quinta-feira, 1 de junho de 2017

1977-06-01 - Unidos e Organizados Venceremos Nº 17

Governo admite
MAIS UMA PROVA DA NOSSA RAZÃO

Em visita ao Norte «para ter contacto com os problemas do sector têxtil», o secretário de Estado da Indústria e Tecnologia, concordou, em reunião havida com a nossa Federação, que as causas da crise que afectam algumas empresas do sector têxtil não estão relacionadas com os salários dos trabalhadores.
Não é nada que nós não soubéssemos há muito tempo, pois quem quer que trabalhe numa dessas fábricas sabe que existe toda uma outra série de factores que levam a essa crise tais corno a maquinaria envelhecida que os senhores patrões não renovaram em tempo por estarem sempre a contar com a nossa superexploração como fonte única dos seus lucros; a má gestão de muitos patrões que nem isso sabem ser, quando não o desvio e a sabotagem económica para fins particulares; a dependência em relação à Banca da qual viviam antes do 25 de Abril e, acima de tudo isto, a crise internacional do capitalismo e os seus reflexos no sector têxtil e a própria lógica do sistema capitalista em que os grandes derrubam os pequenos e os países ricos exploram os países deles dependentes economicamente, como tem sido o nosso caso.

Não sendo, pois, nada que nós não soubéssemos, é importante vê-lo registado em letras de jornal diário pois é mais um argumento a nosso favor, e o reconhecimento da justiça da nossa luta, na qual é impossível que ganhando em muitos casos salário igual ou inferior ao mínimo nacional, sejamos aumentados apenas 15 por cento!
Será que após estas declarações o Governo continuará a manter-se na sua posição? É bem certo que sim. A esse respeito não devemos ter ilusões pois são já milhares os exemplos da actuação do Governo que assim o demonstram. A nossa luta só sairá vitoriosa se nos soubermos unir e organizar para, na luta, mostrarmos aos senhores governantes e a todos os exploradores que não estamos dispostos a permitir uma recuperação capitalista feita à nossa custa.
O significado desta nossa luta que temos de vencer não é, no entanto, restrito ao nosso sector. A nossa luta engloba-se no amplo movimento de resistência activa da classe operária e do povo trabalhador em geral contra a política antioperária do actual Governo, como é exemplo a lutados metalúrgicos e outras,
Este movimento exprime um grande descontentamento que hoje existe no seio do nosso povo contra as cada vez piores condições de vida, o aumento dos preços, acrescente repressão através de intervenções policiais, da GNR, o descaramento dos fascistas, a libertação dos «pides» etc.
Porém, este justo descontentamento não tem por objectivo derrubar um Governo que segue esta política para o substituir por outro ainda pior constituído por aqueles que antes do 25 de Abril aprendiam lições nas aulas do fascista Mar­celo Caetano nem daqueles que se limitavam a propor reformas do regime fascista, porque acima de tudo não queremos o fascismo ou regime semelhante.
O nosso descontentamento é devido ao facto de não querermos perder as conquistas alcançadas depois do 25 de Abril e estarmos dispostos a lutar por elas. É nesta luta que estamos unidos a milhões de trabalhadores portugueses, contra aqueles que tudo fazem para nos dividir, explorar e enganar, por melhores condições de vida e de trabalho, pela exigência do cumprimento da Constituição que aponta para «a sociedade sem classes» através do «exercício do poder democrático dos trabalhadores», pela independência nacional contra aqueles que dia a dia desprezam a capacidade do povo português para estabelecer e levar à prática um plano de medidas e transformações económicas que visem libertar-nos das garras do imperialismo em vez de a ele nos empenharem cada dia que passa.


A LUTA CONTINUA VENCEREMOS!

Sem comentários:

Enviar um comentário

1977-06-00 - ER Boletim Nº 01

O QUE É E PARA QUE SERVE ESTE   BOLETIM Os militantes sem partido da Unidade Popular são um largo conjunto de militantes revolucioná...

Arquivo