por mais positivo que este seja. Passa sim pela mobilização unitária da classe, pela luta conjunta de todos os sindicatos, única forma de arrancar do patronato e do governo aquilo que eles não estão dispostos a ceder a pretexto da crise económica, cuja responsabilidade é deles e só deles. Essas são as lições que podemos tirar das lutas que os nossos camaradas têxteis, metalúrgicos, electricistas e outros, vêm travando desde há longos meses a esta parte.
Por isso, a jornada do dia 22 de Junho é um passo apenas no caminho da construção dessa mobilização. Ela pode e deve prolongar as grandiosas jornadas de luta do primeiro de Maio deste ano e de 26 de Maio dos metalúrgicos. Mas tal só acontecerá se o dia 22 for uma jornada de unidade e luta para salvaguardar as conquistas alcançadas e se não for mais do que uma forma de os dirigentes da Intersindical ganharem maior margem de manobra para negociarem e dialogarem com o governo aquilo que este pretende: assinar o Pacto Social, respeitar um acordo que roube, por um determinado período de tempo, a capacidade reivindicativa do Movimento Operário para o lançar à tarefa da reconstrução da economia do Capital e dos seus lucros, tal como Eanes e os capitalistas exigem.
A alternativa para que o dia 22 seja de facto uma grande demonstração da força actual e da unidade dos trabalhadores, já camaradas dos têxteis a avançaram em recente Plenário Nacional de dirigentes e delegados sindicais no passado dia 8, em Coimbra: DIA 22 DE JUNHO, DIA DE LUTA, DIA DE GREVE GERAL.
DIA 22 — DIA DE LUTA, DIA DE GREVE GERAL — Para realizar assembleias e plenários por empresa e região, discutir as nossas reivindicações e as formas de continuar a luta por elas e para engrossar as nossas fileiras nas manifestações de rua desse dia.
DIA 22 — DIA DE LUTA, DIA DE GREVE GERAL — Para exigir a publicação imediata de todos os CCTs e a revogação total do decreto dos 15% e da lei da contratação colectiva que impõe o prazo de vigência dos CCTs a 18 meses e para lutar para que não haja qualquer limite da legislação que restrinja os aumentos salariais e para impor nos Contratos Colectivos a existência de uma cláusula que permita a revisão periódica das tabelas salariais como forma de acompanhar a subida permanente e galopante do custo de vida.
DIA 22 — DIA DE LUTA, DIA DE GREVE GERAL — Para derrotar a nova lei-Barreto da Reforma agrária e exigir o fim da devolução das terras das cooperativas e UCPs aos grandes agrários, e para afirmar a nossa solidariedade com os trabalhadores agrícolas que decidiram já levar a cabo um dia de greve geral contra a lei-Barreto quando esta entrar em discussão na Assembleia da República.
DIA 22 — DIA DE LUTA, DIA DE GREVE GERAL — Para por ponto final à devolução das empresas aos patrões sabotadores e defender o livre exercício do controle operário, única forma de combater eficazmente o boicote e a sabotagem do capital.
DIA 22 — DIA DE LUTA, DIA DE GREVE GERAL — Para consagrar a unidade de todos os trabalhadores, de todos os sindicatos sem excepção, estejam ou não na Intersindical, e contrapor à política de Pacto Social do patronato e do governo, um PACTO DE SOLIDARIEDADE OPERÁRIA entre todos os trabalhadores e sindicatos para continuar a luta conjunta pela satisfação integral das nossas reivindicações.

Camaradas trabalhadores, trabalhadoras:
A greve geral é uma das nossas armas mais poderosas na luta contra a burguesia, o seu Estado e o seu governo. Ela só deve ser utilizada quando existe uma comunhão de interesses entre milhares e milhares de trabalhadores e quando estes estão dispostos a reivindicar a satisfação das suas aspirações mais elementares.
Hoje, estamos precisamente nessa situação. O 1 de Maio foi o primeiro aviso ao governo, que não o quis ouvir. A jornada do dia 26 dos metalúrgicos foi o segundo aviso, que o governo também não quis ouvir. Mas, desta vez, se soubermos lutar organizadamente, se as direcções sindicais e a direcção da CGTP-Intersindical assumirem as suas responsabilidades perante os trabalhadores que as elegeram, saberemos encontrar o caminho da nossa vitória.

NÃO ÀS PORTARIAS ANTI-OPERÁRIAS, CCTs CÁ PARA FORA JÁ.
REVOGAÇÃO TOTAL E IMEDIATA DO DECRETO DOS 15%
POR AUMENTOS SALARIAIS QUE ACOMPANHEM O CUSTO DE VIDA
NÃO À LEI-BARRETO, PELA DEFESA DA REFORMA AGRÁRIA
NÃO À LEGISLAÇÃO ANTI-OPERÁRIA
O PACTO SOCIAL SÓ SERVE O CAPITAL

17-6-77
Comité Executivo da LIGA COMUNISTA INTERNACIONALISTA

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