domingo, 11 de junho de 2017

1977-06-00 - Boletim Informativo Nº 04 - AAC - Movimento Estudantil

BOLETIM INFORMATIVO nº 4
6/77

EDITORIAL: o feitiço virou-se contra o feiticeiro!
Qualquer colectividade ou associação tem os seus órgãos próprios de decisão comummente reconhecidos e tradicionalmente aceites como tal. O prestígio da uma associação é fruto, em grande parte, do bom funcionamento democrático e das decisões correctas que são tomadas colectivamente em tais órgãos decisivos. O facto de se aceitarem unanimemente resoluções aí tomadas de forma maioritária, apenas confirma o prestígio de tais órgãos democráticos.
A MC tem é seu órgão máximo de decisão a A. Magna e será supérfluo dizer que à A. Magna se aplica tudo o que se acabou de referir.
Em A. Magnas amplamente participadas e democráticas, em que cada vez maior número de estudantes se pronunciou sobre o problema dos saneados na Escola e sobre a forma de luta a usar, a Greve Geral. Cujo funcionamento democrático obrigou a engolir as suas tradicionais calunias a certos jornalistas semi-profissionais e a certos mentecaptos, e ao mesmo tempo forças políticas de direita reaccionária foram forçadas a reconhecer esse facto publicamente.
Eis senão quando o Ministro descobriu que as A. Magnas não eram democráticos, que meia dúzia de agitadores conseguiam enganar, ameaçar e sabe-se lá que mais… a esmagadora maioria dos estudantes. O Ministro passava assim um certificado de cobardia, estupidez e inconsciência ao conjunto da Academia de Coimbra conduzida a toque de caixa "por meia dúzia de Hércules iluminados.
Mas o que se terá passado? Só agora e que as A. Magnas são anti-democráticas para o Ministro?
A verdade é só uma: Cardia ataca as A. Magnas só e apenas pelo facto das decisões ai tomadas não serem do seu agrado. Se em vez de extremamente participadas o não fossem, se em vez de democráticas se reduzissem a batalhas campais, mas as resoluções daí saídas de acordo com o MEIC não teríamos visto o Ministro atacar as A. Magnas. Estranho conceito de democraticidade! Que possa existir em alguns cérebros!... Mas que se pretenda impor aos outros!... Isso nunca!
Para atingir os objectivos que se propunha, Cardia rebuscou no seu arsenal de métodos pseudo-democráticos a melhor maneira de, segundo, consultar a opinião dos Estudantes de Coimbra. Ultrapassando as próprias leis ou melhor, interpretando à sua maneira essas leis, intervém autocraticamente na vida interna de uma AE.
Escolhendo o seu terreno, as armas, o dia e a hora e os padrinhos, Cardia põe em pé um Referendo que se encontra igualmente enfermo de fraudes (casos de dois para 1 pessoa só, pessoas sem referendo, colegas de outras faculdades que o recebem também...), sujeitando a vontade dos estudantes a coacção (deliberadamente solicitada no discurso na TV) morais, físicas, familiares e económicas e esquecendo a verdadeira questão: sim ou não aos saneados. Uma sondagem feita pela Revista Opção, apresenta resultados significativos sobre os problemas em causa: 72% dos estudantes que responderam consideram a actuação do MEIC anti-democrática. 75,4% consideram o Referendo como uma falsa alternativa. 57% a favor do Ministro foi o resultado apresentado e por vezes escamoteado pelas notas oficiais. O feitiço virou-se contra o feiticeiro! Cardia estava prontinho a aparecer em nova "comunicação ao país" com um resultado, que não teve, dizendo: eis a prova! Meia dúzia de esquerdistas sem representatividade opõem-se as autoridades democráticas. Tal não pode fazer, Cardia sofreu uma derrota no seu próprio terreno, Cardia não tem o aval, "à priori", nem a cobertura para todas as medidas anti-estudantis que ele considere "legais". É extremamente significativo que apenas uma percentagem como 57% tendo em atenção a falsa alternativa proposta, as coacções e as fraudes existentes. A fachada democrática do referendo caiu ficando apenas a burla aos olhos da Academia e do país.
Os objectivos da luta estudantil mantém-se. Os saneados comprometidos com o regime fascista são indesejáveis e a Academia não os aceita no seu seio. Cardia tem sobre si, ao encerrar a FCTUC primeiramente e a Universidade depois, a responsabilidade de fazer perigar o aproveitamento do ano escolar em curso. Ninguém pretende passagens administrativas, mas igualmente ninguém pretende chumbos administrativos.
A luta continua!
Os Objectivos mantem-se!


A Equipe de Publicações da Direcção Geral da AAC.

Sem comentários:

Enviar um comentário

1977-06-00 - ER Boletim Nº 01

O QUE É E PARA QUE SERVE ESTE   BOLETIM Os militantes sem partido da Unidade Popular são um largo conjunto de militantes revolucioná...

Arquivo