domingo, 28 de maio de 2017

1977-05-28 - A SITUAÇÃO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL NA REGIÃO - PCTP/MRPP

I CONFERÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO REGIONAL DE LISBOA
LISBOA 28/29 MAIO

A SITUAÇÃO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL NA REGIÃO

Queridos camaradas
Ao iniciar a leitura do Relatório sobre a Situação do Movimento Estudantil na Região de Lisboa, desejo expressar as mais vivas e cordiais saudações comunistas a todos os camaradas delegados a esta I Conferência da Organização Regional de Lisboa do PCTP, bem como aos camaradas convidados, ao Comité Central e ao nosso Secretário-Geral, o camarada Arnaldo Matos.
Ao dirigir estas saudações, e fazendo-o em nome do Comité Estrela Vermelha-Ribeiro Santos, do Comité Regional de Lisboa e em meu próprio nome, sinto-me no dever de expressar quanto para a nossa Federação, e em particular para a Organização Regional de Lisboa da FEM-L tem de honroso e de importante participar nesta Conferência, que será, estou certo, para além de um significativo marco na ofensiva política do Partido, um instrumento utilíssimo no reforço da ligação da nossa Federação ao Partido, e de reforço do papel de direcção do Partido sobre a FEM-L na Região.
UMA GRANDE REVOLTA GRASSA NO SEIO DOS ESTUDANTES DE LISBOA
Essa revolta, provocada pelo conjunto das medidas anti-operárias e anti-populares do Governo Constitucional do Doutor Soares, que, no que concerne ao sector específico dos estudantes, se traduz pela aplicação da Reforma burguesa do Ensino prosseguida pelo Ministro Cardia, tem movimentado centenas de milhares de estudantes, despertado as suas energias, fortalecido a sua combatividade, expressa num poderoso movimento democrático e revolucionário, que constitui, inegavelmente, uma componente do movimento operário e popular.
Aquilo a que toda a burguesia, através dos seus representantes esclarecidos e da sua imprensa vendida apelida de "crise académica" - que não se trata, obviamente duma simples crise circunscrita aos muros das escolas, porque o que está em causa é todo um sistema de ditadura da burguesia sobre o proletariado e o Povo, nem tão pouco é meramente académica, por que movimenta estudantes de todos os graus de Ensino, e não apenas a Universidade - isso a que toda a burguesia pretende escamotear no seu conteúdo e na sua amplitude consiste numa poderosa manifestação de luta da juventude estudantil contra a sociedade da exploração e da opressão, e contra uma política de ensino que visa perpetuar essa exploração e opressão. No momento em que realizamos esta. Conferência, a Universidade de Lisboa, semelhantemente à Universidade de Coimbra está em greve, e centenas de milhar de estudantes manifestam a sua determinação em prosseguir o combate ao lado Povo e sob a direcção da classe operária.

PORQUE LUTAM, OS ESTUDANTES? QUAL o CONTEÚDO DO SEU COMBATE?
Os mais de 125 000 estudantes do Ensino Secundário, Médio e Superior, do Ensino Oficial, do Distrito de Lisboa, que constituem o sector dos estudantes que neste momento está em luta, põem claramente em causa uma reforma do Ensino em que a burguesia está empenhada há já quase uma década. O conjunto de medidas tomadas pelo Ministério de Sottomayor Cardia é só uma componente dessa Reforma, que tendo sido promovida pelo ministro fascista Veiga Simão, foi continuada pelos sucessivos governos Provisórios, em particular pelo do social-fascista Vasco Gonçalves - que instituiu o serviço cívico - desemprego forçado estudantil - até encontrar em Sottomayor Cardia o politicasto burguês capaz de a levar até às suas últimas consequências.
Não se pense porém que a Reforma burguesa do Ensino se desenvolveu livremente; bem pelo contrário, ela sempre encontrou uma resistência firme e tenaz por parte do Povo e das largas massas da juventude estudantil, e, por outro lado, ela acompanha as sinuosidades das sucessivas crises do poder burguês que ocorreram na nossa pátria, em particular após o 25 de Abril.
O conteúdo da Reforma burguesa do Ensino, consiste em adequar o aparelho ideológico do Estado - a Escola - às novas solicitações do capital privado e de estado. Ela visa transformar as escolas em centros, onde impunemente se veiculem as mais reaccionárias e retrógradas concepções, e se difundam a ideologia imperialista e social-imperialista, no objectivo de nelas serem formados os quadros dóceis, numa hierarquia rigorosa, capazes de servirem a máquina burocrática, opressiva e repressiva do capital, com o correlativo arremesso para o desemprego para todos aqueles que resistam a esse objectivo, - e que de resto constituem a imensa maioria. Trata-se, em síntese, de transformar as escolas numa espécie de seminários onde se ensina o sermão de como explorar e oprimir os operários e o Povo, e de onde, só saem para rezar missa aqueles que assimilaram e estão em condições de reproduzir a bíblia da mentira e da opressão.
Em particular com o ministro Cardia, e acompanhando a política do Governo conciliador "socialista" de fazer pagar as custas da crise profunda do capitalismo aos trabalhadores, as escolas têm vindo a restringir-se cada vez mais à pequena elite donde sairão os quadros qualificados superiores, médios e intermédios de que a burguesia necessita; nelas se tem vindo a acentuar uma cada vez mais acerba disputa de todos os sectores de burguesia pelo seu controlo, ao mesmo tempo que com o desemprego massivo de estudantes, se procede a uma destruição colossal das forças do saber e da ciência, que acompanha a destruição mais geral das forças produtivas.
As medidas tornadas pelo ministro Cardia, e que constituem o eixo dessa Reforma reaccionária, são, se assim podemos dizer, mais retrógradas do que as adoptadas par um Veiga Simão ou um Vasco Gonçalves. Não nos admiremos disso: elas acompanham o aprofundar da crise estrutural do capitalismo, e em torno dela, malgrado o ruído que possam fazer, unem-se fascistas e social-fascistas.
São essencialmente as seguintes as medidas tomadas por Cardia;
1º Proceder à intensificação da selecção burguesa - que constitui o pilar da escola da burguesia - quer através da instituição dos exames nacionais, no Ensino Secundário, quer na limitação do acesso às escolas dos filhos dos trabalhadores, pelo encarecimento progressivo dos estudos e dos livros, quer nas medidas anti-pedagógicas de intensificação dos ritmos das matérias, controlo das faltas, etc.
2º A limitação do acesso à Universidade, através da introdução do exame de aptidão e do "numerus clausus", com o objectivo expresso de reduzir a formação de técnicos superiores e intermédios aos limites impostos pelo plano da burguesia de superação da crise capitalista, e não das reais necessidades do Povo. Como exemplo refiro da limitação da formação de médicos, num país em que as carências sanitárias e assistenciais do Povo são enormes.
3º O ataque ao controlo das massas sobre os órgãos das escolas, através da legislação sobre a gestão.
4º O encerramento de algumas escolas, consideradas dispensáveis pela burguesia, e o impedimento à criação de outras, de que o nosso Povo carece, e anteriormente previstas - caso das escolas do Magistério Pré-Primário.
5º A reestruturação dos cursos nas costas dos estudantes com o correlativo ataque a certas conquistas das massas, quais sejam a imposição de métodos democráticos de ensino e a criação de planos de estudo voltados para a prática e para a satisfação das necessidades do Povo.
6º A criação de novas escolas - tipo balão de ensaio - onde a parda, junção de tudo o que existe de mais reaccionário na praça da escumalha professoral - perdoem-me os professores democratas e comunistas - se adiantam métodos pedagógicos profundamente opressivos, a par duma intensíssima selecção - caso das Universidades Novas, como a do Minho etc.
7º A redistribuição do controlo das escolas por todos os sectores da burguesia, de fascistas a social-fascistas, com a manutenção dos lugares tomados a golpe por estes, e a reintegração daqueles que haviam sido saneados. Curiosamente, e não é por acaso, foi um inquérito feito por um social-fascista, por exemplo, que levou à reintegração pelo MEIC dos fascistas na FETUC, e que constituiu a faísca que incendiou a pradaria e motivou a presente luta na Academia. Curiosamente, também, o nosso Partido é considerado pelo ministro Cardia como responsável pelo encerramento da Universidade de Coimbra, por propor como forma de luta a greve com ocupação das escolas, e que, segundo ele, levaria à degradação do material escolar...
8º A hierarquização rigorosa dos graus de ensino, com as sucessivas barreiras postas no acesso a cada um deles e com a atribuição de um papel específico nas relações de produção aos licenciados, aos bacharéis, aos finalistas do Ensino Médio, aos do Ensino Secundário, etc.
9º O reforço do controlo ideológico das escolas com a programação rigorosa das cadeiras, com a abertura a todo o tipo de concepções reaccionárias e à cultura imperialista e social-imperialista, e com os ataques desbragados ao marxismo.
10º Os cortes orçamentais às escolas, aos Órgãos dos estudantes e aos Serviços Sociais, com as correlativas dificuldades no seu funcionamento, o encarecimento dos estudos e o atrofiamento das suas possibilidades de desenvolvimento.
Todas estas medidas levarão à transformação das escolas em quartas, ao desemprego massivo dos estudantes, à coacção das possibilidades de criatividade da juventude, a limitação drástica das liberdades e da democracia; ademais, elas são acompanhadas de uma repressão intensa, manifestada nomeadamente na obrigatoriedade de se fazerem certos exames na polícia, e com os ataques da Polícia de Choque como aconteceu recentemente no Porto.
A revolta que grassa no seio dos estudantes de Lisboa, como, de resto, nos de todo o país, centra-se no ataque generalizado a todas essas medidas e a toda essa política. A luta que neste momento se desenvolve colocou claramente aos olhos dos estudantes a questão do Poder. A juventude estudantil tem vindo a compreender com cada vez maior clareza que Cardia não poderá recuar na sua política, sem que a ditadura burguesa renuncie à sua própria essência de opressora e exploradora. Por outro lado, o combate que os estudantes desferem contra a política de ensino e de educação do Governo Constitucional, sendo parte integrante da luta do nosso Povo que tem à cabeça os operários em luta contra as desintervenções, o congelamento salarial, a alta do custo de vida, os ataques aos seus órgãos autónomos de classe, e que se estende aos restante sectores do Povo, dos assalariados rurais e camponeses pobres às mulheres trabalhadoras, esse combate dos estudantes, dizia - tem avivado na juventude de Lisboa a consciência de que se trata duma luta política avançada pelo poder.
Ora, como a ditadura da burguesia não cai por decreto, e os estudantes sabem que a sua luta morrerá por si própria, se isolada, a juventude estudantil coloca abertamente a questão:

QUE CLASSE DEVE DIRIGIR A LUTA DOS ESTUDANTES?
Em torno desta questão tem-se travado uma acerba luta nas escolas: por um lado, os estudantes comunistas da nossa Federação que lutam acerbamente por impor direcção proletária à luta das massas e apresentam a proposta do nosso Partido de solução operária para a crise; por outro lado, todos os partidos burgueses, tendo à cabeça, como inimigo principal os revisionistas, que contam, como fiéis cães de trela, com os neo-revisionistas e demais oportunistas, estendendo-se ainda essa cáfila de partidos burgueses até ao PPD e CDS, apostados em fazer dos estudantes, sem êxito, diga-se, apóstolos da ”solução" de "maioria presidencial" para responder à crise.
Esta luta entre o proletariado e a burguesia para dirigir o movimento democrático e revolucionário dos estudantes centrou-se inicialmente na questão da direcção dos órgãos das massas, em particular das Associações de Estudantes.
Tomando como centro de gravidade do trabalho de massas nas escolas, o movimento associativo, os estudantes comunistas dispuseram-se a lutar nesta frente, tendo em vista o incremento do seu trabalho de massas, pela aplicação duma correcta linha de massas, e pelo exercício da influência, direcção e hegemonia sobre o movimento das massas.
Este ano lectivo e no que respeita ao movimento associativo, a situação no distrito de Lisboa é a seguinte:
A nossa Federação venceu 4 DAEs e dirige 7 num total de 52
O PPD e o CDS venceram 22 DAEs
O partido social-fascista venceu 6 e dirige 8
O bloco UDPide/MES venceu 5 e dirige 11
Algumas conclusões fundamentais há a tirar:
1) A nossa Federação não consegui, duma forma generalizada, materializar o apoio e o prestígio de que goza nas escolas da Região, questão esta indubitavelmente ligada à luta entre as duas linhas no nosso seio; em particular no Ensino Superior onde não dirige nenhuma AE, e nos Liceus de Lisboa onde teve resultados relativamente baixos é que se acentuaram certos erros.
2) O partido governamental perdeu todas as direcções de Associações de Estudantes que tinha, à excepção da Faculdade de Medicina, cujas eleições decorrem na semana que entra.
3) O PPD e o CDS reforçaram as suas posições, quer porque tenham toma do a iniciativa de criar novas AEs em alguns Liceus da capital onde predominam estudantes originários da média e mesmo da grande burguesia - como ê o caso dos da linha do Estoril; quer porque, jogando no descrédito grande dos partidos traidores que se reivindicam da classe operária, se apresentaram, no início do ano lectivo, como os "estabilizadores" da vida escolar, indo ao encontro assim de certos pontos de vista pequeno-burgueses existentes no seio dos estudantes.
4) O partido social-fascista e os seus cães de trela da UDPide/MES viram as suas posições enfraquecidas, particularmente no Ensino Secundário, embora conseguissem recuperar o controlo de pelo menos uma grande escola, como é o caso da Fac. de Letras, beneficiando do esfrangalhamento completo da base de apoio do PS.
5) Não são enumeradas duas D. Associações de Estudantes, do IST e da Esc. C. Patrício Prazeres, que no decurso do actual processo de luta se demitiram ou foram demitidas, o que prova a fragilidade e os pés de barro dos oportunistas acolitados em certos órgãos das massas.
Esta luta encarniçada pela direcção dos órgãos de massas, precede, e, em Certa medida acompanha a luta de classes mais profunda pela direcção do movimento democrático e revolucionário da juventude estudantil.

AOS ESTUDANTES DEPARAM-SE DUAS VIAS PARA A SUA LUTA, DUAS LINHAS PARA A SUA DIRECÇÃO; DUAS CLASSES DISPUTAM-SE NO SEU SEIO
Uma a via da vitória apontada pelos estudantes marxistas-leninistas, a linha do nosso Partido e a classe do proletariado revolucionário, que determina aos estudantes o sentido do combate generalizado à Reforma Burguesa do Ensino; que lhes aponta o carácter político prolongado do combate e os incita a formas avançadas de luta; que lhes faz sentir a necessidade da unidade de todos os graus de ensino, e da unidade mais geral do combate dos estudantes com o Povo; que defende a ligação dos objectivos imediatos da luta nos objectivos finais do Programa da Revolução Democrática Popular, que contrapõem à escola burguesa a Escola Nova, Democrática e Popular; que no decurso das batalhas, chama as massas a traçar uma clara linha de demarcação entre os verdadeiros e os falsos amigos, esmagando os oportunistas e em particular o revisionismo e o neo-revisionismo.
Outra, a via da traição, do revisionismo e do oportunismo; a linha do partido social-fascista e dos seus lacaios; a classe da burguesia, que apresenta aos estudantes o futuro da derrota e da sujeição aos ataques da burguesia e da sua reforma de ensino; que pretende dividir os estudantes do Povo e colocar este contra os estudantes, e os estudantes contra o Povo; que procura desviá-los da Revolução e usá-los como instrumento da contra-revolução.
Esta disputa encarniçada pela direcção da luta dos estudantes tem tido um ponto alto, na ampla movimentação que hoje ocorre nas escolas de Lisboa, como em todo o país. Movimentação esta que constitui o primeiro passo no sentido de um novo auge do movimento democrático e revolucionário dos estudantes, mas que ainda assim conhece uma amplitude e uma profundidade sem precedentes desde o 25 de Novembro.
Quando no Plenário da Academia do dia 25 os estudantes comunistas conseguiram fazer impor a unidade da luta dos estudantes do Ensino Secundário com a dos estudantes do Ensino Superior; quando aprovaram a realização de uma grande manifestação operária e popular que integre a luta dos estudantes na luta mais geral do nosso Povo - tudo isto com a oposição aberta e o voto contra dos revisionistas; quando disputaram até ao fim a direcção da manifestação estudantil do dia 26 fazendo largos milhares de estudantes gritar as nossas palavras de ordem, e impondo a palavra, malgrado o boicote dos oportunistas; quando encabeçam neste momento os piquetes de greve e conseguem generalizar a luta à quase totalidade da Universidade; quando tomam a iniciativa e desenvolvem um grande movimento de massas no Ensino Secundário contra os exames nacionais - quando assim é, os estudantes comunistas estão indubitavelmente a apontar às massas o caminho da luta e da unidade para a vitória.
Todavia, não foi ainda suficientemente persuasivo o nosso trabalho tão profundo o nosso enraizamento nas massas e a difusão da nossa política, nem tão tenaz a perseguição e a luta ao revisionismo, ao neo-revisionismo e ao oportunismo, que permitisse que a nossa proposta de greve geral prolongada saísse vitoriosa, tendo os oportunistas alcançado vencer a sua proposta de greve de três dias, finda a qual deixam as massas sem perspectivas, à mercê de novos ataques do ministro Cardia e da sua política.
Este facto prova que será extremamente perigoso descansarmos à sombra de alguns louros conquistados e alimentarmos as ideias perniciosas e oportunistas de auto-suficiência.
Esta luta, todavia, já permitiu reforçar o nosso papel como soldados do Partido, dispostos a lutar sem tréguas pela direcção dos comunistas no movimento da juventude estudantil e a sua integração no largo caudal da Revolução; já permitiu ainda que nas nossas fileiras haja um maior sentido das responsabilidades e um maior denodo e um mais cerrado ataque à cor rente dos capituladores, dos liquidadores; já permitiu, finalmente, que o inimigo revisionista se visse mais isolado, não conseguindo no decurso de todo este tempo aprovar uma só proposta em qualquer reunião.de massas, ainda que o revisionismo conte com um aliado, que apesar de em decomposição, ele alimenta quotidianamente a balões de oxigénio, que é a cambada dos neo-revisionistas. Estes funcionam nesta luta como bomba à retardador deixada pelo seu avô Barreirinhas - isto é, aparentam defender os estudantes e demarcar-se dos revisionistas para a todo o momento, quando o isolamento destes for total, e a luta estivar num ponto alto, quebrar a luta das massas e impedir a sua vitória.
A tendência dominante nas escolas é, ainda assim, para o avanço da Revolução e a derrota do inimigo e da contra-revolução.
Seria injusto nesta Conferência deixar de referir o importante papel na luta de um combativo sector das massas. Com efeito.

OS TRABALHADORES-ESTUDANTES SÃO UMA COMPONENTE DETERMINANTE DA LUTA DA JUVENTUDE
Sujeitos a um regime de exploração e de opressão nas fábricas e empresas ou outros locais de trabalho, os trabalhadores-estudantes são ainda vitimas dos maiores atropelos nas escolas, quer porque lhes sejam cortados ou reduzidos os Serviços Sociais, quer porque o conteúdo do Ensino se já profundamente reaccionário e desadaptado à sua condição de produtores - isto no que respeita, essencialmente, aos operários - quer porque os ritmos de trabalho sejam extremamente intensos e a selecção muito apertada, quer ainda porque o MEIC se prepara para cancelar um conjunto de cursos nocturnos, para além de em muitas escolas tão pouco haver esses cursos.
A experiência na luta de classes, a vida sindical e o contacto directo com a produção permite fazer dos trabalhadores-estudantes um sector muito combativo e consciente no seio dos estudantes.
Ademais, a sua importância é tanto maior, quanto, na sua imensa maioria sendo jovens, estão directamente ligados aos departamentos da juventude dos sindicatos, e em condição de aí disputarem a direcção aos revisio­nistas, o que lhes permite um papel de grande relevo no combate à difusão da ideologia revisionista e à agressão ideológica social-imperialista, com todo o seu cortejo de droga, de corrupção e de humilhação dos valores e sentimentos fundamentais da juventude e do Povo.
Sendo o trabalho da nossa Federação já relativamente vasto no sector dos trabalhadores-estudantes, mas ainda assim manifestamente insuficiente, nomeadamente em Lisboa, penso ser esta uma questão que deve preocupar todos os nossos camaradas.
A propósito, na semana que entra far-se-á o I Colectivo de Trabalhadores-Estudantes da Região de Lisboa.

A LUTA DE CLASSES ENCONTRA A EXPRESSÃO CONCENTRADA NO NOSSO SEIO NA LUTA ENTRE AS DUAS LINHAS
Se a luta dos estudantes é uma componente do movimento popular revolucionário, se no seu seio se disputam as duas classes, também no seio dos estudantes comunistas se trava uma luta acesa contra os pontos de vista e a política da burguesia, do revisionismo e do oportunismo.
A Organização Regional de Lisboa da nossa Federação, que vive o espírito da ofensiva política do Partido e obteve alguns êxitos no seu trabalho revolucionário e comunista, ganhou a sua maturidade política no fogo da luta de classes, contra o inimigo interno e externo. Sendo o distrito de Lisboa um dos maiores centros de concentração da juventude estudantil no nosso país, e tendo essa juventude uma experiência de luta grande, não admira que o inimigo tenha tentado infiltrar um ou outro dos seus agentes na Org. Reg. de Lisboa da nossa Federação. Assim aconteceu com a acólita do traidor Sanches, a renegada Morgado, e com os discípulos do cisionista Crespo, os oportunistas Barroso e Alberto Aguiar. Os crimes desses oportunistas são inumeráveis: tudo fizeram para mudar de cor a bandeira da nossa Federação; tentaram amiúde impedir a ligação da Federação ao Partido e escamotearam o papel de direcção do Partido sobre a FEM-L; lançaram maquinações e intrigas; adulteraram a linha geral revolucionária do nosso Partido e a sua linha específica para o trabalho comunista entre os estudantes; procuraram enfraquecer a capacidade de combate dos estudantes comunistas e pô-los a reboque dos programas do revisionismo e do neo-revisionismo.
Todavia, o espírito de Partido dos nossos camaradas foi verdadeiramente notável e ousaram combater até à expulsão para sempre das nossas fileiras desses seguidores do Sanches e do Crespo.
Mas se a luta de classes é uma luta prolongada, também a luta entre as duas linhas é uma batalha árdua, sinuosa e de longo curso.
O movimento de crítica, de repúdio e de denúncia da linha e da pandilha do renegado Crespo continua sendo a nossa tarefa principal. A materialização da Org. Reg. de Lisboa da FEM-L como uma grande organização de massas e a força dirigente incontestada da juventude das escolas da Região, que é o objectivo a prosseguir na ofensiva política em curso, deve atender bem a essa tarefa principal, e com as correlativas depurações da linha, dos hábitos e dos vícios dos Sanches e dos Crespos e seus acólitos.

O FUTURO É RADIOSO E O CAMINHO SINUOSO
Sendo nas escolas de Lisboa a situação excelente para a Revolução, e pior que nunca para a contra-revolução, o revisionismo e o oportunismo, grandes tarefas se nos colocam.
A tarefa de dirigir a juventude estudantil, de a educar revolucionariamente e de integrar o seu combate na luta do Povo sob a direcção da classe;
A tarefa de consolidar a organização existente» de recrutar novos quadros e de lhes fornecer uma escrupulosa educação comunista.
A tarefa de multiplicar as 165 adesões já realizadas e de atingir o objectivo de 1500 até ao final do ano lectivo.
A tarefa de proceder a uma vasta e diversificada propaganda e agitação comunistas e de combater a agressão ideológica imperialista e social-imperialista.
A tarefa de perseguir até ao fim o revisionismo, o neo-revisionismo e todo o oportunismo e de consumar a palavra de ordem de "Fascistas e Social-fascistas fora das Escolas!"
A tarefa de conquistar o apoio dos professores democratas à luta dos estudantes.
A tarefa, finalmente referida neste Relatório, mas nem por isso menos subestimável de desenvolver, apoiar e dirigir os nossos Pioneiros Vermelhos, que são o garante do futuro da nossa Federação e do nosso Partido, e que, a avaliar pelos assinaláveis êxitos do seu trabalho constituem já, no presente, um exemplo de luta, de determinação, de confiança no Partido e na Revolução.
A tarefa extremamente honrosa de sermos soldados do Partido, discípulos de Ribeiro Santos e Alexandrino de Sousa, combatentes da Revolução e do Comunismo.

VIVA A REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA E POPULAR!
VIVA O COMUNISMO!
VIVA A JUVENTUDE REVOLUCIONÁRIA!
VIVA A CLASSE OPERÁRIA!
VIVA O POVO!
HONRA AO CAMARADA RIBEIRO SANTOS!
HONRA AO CAMARADA ALEXANDRINO DE SOUSA!
VIVA A FEM-L!
VIVA O PARTIDO!

Lisboa, 28 de Maio de 1977

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