sexta-feira, 16 de junho de 2017

1977-06-16 - Dia 22, na rua em defesa das conquistas de Abril - PCP(R)


Dia 22, na rua em defesa das conquistas de Abril

À CLASSE OPERARIA! AOS TRABALHADORES!

Camaradas
A situação política torna-se cada vez mais clara. No decorrer das batalhas que temos travado ultimamente, as classes em luta e os seus representantes revelam-se progressivamente aos nossos olhos.
De um lado, a burguesia reaccionária e o imperialismo americano e europeu, não podendo nem querendo ainda governar directamente através dos seus partidos de classe CDS e PSD, vão forçando o dócil governo de Soares a fazer uma política fascizante de ataque sistemático a todas as nossas conquistas, tanto económicas como políticas e a recompor o aparelho de Estado.

Do outro lado, cresce a resistência activa e vigorosa dos trabalhadores e o seu inabalável desejo de luta contra a recuperação capitalista, demonstrados pela abertura diária de novas frentes de batalha em todo o campo da luta de classes.
Vitórias têm sido conseguidas em algumas dessas batalhas, apesar do permanente trabalho de traição dos revisionistas. Vai-se tomando uma regra evidente que as vitórias são obtidas onde os revolucionários conduzem as lutas, como no caso dos STCP e nos movimentos de massas na Madeira; pelo contrário, a derrota espera os trabalhadores que se deixam adormecer pelas teorias de conciliação e compromisso dos revisionistas.
Assim, mostrando-se capaz de parar a ofensiva da reacção e do capital, o movimento operário e popular ergue-se com vigor. Vimo-lo recentemente, no 25 de Abril e no 1o de Maio. Vamos vivê-lo de novo na Jornada Nacional de luta da próxima quarta-feira, 22 de Junho.

Camaradas
A perspectiva dos comunistas para a Jornada de luta de 22 de Junho é clara e combativa, de oposição aos planos reaccionários da burguesia, de combate até à vitória.
No dia 22, vamos sair à rua para manifestar a nossa disposição firme e vigorosa:
para impor a saída dos ACTs através da luta prolongada e vitoriosa, não nos deixando enredar nas pequenas greves desgastantes de "quarto de hora" ou "meio-dia";
para rejeitar as Portarias reaccionárias do governo e lutar por que as nossas conquistas sejam garantidas, elaborando cadernos reivindicativos nas empresas.
para lutar contra os processos disciplinares e as arbitrariedades do patronato.
para lutar contra as leis anti-operárias e antipopulares do governo, em particular contra a projectada lei da greve que retira esse direito aos trabalhadores de determinados sectores.
para lutar contra a diminuição dos salários reais, recusando a aplicação do decreto dos 15% é mantendo a reivindicação de salários que combatam o aumento do custo de vida.
No dia 22, ao virmos para a rua manifestarmos a nossa disposição de fazer com que sejam os ricos a pagar a crise que provocaram, não esqueceremos também que é num único movimento de luta contra a miséria e os atentados à democracia, como é a prisão de Rui Gomes, que deve ser levantada a oposição e o combate ao fascismo e à recuperação capitalista.

Camaradas
Porque razão os revisionistas, através do seu domínio de cúpula no Movimento Sindical, têm tentado desviar, da luta os trabalhadores e aparecem agora a convocar-nos para uma "grande jornada de luta e unidade"?.
A razão é simples: é que só agora o governo de Soares, forçado pelas contradições internas da burguesia reaccionária e pelas pressões da base do seu partido, iniciou as conversações para o famigerado "pacto social". E portanto, só agora, os revisionistas precisam de nos utilizar como "força de pressão" para essas negociatas.
Outra razão existe ainda para a convocação pela CGTP-IN da Jornada de 22. É que os revisionistas não podiam travar mais o movimento de massas contra a recuperação capitalista sob pena de se desmascararem mais abertamente a sectores cada vez mais amplos de trabalhadores. Por isso, pretendem fazer do dia 22 uma "válvula de escape" destinada a moderar a nossa vontade de luta, cumprindo assim o papel de travão das lutas que a burguesia reaccionária ainda lhes reserva.
A nossa resposta a estas manobras traiçoeiras só pode ser uma. A Jornada de 22 de Junho não vai ser, como os revisionistas pretendem, um "ponto alto" sem consequências na luta que estamos a travar. Será sim um novo marco na via da ampliação e radicalização das nossas lutas, único caminho que pode barrar o avanço do grande capital e da reacção e conduzir-nos a novas vitórias.
Será através da nossa actuação vigorosa durante as concentrações e manifestações que nos demarcaremos dos revisionistas, defendendo as palavras de ordem que correspondem às alternativas revolucionárias, únicas que vão ao encontro dos interesses dos trabalhadores.

Camaradas
Preparemos activamente a Jornada do dia 22.
Que em todas as fábricas e empresas, as Comissões de Trabalhadores, Comissões Sindicais e delegados sindicais promovam reuniões e plenários onde sejam discutidas e aprovadas palavras de ordem combativas que exprimam o desejo profundo de luta dos trabalhadores.

TODOS A RUA NO DIA 22,
NUMA GRANDE JORNADA DE LUTA!

PELA SAÍDA DOS ACTs!

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