quarta-feira, 7 de junho de 2017

1972-06-00 - COMUNICADO FEDERATIVO - Movimento Estudantil

COMUNICADO FEDERATIVO

PELA REABERTURA INCONDICIONAL E IMEDIATA DAS ASSOCIAÇÕES DO TÉCNICO E ECONÓMICAS!
À LUTA CONSEQUENTE E UNIDA DOS ESTUDANTES DO TÉCNICO E ECONÓMICAS TEMOS DE DAR TODO O NOSSO APOIO!
NESTAS ESCOLAS HÁ GREVE GERAL ÀS AULAS E TAMBÉM AOS EXAMES!

No dia 6 de Maio a polícia cercou o ISCEF, impedindo a realização do encontro nacional de cooperativistas. No dia 11 a polícia voltou a cercar o ISCEF para impedir uma reunião dos estudantes com os cooperativistas, que saíram do ISCEF e se manifestaram contra a guerra colonial e em apoio à luta dos cooperativistas. No dia 16 de Maio a polícia cercou e invadiu o IST e o ISCEF causando dezenas de feridos e fechando as respectivas Associações de estudantes.

Reagiram prontamente os estudantes de Económicas decretando, no dia seguinte GREVE a toda a actividade escolar. Os estudantes do Técnico foram obrigados momentaneamente, pelo enceramento do seu instituto, que visava a desmobilização, a procurar locais de reunião e de trabalho noutras escolas. Não desarmaram no entanto, e vieram depois, a 5 de Junho, a decretar também GREVE às aulas, que então, segundo o MEN, recomeçariam...
O ataque do dia 16 seria fase decisiva de dois anos de intensa actividade repressiva durante os quais foram fechadas as AAEE de Coimbra, Medicina do Porto, Industrial, Ciências, Direito, e Letras de Lisboa; em que foram presos dezenas de estudantes; em que a Universidade foi ocupada por contínuos-pides, e vezes sem conta invadida pela polícia.
Tal como pressegue trabalhadores, prende dirigentes sindicais, demite direcções democraticamente eleitas, tal como encerra cooperativas ou lhes limita a possibilidade de trabalho, também nas escolas o Governo encerra associações democráticas dos estudantes, tenta acabar com o Movimento Estudantil, na desesperada tentativa de manter, pelo único meio que lhe é possível, a continuação de uma política de classe, declaradamente anti-popular e anti-estudantil.
Não tem no entanto esta política ficado impune. Todos nos lembramos que ainda o ano passado os bancários responderam corajosamente à repressão que sobre eles se abatera, com manifestações de rua, tendo imposto, ainda há pouco, pela sua ampla participação nas eleições, uma direcção sindical que defende efectivamente os seus interesses.
Numa altura em que as dificuldades do regime aumentam cada vez mais, este tinha preparado mais uma manobra para acabar com duas AAEE, precisamente das mais importantes de Lisboa: a do Técnico e a de Económicas. E, decisivo como era este ataque, não foram poupados métodos, por mais impopulares que se tornassem (cargas policiais para intimidar, encerramento de faculdades para desmobilizar, demagogia para enganar). Visavam todos um fim constante: retirar ao Movimento Estudantil as suas bases de trabalho mais sólidas e que foram também as mais difíceis de conquistar.
O encerramento das instalações associativas é o primeiro passo da tentativa governamental de encerrar associações e seguidamente cortar a liberdade de reunião e associação, a informação verdadeira aos estudantes. É o início do caminho que o governo anseia percorrer para liquidar a luta dos estudantes pela resolução dos seus problemas e defesa dos seus interesses.
Os estudantes tomaram consciência de que da sua resposta dependia o futuro do Movimento Estudantil português: as manifestações de rua, as greves decreta­das e cumpridas, o Plenário, ao concentrações e a distribuição de centenas de milhar de comunicados à população fizeram recuar a repressão, apontaram o caminho a seguir para alcançar as vitórias que são necessárias neste momento - reabertura imediata e incondicional das AAEE encerradas e libertação dos estudantes que ainda estão presos.
Com as posições firmes que adoptaram os estudantes de Económicas e do Técnico colocaram-se na vanguarda da luta dos estudantes portugueses pela defesa das conquistas já efectivadas.
Na greve às actividades escolares prosseguida nas duas escolas não se joga apenas a situação legal de duas AAEE mas todo o futuro das bases organizativas actuais do Movimento Estudantil. Por isso esta luta não é apenas dos estudantes do Técnico e de Económicas mas de todos os estudantes portugueses.
Impondo a realização de uma RGA conjunta, primeiro passo para uma unidade total da luta que desenvolvem, os estudantes de Técnico e Económicas deram o mesmo conteúdo à sua luta, desmascarando as posições demagógicas das autoridades governamentais que constantemente pretendem dividi-la fazendo crer que os "problemas" são distintos.
Face a este princípio de unidade na prática não podiam as autoridades governamentais ficar indiferentes, pois sabem dos perigos que advirão para a sua política, caso essa unidade se concretize e fortaleça. Não é por acaso que no dia seguinte saem três despachos do MEN de que se salienta; a omissão das causas e objectivos prosseguidos pela luta estudantil, a intenção de separar no tempo as fazes fulcrais do processo conjunto das duas escolas, a repressão económica aos assistentes que tem apoiado a luta dos estudantes e o apoio dado aos que perfilham as teses governamentais.
A resposta pronta do governo mostra-nos a importância e a justeza das perspectivas que se abrem à luta estudantil para a satisfação total das suas reivindicações.
Com a aproximação dos exames esta luta não esmoreceu, antes pelo contrário: os estudantes de Económicas ratificaram em todas as RGAs o boicota activo aos exames como forma de prosseguir a luta; na última RGA do Técnico com a presença de 1200 estudantes e por esmagadora maioria (apenas 78 contra) decretou-se também a greve total aos exames.
Esta fase do processo faz ressaltar ainda mais a necessidade de todos os estudantes participarem activamente nesta luta.
A defesa das reivindicações dos estudantes do Técnico e de Económicas deve ser assegurada, também, por todos os estudantes. A garantia do cumprimento das propostas aprovadas pelos estudantes do IST e do ISCEF deve ser assegurada, nomeadamente neste momento, pela colaboração de todos os estudantes de Lisboa nas estruturas organizativas criadas com esse fim.
Há que alargar a luta a todos os estudantes de Lisboa e do País.

PELA REABERTURA DAS AAEE ENCERRADAS
APOIO ACTIVO AOS ESTUDANTES DO TÉCNICO E ECONÓMICAS


As Associações de Estudantes do Lisboa

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