quinta-feira, 8 de junho de 2017

1977-06-08 - TEMOS DE DEFENDER A NOSSA COOPERATIVA! - PCTP/MRPP

PARTIDO COMUNISTA DOS TRABALHADORES PORTUGUESES (PCTP/MRPP)

TEMOS DE DEFENDER A NOSSA COOPERATIVA!

AOS TRABALHADORES DA COOPERATIVA 22 DE JULHO
A nossa cooperativa recebeu, há já alguns dias, ma carta do Centro Regional da Reforma Agrária de Portalegre. Essa carta dizia-nos que devíamos sair do Coúto de S. Romão (parte da Tapada dos Fomos) a fim de que ele seja entregue ao Barreto e à família.
Quer isto dizer que o Centro Regional da Reforma Agrária, mandado pelo governo de Mário Soares, pretende tirar à nossa cooperativa uma terra que nos pertence - porque sempre a trabalhamos - para a dar ao Barreto e à família.

Essa acção do Governo faz parte do ataque que os capitalistas e os latifundiários pretendem lançar contra a reforma agrária que nós, trabalhadores rurais, pusemos de pé.
Para levar a cabo estes ataques à reforma agrária, o governo de Mário Soares apoia-se na chamada lei da reforma agrária que foi feita pelo 4º governo provisório de Vasco Gonçalves e aprovada pelos partidos P”S”, PPD e P"C"P.
Aquela lei, embora falando em reforma agrária, o que pretende de facto e servir os interesses dos latifundiários e dos capitalistas, dando-lhes 50 mil pontes das terras que lhes foram expropria das. É assim que o Barreto e a família aparecem agora a pedir o Couto de S. Romão
E a quem cabe a responsabilidade disto? Cabe aos anteriores governos provisórios que fizeram a lei; cabe ao actual governo de Mário Soares que a executa; e cabe ainda aos partidos P”S", PPD e P”C"P que aprovaram a lei.
A reforma agrária e as cooperativas foram feitas por nós, trabalhadores, e não podemos confiar nas leis, nos governos e nos partidos da burguesia para defendermos as nossas conquistas.
Certas pessoas dentro da nossa cooperativa, estão ainda iludidas e chegam a dizer que não faz mal entregar o Couto de S. Romão pois que a gente nem precisa daquilo.
Não podemos ter dúvidas de que a seguir do Couto de S. Romão os latifundiários vão exigir todas as outras restantes terras e que é no fundo a cooperativa aquilo que eles quererá destruir.
Não podemos ter dúvidas de que se não lutarmos pela defesa da cooperativa é a fome, a miséria e o desemprego aquilo que nos espera.
É por isso, camaradas, que temos de lutar contra a desocupação do Couto de S. Romão e pela defesa da nossa cooperativa.
Para isso temos, era primeiro lugar, de discutir entre nós todos os problemas que surjam na nossa cooperativa, sendo errado, na nossa maneira de ver que a direcção não faça reuniões há mais de dois meses.
Sem fazermos reuniões e discutirmos todos os problemas, não podemos unir-nos e os problemas ficam sem solução. Só têm medo das reuniões e da discussão os oportunistas que quererá viver à custa dos trabalhadores.
Por outro lado, temos de saber unir todos os trabalhadores à volta da cooperativa e para isso temos de dar trabalho a, todos eles e principalmente temos de dar trabalho às mulheres que estão neste momento todas desempregadas.
Há muitos trabalhos que as mulheres podiam fazer e isso ia reforçar a unidade de todos os trabalhadores volta da, cooperativa.
Outra, coisa que devemos fazer é abrir a cooperativa de consumo, da qual possa beneficiar todo o povo da nossa vila. Isso irá unir ainda, mais o povo que não trabalha na cooperativa com os que nela trabalham.
CAMARADAS:
Fazendo isto, temos de nos preparar para grandes lutas pois os capitalistas e os latifundiários pretendem destruir a reforma agrária para assim manterem a sua exploração.
Lutar é a única coisa que nos resta e se lutarmos conseguiremos alcançar a, vitória.

SÓ OS TRABALHADORES PODEM VENCER A CRISE!
ABANDONEMOS AS ILUSÕES E PREPAREMO-NOS PARA A LUTA!
RESISTÊNCIA ACTIVA AS DESOCUPAÇÕES!
VIVAM AS COOPERATIVAS CAMPONESAS!
VIVA A REFORMA AGRÁRIA CAMPONESA!

Alter do Chão, 8 de Junho de 1977

A CÉLULA DO PARTIDO COMUNISTA DOS TRABALHADORES PORTUGUESES (PCTP/MRPP) NA COOPERATIVA 22 DE JULHO

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