domingo, 18 de junho de 2017

1972-06-00 - Os Povos das Colónias Vencerão! Nº 02 - CLAC's

Os povos das colónias VENCERÃO!
Nº 2 JUNHO 1972
ÓRGÃO DOS COMITÉS DE LUTA ANTI-COLONIAL E ANTI-IMPERIALISTA

TRABALHO ESCRAVO EM ANGOLA

A REUNIÃO DE ADDIS ABBEBA
A reunião do Conselho de Segurança da ONU em Addis Abeba foi uma grande vitória na frente diplomática pela causa da libertação nacional dos povos de África.
Desde o fira da 2ª guerra mundial as lutas de libertação nacional contra a opressão colonialista desenvolveram-se impetuosamente. Numerosos estados Africanos obtiveram a independência e lutam para salvaguardar a sua soberania nacional, contra a ingerência das grandes potências nas suas questões internas, para se libertarem da dominação neo-colonialista dos imperialistas.
Hoje, os povos de Angola, Guiné Bissau e Moçambique que se encontram ainda sob a dominação colonial, portuguesa travam uma luta resoluto para obter a sua independência.
Os povos da Namíbia (Sudoeste Africano}, do Zimbabwe (Rodésia do Sul), e da África do Sul, lutam corajosamente para se libertarem da opressão racista, e fascista da minoria branca que os oprime ferozmente na África do Sul e na Rodésia.
As lutas de libertação nacional que se desenvolvem em África pertencem à mesma corrente irresistível que a luta dos povos da Indochina, Palestina, Ásia e América Latina, contra o colonialismo, o neo-colonialismo e o imperialismo,
Perante o enorme desenvolvimento da luta dos povos do mundo inteiro, os imperialistas isolados e impiedosamente desmascarados, são obrigados a fazer cada vez maior número de concessões.
Obrigado a ter em conta as justas propostas dos Estados Africanos vigorosamente apoia das pelo delegado da República Popular da China, o Conselho Segurança da ONU que até agora tem sido apenas um meio diplomático de pressão das potências imperialistas, na sua reunião especial em Addis Abeba no mês de Janeiro-Fevereiro passados, consagrada aos problemas da descolonização em África, transformou-se numa tribuna, aonde o colonialismo, o racismo e o imperialismo foram violentamente denunciados particularmente pelos numerosos estados Africanos e pelo delegado da República Popular da China.
O colonialismo português, os regimes racistas e fascistas da Rodésia e da África do Sul foram denunciados, assim como a inércia do Conselho de Segurança nesta questão, isto devido ao facto que as grandes potências imperialistas, que em palavras condenara o colonialismo e o racismo, o fazem apenas para esconder que fornece com capitais e armas, a Portugal, à Rodésia e à África do Sul. Os imperialistas britânicos particularmente, fazem tudo para apoiar o regime racista do Ian Smith na Rodésia, e fazem todos os esforços para a prestar a constituição de uma aliança militar muito estreita entre Portugal, a África do Sul e a Rodésia, para estrangular a luta de libertação dos povoa de Angola, Moçambique, do Zimbabwe, da Namíbia e da África do Sul; A hipocrisia do Governo inglês foi violentamente denunciada, assim como o pacifismo e a resignação que ela prega aos povos africanos em luta, para que os imperialistas e os colonialistas possam continuar a escravizá-los, a explorá-los e a oprimi-los em paz.
Nesta reunião do Addis-Abeba o Conselho de Segurança transformou-se numa tribuna a onde a causa de libertação nacional em África e os seus defensores, puderam dizer que denunciar o racismo não tem valor, é apenas uma farsa pacifista, se não se denunciar ao mesmo tempo o imperialismo, o colonialismo e o neo-colonialismo.
A reunião especial do Conselho de Segurança da ONU em Addis Abeba originou entre ou­tros, os trabalhos do Comité de descolonização da ONU.
A partir de agora, a força politica que constituem os países africanos na arena internacional não pode mais ser ignorada. Isto compreenderam-no os povos africanos através da sua luta e obterão vitórias cada vez maiores contra as forças reaccionárias se perseverarem na solidariedade e na luta.
Na reunião do comité de descolonização da ONU, o delegado da República Popular da China declarou sobre esta questão:
- “Nenhuma força reaccionária se retirará por ela própria da cena da história; o imperialismo, o colonialismo e o neo-colonialismo recorrem às intrigas e manobras na esperança de voltar à carga ou de se aferrar. O social-imperialismo por seu lado esforça-se por se infiltrar em África na tentativa de alargar as suas esferas de influência. Todos os povos revolucionários devem redobrar a sua vigilância e impedir firmemente todas as suas manobras criminosas.
Exasperados pelo desenvolvimento da luta dos povos revolucionários do mundo, os imperialistas acabarão por ceder mesmo na frente diplomática, que é no entanto um dos seus campos de manobra favorito, perante a corrente irresistível das forças revolucionárias no mundo.

NAS ZONAS LIBERTADAS PELA UNITA
Traduzimos aqui algumas passagens da reportagem que Fritz Sitte, jornalista estrangeiro, fez com a UNITA nas zonas libertadas por ela em Angola. O interesse desta reportagem reside essencialmente no facto de ser a primeira reportagem feita nas zonas libertadas pela IMITA em Angola.
ELES APRENDEM A LER E A ATIRAR
O quartel general da UNITA do Dr. Savimbi era um verdadeiro formigueiro. As patrulhas revezavam-se, as delegações das outras zonas apresentavam-se, os mensageiros corriam pelas ruas do acampamento, as mulheres levavam sobre a cabeça os víveres para os postos de abastecimento, mas em toda esta aparente desordem reinava uma ordem, imponente. Salvo quando se içava ou descia a bandeira e quando os comandos de guerrilheiros se revezavam é que as ordens ressoavam pela floresta, tudo se calava, não se ouvia, um só ruído no imenso acampamento até à ordem seguinte.
As escolas da revolução
A formação de guerrilheiros no seio da UNITA é vital. As mulheres e as raparigas têm a mesma formação militar que os homens, e existe a igualdade de direitos. Não é raro ver uma mulher chefe com uma formação mais elevada dirigir um grupo de homens.
As raparigas são especialistas da metralhadora e tem frequentemente o posto de polícia militar. O aspecto mais importante na formação militar é o combate corpo a corpo, para sobreviver e na instrução do manejo de todas as armas disponíveis. A primeira etapa na instrução do manejo das armas consiste na utilização de um pau talhado em ponta... mais tarde os paus são substituídos pelas armas.
As crianças são muito ágeis e conhecem os golpes de Karaté com os quais neutralizam o adversário no espaço de segundos.
As tácticas e métodos da guerrilha são ensinados na lousa. Cada situação é estudada e cada variante discutida.
Aprender a ler e a escrever
Depois de termos assistido durante dois dias ao treino dos guerrilheiros fomos visitar uma escola. Durante o caminho, o Presidente da UNITA declarou-nos: "Constatamos com indignação que após 400 anos de colonização portuguesa há ainda 90% de analfabetos.”
Savimbi quer transformar esta situação e quer que todos os Angolanos aprendam a ler e a escrever e ainda outras matérias. Os homens de vem aprender a reflectir e a compreender, e a preparar-se para os deveres do seu país, Angola.
Foram criadas escolas com internato, onde os rapazes e raparigas ficam toda a semana. Os estudantes e adultos devem fornecer todos os dias algumas horas de trabalho à cooperativa agrícola, e depois voltam à escola. Eles escrevem com carvão de madeira sobre pranchas de madeira.
A instrução para-militar é feita também, e estes jovens conhecem já melhor que os pais o manejo das armas na forma de paus bicudos.
Savimbi sabe que esta luta pode durar ainda dez, vinte ou cinquenta anos, e que a geração actual não será suficiente, e que estes jovens estudantes terão por sua vez de entrar no combate e substituir os pais, afim de atingir o seu objectivo, a libertação de Angola.
Cada vez mais escolas aparecem nas florestas e quando há falta de professor, os guerrilheiros substituem-nos. A milícia da UNITA, os Capocola são responsáveis pela segurança, destas escolas e defendem-nas contra as incursões dos portugueses. No fim de semana as florestas estão cheias destas crianças que voltam a casa com o quadro/prancha debaixo do braço para irem passar o fim de semana à aldeia.
Ainda durante o caminho falando sobre a luta de libertação que tem vindo a travar a UNITA Savimbi declarou-nos:
Eu diria que há quase uma lei históricas sem a ajuda da população toda a revolução está votada à derrota. Só com a ajuda da população poderemos vencer; existem sobre isso alguns exemplos nos trinta últimos anos da nossa história.
Há 5 anos nós enviámos 12 chefes cuja única arma eram facas, para 6 pontos diferentes no centro de Angola. Estes 12 chefes tinham como missão de estabelecer o contacto com a população civil, convence-la dos nossos objectivos políticos e militares e de começar em seguida as primeiras acções contra as tropas coloniais portuguesas. Seis desses chefes falharam em três pontos diferentes e foram presos; eles estão hoje ainda nas prisões de Angola. Mas nos três outros sítios obtivemos sucesso e a partir deles espalhámo-nos.
Nessa altura, os portugueses circulavam dois a dois nas estradas, nós atacávamo-los e recuperávamos duas espingardas modernas. Foi com essas armas que nós instruímos os nossos homens e continuamos a atacar e a recuperar assim cada vez mais armas.
Formávamos grupos e foi assim que nasceu o nosso exército de guerrilha, porque éramos ajudados pela população civil.
Nós não queremos um governo militarista, e os nossos comissários têm o dever em primeiro de informar a população civil dos nossos objectivos.”
Sobre o sentido da expressão "Libertação total de Angola", Savimbi diz-nos:
"Queremos, com a expressão "Libertação total", significar uma completa e total libertação de Angola, política, económico, enfim sob todos os pontos de vista. Nós não estamos dispostos a aceitar uma ajuda, com condições, que nos obrigaria a certas concessões ou promessas no que diz respeito ao período depois da libertação.
Nós queremos a amizade com todos os povos e países. Não temos nada contra o povo português.
Sobre os apoios que a UNITA recebe, Savimbi responde:
"Sim, também da China, mas eu quero frisar que não há nenhuma revolução em África que não seja apoiada pela China."

A LUTA DOS POVOS E INVENCÍVEL
As forças armadas patrióticas da Guiné Bissau mataram 149 soldados das tropas coloniais portuguesas e feriram dezenas de outros nas operações dos meses de Junho a Agosto de 1971. Destruíram também 21 carros militares inimigos, afundaram 3 lanchas e 3 vedetas inimigas. Durante este período as forças armadas guiadas pelo PAIGC atacaram as posições inimigas nas cidades importantes como Bissau, capital, e Bofata, causando ao inimigo baixas importantes. Ao mesmo tempo lançaram 109 ataques contra os acampamentos entrincheirados das cidades de Mansoa, Bolada e Gabu, e contra o porto de Pinta, causando dano nas instalações do inimigo. No decorrer do ataque contra Gabu, as forças armadas patrióticas, introduzindo-se na cidade, destruíram 8 casernas de paraquedistas portugueses.
Um relatório de Amílcar Cabral, secretário do PAIGC feito no Outono de 1971, diz que durante os 8 primeiros meses deste ano, a população nas zonas libertadas da Guiné Bissau, alcançou muitas vitórias no campo da produção de cereais, da saúde e da prevenção das doenças, assim como na intensificação da acção armada contra os colonialistas portugueses.
A. Cabral fez um apelo, no relatório, às forças armadas patrióticas e ao povo da Guiné Bissau a estarem prontos para sacrifícios ainda maiores para superar todas as dificuldades e alcançar a vitória.

MOÇAMBIQUE
As forças armadas patrióticas de Moçambique aniquilaram mais de 220 soldados colonialistas portugueses, destruíram 26 carros militares e capturaram uma grande quantidade de material de guerra durante os meses de Outubro e Novembro de 1971 na província de Cabo Delgado, diz a FRELIMO num comunicado. Ela acrescenta que os guerrilheiros armaram com sucesso 15 emboscadas, dirigiram 23 operações de sabotagem em 14 zonas da província, cerca de 190 soldados inimigos, foram postos fora de combate e muitos carros militares inimigos foram destruídos.

ANGOLA
Num comunicado publicado em Lusaka (Zâmbia), a UNITA, fez um relato das vitórias alcançadas de Junho a Agosto de 1971 pelas forças patrióticas combatendo sob a sua direcção.
A 21 de Julho, uma coluna de 120 soldados portugueses foi cercada e dividida em dois pelos patriotas da UNITA, isolando assim a vanguarda do inimigo que foi aniquilada, o que permitiu recuperar o material de guerra.
A 10 de Agosto, o inimigo tentando infiltrar-se nas zonas da UNITA, chocou imediatamente com uma resistência firme; foram mortos 37 inimigos e mais de 40 espingardas capturadas.

COMUNICADO DO MPLA
No decurso da última estação seca, as forças armadas portuguesas não puderam desencadear com sucesso as habituais ofensivas da época em virtude da, actividade ofensiva devolvida pelos combatentes do MPLA.
Os fracassos sofridos pelas tropas colonialistas, contribuíram para acentuar a já bem evidente desmoralização no seio do exército português, a perda de iniciativa no campo militar, as fugas desordenadas e o abandono de quartéis submetidos a uma intensificação de ataques dos combatentes do MPLA.
Por outro lado, na S-R.N da 3ª região, os combatentes do MPLA destruíram, no dia 3 de Novembro, o quartel militar de JIMBE a fogo de morteiros e lança-foguetes
Simultaneamente, o edifício principal das instalações da PIDE foi seriamente destruído pelos obuses lançados. Duas outras casas arderam completamente devido à intensidade de fogo dos nossos combatentes.

A LUTA ARMADA NO SUL DE ANGOLA

No princípio do ano de 1972 uma luta armada contra os colonialistas portugueses foi desencadeada pelas populações do sul de Angola. No distrito de Cunene, em coordenação com a luta levada a cabo pelos operários e o povo do Sudoeste Africano contra a opressão do regime racista da África do Sul. As autoridades colonialistas portuguesas ficaram tão alarmadas que enviaram por avião milhares de soldados e policias portugueses para a região, e que o governador geral português dirigiu pessoalmente as federações de repressão.

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