domingo, 28 de maio de 2017

1977-05-28 - RELATÓRIO SOBRE A APLICAÇÃO DAS TESES SOBRE A IMPRENSA DO PARTIDO - PCTP/MRPP

I CONFERÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO REGIONAL DE LISBOA
LISBOA 28/29 MAIO

RELATÓRIO SOBRE A APLICAÇÃO DAS TESES SOBRE A IMPRENSA DO PARTIDO

Sem o LUTA POPULAR na Região de Lisboa, o Partido não poderia ter crescido, ter-se ligado às massas e dirigido as suas lutas.
1. Logo desde a sua saída, antes do 25 de Abril, o LUTA POPULAR seguiu a via de ser um propagandista, agitador e organizador colectivo e nas suas páginas vinham retractadas as lutas que os operários, as operárias e todo o Povo travavam, de uma forma cada vez mais crescente. Desde sempre ele seguiu a via e desempenhou o papel de órgão marxista-leninista para as amplas massas ligado intimamente ao seu movimento.
Nesse período, o jornal era distribuído sob as mais duras condições de clandestinidade e era alvo de constantes ataques e perseguições por parte da PIDE e de todo o aparelho repressivo. Mas, nem mesmo assim, ele deixou de fazer chegar a política do Movimento e de ampliar a sua influência em largos sectores do Povo, como é caso mais evidente a sua íntima ligação e distribuição mão a mão às operárias da Automática e a greve do Material Eléctrico que o Partido, apesar das poucas forças da altura influenciou e dirigiu, cabendo ao jornal um importante papel nessa tarefa.
2. No dia 25 de Maio de 1974 o LUTA POPULAR aparece como jornal legal, de formato diferente e passa a ser impresso numa tipografia. Isto como consequência da alteração da situação da Revolução portuguesa, com o golpe de 25 de Abril e as possibilidades de trabalho legal, que ele abriu, e ainda dada a sua necessidade para o MRPP fazer chegar a sua política às massas, poder dirigir grandes lutas e ligar-se ao impetuoso movimento operário e popular.
O LUTA POPULAR era a tribuna desse movimento e pelas suas páginas o Movimento cumpriu a sua tarefa de ligar o Marxismo-Leninismo ao movimento revolucionário no nosso País. Foi nele que os operários e os trabalha - dores da TAP, dos TLP, dos CTT, da CARRIS, os soldados e marinheiros, etc. viram defendidas as suas grandes lutas contra a explorarão e o Estado dos exploradores, e foi nele que eles encontraram a saída, o caminho a seguir para a vitória. O LUTA POPULAR era e é o jornal das massas de explorados, e foi nele que eles encontraram a saída, o caminho a seguir para a vitória. O LUTA POPULAR era e é o jornal das massas de explorados em luta.
3. A venda militante do jornal passa a ser uma tarefa diária de todos os quadros. Para um Partido ainda pequeno e com uma fraca organização, o papel da venda militante foi precioso. Era através dela, à porta das bricas, nos bairros populares, vilas e aldeias, e nos principais centros da cidade, e da agitação de viva voz, que muitos contactos foram conseguidos, que muitas fábricas começaram, a ser organizadas. O gesto simples da compra do jornal por um operário, ligava-o ao nosso Movimento. Ele começava por comprar e tomava pela primeira vez contacto com a nossa política, e vê que o nosso jornal, combatendo a corrente das ilusões, diz as verdades; à segunda vez, sentia que o jornal não só dizia as verdades, mas o educava, que falava dos problemas que lhe diziam respeito, da sua situação de explorado e que um jornal era uma tribuna aberta aos operários, aos milhares de homens e mulheres nas suas condições; à terceira vez, não só comprava como sentia necessidade de o mostrar aos seus camaradas de trabalho e mesmo de comprar mais um ou dois para aqueles com quem tinha mais confiança.
Foi assim que se começou a organizar a rede do jornal, e foi através dela que a organização do Partido chegou a muitos locais. Foi dessa forma que se montou o andaime num edifício em construção de que falava Lenine. Foi dessa forma que se começou a organizar o Partido, e foi pelas tarefas ligadas ao jornal que grande parte dos camaradas e das células começaram a trabalhar para o Partido. Todos estarão lembrados de quantas vezes sem conta vinham elementos do Povo ter connosco, enquanto vendíamos o jornal, a dizer que queriam trabalhar para o Partido.
4. A venda militante, foi uma Escola de Quadros na nossa Região. A Escola da preparação de quadros propagandistas e agitadores habituados a dirigirem-se às massas; a Escola do Querer; a Escola do combate intrépido, tenaz e persistente às (falsas) ilusões criadas no seio do povo, aos inimigos do Povo e aos seus falsos amigos.
   As massas habituaram-se a conhecer a nossa política e a defender o seu jornal. Neste período, em que a venda militante era um dos aspectos principais do nosso trabalho, dado o apoio que o Partido ia conquistando, dada a crescente influência que ia obtendo no seio das massas, não tinham conta os ataques movidos por toda a contra-revolução, por toda a burguesia com os social-fascistas à cabeça, contra nós. Eram as prisões diárias, as provocações, - e foi nesse sentido que a venda militante educou os quadros no espírito de lutar sem nunca vergar e as massas habituaram-se a ver em nós aqueles que não vergam.
   5. O nosso jornal foi alvo (e continua a ser) dos ataques mais ferozes da burguesia na intenção de calar a nossa voz. Começou com a suspensão por dois meses pelo fascista Spínola. Depois as multas de 50 contos, 2 num espaço de um mês, impostas pelos coronéis-censores social-fascistas, as perseguições e os ataques desesperados no 28 de Maio, a proibição no 25 de Novembro, o cerco económico, etc.
O Luta Popular nunca deixou de sair e na nossa Região, nunca deixou de chegar às massas, que mobilizadas pelo Partido para respostas firmes e prontas, infligiram fortes machadadas no poder burguês. As massas acorreram sempre a comprar o jornal e a apoiá-lo, foram às nossas Sedes, tiraram do seu magro salário, tiraram da sua boca para impedir que a burguesia obtivesse os seus intentos, e os ataques foram derrotados e virados contra o inimigo. O jornal educava os quadros e as massas na resposta rápida aos ataques do inimigo.
O Partido estava preparado para vencer os ataques dos inimigos, fossem eles quais fossem, e as massas prepararam-se para defender o seu Partido e o seu jornal. Sectores cada vez maiores das massas tomaram conhecimento da nossa política, educaram-se no nosso jornal e tomaram, sem sombra de dúvidas, a barricada do Marxismo-Leninismo-Maoísmo, da classe operária, contra o revisionismo, contra a burguesia.
6. Um jornal comunista é uma tribuna dos operários. Por isso, centenas de cartas foram enviadas da nossa Região para a Redacção. Muitas denúncias nele foram publicadas e o dia a dia de fome, miséria, desemprego e luta do nosso Povo aí foi bem caracterizada. Muitas vezes o nosso jornal lançou colectas e outras formas de apoio às greves operárias, às lutas dos povos irmãos, aos retornados pobres e famílias numa situação da mais profunda miséria, educando assim a classe no espírito da solidariedade operária que deve unir todos os explorados e oprimidos.
7. A situação no nosso País, a evolução da luta de classes, era rápida e impetuosa. Para corresponder a essa situação e às necessidades que ela impunha, foi com grande entusiasmo que na Região de Lisboa, foi recebida a vitória do Luta Popular Diário, um jornal do Partido para as massas que, nas suas páginas espelhasse os acontecimentos que dia a dia se desenrolavam, propagandeasse e defendesse as lutas operárias e do povo, e continuasse a ser o difusor da nossa política, o educador do Partido e das massas, à altura do rápido desenvolvimento da luta de classes, seguindo a via e a política que sempre o orientou.
Contra este jornal se levantou o renegado Sanches, ao pretender transforma-lo num órgão ao serviço da sua política reaccionária e revisionista e trocasse a Revolução pela Contra-Revolução social-fascista. Contra este jornal se levantou o cisionista Crespo, ao pretender liquidá-lo, e silenciá-lo e, ao serviço do seu patrão fascista, conseguir obter a vitória tão sonhada da burguesia de calar a voz dos comunistas.
A estes ataques do inimigo interno respondeu o Partido na Região com a firmeza dos comunistas, intensificando a luta contra estes renegados e as suas ideias reaccionárias e anti-Partido, e pela salvaguarda e desenvolvimento da conquista do jornal diários. A prová-lo está a luta que na Região se produziu sempre de forma intensa, aquando da realização de campanhas de fundos, para superar as dificuldades económicas que, na sociedade capitalista, um jornal comunista terá sempre.
A mobilização dos quadros e a posterior mobilização das massas, foi um factor decisivo para a vitória dessas campanhas. As jornadas de fundos lançadas pelo jornal, mostraram sempre na Região, o apoio e o carinho que o jornal tinha das massas. Elas habituaram-se às nossas sistemáticas jornadas de fundos e habituaram-se a abrir-nos as portas, a tirarem da sua boca para sustentarem o jornal, que, cada vez mais, compreendiam ser também seu.
8. O Luta Popular foi e é um barómetro do estado da organização da nossa Região e das nossas células. Os que pagavam e vendiam o jornal, os que alargavam a rede, é porque avançavam; os que não o faziam e liquidavam assim o jornal, é porque não avançavam.
Em Junho de 1976 saiu da Direcção da então Zona Karl Marx uma importante directiva, a Circular em 17 pontos "Fazer do Luta Popular diário um jornal para as amplas massas trabalhadoras", que foi um marco importante na vida do jornal na Região. A Circular, que definia a importância da criação duma rede sólida célula a célula; a fiscalização e o impedir das dividas por parte das organizações e a sua responsabilidade no trabalho; a criação de sub-redes; e definiu que o "Luta Popular" ê o espelho de cada célula.
Essa Circular, foi uma alavanca para o seu desenvolvimento e para o futuro trabalho do Partido na Região, neste campo do jornal, e um instrumento importante na luta contra a linha da burguesia, a linha da capitulação e da liquidação do jornal.
9. Em Dezembro, vésperas do Histórico Congresso da Fundação do Partido, saíram as "Teses Sobre a Imprensa do Partido" do camarada Soares Lobo. Essas teses, e a sua aprovação no Congresso, assumem um papel decisivo para a Imprensa do Partido. Mudar a atitude do Partido face ao jornal, eis o que as Teses nos apontaram. É a partir daqui, à volta desta questão, que a luta entre as duas linhas se centra.

A OFENSIVA DO PARTIDO E A LUTA PELA ALTERAÇÃO DA ATITUDE DO PARTIDO FACE AO JORNAL
10. Com o Congresso de Dezembro a tarefa central do MRPP (fundar o Partido) estava cumprida. A seguir ao Congresso, a política, a orientação que ele aponta é a Ofensiva Política e a Edificação de um correcto, forte e coeso Partido Comunista. No mês de Janeiro, o primeiro elo da Ofensiva, animado pelo Congresso e mobilizado para a aplicação das "Teses", a batalha central que o Partido travou, foi a Batalha da salvaguarda, consolidação e desenvolvimento do seu mais precioso instrumento, o "Luta Popular", particularmente a Batalha da "Campanha Fundos do Povo para o Jornal da Verdade". Do desfecho desta primeira batalha, do seu êxito ou da sua derrota, dependia a mobilização, o ânimo, as perspectivas e o entusiasmo para o cumprimento de todas as tarefas políticas, ideológicas e de organização ligadas à Ofensiva e à Edificação do Partido.
O objectivo dos 800 contos para a Região de Lisboa, foi um objectivo dúvida, avançado, que necessitou, para ser alcançado, de um forte querer de todos os camaradas, de uma intensa mobilização de todas as forças, de um cuidado planeamento de todo o trabalho, enfim, de um correcto estilo de Partido, e puxou toda a Organização Regional para a frente.
Ao atingir e ultrapassar, na noite de 31 de Janeiro, os 800 contos para o jornal, resultado de um grande esforço de propaganda do Congresso, de mobilização, de organização e de intensa luta, a Região de Lisboa alcançou uma excelente vitória, que marcaria toda a actividade futura do Par tido, pois abriu o caminho para o avanço.
Tal como foi analisado na II Reunião do Comité Regional de Lisboa, a vitória da Campanha de "Fundos do Povo para o Jornal da Verdade" foi possível, acima de tudo, dada a justeza da linha política do nosso Partido e o apoio que granjeou no seio das massas, mas também devido a intensa mobilização e vontade da base do Partido, que foi quem, no que diz respeito ao cumprimento dos objectivos, a grande obreira da vitória; a oportuna realização da I Reunião de Quadros Dirigentes da Região para dar um combate de morte à linha que visava desviar os objectivos da Campanha e impedir o seu cumprimento e empolgou todo o Partido para o arranque final para atingir os 800 contos; no aparecimento de um grande número de exemplos avançados na Região; e ainda a participação activa dos dirigentes na Campanha.
Mas, a Ofensiva do Partido, na qual a campanha se integrou, é contra alguém dentro do Partido. Ao despertar a energia e a vontade dos quadros, a Campanha despertou também o ódio da burguesia infiltrada no Partido.
A intensa luta que se travou entre as duas linhas a respeito da Campanha (como a dirigir, o seu planeamento, a mobilização dos quadros, etc.) que era, afinal de contas em torno de que Partido edificar, levou ao desmascaramento e ao completo isolamento da oportunista Teresa, fiel seguidora do cisionista Crespo. Como responsável directa pela Campanha, esta oportunista procurou sabotá-la por todas as formas e feitios.
Durante a Campanha Fundos do Povo para o Jornal da Verdade, ela revelou todo o ódio que vota ao Partido e ã classe operária. Aqui, ela procurou impor a sua concepção reaccionária e burguesa de Partido: abandonar o Partido sem direcção; não mobilizar e despertar a energia das massas de dentro e de fora; abandalhar completamente o trabalho e deixar tudo ao acaso; opor-se à ofensiva, ao plano e aos objectivos; colocar acima de tudo e de todos, acima dos interesses do Partido e do Povo, os seus mesquinhos interesses pessoais; servir-se de todos os ardis para fugir ao controlo do Partido, tal foi a forma como esta oportunista procurou sabotar a Campanha e a Ofensiva. Claro está, que ao levantar-se contra o Partido, o Congresso e a sua linha, ao tentar fazer prevalecer os seus pontos de vista reaccionários, a oportunista, que ao levantar-se contra o tentar fazer prevalecer os seus pontos de vista reaccionários, a oportunista Teresa ficou completamente desmascarada e isolada aos olhos do Partido. O desmascaramento, isolamento e posterior expulsão da oportunista Teresa, foi, por isso, outra grande e excelente vitória do Congresso, das Teses Sobre a Imprensa do Partido, da linha geral e da Campanha de Fundos do Povo para o Jornal da Verdade na Região de Lisboa.
A vitória da Campanha dos 800 contos deu o primeiro passo para a Ofensiva Política e para a Edificação do Partido, e animou-o para obter novos e maiores êxitos.
11. Na sua II Reunião, e pela primeira vez na história da Região, o Comité Regional aprovou o Plano Anual para a Ofensiva Política do Partido. Nesse Plano, aplicando às condições concretas da nossa Região as Teses Sobre a Imprensa do Partido, o Comité Regional fixou os objectivos do pagamento integral de 3.000 jornais até Maio. Foi em torno destes dois objectivos principais que a luta se tem vindo a travar, pela Edificação do Jornal.
A partir daí, no fundamental, a luta travou-se entre a linha que paga o jornal até ao último tostão (por vezes com fundos) e luta pela sua venda e aumento da rede, e a linha que despreza o jornal, o Partido e as massas, não as organiza, não lhes leva a política do Partido e procura por todas as formas que o ataque externo da burguesia consiga silenciar a voz dos comunistas.
12. À medida que a luta de classes se agudiza na sociedade, o cerco económico da burguesia ao Luta Popular aperta-se. Esse ataque em grande escala conjugado com o ataque conduzido pelo inimigo interno, conduziram o Órgão Central do Partido a uma dificílima situação e levou o Partido a suspender a sua publicação diária e a passá-lo a semanal. Essa medida, resultante da vitória da Campanha de Fundos e da aplicação das Teses, é absolutamente justa e correcta e tem-se revelado a única capaz de forjar as condições para a criação de um sólido e forte jornal diário. A passagem do jornal a semanário e a luta pela criação das condições económicas e materiais para a sua tiragem diária pelo Partido, isto é, o lançar do contra-ataque pelo jornal diário, abriu na nossa Região um novo período da luta em torno da aplicação das Teses e pela salvaguarda, consolidação e fortalecimento do mais importante instrumento do Partido, o Luta Popular.
No sentido de responder à nova situação criada e de cumprir os objectivos fixados no Plano Anual, procedeu o Departamento do Luta Popular da Região de Lisboa à distribuição de 2.600 jornais pela rede, realizada de pois de um amplo inquérito, e de acordo com as condições de cada organização, e ao lançamento (que se intensificou de forma decisiva na preparação desta Conferência} da Campanha do Pagamento Integral e dos 3.000 Jornais até Maio e do seu Boletim.
13. Uma vez mais, no que toca às tarefas para com o órgão Central, a Ofensiva obteve a vitória. A Região de Lisboa cumpriu o objectivo do pagamento integral do jornal semanal, e ultrapassou o objectivo dos 3.000 jornais até Maio, distribuídos em 241 pontos, dos quais 33% são fábricas que vendem 35% dos 3.047 jornais da Região.
A classe operária cumpriu o seu papel de força motriz e dirigente desta campanha. De facto, foram as Grandes Fábricas, as células do Partido nas empresas, quem logo se colocou à cabeça do pagamento integral (TLP, CP, OGMA, CTT, TAP, MARCONI, BATISTA RUSSO, FNMAL, DATSUN, AUTOMÁTICA, UTIC, PETROQUÍMICA, DIALAP, METRO, INTENTO, EUROFIL, CEL-CAT, etc.), do papel da venda militante (onde foi exemplo a célula da CP) e da organização da distribuição e venda dos jornais, e consecutivo alargamento da rede e aumento do quantitativo distribuído.
No fundamental, o conjunto do Partido compreendeu e assimilou a importância do Órgão Central e tem-se mobilizado para o cumprimento das Teses.
À vitória obtida, não pode ser estranho o facto de, neste período, um grande número de lutas nas empresas terem sido espelhadas no jornal, o que corresponde à importância (no entanto, ainda insuficiente) que se tem dado à questão da correspondência, o que revela, junto com o cumprimento dos objectivos, um passo em frente na alteração da atitude do Partido face ao jornal.
14. Apesar do Balanço dos últimos meses ser positivo, o certo é que a linha burguesa não desarmou nem deixou nunca de lançar os seus ataques contra a Campanha, contra o órgão Central do Partido. Nem todas as organizações cumpriram com o pagamento integral. Sendo que esta linha, despreza as tarefas do Luta Popular, que não o vende militantemente, que não organiza a rede e não arranja novos assinantes, isto é, que pretende liquidar o Luta Popular, embora essa linha não tenha o apoio senão de uma minoria dentro do Partido, ela tem criado situações difíceis dadas as condições que a burguesia impõe de pagamento do jornal. Embora a Região não tenha dívidas para com o Luta Popular semanal, o pagamento não corresponde ao pagamento integral de todas as organizações, tendo-se recolhido o dinheiro de fundos que a linha que quer erguer o jornal entrega, e ainda à realização da I Campanha de Fundos para o Luta Popular semanal na Região de Lisboa, que foi importante para o cumprimento dos objectivos.
O facto de um grande número de organizações pagarem o jornal com fundos e terem imposto a vitória da Campanha, demonstra que, neste campo, a Ofensiva do Partido e a linha geral revolucionaria proletária, têm mais força e está disposta a continuar a derrotar a Unha do revisionismo, da capitulação face aos objectivos e da liquidação do jornal.
Por outro lado, alguns camaradas embora vendam todos os jornais não cumprem com o prazo de 2ª. feira até às 24 horas para pagar o jornal, o que, visto ele ter de ser pago antecipadamente à tipografia, constitui um crime que visa impedir o jornal de sair e de chegar às massas levando-lhes a política do Partido.
De referir, ainda, que num grande número de locais de passagem e concentração de massas, e na maioria dos mercados ao sábado, não se realiza ainda a venda militante, o que, de futuro, terá de ser alterado de forma a realizar uma mais ampla divulgação do jornal.
Nalguns locais, a Campanha dos Assinantes e da Regularização da Distribuição do Luta Popular a todos eles, ainda não foi levada até ao fim.
Continuou a haver um bom número de fábricas e outros locais onde a nossa rede ainda não chega, que tem de se fazer um esforço de todo o Partido para colmatar essa insuficiência.
15. As vitórias que a nossa Região obteve antes e depois do Congresso da Fundação do Partido neste campo, nomeadamente os 800 contos e o pagamento integral de 3.000 jornais até à I Conferência da Organização Regional de Lisboa, constituem, sem dúvida, o primeiro passo na alteração da atitude do Partido face ao jornal.
Não podemos, nem devemos, contudo, esquecer que as vitórias alcançadas não poderão ficar por aqui. Não podemos, sob pena de sabotarmos a Ofensiva do Partido, descansar à sombra dos louros conquistados. A luta deve-se, antes pelo contrario, intensificar, de forma a que todo o Partido esteja em condições e se galvanize para continuar o combate pelo Lata Popular diário e pelo cumprimento dos objectivos fixados para a Região até ao fim do ano.

CONTINUAR A PERSISTIR NA APLICAÇÃO DAS TESES SOBRE A IMPRENSA DO PARTIDO APÓS A I CONFERÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO REGIONAL DE LISBOA
16. Depois das vitórias alcançadas pela Organização Regional de Lisboa desde o Congresso ate à altura desta Conferência, deve-se continuar a travar a batalha para persistir na aplicação e cumprimento das Teses, a fim de se obterem novas vitórias.
Todo o Partido tem de compreender que a luta pela defesa, salvaguarda, consolidação e desenvolvimento da Imprensa Comunista, existirá sempre enquanto existirem classes. O inimigo tece um plano que visa silenciar a nossa voz. Para além do intenso cerco económico, o facto do Luta Popular ter sido colocado em tribunal, significa que a luta se vai agudizar ao extremo. Nesse sentido devemos ter sempre presente que a luta pelo jornal é uma batalha política entre as duas classes, as duas vias e os dois caminhos. Ao Partido compete preparar-se para os novos ataques e mobilizar-se e mobilizar as massas para obter a vitória do proletariado sobre a burguesia.
A experiência da nossa Região nos últimos cinco meses, demonstra que o Partido está em condições de, na actual fase, obter a vitória no contra-ataque pelo jornal diário. O eixo do nosso trabalho, a orientação porque nos temos que guiar é a reconquista do Luta Popular diário numa base mais sólida, necessidade fundamental para a Revolução no nosso País.
A reconquista do jornal diário, será uma vitória da Ofensiva do Partido, da aplicação das Teses Sobre a Imprensa do Partido, e na nossa Região consubstancia-se em levar até ao fim a modificação da atitude do Partido face ao jornal, e no êxito da Campanha dos 5.000 jornais para a reconquista do Luta Popular diário.  
17. Os 5.000 jornais integralmente pagos até ao fim do ano, objectivo fixado no Plano Anual para a Região, só poderá ser alcançado mediante a aplicação das Teses.
1 - O jornal, só poderá criar profundas raízes no seio do Povo, a sua venda só poderá aumentar, a rede crescer, o jornal diário ser reconquistado, persistindo na via de levar o jornal às lutas da Região, persistir no seu carácter de jornal para as massas, reflectindo nas suas paginas a sua vida e a sua luta. Na nossa Região, grandes combates se avizinham.
É a luta por contratações colectivas de trabalho, a luta contra o regresso dos patrões, a luta contra o desemprego, a fome e a miséria, a luta contra as desocupações de casas, a luta contra a repressão militarista nos quartéis, a luta contra o ensino da burguesia, enfim, a luta contra as medidas anti-operárias e anti-populares. Os 5.000 jornais e a reconquista do Luta Popular diário não serão alcançados sem que o jornal seja a tribuna, a voz de todas essas lutas, da classe operária e do povo.
Assume assim, uma grande importância, uma tarefa a tratar todos os dias a eleição ou nomeação de um correspondente em todas e cada uma das fábricas, local de trabalho, bairro, vilas ou aldeias, escolas ou quartéis, da Região de Lisboa, do correspondente do "Luta Popular”, discutir nas células o trabalho desenvolvido por esses correspondentes e analisar, melhorar a qualidade das suas notícias e planear um trabalho. Que nenhuma luta deixe de ser noticiada, propagandeada, apoiada e defendida pelo Luta Popular, para que ele continue a ser o órgão marxista-leninista para as amplas massas, e para a vitória do contra-ataque.
2 - Como jornal semanal, e para atingir a venda dos 5.000 jornais, todas as nossas organizações devem dar uma importância mais cuidada à questão da venda militante. O Luta Popular semanal exige e permite uma melhor organização desse trabalho e a sua regularização:
— Destacar os camaradas para procederem à realização de bancas fixas em todos os principais locais de passagem e concentração de massas, e aos sábados de manhã em todos os mercados da Região.
— Ir vender, sem falta, o Luta Popular para a porta das fábricas onde ainda não temos organização nem rede.
— Vender o jornal militantemente nas freguesias onde ainda não temos organização.
— Concentrar forças na venda militante nas fábricas e empresas em luta.
— Dar um combate de morte à linha que despreza o Luta Popular e a sua venda militante, e garantir a chegada regular do jornal a camadas cada vez mais amplas do povo.
    3 - A Campanha dos 5.000 jornais para a reconquista do Luta Popular diário tem de dedicar uma parte importante dos seus esforços à questão da distribuição e da rede do jornal. Sem uma rede, capaz de escoar rápida e eficazmente um grande número de jornais, o Luta Popular diário não terá a base sólida de que necessita. Montar, ampliar e consolidar essa rede é uma tarefa de todo o Partido.
Para isso, torna-se necessário desencadear uma Campanha do aumento da rede de jornais em cada célula. Os camaradas devem estudar a forma de arranjar novos assinantes do jornal, vender militantemente o jornal, explorar todas as possibilidades de aumentar as suas vendas e o número de jornais que recebem.
O crescimento do Partido, o movimento de adesão e a criação de um grande número de novas células, a sua Ofensiva e a sua cada vez maior influência e enraizamento nas massas da Região, criaram as condições e continuarão a criá-las para que a nova rede chegue a mais pontos, particularmente a novas fábricas. A nossa tarefa, o nosso objectivo deve ser conseguir 100 novos pontos de distribuição do jornal até ao fim do ano.
Todas as nossas organizações devem tratar de conseguir garantir a chega da regular e sistemática, de um jornal para cada aderente. Ligar desta forma o Luta Popular ao Movimento de Adesão na Região.
4 - A luta da campanha dos 5.000 jornais para a reconquista do Luta Popular diário, vai continuar a centrar-se na questão do pagamento integral. O jornal é para ser pago integralmente e os objectivos para serem cumpridos. Todas as organizações devem fazer o seu balanço, lutar por pagar todas as dívidas que acumularam, e acima de tudo, não devem descansar um só momento no combate implacável às ideias e concepções reaccionárias, capitulacionistas e liquidacionistas, não pagam o jornal desmascará-las e isolá-las e liquidá-las. Podemos e devemos intensificar de forma decisiva a luta pelo pagamento integral. Nem um tostão de dívida ao jornal, tal é o espírito que nos deve animar.
18. Numa palavra, quanto à questão da ofensiva do Partido na Região, na edificação do Luta Popular, à Aplicação das Teses Sobre a Imprensa do Partido, a aplicação do Plano Anual resume-se a "Alterar a atitude do Partido face ao jornal, e ultimar e preparar tudo para a obtenção da vitória de um forte e consolidado jornal diário marxista-leninista para as amplas massas.
Que toda a Região de Lisboa se una para persistir no contra ataque pelo Luta Popular diário.

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