sexta-feira, 2 de junho de 2017

1977-06-02 - Unidade Popular Nº 121 - PCP(ml)

O perigo social-imperialista

A concretização da Conferência de Lisboa sobre a Ameaça Russa, a realizar no próximo mês na capital do nosso País, constituirá um passo significativo no despertar da consciência europeia para o perigo que o continente europeu atravessa de se ver envolvido nas tenazes do social-imperialismo.
Mas esta iniciativa chama-nos a atenção para Belgrado. Na capital jugoslava realizar-se-á muito em breve uma conferência que os novos czares pretendem que seja a continuação da mascarada de Helsínquia. A Rússia social-imperialista quer fazer de Belgrado o palco das suas encenações de «paz» e «desanuviamento», bandeiras negras que tem agitado para adormecer os povos e os governantes ocidentais. Moscovo sabe que o adormecimento do Ocidente seria um passo para concretizar os seus sonhos expansionistas.

Quando Brejnev assinou o Acto Final de Helsínquia houve quem tivesse pensado que assim se veriam limitadas as ambições dos novos czares. Mas Helsínquia apenas alimentou de facto, a voracidade do social-imperialismo.
Ainda as assinaturas do Acto de Helsínquia não estavam secas no papel do acordo e já os novos czares invadiam Angola. Continuavam a corrida aos armamentos. Alargavam o cerco à Europa. Moscovo calcou aos pés o acordo que promovera e que ainda agita para cobrir os seus golpes.
Entretanto, começam a levantar-se no Ocidente vozes denunciando a ameaça russa, lutando contra O espírito de conciliação com o social-imperialismo. A Conferência de Belgrado terá lugar quando são muito mais claras, aos olhos de todos, as intenções dos novos czares. Que posição irão tomar os governos ocidentais em Belgrado? Isso é coisa ainda incerta. No entanto, a participação na Conferência é, já por si, reveladora da inconsequência que a sua atitude poderá ter.
Não se pode esperar que os novos czares do Kremlin reconheçam a sua escalada imperialista nem que se sintam amarrados a novos acordos!
Além disso, a eventualidade de Belgrado vir a transformar-se em tribuna de denúncia do social-imperialismo, o que seria positivo, não transpareceu sequer.
Nesta situação, a Conferência de Lisboa sobre a Ameaça Russa assume particular importância no panorama político nacional e também internacional.
Durante alguns dias será posta a nu, em Lisboa, a ofensiva social-imperialista. Personalidades do País e estrangeiras contribuirão, assim, para alertar os povos português e de outros países europeus para a verdadeira ameaça russa e para a eventualidade dos novos czares desencadearem uma nova guerra mundial. Os conferencistas analisarão os diversos aspectos da ofensiva moscovita: a desinformação, o papel das quintas-colunas, a tentativa de asfixia económica da Europa, entre outros.
No que respeita a Portugal temos, finalmente, que nos congratular pela unidade que de qualquer forma foi conseguida entre quatro partidos democráticos na organização da Conferência.
Apesar das naturais divergências existentes entre si, elementos do CDS, do PCP(m-l), do PSD e do PS e também personalidades independentes, assinaram um Manifesto da Conferência e continuam a prepará-la, dando assim o seu contributo para barrar o caminho à investida agressiva dos novos imperialistas de Moscovo.


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