domingo, 28 de maio de 2017

1977-05-28 - RELATÓRIO DA ACTIVIDADE NAS 100 GRANDES FÁBRICAS E EMPRESAS DA REGIÃO DE LISBOA - PCTP - MRPP

I CONFERÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO REGIONAL DE LISBOA
LISBOA 28/29 MAIO

RELATÓRIO DA ACTIVIDADE NAS 100 GRANDES FÁBRICAS E EMPRESAS DA REGIÃO DE LISBOA

SAUDAÇÃO
Ao apresentar a esta Conferência o Relatório sobre a actividade do Partido nas 100 Grandes Fábricas da Região de Lisboa, saúdo a classe operária portuguesa cuja história é a história da luta contra a sociedade da exploração e da opressão; é a história da luta pela fundação e edificação do seu Partido - o Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses que a há-de conduzir à vitória.
Saúdo todo o Partido e em particular a Conferência da Organização Regional de Lisboa que hoje se encontra reunida nesta sala tradicionalmente ligada às lutas da classe operária, uma Conferência que é fruto da luta e que está virada para a luta da edificação do Partido e para a direcção das lutas do Povo.
Saúdo o Comité Central do Partido e particularmente o camarada Secretário-geral - Arnaldo Matos.
Prestar contas ao Partido da forma como está a ser aplicada a política traçada pelo Congresso e pelo I Plenum, e constante do Plano Regional, numa Região que abarca mais de 40% do proletariado industrial moderno do nosso país; uma Região onde se situam algumas das maiores fábricas do país (Sorefame, Cometna, Mague, etc.), é ainda cumprir a política do Partido: ouvir as massas de dentro e de fora, trabalhar sob planos e fazer balanços, edificar o Partido na luta e para a luta.

A NECESSIDADE DO PARTIDO
Nos últimos 3 anos, a classe operária obteve grandes vitórias e também sofreu algumas e significativas derrotas. Derrotas para que todos os oportunistas, em especial os revisionistas, trabalharam duramente através das formas mais insidiosas e também descaradas, sempre que o agudizar da luta os obrigava a revelar a sua verdadeira face de agentes da burguesia no seio da classe operária.
Derrotas que a classe operária se esforçou por impedir, mas que nem sempre o conseguiu e no essencial não o conseguiu, por ausência de uma direcção única, reconhecida, firme, justa e correcta.
O MRPP logo após o golpe militar do 25 de Abril, na sua I Conferencia Nacional de 3-6 de Maio, fez uma análise da situação que os factos posteriores têm vindo a confirmar par e passo, e apontou o único caminho que a classe operária tinha a seguir para não sair derrotada e fazer avançar a revolução.
No histórico comício do 18 de Julho, o MRPP, o nosso Partido, apontou claramente à classe operaria e ao povo que o caminho a seguir era o caminho da tomada do poder e do preenchimento das condições para cumprir essa tarefa fundamental.
Logo após o 25 de Abril, quando todos os partidos burgueses procediam ao render da guarda e ocupavam posições nos lugares deixados vagos pela falida clique fascista que até aí presidia ao governo da burguesia e do Capital, quando todos esses partidos traidores apelavam à classe operária e ao povo para que ficassem em casa, acreditassem na "revolução dos cravos" e intensificassem os seus esforços para recuperar a economia capitalista, a classe operaria o que fazia?

25 DE ABRIL - A CLASSE OPERARIA E COLHE O CAMINHO DA LUTA
De forma espontânea, descoordenada, mas generalizada, mostrou que, pelo menos, tinha consciência que esse não era o caminho que poderia seguir, pois nunca poderia acreditar que os exploradores, os reaccionários, os fascistas que a tinham oprimido e sugado, pudessem transformar-se em democratas e socialistas.
A classe operária teve consciência que, se havia uma revolução para ela apoiar, tinha de ser para melhorar as suas duras condições de vida e de trabalho, e não para as agravar; tinha de ser para afastar os fascistas e os reaccionários dos lugares donde sempre lhe ditaram e pro curaram impor a opressão e escravidão, e não para os conservar.
A classe operária sabia e sabe por experiência que, se não lutasse ficaria indefinidamente à espera do que só ela podia querer e impor.
Por isso, a classe operária, de Norte a Sul do país, se levantou num poderoso movimento grevista que teve contra ele todos esses partidos e os sindicatos entretanto tomados de assalto pelos revisionista e que teve apenas a seu favor o nosso Movimento - o MRPP - que se não limitava a apoiar, mas apontava o verdadeiro caminho a seguir.
Seguiu-se a repressão das lutas, precedida da repressão dessa minoria revolucionária que era o MRPP e que conseguia ocupar os homens da política dos grandes partidos burgueses.
A classe operária, ainda que nem sempre de uma forma consciente, inscrevia nos seus cadernos reivindicativos, ao lado das reivindicações imediatas e económicas por melhores salários e melhores condições de trabalho, inscrevia também outras reivindicações mais profundas que só o MRPP defendia e defende:
- a luta pela semana das 40 horas
- a luta pelo saneamento dos fascistas e lacaios do patronato.
Foi a greve do Metropolitano em Maio de 1974, pelo salário de 6 500$00 e pela semana das 40 horas; a luta da Automática por reivindicações económicas e pela semana das 40 horas; a greve da Messa pelos 6 000$00 de salário mínimo e pela semana das 40 horas; a greve dos padeiros pelo horário diurno, pelo aumento de salários e pela semana das 40 horas; e todo um caudal de greves e outras lutas que envolveram cerca de um milhão de trabalhadores.
Rapidamente este movimento grevista de Maio ganhou aspectos novos: o seu carácter prolongado, a luta contra os despedimentos e pelo saneamento dos responsáveis fascistas.
Na Metalúrgica Duarte Ferreira (Cabo Ruivo) os operários travaram uma greve de mais de 60 dias, contra os despedimentos, pela expulsão dos responsáveis fascistas e pela satisfação de reivindicações económicas.
Na ITT/Standard, as operárias são a força principal de uma importante luta que levou à greve em 14 de Maio com os seguintes objectivos: aumentos de salários, melhores condições de trabalho, semana das 40 horas e pela expulsão da administração fascista.
Na Charminha as operárias desencadeiam em Junho uma prolongada luta com a ocupação da fábrica, pela semana das 40 horas, pela satisfação de reivindicações económicas e pelo saneamento da encarregada.
Na Cambournac, 800 operários decidem entrar em greve pela reivindicação de um mês de férias, aumento de salários, semana das 40 horas e saneamento dos lacaios dos patrões.
Os operários da EFACEC/INEL decidem, em plenário, entrar em greve que seria uma das greves mais prolongadas e com ocupação, que poria à prova a capacidade de resistência e firmeza da classe operária: pelo aumento geral de salários, contra as horas extraordinárias, pelas 40 horas e pela expulsão dos lacaios do patrão.
Em 22/8/74, 300 trabalhadores do Jornal do Comércio decidem entrar em greve - que se manteria por muitos dias - pelo saneamento do fascista Carlos Machado.
E seria longa a lista que teríamos de enumerar.
Todas estas greves e reivindicações, em especial a luta pelas 40 horas e pelos saneamentos, mobilizaram contra elas os partidos conciliadores e traidores.
Em todas elas se destacaram sempre os lacaios do partido revisionista de Barreirinhas Cunhal que apareciam em todo o lado a tentarem quebrar os trabalhadores.
Convirá referir, pelo conjunto de lições que encerram e por se tratar de lutas em que o nosso Partido assumiu uma posição de direcção, duas lutas que marcam a história da classe operária do nosso país, tanto pela firmeza de que elas são exemplo, como pela dureza da repressão que sobre elas se abateu.

- a luta da Tap
Em 12 de Julho de 1973 a polícia de choque invadiu as instalações do Aeroporto e carregou sobre os operários concentrados frente ao edifício da administração, onde exigiam a aceitação das tabelas salariais. Apesar da sanha assassina dos esbirros da polícia, a resistência e a firmeza demonstrada impôs a saída de tal escumalha e, prosseguindo na luta, foi conquistada a tabela salarial e imposto o regresso dos operários presos entretanto.
Esta primeira grande luta da classe, desencadeada na TAP e, desde logo, dirigida pelo nosso Partido, foi objecto de um comunicado do Comité Lenine - Comité Central do MRPP - onde era feita a análise política de tal confrontação e saudada a classe operária da TAP.
Poucos dias depois do 25 de Abril, os trabalhadores concentram-se frente ao edifício da administração fascista, exigindo a sua expulsão imediata.
A burguesia viu-se assim obrigada a retirar aquela administração. Mas logo é cozinhada uma Comissão Administrativa composta por 3 militaristas e 3 ditos representantes dos trabalhadores.
Entretanto iniciara-se as negociações do ACT.
Em 12/7/74, sob a nossa direcção, os trabalhadores concentraram-se numa manifestação e realizam um comício junto ao Hangar 6. Recomeça a germinar a revolta agora também contra a comissão sindical revisionista que tinha traído os trabalhadores e estava ao lado da administração.
É aprovada a constituição de um caderno reivindicativo com os seguintes pontos: aumento salarial; saneamento directo por parte dos trabalhadores e julgamento público em assembleia de massas dos fascistas responsáveis pelos acontecimentos de 12.7.73; divisão equitativa dos lucros de 1973, cessando a partir daí a comparticipação dos trabalhadores nos lucros; recusa de despedimentos; aplicação do horário semanal do ACT; exigência de um posto médico aberto 24 horas e uma ambulância de serviço permanente; andamento das negociações do ACT independentemente das negociações do caderno reivindicativo.
Entretanto, em 12.8.74 é levada à prática a semana das 40 horas.
Em 26.8.74 é decidida a entrada imediata em greve e constituídos o secretariado da greve, a comissão de informação e a comissão de cultura que entram de imediato em funções.
Nessa mesma noite, através de vários postos de rádio, toda a burguesia, com a escumalha revisionista à cabeça, desencadeia uma grande campanha de calúnias contra a greve da TAP.
A TAP é invadida por 12 chaimites.
A greve mantêm-se organizada.
Em 27.8.74 um plenário de 4.000 trabalhadores votam maciçamente a continuação da greve. Durante o plenário dois caciques social-fascistas - Daniel Cabrita e Costa Martins - tentaram fazer aprovar a suspensão da luta, ameaçando de militarizar a empresa.
Em 28/8/74 a TAP é declarada sob foro militar passando o RDM fascista a reger a empresa, mas a luta nem por isso recuou.
O COPCON ocupa a empresa e tenta obrigar a trabalhar os operários sob a mira das G3 e das “Chaimites".
Em 23/9/74 é feita uma grande manifestação pela imposição da libertação de alguns camaradas presos, e é conseguido.
Às Zero horas de 25/9/74, 200 operários do hangar 6 são despedidos, tendo resistido até às 2 da madrugada, acabando por ter de abandonar as instalações debaixo de armas e perseguidos por cães polícias.
Às 8 horas 150 operários das equipas e do mesmo hangar são também despedidos.
A luta intensifica-se, novas grandes manifestações são efectuadas, grandes concentrações nas instalações da TAP exigem a reintegração imediata dos camaradas suspensos e despedidos.
Em fins de Setembro a burguesia vê-se obrigada a desmilitarizar a empresa e a reintegrar todos os trabalhadores.
Mas em Outubro, de novo são suspensos e sujeitos a interrogatório pidesco 55 trabalhadores dos mais destacados na luta, onde, evidentemente, vários camaradas do Partido estavam incluídos.
Desde o seu início a grandiosa luta desencadeada teve sempre como opositores activos e estreitamente coligados fascistas e social-fascistas.
A luta prosseguiu, o caderno reivindicativo e o ACT chegam a estar suspensos nas negociações até à reintegração total, e sem qualquer sanção de alguns trabalhadores ainda suspensos.
Quando nova greve com ocupação da empresa é decidida, o Governo social-fascista nacionaliza a empresa como medida tendente a fazer recuar todos os trabalhadores sob o pretexto de, agora, nacionalizada a empresa é já dos trabalhadores. Tal tentativa apenas impediu o reinício da greve na data aprazada, 21/4/75, mas não conseguiu evitar que todos os operários mantivessem uma grande disposição para intensificar a luta.
Em 23/4/75, é aprovada uma moção de repúdio e censura aos membros da Comissão Sindical com excepção de 2 operários nela incluídos, os quais assumiram a posição autónoma de desmascarar todo o resto daquela Comissão, dominada por traidores revisionistas. A moção aprovada levou o conhecido ministro social-fascista Veiga de Oliveira a propor o saneamento dos subscritores do documento.
É de novo iniciada greve progressiva com ocupação permanente em sucessivas concentrações e plenários diários onde é feito o ponto da situação.
Durante esta greve, o trabalho cultural assumiu um papel relevante e contribuiu para manter uma ampla mobilização nas 24 horas de cada dia.
A greve concluiu-se com a assinatura do ACT contendo uma parte significativa das reivindicações.
Durante este período foi eleita a Comissão de Trabalhadores quase totalmente composta por operários e trabalhadores organizados no nosso Partido.

- a luta dos TLP
Foi com base na elaboração de um caderno reivindicativo que traduzia as aspirações imediatas e sentidas dos trabalhadores dos TLP, que a direcção do 1º Sindicato – LUTA! UNIDADE! VITÓRIA! soube unir todos os trabalhadores dos TLP e conduzir uma luta cheia de ensinamentos.
Foi contra os revisionistas no Poder que essa luta foi conduzida porque foram eles os seus primeiros e principais opositores.
A ORGANIZAÇÃO DA GREVE
3 dias de greve de zelo foram a preparação da greve que seria declarada no dia 18 de Junho de 1975, depois da realização dum plenário nesta sala da Voz do Operário.
Após o Plenário, os trabalhadores compreendendo a importância que tinha a informação do Povo sobre a razão da sua luta e prevendo os ataques e as calunias que a burguesia iria desencadear dirigem-se nessa mesma noite à Rádio Renascença (também em luta contra a devolução ao Patriarcado) e conseguiram que a direcção do Sindicato dissesse ao Povo as razões da greve.
Nessa mesma noite, centena e meia de trabalhadores, reunidos no Sindicato organizaram a greve: Criam-se:
- Comités de Greve em cada local de trabalho;
- Comités de Greve Moveis;
- Coordenadora da Greve, com Sede num local de trabalho;
- Cria-se o Boletim de Greve;
- Elaborou-se o Plano de Luta.
A condução da luta contra os fura-greves social-fascistas obteve, ao fim de 7 dias uma adesão de 100% à greve.
A REPRESSÃO DA LUTA
Desde o início que toda a burguesia, em especial os social-fascistas que então dominavam a Informação e o Ministério das Comunicações (o Ministro Veiga de Oliveira), lançaram os mais torpes ataques à greve, ataques que vieram a culminar com a invasão das Centrais Telefónicas pelo COPCON, ao mesmo tempo que eram feitas buscas a casa de camaradas e presos os que encontravam.
Nesse mesmo dia, 2/2/75, os trabalhadores dos TLP (cerca de 5.000) saíram mais uma vez à rua como o fizeram no primeiro dia de greve, deixando bem clara a sua firme disposição de lutar.
A burguesia recuou e a ocupação militar foi levantada.
DE UMA LUTA ECONÓMICA A UMA LUTA POLÍTICA
No decorrer da luta os trabalhadores dos TLP souberam transformar a sua luta numa luta mais geral da classe operária e do Povo contra a exploração, contra o fascismo e contra o social-fascismo.
Nas manifestações de rua, espontaneamente as massas começaram a gritar “A Luta Continua! O Ministro para a rua!". O que mostra o carac­ter político que a luta tinha assumido.
Por outro lado, nessa altura os órgãos do Poder controlados quase exclusivamente pelos social-fascistas, tinham nas suas cadeias cerca de 400 revolucionários marxistas-leninistas presos, entre os quais o camarada secretário-geral do MRPP - Arnaldo Matos, e os trabalhadores dos TLP souberam ligar a sua luta contra a exploração, à luta pela libertação dos seus camaradas revolucionários presos.
Gritaram-se nas ruas palavras de ordem como "Libertação Imediata dos Anti-fascistas presos."
Foi aprovada em assembleia por esmagadora maioria uma Moção exigindo a libertação imediata dos anti-fascistas presos.
UNIR A LUTA À LUTA DE OUTRAS EMPRESAS
No dia 4/7/75, realizou-se uma grandiosa manifestação operária com a presença dos trabalhadores dos TLP - CCT - TAP - e METRO, nessa altura, quase todo o sector de comunicações estava em luta. Daí à queda do Ministro Veiga de Oliveira e do próprio Governo, foi um passo.
A GREVE DOS TLP
- O Caderno Reivindicativo era justo e tinha os pontos necessários à mobilização da esmagadora maioria dos trabalhadores;
- O início e decorrer da luta foi sempre acompanhada de uma mobilização constante dos trabalhadores (agitação escrita, agitação oral pelos Comités de Greve, 3 manifestações de rua e cartazes murais nas centrais e locais de trabalho e, também, nos principais pontos da cidade - estações de Metro e Comboios, praças etc.) o que permitiu uma resposta taco-a-taco às calunias e insinuações da informação burguesa;
- A saída frequente (dia sim, dia não) do Boletim de Greve, um jornal que além de fazer o ponto da situação e apontar o caminho a seguir em cada momento, tinha crónicas dos vários locais de trabalho escritas pelos próprios trabalhadores em luta, o que o tornou o Boletim de Greve num autêntico de jornal de massas e para as massas;
- O desmascaramento constante dos revisionistas que ao tentarem apagar o fogo da luta (e furando a greve) fez com que as massas lhes aplicassem o justo correctivo;
- A agitação e a propaganda foram variadas e incisivas: fez-se dezenas de jornais murais a mostrar os ordenados dos administradores e directores da empresa em comparação com os ordenados mais baixos, aliás, os da grande maioria.

AS COMISSÕES DE TRABALHADORES
A NOVA FASE DA LUTA PELO PODER
Os operários compreenderam também que a questão da unificação e da firme direcção das lutas era, como o MRPP apontava, uma condição necessária para vencer todos os cercos, todas as sabotagens e conduzi-los à vitória.
As comissões de trabalhadores surgem como uma necessidade da classe operária de se organizar autonomamente e de poder dispor de órgãos próprios que dependessem exclusivamente da sua vontade. Esses órgãos começaram a surgir por todo o lado eleitas em plenários de fábrica e empresa.
Todos os partidos burgueses se põem de pé atrás; os revisionistas, como nestes casos vão sempre à frente, lançam-se de imediato numa intensa campanha de calúnias e ataques com vista a destruir esses órgãos novos que a classe operária criava. Tentam fazer crer que eles são um contra-poder contra as comissões sindicais, procurando assim dividir os operários e esconder o que as comissões de trabalhadores eram na realidade: o embrião de uma organização do poder dos operários contra o poder e o Estado da burguesia.
O MRPP é o único Partido que exorta os operários a defender e a multiplicar por todo o lado esses órgãos.
Duas classes, duas políticas, duas posições.
Liquidar rapidamente esses órgãos - era a tarefa imediata que se punha a toda a burguesia para recuperar o terreno perdido e repor a sua "ordem democrática".
Desenvolver esses órgãos, fazer deles aquilo que eles tinham condições para vir a ser: órgãos do poder político dos operários - foi a tarefa que os marxistas-leninistas - o MRPP - sempre apontaram aos operários, como única forma de fazer avançar a revolução.
A multiplicação e o desenvolvimento desses órgãos e o desenvolvimento da luta de classes, colocou, de imediato, o problema da sua centralização.
O Congresso das Comissões de Trabalhadores, realizado na Covilhã, nos dias 27 e 28 de Setembro de 1975, no qual participaram comissões de trabalhadores das OGMA, CAMBOURNAC, TLP, EFACEC, AEP, SOCIEDADE ESTORIL
(da Região de Lisboa), revelou-se de uma tal importância, de um tal alcance e de tamanha oportunidade que levantou contra si toda a burguesia, com os revisionistas à cabeça. E estabelecem o seu plano de ataque à grande vitória que foi esse Congresso, adoptando a seguinte política de ataque aos operários: liquidar as Comissões de Trabalhadores, tomando-as de assalto; preparar um congresso fantoche com vista a impedir a unificação de todas as Comissões de Trabalhadores sob uma direcção única; criar a cisão, para impedir os operários de se organizarem.
O 25 de Novembro seria o coroar dessa política de traição, que o nosso Movimento, no dia 11 de Setembro, através do Apelo à Esquerda do camarada Arnaldo Matos, caracterizou como uma forte contra-corrente no seio da revolução, a fim de a desviar do seu rumo certo.
Quando no dia 25 de Novembro, os social-fascistas procuraram servir-se desses órgãos e implicá-los no seu golpe reaccionário, logo o MRPP alertou que embarcar nessa aventura só podia conduzir ao descrédito e à liquidação, ainda que temporária desses órgãos.
Precisamente no dia 26 de Novembro de 1975, o nosso Movimento lança a directiva "Hoje Plenário de fábrica em toda a Região de Lisboa” em que apontava à classe operária e a todos os trabalhadores, como tarefas imediatas e urgentes:
- Realizar amplos plenários em todos os locais de trabalho, para debater a situação política;
- Eleger, nesses plenários, e onde não existam, os seus órgãos de vontade popular;
- Limpar os que existam, de todos os conciliadores, oportunistas e traidores;
- Eleger dirigentes para centralizar regionalmente e unificar por sector de actividade os órgãos de vontade popular;
- Aplicar a semana das 40 horas;
- Aplicar o controlo operário à produção e à distribuição;
- Pensar seriamente no armamento do povo de forma maciça e organizada com o estreitamento das ligações com as comissões de soldados;
- Levar por diante a política da Frente Única;
 - Defesa intransigente da democracia operária;
- Formação de milícias nas fábricas, para defesa imediata e salvaguarda dos bens do povo;
- Aprovação de moções sobre a situação política, com expulsão dos social-fascistas que não aprovem as moções aprovadas por maioria.
E essa directiva terminava dizendo:
"A classe operária não pode esperar mais um segundo. O partido social-fascista deve ser considerado responsável pela divisão que existe no seio da classe operária e pela insuficiências que ainda não foram superadas e que impedem de fazer marchar decididamente para o assalto ao poder”.
Os factos e a evolução da situação vieram comprovar mais uma vez que esse era o caminho certo que se abria à classe operária.
Os oportunistas obtiveram uma vitória. A classe operária não conseguiu superar a tempo as suas insuficiências e seguir o único caminho que podia seguir.
Hoje, a classe operária continua a ter de travar duras lutas para defender aquilo que conquistou nestes três anos e que só poderia ter assegurado se não tivesse sido impedida de avançar e desviada do rumo a seguir.
É no calor desta luta, e para dirigir essa luta, quando os oportunistas e particularmente os revisionistas aparecem mais desmascarados - mas sempre a tentarem recuperar o tempo perdido e a lançar novas ilusões -     que se funda o Partido da classe operária - o PCTP - no dia 26 de Dezembro de 1976.
É necessário que esse Partido seja reconhecido pela massa dos operários e a ele adiram; é necessário que os operários e todo o Partido retirem as lições das lutas travadas; que os operários compreendam as ilusões sucessivas que os oportunistas lhes têm criado e que só o MRPP e agora o PCTP lhes falou e fala verdade e lhes apontou como único caminho, o caminho da unidade da classe e da luta pelo poder como condição para a satisfação das suas próprias reivindicações imediatas.

EDIFICAR O PARTIDO NA LUTA E PARA LUTAR
Um Partido não se funda quando se quer, nem a sua fundação significa o fim de qualquer outra coisa a não ser o fim das esperanças para a burguesia de impedir que a classe operária encontre a direcção que precisa para esmagar a classe dos opressores, exploradores e parasitas.
O Partido fundou-se para a guerra, e no momento preciso em que a burguesia declara uma guerra de longo alcance contra as conquistas da classe operária, e a classe operária se levanta disposta a defender essas conquistas e a avançar no caminho da Revolução.
Tomando o Congresso e as Resoluções do I Plenum como o guia seguro para o cumprimento das pesadas tarefas que incumbem aos comunistas, incumbem à classe operária e ao seu Partido, o Comité Regional de Lisboa, na sua II Reunião realizada em Fevereiro último, elaborou um plano Geral da Ofensiva do Partido na Organização Regional de Lisboa em que se nos aponta claramente as grandes fabricas como o centro das nossas forças, o pilar do Partido Comunista.
Edificar o Partido nas 100 Grandes Fábricas - foi a justa e correcta palavra de ordem para toda a Região.
É desse trabalho que se impõe neste momento um balanço que tome como princípio: analisar o passado e o presente e as lutas do passado e do presente, para avançar com maior firmeza, maior decisão e mais rapidamente.

I. A ORGANIZAÇÃO DAS 100 GRANDES FÁBRICAS
Tomando como base o movimento de adesão, o Plano Regional apontava o objectivo da criação de células ou, pelo menos, o estabelecimento de um contacto em cada uma das 100 Grandes Fábricas do Plano.
Hoje verificamos que estão representadas nesta Conferência 60 das 100 Grandes Fábricas, enquanto que no Congresso da Fundação só estiveram apenas 30.
E se não estão já hoje aqui presentes representantes de todas essas 100 fábricas, isso deve-se à linha que está contra a organização das fábricas, que se recusa a compreender e aceitar que o Partido que temos que edificar é um Partido dos operários, assente nos operários.
A organização das fábricas é a condição necessária e fundamental para que todo o restante trabalho do Partido - o trabalho dos bairros, vilas e aldeias e todo o trabalho de massas - se desenvolva e se consolide. Pensam mal aqueles que pensam o contrário. É como se quisessem construir as paredes em cima do telhado.
Se o nosso trabalho nas fábricas avança, todo o Partido avança e se desenvolve. Se o trabalho nas fábricas não avança, o que espera o restante trabalho é andar para trás.
A fábrica é a fonte onde o Partido tem de mergulhar e ir beber. A organização das fábricas é a organização e a edificação do Partido.
O movimento de adesão - que sofreu resistências e boicotes da parte de certos responsáveis, revelou-se como uma fonte inesgotável de recursos. As 331 adesões vindas das 100 Grandes Fábricas são já uma grande força que tem as suas raízes no movimento da classe operária para reconhecer o seu Partido e a ele aderir.
É necessário que esse movimento se intensifique. É necessário que se adopte a política da porta-aberta aos operários; que se combatam os pontos de vista sectários; que se dedique uma particular atenção à educação e preparação dos aderentes, de forma a armá-los para responderem aos problemas sobre os quais terão que decidir nas fábricas, nos sindicatos e em todo o lado.
É necessário que a nossa Conferência discuta profundamente esta questão, para que ela assinale um poderoso e decisivo salto nesta matéria.

II.  ESTAR NAS LUTAS PARA AS INFLUENCIAR E DIRIGIR
Estar em todas as lutas para exercer sobre elas a nossa influência, direcção e hegemonia - é a orientação que nos é dada pelo I Plenun.
Tomar a cabeça da luta pelos contratos colectivos é a directiva que nos aponta o Plano de Acção e Tarefa Central aprovado pelo Comité Regional de Lisboa.
A história da classe operária é a história das suas lutas. Isso significa que quem se coloca de fora das lutas que a classe operária diariamente tem de travar, está fora da classe.
Só a classe operária luta por melhores contratos colectivos, por melhores condições económicas e sociais, os comunistas têm de estar a frente dessas lutas, para as conduzirem à vitória e para, através delas, fazer avançar a consciência política dos operários na perspectiva, da tomada do poder.
Quando se diz que se deve "fazer da actividade sindical o eixo do trabalho dentro da fábrica ou empresa", isso significa que em determina da situação os sindicatos desempenham papel de relevo na condução das lutas das massas, e por isso os comunistas têm de estar onde estão as massas e assegurar ai a direcção das suas lutas.
Na situação actual, a classe operária defronta-se com uma dura luta contra as desintervensões e o regresso dos patrões e contra os despedimentos.
Esse ataque que a burguesia move vem acompanhado do ataque a um conjunto de outras já obtidas, e tem a ver com a liquidação dos contratos colectivos a fonte de "desestabilização" - por portarias em que o governo, de acordo com os superiores interesses da economia (da burguesia) pretende impor aos operários aviltantes condições de trabalho.
Os comunistas devem saber apontar claramente aos operários, que a razio desse ataque reside, antes de mais, nas traições revisionistas que quando os operários queriam avançar para os saneamentos, sempre quiseram fazer ver que se não deviam sanear os fascistas; que quando o nosso Partido dizia aos operários que deviam exigir as nacionalizações, eles - os revisionistas - eram os primeiros a opor-se-lhe, no governo e no seio dos operários, a essa medida, que quando o nosso Partido apontava com a necessidade de criar comissões de trabalhadores e impor o controlo operário, eles defendiam as "batalhas da produção” o controlo e o policiamento dos operários e procuravam regulamentar ao nível do governo aquilo que os operários só podiam querer e defender na exacta medida em que estavam contra o governo e as suas leis, quando o nosso Partido defendia a necessidade de criar milícias operárias nas fábricas, para defender os bens do povo, eles respondiam com os CDRs social-fascistas; que quando os operários queriam lutar, eles diziam que esse era o caminho de regresso ao fascismo.
Os comunistas devem saber apontar aos operários, que o caminho a seguir é o caminho de unir a classe e avançar na luta, na oposição ao regresso dos patrões justamente saneados pela exigência da nacionalização dessas empresas, pela aplicação do controlo operário, pela intensificação e reforço das suas comissões de trabalhadores eleitas democraticamente e revogadas quando os operários o entenderem, pela oposição aos despedimentos.
Estar nas lutas, para as dirigir, deve ser a bandeira que temos de empunhar com firmeza.

III. A CLASSE OPERARIA E A CAMPANHA "FUNDOS DO POVO PARA O JORNAL DA VERDADE"
Ao atingir a Região de Lisboa o objectivo traçado no campanha "Fundos, do Povo para o Jornal da Verdade", contra a linha que a tentou impedir, à cabeça da qual se encontrava a oportunista Teresa, responsável pela direcção dessa campanha, a classe operária foi a força principal e decisiva da campanha.
As grandes fábricas tiveram uma influência decisiva na conquista de objectivo fixados.
A classe operária compreendeu a importância política desta batalha para a edificação do seu Partido. Ela constituiu o 1º grande apoio imediatamente após o Congresso, para animar o Partido para as batalhas que se seguiram e que se seguirão.

IV.  INTENSIFICAR A LUTA CONTRA O REVISIONISMO
O nosso Movimento e o nosso Partido sempre apontaram claramente que sem desmascarar, isolar e esmagar o revisionismo a classe operária não se conseguirá unir e levar a Revolução até ao fim.
O revisionismo nasceu como um produto da burguesia para consumo dos operários, para corromper os operários, destruir a sua consciência de classe, liquidar a sua força e organização.
É por isso, entre os operários, no seio dos operários, que o revisionismo deve ser desmascarado e combatido.
A questão que se nos coloca, o princípio de que temos de partir é este: se o revisionismo apareceu para combater os operários, não há duvida que o revisionismo terá os seus piores inimigos entre os operários, a partir do momento em que estes tomem consciência de que assim é, trata-se de saber se nós somos ou não capazes de encontrar os métodos correctos que permitam aos operários identificar o inimigo a combater.
Travar uma luta sem tréguas contra o revisionismo, é a tarefa que temos de cumprir enquanto houver classes na sociedade.
Devemos, no entanto, fazê-lo com oportunidade, isto é, de acordo com uma táctica adequada a cada caso, de modo que as suas posições saiam sempre mais enfraquecidas e desmascaradas perante as massas, e não reforçadas. Não podemos cometer erros que, no fundo, assentam na concepção errada e revisionista) de que o combate ao revisionismo pode ser travado de qualquer forma, fora do seio das massas e contra o sentir e o querer, por vezes errado embora, das massas.
Os comícios da Sorefame e da UTIC, numa altura em que toda a burguesia tentava envolver numa capa de democracia a farsa das suas eleições para a legislativa, foram um óptimo meio de desmascarar essa democracia e demonstrar aos operários, não apenas dessas grandes fábricas, que tipo de democracia era essa. Os revisionistas tiveram de dizer que o nosso Partido não podia falar aos operários, porque isso lança a dúvida entre os operários o nosso Partido não podia falar aos operários, porque isso iria lançar a dúvida entre os operários, iria levar os operários a interrogarem-se entre 2 caminhos. E eles não suportam que os operários pensem, se interroguem e os interroguem e lhes peçam contas.
Por isso esses comícios, mesmo não podendo efectivar-se foram uma grande vitória que, como o camarada Arnaldo Matos teve a ocasião de dizer na altura aos operários da UTIC, se traduziu nisto: naquele momento eram eles que impediam os operários de ouvir o que o MRPP lhes tinha a dizer, mas isso era já o prenúncio do dia em que os operários os impediriam a eles de falar na UTIC.
Ainda não passou muito tempo e já foram corridos da Comissão de Trabalhadores para onde foram eleitos camaradas nossos e outros elementos democratas.
Frutos diferentes são os que obtemos sempre que a nossa luta contra o revisionismo não é travada de forma correcta. A MAGUE é um exemplo de como não é por muito falar contra o revisionismo e atacarão social-fascismo que os operários podem compreender o que é a traição revisionista.
Os operários compreendem que, entre eles, todos devem ter o direito a falar e a apresentar as suas propostas. Mas já não compreendem que nós passemos a vida a gritar contra o revisionismo e não sejamos capazes de lhes mostrar na prática o que é o revisionismo, qual a solução para os seus problemas e em que é que as nossas soluções se distinguem das falsas soluções dos revisionistas.
É na luta que os traidores melhor se revelam. É por isso também que só estando metido no seio das lutas, acompanhando as lutas e tendo um plano e objectivos para essas lutas, nós poderemos mostrar aos operários quem diz defendê-los e os atraiçoa e quem na realidade os defende e vai até ao fim à sua frente.
O revisionismo existe. E parece que por vezes se tende a menosprezá-lo. O revisionismo tem de ser combatido com firmeza como o pior inimigo no seio dos operários. Não podemos pactuar com os pontos de vista errados só porque eles vêm dos operários. Mas temos de saber combatê-los tendo sempre em mente que um operário, se é na realidade um operário e não um vendido, está em condições de compreender aquilo que lhe não serve, aquilo que não pertence à sua classe, desde que nós saibamos fazer-lhe compreender e sobretudo o ajudemos a retirar as lições da sua própria experiência.
As condições são excelentes. O inimigo revisionista está novamente num beco de difícil saída. Uma nova batalha da produção, um reforço da exploração e da opressão, novas e grandes traições, é aquilo que eles têm para oferecer aos operários, como preço da sua quota parte à mesa do orçamento da burguesia.
Os operários metalúrgicos andaram 2 anos a ouvir falar - e a lutar - por um contracto que foi substituído por uma portaria; andaram 2 anos a trabalhar sem verem aumentos e agora também os não recebem; andaram 2 anos a alimentar parasitas que só os têm sugado.
E como os metalúrgicos, todos os outros viram ou estão a ver os seus contractos trocados pelo novo projecto dos dias de salário para a nação, antes que sejam reembolsados dos outros que já lhes roubaram como "garante do socialismo". Afinal as “batalhas da produção" e os "dias de salário’ Para a nação" parece que só fizeram andar o "socialismo para trás e hoje continua a ser-lhes pedido que trabalhem mais, porque "vem aí o fascismo" e temos de "provar" aos fascistas que a trabalhar não vergam os operários!
Os operários sanearam os fascistas e os sabotadores, e em muitos casos deitaram mãos ao trabalho para endireitar o que os patrões tinham arruinado e pagar as dívidas do que eles roubaram.
No entanto, hoje vêm os patrões e os fascistas a regressar às empresas; os revisionistas a dizer-lhes que o melhor é não lutarem para não vir o fascismo; os operários querem lutar e só o nosso Partido lhes diz que esse é o único caminho que têm a seguir: LUTAR!
As condições são boas. O que é preciso é que nós saibamos estar e em condições de cumprir as nossas tarefas com vista à edificação do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses.

VIVA A CLASSE OPERÁRIA!
VIVA O PARTIDO COMUNISTA DOS TRABALHADORES PORTUGUESES!

Sem comentários:

Enviar um comentário

1977-06-23 - PROCESSO DE UM PROCESSO - 2 - Rui Gomes

PROCESSO DE UM PROCESSO - 2 A FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DOS DIREITOS DO HOMEM   PRONUNCIA-SE   PELA IMEDIATA LIBERTAÇÃO DE RUI GOMES E...

Arquivo