quarta-feira, 7 de junho de 2017

1977-06-07 - A LUTA CONTINUA SOLIDARIEDADE COM COIMBRA! - UJCR

A LUTA CONTINUA
SOLIDARIEDADE COM COIMBRA!

1. O C.Z. do ensino Superior da UJCR saúda calorosamente as vitórias associativas anti-fascistas em Engenharia e no ISEP, pois estas vitórias mostram à evidência que os estudantes não querem o regresso ao 24 de Abril e recusam a decadente política educacional do Governo. As votações nestas listas, em Engenharia ultrapassando o milhar de votos e no ISEP atingindo mais do dobro da votação na lista da direita, que congregava o PPD, o CDS e a JS de direita, são uma recusa e uma resposta clara às tentativas da di­reita e dos fascistas de sabotar a nossa luta contra o sistema educacional ditado pelo imperialismo americano.

Por outro lado, na nossa Academia, acumula-se uma crescente revolta de largos sectores de estudantes contra a selecção e o autoritarismo. São muitas as faculdades e institutos onde os testes e as frequências são inúmeros, e em certos casos mesmo diários, onde elevadas percentagens de estudantes reprovam, onde os professores mais reaccionários recorrem abertamente aos métodos fascistas - o autoritarismo, a recusa ao diálogo, as aulas magistrais. Nem sequer há respeito por quem trabalha! Os estudantes-trabalhadores, depois de longas horas de trabalho, depois de mal terem tempo para comer, são obrigados a horas a fio de aulas e são atingidos por um alto grau de selecção.
Os sinais de revolta espalham-se a todas as escolas: seja na FEUP contra a selecção intensa, no ISEP contra a tentativa de o passar a ensino médio, seja nos vários cursos de Letras, contra a legislação elitista e anti-democrática do MEIC. É uma poderosa revolta que está por organizar e alargar. Ela ataca de frente um dos objectivos centrais do MEIC: a elitização do ensino, colocando-o ao serviço dos ricos.
Os estudantes têm de avançar e unir-se contra o regresso aos métodos pedagógicos do passado, o regresso a um ensino de elite, o ensino das cunhas e dos canudos.

2 - A revolta estudantil atingiu nas semanas passadas um dos pontos mais altos depois do 25 de Abril. Milhares de estudantes opuseram-se frontalmente ao MEIC e à sua política, a sua luta integrou-se na luta do Povo contra o avanço do fascismo. Isto aconteceu na manifestação conjunta dos operários dos STCP com os estudantes da Academia e foi demonstrado pelas inúmeras moções de Sindicatos e Comissões de Trabalhadores, de apoio à nossa luta.
É preciso compreender claramente que a luta está longe de ter terminado, novas lutas se aproximam!
A Academia de Coimbra está firme e não vai deixar entrar os saneados. Não será a burla do referendo, a que ate pessoas que não têm nada a ver com a Academia puderam responder, que farão vergar a determinação dos estudantes. Cardia vai utilizar o processo que já utilizou para tentar vergar a nossa Academia, o mesmo processo usado pelo Barreto em Mora, contra os assalariados do Alentejo Vermelho - a repressão, tentando vergar a razão pela força!
A greve geral cumprida praticamente a 100% na Academia de Lisboa, as decisões do último ENDA, a solidariedade dos professores são indícios de que a luta vai continuar e o MEIC há-de vergar.
E o MEIC tem de vergar, porque e o responsável nº 1 pela situação que se vive nas Universidades. Foi Cardia quem mandou estudantes fazer exames para o Governo Civil, foi Cardia que desintegrou o ISCSP, foi Cardia que recorreu à repressão policial que causou dezenas de feridos, foi Cardia que fechou uma Academia e é Cardia que defende os fascistas saneados; é Cardia que quer chumbar milhares de estudantes e impedir dezenas de milhares de acederem ao Ensino Superior depois de completarem há um ano o 7º ano.
Cardia, o Governo de que faz parte e os seus inspiradores, o grande capital e o imperialismo, são os únicos responsáveis pelo agudizar da crise. Enquanto o MEIC persistir numa política anti-estudantil de recusa ao diálogo e de pactuação com o fascismo, haverá luta! No entanto, o isola do MEIC de Cardia ainda vai respirando, porque tem nas escolas alguns balões de oxigénio: são os fascistas do CDS e PPD e a cúpula direitista da JS, que apoiando o seu ministro e tentando combater a nossa unidade e mobilização, ainda permitem ao Cardia e ao MEIC muita da sua arrogância e prepotências.
É também o apoio mascarado dos revisionistas, que com a sua política de "recuperação económica" (nova versão da "batalha da produção"), alinham a favor da recuperação capitalista. Tirámos a prova dos nove nas lutas que travamos e que tentaram em vão trair, ouvimo-lo pela boca do deputado revisionista Carlos Brito, que afirmou na Assembleia da República reconhecer o "carácter anti-fascista de Sotto Mayor Cardia". Passam-se assim para o campo do CDS, para o campo daqueles que querem ver a crise ser descarregada sobre os ombros dos trabalhadores.

3 - A LUTA CONTINUA! CARDIA PARA A RUA!
Quando Cardia se prepara para reintegrar os saneados de Coimbra, quando os fascistas do CDS e JSD elaboram "listas negras" de professores democratas que se solidarizaram com a luta dos estudantes, quando se aproxima a grande selecção de fim de ano que o imperialismo americano "sugeriu", os estudantes não podem ficar de braços cruzados.
Soubemos levantarmo-nos em solidariedade para com os nossos colegas de Psicologia; soubemos, enfrentar, na rua, a polícia de choque, em solidariedade para com um camarada vítima da "justiça” da burguesia. Não podemos deixar agora passar em claro a provocação que Cardia tem em vista: recolocar na Academia de Coimbra, delatores e colaboradores da repressão fascista, ajudar a pavimentar o caminho que leva ao regresso ao 24 de Abril. Os estudantes não vão permitir que tal suceda. Os estudantes do Porto não poderio deixar de manifestar, também, agora, a sua solidariedade activa, nos actos, na luta, aos seus colegas de Coimbra, cujo objectivo é apenas um: fazer cumprir as decisões democráticas dos estudantes da Academia de Coimbra, defender o 25 de Abril. Todos os estudantes revolucionários devem tomar em mãos o esclarecimento a todos os estudantes sobre o real significado destas medidas e da política do MEIC, elaborada pelo Banco Mundial (americano).
Não podemos permitir que "pactos sociais" travem a nossa luta. Os operários metalúrgicos, os assalariados do Alentejo Vermelho, os operários das intervencionadas já rasgaram o "pacto social". Também nós o faremos, pois a nossa luta tem a razão a guiá-la. Nem repressão, nem calúnias impedirão que as arbitrariedades e a arrogância do Cardia sejam transformadas em fumo.
O camarada RUI GOMES, há 20 meses preso, há 11 dias em greve da fome, tendo já perdido 6Kg, está-nos a dar uma lição de firmeza que não podemos trair. Nem a injustiça, nem a prepotência, nem qualquer tirano de pés-de-barro serão capazes de destruir a força do progresso e da razão.
A UJCR chama os estudantes a manifestarem activamente a sua solidariedade com Coimbra; chama a Academia do Porto a rejeitar a política reaccionária de Cardia. Os estudantes devem reforçar o poderoso movimento popular que tem feito tremer por todos os lados o Governo de Soares e o fascismo e que exige um Governo anti-fascista e revolucionário, um governo que pratique uma política de cara lavada e costas direitas – O GOVERNO DO 25 DE ABRIL DO POVO!

Porto, 7 de Junho de 1977

CONCELHO DE ZONA DO ENSINO SUPERIOR DO PORTO DA UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA REVOLUCIONÁRIA (UJCR)

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