quinta-feira, 1 de junho de 2017

1977-06-01 - ISTO É GRAVE! - Movimento Estudantil

ISTO É GRAVE!
COMUNICADO AOS ESTUDANTES

No dia 1 de Junho de 1977 na aula de Teorias de Personalidade com o Dr. Alberto Queiroz passaram-se os seguintes factos/;
Ponto 1 – O orientador chegou à aula das 18H e 30m atrasado 40m, «exigindo que o grupo, encarregado da exposição de um tema (Wallon), o fizesse de imediato. Entretanto, em virtude do atraso do professor encontrava-se apenas na turma um elemento do grupo, encontrando-se os restantes nas instalações do ISPA. Perante isto ameaçou chumbar o grupo se não aparecessem imediatamente. Foi neste momento que alguns elementos da turma saíram para chamar os componentes do grupo e restante turma.

Ponto 2 - Neste espaço de tempo, um elemento da comissão de turma informou-o do que se tinha decidido na reunião havida entre as turmas 4, 5 e 6 no passado dia 5 de Maio. Nesta reunião ficou acordado marcar-se um encontro com o Dr. Alberto Queiroz afim de lhe serem apresentadas as criticas que desde o inicio do ano os alunos lhe vinham fazendo a respeito do seu método pedagógico e da orientação que dava à matéria ministrada. Face a estas informações o Dr. Alberto Queiroz respondeu intempestivamente que "tudo está decidido definitivamente e não há mais nada a discutir", que "é necessário dar aulas e não perder mais tempo em reuniões de alunos".
Ponto 3 - Perante a atitude do Dr. Queiroz, os alunos contestaram-na reafirmando que os problemas continuavam a existir, ele retorquiu que já tinha dado orientação aos trabalhos (?) e que cada um os podia elaborar da maneira que quisesse, mas a avaliação dos mesmos era feita por ele segundo os seus critérios, porque ele era o "professor". No seguimento de um comentário de um colega sobre o carácter "magister dixit" da sua actuação ele respondeu que não era isso, mas era pena que não fosse. Servindo-se do grupo que ia expor o tema sobre Wallon como exemplo de que todos os problemas pedagógicos estavam resolvidos (na sua teoria), interpelou-os no sentido de provar que tinha dado orientação pedagógica aos trabalhos, o que era inteiramente falso, passando a ler uma folha com considerações sobre a tal orientação que ele disse ter dado.
Ponto 4 - Nesta altura um colega apontou-lhe que esta sua actuação era a prova de que os problemas pedagógicos ainda não tinham sido resolvidos. Continuando a insistir que já tinha decidido tudo, o mesmo colega respondeu-lhe que estava desambientado em relação aos métodos utilizados no nosso Instituto. A reacção do Dr., foi tentar expulsar o colega da aula, pedindo-lhe o nº e nome o que lhe foi recusado. De seguida, enquanto procurava, a fotografia na caderneta prometeu o chumbo e a expulsão do ISPA.
A posição de solidariedade de um colega da turma 4 que ali se encontrava mereceu do Dr. Queiroz a mesma reacção, tendo pedido o nº e nome para anotar na caderneta. O 1º colega visado informou-o que não existia processo disciplinar no ISPA e tomou perante a turma a posição de que era o Dr. Queiroz quem deveria ser expulso e não ele. Nesta altura o Dr. referiu exaltadamente, batendo com as mãos na mesa, que o ISPA pertencia às congregações religiosas e que quem não obedecesse a estas ou não seguisse os seus princípios era expulso do ISPA. O colega que tinha recebido ordem de expulsão exclamou: "Com que então os da OPUS DEI!!!...” Ao que ele respondeu; "... se não sabia fica a saber...” O Dr. disse de imediato ao colega que não seria expulso se pedisse perdão... Retorquiu este que nunca o faria por não lhe dever nenhuma obediência. Depois de acompanhar as suas imprecações com violentos murros na mesa (partindo o relógio) abandonou a sala intempestivamente, prometendo que ninguém seria expulso... porque o ISPA encerraria no dia seguinte.
Ponto 5 - Em face destes acontecimentos e reunidas de emergência as 3 turmas de que ele é professor, tomaram a seguinte posição;
1. Elaborar este comunicado.
2. Fazer um relatório de todo o processo pedagógico conduzido pelo Dr. Alberto Queiroz a entregar ao Conselho Pedagógico e, exigindo que este instaure um inquérito ao trabalho do professor e se pronuncie, depois de ouvidas ambas as partes no prazo máximo de 8 dias, no sentido de dar seguimento ao processo.

A Comissão da turma 5 mandatada pela reunião interturmas.
Lisboa, 1 de Junho de 1977


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